Ensina-me a amar.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Já se passara dois dias após o encontro entre Jake e eu. Agora mais dois por conto do final de semana, onde enfim, finalmente consegui colocar meus filmes e livros em dia.
Me pergunto se, apesar de ele estar agora no segundo ano do ensino médio, ficará em minha turma. Não acredito que vá pois, são cinco turmas de segundo ano.
Depois de me arrumar e alimentar Cokkie, desci as escadas até a portaria do prédio, onde tive uma pequena conversa sobre Hans e descobri que, ele está ansioso para comemorar o aniversário de sua esposa junto a ela. Logo nos despedimos e afaguei a cabecinha do meu gato que já se acomodara no colo de Hans.
Sentia que Cokkie estava estranho, mais lento que o normal. Deve estar tão velho... Faz pelo menos onze anos que estamos juntos. Lembro-me como se fosse ontem. Minha irmã que saia para trabalhar a noite, me presenteou com um pequeno gato malhado para que eu não me sentisse tão só. Mamãe raramente parava em casa, ainda é assim nos dias atuais, não se opôs e me pergunto sobre se ela deve se lembrar de Cokkie. Aposto que não.
Estava tão absorta em meus pensamento, que não me dei conta de Megan gritando meu nome logo atrás de mim quando passei pelo portão da escola. “Já cheguei assim tão rápido?” – Perguntei-me, de repente, sentindo um par de braços me envolvendo pela nuca.
— Ei, surda! – Resmungou Meggy, praticamente se jogando em cima de mim.
— Oi, desculpa... – Disse com uma certa dificuldade, sentindo o peso dela sobre minhas costas.
— Distraída logo de manhã? – Me olhou confusa e até um pouco surpreendida.
— Pensando em algumas coisas. – Nos colocamos a andar lado a lado até nossa turma e ao notar o sorriso bobo de Meggy no rosto, me ousei perguntar: — Pensando no Capitão? – Em um tom provocativo, sorri enquanto a encarava.
— Quer parar com esse apelido? – Bufou, revirando os olhos. Sua cara emburrada não durou menos do que cinco segundos, logo estava ela me contando as novidades... Ou, o que planeja fazer assim que tomar coragem e começar uma conversa com ele.
Este é meu quinto dia na cidade nova. Logo de cara conheci uma bela veterena no colégio onde estou prestes a entrar. Respirei fundo e encarei o enorme portão que estava aberto para os alunos. Apesar de comentarem sobre o ensino do Colégio Houston e elogia-lo muito, devo admitir que o uniforme não é do meu agrado. A calça preta e a blusa social acompanhada da gravata azul, acrescentando o bleiser azul escuro, me deixam um pouco... Desconfortáveis. O sapato é outro ponto que me intriga. Porque tudo aqui tem de ser tão... Social? Odeio sapatos sociais, tão desconfortáveis! Devo agradecer mentalmente pelas aulas de educação física, pois me disseram que seria a única aula obrigatória à usar tênis.
Assim que pisei dentro do colégio, senti olhares ferver sobre minha nuca.
Apesar da minha altura, minha aparência entrega minha idade. O que um garoto de treze para quatorze anos está fazendo aqui? Bom... O que eles pensariam de mim se soubessem que eu pulei a oitava série e o primeiro ano do ensino médio? Me jogariam pedras? Me dariam prêmios e me usariam como exemplo? Nunca achei que me sentiria nervoso por algo assim.
Para minha alegria, avistei um rosto familiar. Estava acompnhada de uma garota morena de cabelos crespos. Olhei para Holly e então, direcionei meu olhar para suas pernas brancas e um tanto finas. A saia de pregas preta batia alguns dedos acima do seu joelho e fiquei ali, caminhando lentamente observando-a. Não só as pernas claro – devo acrescetar que tenho fetiche por pernas? -, ela por inteira. Senti meu rosto ferver por alguns instantes. Droga de hormônios!! Eu estou em terra inimiga! Há somente garotas do ensino médio e droga, sou uma criança perto de qualquer outro garoto! A amiga dela é incrivelmente bonita, as curvas e os seios fartos deixa qualquer homem babando.
