Ensina-me a amar.
1 Capítulo 1
Em uma manhã nublada, com pequenas gotículas de uma chuva leve caindo sobre a cidade. Uma jovem garota, deitada sobre a cama e totalmente enrolada sobre a coberta, apenas mostrandos seus fios de cabelos negros e curtos, totalmentes desgrenhados, desliza sua mão para fora do cobertor, tateando por cima do criado mudo ao lado da cama, procurando o bendito despertador que não cansava de fazer um barulho ensurdecedor.
Assim que o desligou o mesmo, puxou com os pés, a coberta para o fim da cama e se espreguiçou.
Sua pele alva, quase tão branca como a neve, parecia combinar perfeitamente com o quarto mal eluminado. Ainda mais, quando tinha o pequeno costume de dormir de regata e com a parte debaixo de sua roupa íntima. Por sorte, morava em um pequeno apartamento e não teria ninguém ali para corrigi-la.
Ficou sentada, processando o novo dia que chegara. Olhou através da cortina e percebeu que o clima lá fora, não estava como o de costume. Deu um pequeno sorriso, pois adora dias assim, já estava contando os minutos para voltar do colégio e se enfiar debaixo de um cobertor e tomar um chá quente, enquanto assistia mais um de seus filmes favoritos de comédia.
Bocejou e finalmente decidiu se levantar. Arrastou os pés até o banheiro e lavou o rosto antes de descer até a cozinha para tomar um café da manhã composto de cereal, um copo de leite e uma fruta para acompanhar, de preferência, uma maçã ou uma banana.
Ao terminar de se alimentar, foi até sua sala de vizitas e ligou a televisão para deixar o quer que fosse, tocar enquanto se arrumava.
Seu pequeno gato malhado, Cokkie, erroscou-se entre suas pernas, miando. Holly o pegou no colo e o levou até seu pote de água e comida, na cozinha. O colocou no chão para pegar a ração, enquanto Cokkie olhava ansiosamente. Após encher o pote de ração, o felino cherou seu alimento antes de começar a comê-lo.
Holly aproveitou para voltar ao seu quarto e pegar seu uniforme e colocar sobre a cama. Pegou a toalha e dirigiu-se até o banheiro para tomar uma rápida ducha que ao terminar, vestiu seu uniforme do colégio e secou seu cabelo com o secador. Vereficou seu material, jogou a alça da mochila sobre o ombro e pegou seu tênis allstar preto e o calçou já na saída de seu apartamento.
Cokkie, por sua vez, atravessou a portinhola que Holly pediu para fazer especialmente para ele e esperou sentado do lado de fora sua dona, que não demorou muito para sair. A mesma não costuma andar de elevador, bate um calafrio só de pensar em estar de frente a um. Por isso, mesmo estando no quinto andar, desce as escadas acompanhada de seu gato.
Dá bom-dia ao porteiro Huns, um idoso muito simpático e que cuida de Cokkie quando Holly está fora. Logo atravessa o portão de saída para ir ao colégio.
Assim, é sua rotina logo pela manhã. Não que ela se incomode, muito pelo contrário, está muito satisfeita com os seus dias e não poderia pedir algo melhor.
Seu colégio também não fica muito longe, apenas quatro quadras e lá está ela. Alunos acabando de chegar, outros parados em frente ao portão e espalhados pelo pátio conversando entre seus amigos. Ela até não reclamaria do seu atual colégio, se sua mãe não fosse a diretora e exigisse que sua filha estivesse pelo menos entre os cincos melhores alunos do colégio Houston.
“Calma, apenas mais dois anos.” – Pensou consigo mesma.
— Holly!! – Escutou uma voz familiar lhe chamar e ao virar para trás, deparou-se com sua amiga. Megan Scott.
Megan é uma garota de cabelos enrolados e castanhos, seus olhos verdes e pele morena chama muito a atenção, além de seu corpo com curvas. Ela é a atual líder do grupo de basquete e está se preparando para um campeonato contra um outro colégio que ocorrerá em breve.
— Bom-dia Meggy. – Comprimentou-a com um sorriso doce.
— Bom-dia! – Ela parecia eufórica e então desatou a falar: — Aaah! Olly, eu estou apaixonada! É um garoto do terceiro ano e faz parte do time de basquete masculino!
Megan rodopiou abraçando a sua própria mochila com um sorriso bobo no rosto.
