Notas iniciais
> Leiam, por favor!! Olá, meus amores, tudo bem? Bem, esse capítulo é, definitivamente, um dos mais importantes da fic, nele várias coisas importantes ocorrem por isso peço que o leiam com muita atenção! Além do quê, o capítulo está repleto de Delena ahsahsuahsuhasuh. Outro detalhe, coloquem a música depois de "duas semanas", dará um clima mais interessante ashashausuashuas Eu e a Gabi escrevemos o capítulo juntas e esperamos que vocês gostem do que está vindo por aí Beijos meus anjos :3

Chance gave its light tonight
Stars are aligned
The sweetest thing to cross my eyes
Crossed my life

It´s A Fluke — Tiago Iorc

***

As folhas caiam sobre ambos, enquanto o som do cântico dos pássaros ressonava nos ouvidos de Elena, que observava Damon furtivamente, tentando, em vão, decifrar a expressão do rapaz. A morena sentia-se mal por ele, queria poder ajudá-lo. Apesar de todos os desentendimentos entre ela e Damon, Elena ainda se importava com ele, não queria vê-lo sofrer.

Elena voltou a olhar para o ambiente a sua volta, prestando atenção aos mínimos detalhes do ambiente a sua volta. Triste, a morena observou que apenas cinco pessoas vieram ao enterro da garota. Que triste! A morena pensou ao ver a pouca quantidade de amigos que ela havia feito durante sua vida.

A morena sentiu sua garganta fechar ao ver Damon jogar sobre o caixão, que já estava sendo enterrado, uma rosa branca. Ele deu dois passos para trás, voltando ao lugar onde estava inicialmente.

O padre recitava uma oração belíssima, enquanto o caixão sumia da vista de todos os que estavam presentes no enterro. Elena olhou para Damon por alguns instantes, sentindo uma vontade quase incontrolável de abraçá-lo, de forma a consolá-lo, porém, não o fez.

— Quer ficar mais um pouco? — Ela questionou ao perceber que todos já estavam indo embora do cemitério. Ele recusou com a cabeça, mantendo-se em silêncio. Elena apenas assentiu e os dois caminharam em direção ao estacionamento, entrando no carro que Caroline havia emprestado logo em seguida.

— Você irá ficar bem?

— Sinceramente... Eu não sei — Damon disse passando a mão pelos cabelos. Sentia-se completamente perdido, não sabia exatamente o que fazer agora que Hillary partira. — Eu só não sei como superar isso — admitiu nervosamente.

— Quando Kol faleceu, eu me senti assim também — a morena disse suspirando profundamente. — A morte dele me machucou profundamente, eu achei que nunca fosse passar, que a dor nunca iria amenizar — admitiu com um nó formando-se em sua garganta. — Mas o tempo passou, e antes o que era uma ferida aberta, foi tornado-se uma cicatriz — a morena disse carinhosamente. — A ferida ainda dói um pouco, mas com certeza, eu sou muito mais forte e melhor graças a ela.

Damon permaneceu alguns instantes em silêncio, e depois disse:

— Obrigado — murmurou simplesmente. A morena assentiu timidamente, sentindo as bochechas corarem e, curioso, o rapaz questionou, agora com o olhar um tanto quanto mais leve:

— Como conheceu Kol? — Elena, que prestava atenção no caminho, ficou surpresa diante da pergunta feita por ele, e respondeu:

— Nós estudávamos na mesma faculdade, começamos a conversar e sair, e então nos apaixonamos e passamos a namorar — ela disse com um sorriso carinhoso no rosto. — E como você conheceu Hillary?

— Eu e ela fazíamos estágio no mesmo lugar, e eu gostava dela — ele disse simplesmente — nós começamos a sair juntos e namoramos durante algum tempo... Até... Até Stefan morrer.

Elena notou a dor existente no olhar de Damon, percebeu que ele realmente não havia superado a morte do irmão. Ela suspirou pesadamente enquanto o rapaz se encolhia um pouco no banco do carona. Ele olhou para fora, observando enquanto as árvores moviam-se rapidamente do lado de fora do carro.

Damon tentava não lembrar de Stefan, mas ainda assim, as memórias invadiam sua mente. Ele balançou a cabeça, expulsando aquelas memórias de sua cabeça. Não demorou muito mais para que ambos chegassem à casa dos dois.

Dentro do elevador, o silêncio fazia-se presente. Elena queria se pronunciar, mas não fazia ideia de como iniciar uma conversa com Damon. Ela brincava com os dedos, sentindo-se aliviada quando as portas abriram-se. Eles entraram no apartamento, e o rapaz apenas caminhou em direção a seu quarto, fechando a porta atrás de si.

Elena jogou-se no sofá, sentindo a frustração dominar completamente o seu ser. Como ajudar alguém que se recusa a conversar, a falar sobre seus sentimentos? Essa pergunta não saia da mente da morena, que já não sabia mais o que fazer. Se importava com Damon, queria vê-lo bem.

Ao chegar em casa, a morena jogou-se no sofá, e assustou-se ao ouvir o som do interfone tocando. Levantou e o atendeu rapidamente. Era o porteiro a notificando da chegada de Alaric, o que levou Elena a permitir que ele subisse.

— Olá, Elena — o General disse sorrindo ao ver a morena.

— Olá, Alaric, pode entrar.

— Eu só passei aqui para deixar essas coisas — ele disse mostrando duas caixas e uma fita de videocassete.— São do Damon — ele falou sorrindo e entregando as caixas à Elena, que apenas sorriu e disse:

—Obrigada, Alaric, entregarei isso a ele.

— Okay, obrigado Elena.

— De nada — ela disse sorrindo.— Quer ficar para comer?

