Ensina-me a amar.
35 Sacrifício.
Notas iniciais

ANTHONY ''TONY'' STARK
'' Você não é um homem que se sacrifica.''
A voz de Steve soou em minha mente. Ele tinha razão, eu era egoísta demais para pensar em alguém antes de mim. Não estava no sangue Stark se sacrificar. Mas, era antes dela. Antes de a conhecer. Scarlet tinha me mudado em tantos aspectos. E tinha mudado sem sequer perceber, porque eu a amava. E eu era incrivelmente correspondido na mesma intensidade.
Eu tinha consciência de que não a merecia, de que ela tinha opções muito melhores do que eu. Ela era altruísta, justa, carinhosa e apaixonada. Eu a amava tanto. Que parecia que o sentimento iria me enlouquecer.
Nas últimas semanas, nós dois tentamos provar que não abriríamos mão do que acreditávamos um pelo outro. Eu, a favor e ela, contra. Nós separados e ela ao lado do Rogers. Mesmo, tendo tantas recaídas, quando é possível ter para um casal brigado. Só não conseguia manter minhas mãos longe dela.
Toda vez que eu pensava em ficar com raiva dela... Raiva por ela ser contra o tratado. Só era atingindo por uma necessidade descomunal de tê-la em meus braços, de sentir sua pele contra a minha, de ouvir o quanto ela me amava. O que mais me doía em toda essa situação era a distância dela. Nossa separação, nossas brigas, o meu ciúme descontrolado, a minha necessidade constante por ela e minha preocupação.
Eu não queria brigar, não queria levar nada disso as últimas consequências. Queria que ficássemos juntos. Só que aos acontecimentos apontavam para outro caminho. Um caminho que nos partiria no meio. E não suportava a ideia de feri-la.
O que custava que eles assinassem?
O que custava que permaneçamos unidos?
Quando ela apareceu naquele aeroporto e se colocou ao lado de Steve. Meu coração se partiu. Porque, sempre ele se colocava entre mim e as pessoas que eu amava? Eu tinha admiração por ele, é claro. A ferida feita por meu pai não cicatrizaria e agora, tinha Scarlet. Se ela se machucasse... Eu nunca iria me perdoar. E não perdoaria ninguém.
A batalha no aeroporto... Eu só não conseguia acreditar que tínhamos lutado uns contra os outros. E que apesar, dela não ter lutado contra quase ninguém. Ela estava do lado que eu não estava. Rhodes, Falcão, Scarlet e eu voando atrás do quinjet. Nós quatro com objetivos diferentes... Rhodes deu uma ordem a Visão e tudo desmoronou.
O disparo de Visão acertaria Rhodes. E ela o antecipou e o salvou, mas não conseguiu se salvar. E não pude protege-la. Não consigo nomear em palavras o que senti, quando aquele disparo a atingiu. Fui consumido pela dor e pelo medo de tê-la perdido.
Porque, ela? O que havíamos feito?
Não.
Não.
Não.
Por favor! Não.
Nós três mergulhamos para pega-la. Em um voo quase cego e instintivo. Scarlet tinha se tornado o coração dos Vingadores, todos se importavam com ela. Porque, ela se importava com todos. Tudo aquilo, o motivo de estarmos ali foi esquecido. Eu só precisava pega-la e mantê-la segura. Mas, ela caia rápido demais. Eu sequer sabia se ela estava viva ainda. Um disparo de uma joia do infinito á atingiu no coração. Voei, ainda mais rápido na intenção de pega-la.
Eu iria falhar.
Eu sentia em todo meu corpo que não ia dar.
Não ia dar tempo.
Hoje, eu perderia minha família.
Perderia meus filhos e o amor da minha vida.
Senti lágrimas saírem de meus olhos, faltava pouco para o chão. O impacto a mataria e perde-la me mataria. Os nossos momentos juntos passaram por minha cabeça e a possiblidade de perde-la se tornou insuportável.
NÃO! Eu não iria permitir.
— SCARLET! Gritei, tentando alcança-la. Havia tanta dor em mim, tanto medo. O mais genuíno dos desesperos. Decisões extremas devem ser tomadas em prol daqueles que amamos. E eu não presenciaria a morte da pessoa que eu mais amava no mundo sem fazer nada. Sem reagir, sem lutar. Eu sabia o que tinha que fazer. – Sexta-feira, você sabe o que fazer. Remova a armadura de mim e leve até ela.
Sexta-feira não protestou. Ela sabia que Scarlet era minha única e maior prioridade. Além dos Vingadores, além de mim, além do homem de ferro.
Senti a armadura se desprender do meu corpo em uma queda livre a envolvendo. Indo bem mais rápido por estar mais leve. Me preparei para o impacto, mas ela estaria a salvo e bem. Mesmo, tendo que conviver com a minha morte. Há quem eu queria enganar, ela nunca ficaria bem sem mim. Assim, como eu nunca ficaria bem sem ela.
Eu queria ter tido mais tempo. Queria ter a amado mais, ter reconhecido que por ela...Abriria mão de mim mesmo. Já que eu não era nada sem ela. Nem a morte, nem a vida. Só queria mais tempo com ela, concertar meus erros.
Ela estaria salva e se não estivesse, eu não estaria aqui para ver. Estaríamos juntos, onde estivéssemos. No fim, descobri que era o homem de sacrifícios.
O chão estava perto, agora. E sentia que dessa... Não conseguiria escapar. Ouvi Rhodes gritar meu nome. Fechei meus olhos, sentindo apenas a dor e por fim, a completa escuridão.