— Por favor, é apenas os hormônios falando mais alto. – Brincou a amiga, rindo da expressão de Meggy.
— Olly! Temos dezesseis anos, estamos na fase dos hormônios! – Meggy praticamente berrou, segurando com uma das mãos, o ombro de Holly.
— Ok, Senhorita Hormônios, pretende se confessar para ele?
Ambas começaram a andar lado a lado até chegarem em sua turma, que já estava agitada.
— Está louca? Mal o conheço!
— E ainda diz que está apaixonada... – Resmungou, negando com a cabeça.
— Já ouviu falar de, amor à primeira vista? — Megan estreitou os olhos para a amiga que logo fez uma careta de desgosto.
— Já me apaixonei à primeira vista várias vezes, por exemplo, por um bolo de morangos, por aquele croassan de chocolate, por aquele crepe de queijo ou então, por churros de nuttela! – Exclamou Holly, como se tivesse ficado ofendida, colocando a mão sobre o peito.
— Faça-me o favor Holly... – Megan revirou os olhos, como estivesse cansada de ouvir sempre a mesma resposta. – Eu digo por uma pessoa, um ser humano! E olha, não é difícil você arranjar alguém.
— Quando foi que essa conversa tomou um rumo diferente?
A aula começou, o intervalou passou... E lá se foi mais uma manhã no colégio. Meio dia e quinze e já estava em casa.
Passou por Hans que estava para sair e almoçar e Cokkie, já estava andando ao seu lado para subir até o apartamento.
Por um momento, Holly se sentiu desanimada. Está tudo tão... Normal. A manhã inteira ouviu sua amiga Meggy comentar sobre o rapaz que está atualmente apaixonada. Até mesmo foi arrastada para a quadra de basquete para vê-lo jogar uma partida descontraída com seus amigos e a cada cesta que ele acertava, era um suspiro arrancado de Megan. Por um lado, estava feliz pela amiga, mas por outro... Estava achando tudo aquilo muito insuportável.
“Qual é a graça de se apaixonar?” – Logo ao pensar, fez uma careta desconfortável e balançou a cabeça negativamente para espantar tais pensamentos e perguntas.
Ao entrar em seu apartamento, jogou sua mochila com uma certa raiva sobre o sofá e foi para seu quarto, para deitar em sua cama. Não estava com vontade de cozinhar e céus, aquela solidão que aos poucos parecia bater a sua porta.
Sua mente tomou um rumo completamente diferente.
Agora sentia falta. Falta de sua irmã, de seu pai e até mesmo da época em que se dava bem com sua mãe... Mas principalmente, falta de sua irmã. Aqueles afagos que recebia antes de dormir, os beijos de bom-dia em sua texta e nossa, como sente falta do almoço que ela preparava, do cheirinho que ela podia jurar, sentir já na esquina de casa.
Nunca conheceu seu pai, entretanto, gostaria de saber como é receber carinho de pai.
E droga, como se irrita ao pensar na sua relação com sua mãe. Como as coisas acabaram assim? Se culpa tanto por terem brigado e ainda assim, não tem a coragem de falar com ela. Seu orgulho quer fazê-la ouvir as desculpas da mãe, mesmo que ela não tenha feito nada de errado, uma parte de Holly, a culpa incansávelmente.
Mesmo com todos esses pensamentos tristes, a garota não chorou. Nem mesmo uma pequena gota de lágrima escorreu do canto de seus olhos. Já estava achando que é um caso perdido.
Frustrada. Levantou-se da cama e pegou um cachecol de dentro do seu guarda-roupa. O colocou envolta do pescoço e saiu do apartamento em passos rápidos. Cokkie estranhou o comportamento repentino de sua dona, mas não foi atrás, sentia que deveria deixa-la sozinha e quando voltasse, iria escorar seu rostinho na curva de seu pescoço.
“Preciso me distrair, preciso... Parar de pensar.” – Conforme andava pelas ruas, Holly repreendia-se a si mesma. Estava tão absorta em seus pensamentos, que mal se tocou do sinal vermelho para os pedestres e quase foi atropelada, se não fosse por uma mão amiga.
Estava no chão, estática. O que acabara de acontecer? Ela não consegiu entender.
— Você está bem? – Perguntou a voz, aflita.
— Huh? – Holly notou então, que estava praticamente em cima de um garoto. Levantou-se rapidamente e o julgou por ser mais novo. – Me desculpe e... Obrigada. – Disse, ajudando-o a levantar.