— Você é idiota Meggy, deveria se confessar logo. – Ouço Holly dizer com um certo descontentamento. – Você é bonita, pare de frescura.
Mal havia percebido que meus passos haviam ficado um pouco mais rápidos e estava próximo o suficiente para ouvi-las.
— Ao invés de se preocupar comigo, preocupe-se consigo mesma. Você nunca se apaixonou e isso está me preocupando!! – Comentou a garota que julguei ser a tal Meggy, ela parecia aflita. – Nem sequer beijou.
— Vamos, diga mais alto. Quero que todos saibam que em pleno dezesseis anos, nunca beijei ou transei com um garoto como a maioria das meninas deste colégio. – Holly se irritou e virou o rosto, pronta para ignorar qualquer comentário vindo da amiga.
Acho que é hora de intervir.
Respirei fundo e tomei uma certa distância antes de começar uma corrida de passos curtos.
— Bom-dia! – Disse em alto bom som para que Holly se virasse. E foi o que fez.
— Ah! Você! – Ela regalou os olhos, talvez não estivesse me esperando ver tão cedo.
— Eu mesmo.
Sorri brevemente e olhei para sua amiga que parecia espantada com minha presença.
— Bom-dia, Jake... Essa é a minha amiga Megan. Megan, este é Jake, chegou na cidade faz poucos dias.
Trocamos um aperto de mão, e apesar de tentar parecer simpático, a reação dela que ainda não mudara está me deixando um pouco incomodado. Percebi que Holly lhe dera um cutucão na cintura, fazendo-a se despertar dos seus pensamentos.
— P-prazer! Megan Scott.
— Jake Hertel. – Me apresentei.
Megan olhou para sua amiga tentando procurar entender o que estava acontecendo.
— Me encontrei com ele quarta-feira passada e ele estava perdido. O ajudei e descobri que logo estaria estudando por aqui. – Explicou-se Holly.
— Não é isso! – Berrou Megan, segurando-a pelos ombros. – Você está conversando com um garoto!
Holly revirou os olhos e suspirou.
— Olha, eu tenho amigos garotos, pare de escândalo. – Resmungou.
A morena a ignorou completamente se voltando para mim. Segurou minha mão esquerda com suas mãos e sorriu largamente.
— Eu espero que sejamos bons amigos e por favor, cuide bem da minha Olly.
— Meggy, o que está dizendo?? – Holly a segurou pela gola da blusa puxando-a para trás e envergonhada, olhou para mim. – Desculpe, ela não sabe o que diz.
Ouvimos o sinal tocar, nos avisando para entrar em sala.
— Bom, acho que teremos de ir. – Ouço Megan comentar e fez uma cara triste. – A propósito, Jake. Em que turma está?
— Estou no 2-D.
Percebi os olhares das duas, desgostosos. Megan pousa uma mão em meu ombro, balançando a cabeça negativamente. Caramba, o que tem nesta turma?! Eu vou ser assassinado? Vão vender meus órgãos?! – Não sou nem um pouco exagerado.
— Meus pêsamens, cara. – Disse ela com um pingo de pena na frase. – Mas não se preocupe, iremos te ver nos intervalos.
— Obrigado pelo apoio, estou tão tranquilo. – Ironizei, sorrindo forçado.
— Uma coisa eu te digo, Jake... – Começou Holly, ajeitando a mochila sobre o ombro. – Não se misture com o grupo de Hangel Brook.
— Hangel Brook? – A olhei confuso.
— É um garoto que adora importurnar os mais inteligentes. – Ela olhou para os lados para vereficar se não havia ninguém por perto para nos ouvir e começou a cochichar: — Só porque o papai dele dá tudo o que ele quer, quando quer e a hora que quer. E evite a namoradinha dele, ela se faz de santa perto do Hangel, mas todos sabem, exceto ele, que ela é uma tremenda vagabunda. Não irei lhe contar o nome, saberá quem é assim que vê-la.
Suspirei, nervoso. Pelo visto não caí na mesma turma de Holly e agora terei de aguentar uma sala que aparenta ser a pior de todas por causa de seus alunos. Bom, vamos lá...
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