JAMES RHODES
A cena era a mais angustiante e desoladora que eu havia visto. Estava paralisado pelo choque. Eles estavam separados por alguns metros, apenas. Eu e Falcão nos ajoelhamos, sem saber como reagir. As lagrimas caiam por meu rosto. Scarlet envolta por partes da armadura de Tony e Tony, inconsciente apenas com o peitoral da armadura. Suas mãos apontavam um para o outro, perfeitamente. Tony sangrava pelo nariz e pela boca, inconsciente.
O amor deles estava os matando.
Por Deus! O mundo havia ficado em silencio e mais sombrio, assim que seus corpos bateram no chão. Era como estar olhando para algo inconcebível. Nunca pensei que presenciaria isso. E eu já havíamos presenciado tanta... Maldade no mundo.
Meu melhor amigo estava ali. Tony tinha se sacrificado por ela. Por quem mais ele se sacrificaria? Além, do amor de sua vida?
Falcão chegou perto dela, sentindo seu pulso. Ele parecia não querer toca-la por respeito a ele. Seu olhar preso á Tony, eu acreditava no tratado... Mas, vendo isso. Não valia a pena.
Não valia a pena. Neguei com a cabeça, chorando. Porque?
— Ela está viva, ainda. O batimento está fraco. Precisa de atendimento. Disse Falcão, apressado e angustiado. Senti seu pulso... Estava fraco também. Eles precisavam de socorro, imediatamente.
Como foi que as coisas saíram do controle desse jeito? Onde erramos tanto? As ambulâncias chegaram prestando os primeiros socorros, os colocando em macas. Natasha havia chegado e já chorava.
— O que aconteceu? Perguntou, suas mãos na boca. Observando os dois... Visão chegou com Wanda.
— Ela foi atingida por Visão. Ela caiu e Tony... Ele colocou a armadura nela, antes dela atingir o chão. Respondi, a culpa me consumindo, voltando a chorar. Eu dei a ordem para visão. E ela me salvou. Tínhamos ido longe demais. E agora, o preço foi cobrado.
— Eu vou com ela e você vai com ele. Disse, entrando na ambulância com Falcão. Enquanto, entrei na ambulância junto com Tony.
— Me perdoe, cara. Por favor, ela está viva... Faça a mesma coisa por vocês. Pedi, chorando. Os médicos frenéticos o circulavam. Desesperados para atendê-lo. Com certeza, haviam o reconhecido. Eu só pedia que Scarlet ficasse bem também. E os bebês? Ela devia ter perdido. Orava para Deus que não. – Tem noção de como ela vai ficar quando souber que você fez isso? Disse, isso era algo que eu não queria ver. Quando, ela acordasse e visse o que tinha acontecido com ele.
— Parada cardíaca! Exclamou o médico. O médico alcançou o desfibrilador, colocou em seu peito. Enterrei meu rosto entre minhas mãos... Não! Vamos lá. Não desiste, Tony. Por favor. Ouvi o som do desfibrilador para reanima-lo trabalhando.
Tony não podia partir. Voltei ao ouvir o som do desfibrilador e roguei aos céus que ele voltasse. Olhei para o médico e ele sorriu, aliviado.
— E então? Perguntei, com medo da resposta.
— Ele voltou. Mas, essa foi por muito pouco. Disse, acenando preocupado para mim. O motorista acelerou, ainda mais. Suspirei, aliviado. Tony havia voltado... Ele estava lutando para ficar. Minutos após, chegamos ao hospital. Chegamos, saindo da ambulância enquanto uma equipe médica corria para atendê-los. Os acompanhamos, até que fecharam a porta.
— Não posso acreditar que isso está acontecendo. Disse, Nat se juntando a mim. – Eu sabia que isso não terminaria bem... Mas, não esperava que fosse tanto.
— Tony acabou de ter uma parada cardíaca. Disse, a olhando. Ela ofegou, voltando a chorar. Falcão sentou ao nosso lado. Ele precisava ir, se não quisesse ir preso.
— Você precisa ir, Sam. Eles vão vim pegar você. Avisou Nat, Sam assentiu. Ele parecia arrasado e cansado.
— Eu vou. Só me mantenham informado do que acontecer com eles, está bem? Disse. Nat assentiu e ele se levantou, acenando e sumiu entre os corredores. Sabia que não veríamos eles, durante um bom tempo.
Me levantei, andando de um lado a outro.
— Vocês são parentes de Anthony Stark e Scarlet Cross? Questionou, a enfermeira.
— Somos amigos. Eles não tem família. Informei, a cortando.
— Somos a família que eles tem. Afirmou Nat e eu assenti, confirmando.
Ela assentiu, simpática.
— O Sr. Stark está em uma cirurgia nesse momento. As próximas horas serão decisivas para sua vida. Já a Srtª Cross, está em observação. Afirmou, nos encarando nervosa.
— Observação? E os bebês? Questionei, nervoso e confuso.
— Os bebês estão bem. Por mais incrível que pareça, nem os médicos entenderam como. Existe uma proteção em volta do útero que nos impede de vê-los. Apenas, ouvir o batimento do seu coração. Ela está ligada aos aparelhos. Mas, ela não acorda. Não conseguimos entender com perfeição sua fisiologia. Ela se cura, mas é como se estivesse em... Coma. Disse, olhando para nós tristemente. Coma? Ela estava em coma? Tony entre a vida e a morte e Scarlet em coma. Mas, pelo menos... Os bebês estavam bem. Agora, era somente esperar e orar que eles saíssem dessa.
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