O jovem tem belos cabelos castanhos, meio bagunçados, mas o deixava fofo. Ao olhar para ela, Holly se impressonou com o verde de seus olhos. “Tão limpo e vivo.” – Pensou admirada. Seu tom de pele era normal, mas quando ele ficou em pé, ele era muito mais alto que ela.
— E-está tudo bem? – Gaguejou, agora mais preocupado, pois a garota não tirava os olhos do mesmo com aquela feição assustada.
— Ah... Sim, obrigada por me salvar... – Dizia, um pouco lenta.
— Jake. – Disse o garoto e ao perceber que a mesma o olhou confusa, repetiu: — Me chamo Jake Hertel.
— Sim!! É... Obrigada Jake. – Ficara constragida e começara a passar a mão no cabelo curto. – Agora eu vou indo e...
Porém foi cortada por uma exclamação repentina do garoto.
— Ah! Você é do Colégio Houston? – Jake analisou o uniforme de Holly com um enorme sorriso.
— S-sim, eu sou...
Estranhou, dando pequenos passos para trás.
— Jura?! Que maravilha! – Ele a segurou nos ombros, animado. Enfim, uma luz no fim do túnel. – Eu estou nessa cidade faz poucos dias e eu acabei me desencontrando com a minha mãe. Eu não conheço nada e eu deveria estar em frente ao Colégio Houston, mas sabe como é... Eu vi um sorveteiro do outro lado da rua, aí eu pensei. “Puxa, eu tenho dinheiro, não fará mal eu tomar um sorvete, não é? E está na frente do colégio”. Quando vi, uns caras estranhos se aproximaram e me ofereceram um lanche, me levaram até uma pequena lanchonete. Eles pagaram pra mim! O pessoal daqui é muito gente boa, mas aí eu lembrei que deveria estar em frente ao Colégio, aí fiquei caminhando e pronto, estava perdido, foi quando te vi e te salvei. E cá estamos.
Depois de um discurso, Holly tentou absorver tudo o que ele acabara de dizer. Sua única conclusão foi pensar que Jake é um cabeça de vento. E se ele não tivesse saído daquela lanchonete? Sabe-se lá o que teria lhe acontecido!
— Bom, eu posso te levar até lá, não fica muito longe. Por incrível que pareça, está na direção certa. – Sorriu gentilmente para o garoto.
— Obrigado! A propósito, eu não sei o seu nome.
— Me chamo Holly, Holly Minami.
Estenderam suas mãos e trocaram um aperto.
Caminharam lado a lado, jogando conversa à fora. Todos aqueles pensamentos negativos de mais cedo, já haviam sido deixado de lado. Holly, agora, estava rindo das histórias absurdas do garoto e realmente, mesmo sendo dez centímetros mais alto que ela, ele era apenas dois anos mais novo e apesar da personalidade avoada, o mesmo havia conseguido pular duas séries. O que deixou Holly surpresa, não no mal sentido, mas nunca conhecera alguém tão inteligente para que pudesse pular uma série. Nem mesmo ela havia conseguido tal proeza.
— Então... Chegamos. – Disse, parada em frente ao colégio.
— Muito obrigado, Holly. – Agradeceu o garoto, dando um rápido abraço na mesma, que por sinal, ficara muito surpresa com a atitude dele.
— Jake! Cheguei, desculpe a demora filho, não conseguia achar o caminho. – Uma mulher morena, de cabelos longos e loiros de olhos verdes, extremamente parecida com o garoto, saiu de dentro de um táxi e depositou um beijo na testa do mesmo. Logo se deu conta da presença de Holly e então sorriu. – Ora, não posso te deixar sozinho que já conhece uma bela garota?
Holly sentiu seu rosto ferver com aquele comentário.
— Hahaha, que fofa! – A mulher deu uma risada suave, ela não parecia ser mãe de Jake. Parecia ser a irmã mais velha. – Bom, agora temos de ir, tchau fofa. – Cantarolou as últimas palavras, acenando.
— Tchau Holly! – Jake acenou um pouco mais longe e acompanhou sua mãe para dentro do Colégio.
Aquele será seu novo colega de turma e é seu mais novo amigo e sem perceber, estava sorrindo.
Notas finais
Eu espero que tenham gostado, particularmente, adorei o capítulo, hehe.
Bom, é isso, e beijos. Até breve.
PS: Esta fanfic também está sendo postada no Social Spirit.
Fale com o autor