Entre Aurora e Crepúsculo
1 01- Imprinting
O tempo não passava do mesmo jeito para Renesmee Cullen.
Ela crescia em ritmo acelerado, mas os sentimentos amadureciam com mais lentidão — como se sua alma decidisse experimentar o mundo em doses pequenas, enquanto seu corpo disparava em direção à vida adulta. Aos sete anos cronológicos, já tinha o corpo e o intelecto de uma jovem de dezenove. Mas só aos dez, começou a entender algo mais profundo. Algo que Jacob nunca lhe explicara completamente.
O imprinting.
Até então, Jacob era seu melhor amigo, protetor, seu porto seguro. Ele estava lá quando ela deu seus primeiros passos, quando se apaixonou pela leitura, quando começou a questionar o mundo. Mas em algum ponto — difícil de nomear, difícil de negar — a presença dele começou a significar outra coisa.
Um dia, enquanto caminhavam pela floresta de Forks, ela sentiu o coração apertar quando ele sorriu. Era diferente. Quente. Inquieto.
— Jake? — ela perguntou, sentando-se em uma pedra coberta de musgo. O sol poente dourava seus cabelos cor de bronze e iluminava os olhos castanhos dele. — Posso te perguntar algo?
— Qualquer coisa, Nessie.
Ela hesitou. O vento trouxe o perfume das árvores e o som distante de um riacho.
— Você me ama... como?
Ele a encarou por um segundo, como se estivesse esperando aquela pergunta há anos.
— Eu te amo de todas as formas possíveis — disse, com uma honestidade que fez o mundo ao redor silenciar. — No começo, era puro instinto. O imprinting me conectou a você. Eu não entendia, mas era como respirar. Com o tempo... foi mudando. Eu só não queria te pressionar. Você precisava descobrir por si mesma.
Ela o observou, sentindo algo doce e firme se instalar no peito.
— E se eu te dissesse que quero descobrir isso com você?
Jacob ficou quieto por um momento. Depois, se aproximou devagar, os olhos brilhando com emoção contida.
— Então... a gente vai com calma. Um passo de cada vez.
**
Nos meses seguintes, o que era amizade foi se transformando.
Eles começaram a sair sozinhos para cidades próximas, visitar livrarias, tomar café — mesmo que Jacob preferisse milkshake. Ela ria de suas caretas ao tentar entender livros de poesia, e ele fazia piadas sobre o gosto estranho de sangue artificial que os Cullen guardavam.
Em uma noite de outono, enquanto caminhavam por Seattle, ela parou sob uma árvore e olhou para o céu.
— Jake... lembra quando você me ensinou a dançar? — disse, referindo-se a um momento anos atrás em que ele, desajeitado, tentava acompanhá-la em passos de valsa no gramado atrás da casa dos Cullen.
— Eu lembro de cada segundo — disse ele, com um sorriso terno.
Ela estendeu a mão.
— Então me ensina de novo.
Ali, sob as luzes da cidade, com folhas caindo ao redor, ele segurou sua mão e a envolveu pela cintura. A música vinha distante de algum restaurante. Eles giraram lentamente. Pela primeira vez, Renesmee sentiu seu coração bater rápido, não por medo, mas pela antecipação de algo que esperava por muito tempo.
— Jake... — sussurrou.
Ele a olhou. — Sim?
— Acho que agora entendo o que você sentia desde o começo.
Ele sorriu, e dessa vez, havia algo novo. Não só ternura, mas desejo, afeto adulto, amor verdadeiro.
— Bem-vinda — respondeu, encostando a testa na dela. — Eu te esperei por uma vida inteira.
E naquele instante, ela entendeu: o imprinting era apenas o começo.
O amor, esse sim, era escolha. E eles estavam prontos para escolher um ao outro. Todos os dias.
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