— Ah, não, obrigado! Bem, eu já vou indo. Tchau!

— Tchau — ela falou simplesmente, e fechou a porta quando o rapaz caminhou em direção ao elevador. Elena colocou as coisas sobre o sofá e sentou-se, sentindo-se completamente exausta. E, por instantes, ficou pensando no enterro de Hillary.

— Que cara é essa dona Elena? — A morena assustou-se ao ver Caroline parada diante dela, com uma expressão marota no rosto. — O que houve?

— Hoje fui ao enterro da Hillary com Damon. E eu percebi que ele queria e precisava conversar, mas, como sempre, havia uma barreira entorno dele que eu simplesmente não pude quebrar.

— Damon realmente não parece ser o tipo de cara que conversa, apesar de precisar — a loira disse pensativa. Elena assentiu e falou, abraçando seu próprio corpo em uma tentativa se espantar o frio que sentia:

— Sabe... Às vezes parece que nem Damon acredita em si mesmo, como sendo uma pessoa boa... Mas eu sei que sob a beleza física dele, há alguém que precisa de ajuda — a morena disse mordendo o lábio inferior.

— Mas porque todo esse seu interesse repentino em Damon? — Caroline questionou desconfiada. Elena a encarou com o cenho franzido, sem entender o que sua amiga estava querendo dizer.

— Com assim?

— Até um tempo atrás, você o odiava, mas de repente, você está toda preocupadinha com ele... Isso é um tanto estranho, não acha? — A loira questionou encarando a melhor amiga.

— O que você está querendo dizer, Caroline? — A morena questionou nervosa.

— Nada, Elena... Não estou querendo dizer nada— a loira disse revirando os olhos.

Entretanto, a conversa das duas foi interrompida pelo som da camp

— Alô? — A morena questionou sentando ao sofá.

— Elena, querida?—Ela mal pôde acreditar ao ouvir a voz de sua avó do outro lado da linha:

— Vovó? Ah, minha nossa! Eu não acredito!— A morena disse quase sem conseguir respirar.— Estou com tanta saudade da senhora!

— Eu também minha querida, estou morrendo de saudades de você por isso liguei para lhe contar uma grande novidade.

— Que novidade?

— Eu acabei de entrar em um táxi e estou indo para o seu apartamento! — Ester disse do outro lado da linha, fazendo com que Elena ficasse boquiaberta.

— Que bom vó! Eu finalmente poderei te ver, nossa eu não consigo acreditar nisso!— Elena disse rindo. Finalmente voltaria a ter contato com a única pessoa de sua família que não a julgou quando ela decidiu casar com Kol.

— Onde a senhora irá ficar?- Por mais que quisesse, Elena não poderia acolher a avó em sua casa, afinal, todos os quartos das mesmas estavam ocupados.

— Eu aluguei um apartamento no mesmo prédio que o seu — novamente, a morena fora pega de surpresa pela avó. Não acreditava no que estava ouvindo.

— Poxa vida! E a que horas a senhora chega?

— Daqui uns vinte minutos estarei em seu prédio — Ester disse sorrindo.

— Okay, irei arrumar tudo por aqui, adeus vovó.

— Adeus, querida.

Elena desligou o celular, e disse:

— A minha vó está vindo para cá, Carol! Eu estou tão feliz! — a morena disse batendo palminhas, costume que pegara da convivência com a loira.— Eu vou me arrumar, já volto!

Elena adentrou em seu quarto e abriu o guarda-roupas, procurando algo para vestir. Ela pegou um vestido vermelho com um singelo decote e cinturado. Colocou-o e sorriu ao ver que o mesmo caíra bem em seu corpo, ressaltando o corpo curvilíneo da morena. Ela passou uma maquiagem clara e um batom rosa. Penteou os cabelos, colocou um colar e um brinco de pérolas. Passou seu perfume predileto, colocou uma sapatilha bege e sorriu ao ver o resultado final.

Ela saiu do quarto e caminhou lentamente em direção a Damon, que agora assistia o canal de esportes. Ao sentir um odor suave de rosas, procurou a origem do aroma, e surpreendeu-se ao ver Elena parada diante dele, com um sorriso lindo no rosto. Ela está linda! Ele pensou encantado com a beleza da morena.

— Porque está tão arrumada? — Ele questionou a encarando, o que a fez corar.

— Minha vó vem me visitar, eu quis me arrumar — disse dando de ombros. Ele sorriu para ela e questionou:

— Quer que eu me arrume também? — Só então ela notou a roupa que o rapaz usava. Era uma camisa polo preta e uma calça jeans escura. Os cabelos, como sempre, estavam desgrenhados.

— Não precisa — falou quase sem ar. Não conseguia se concentrar direito diante dos olhos excessivamente belos e azuis de Damon. Elena já não conseguia respirar direito, sentia um incômodo na boca da barriga, como se houvesse borboletas voando em seu estômago.— Hum, o Alaric passou aqui... Ele pediu para que eu lhe desse isso — ela disse entregando a ele as caixas e a fita de videocassete.

— Obrigado — a morena apenas assentiu e sentou ao ledo dele, sentindo o calor da pele dele contra a dela. Elena já não conseguia se concentrar direito, estava sentindo-se estranha perto de Damon.

Sentiu-se aliviada ao ouvir o som da campainha, levantou-se e correu para a porta, abrindo-a com um sorriso no rosto.— Vovó! Eu senti tanto a sua falta! Como a senhora está? — A morena questionou soltando Ester, que sorriu carinhosamente para ela e disse:

— Eu estou muito bem querida, e você ein?— Ela questionou alisando os cabelos da neta carinhosamente:— Você está com um brilho diferente no olhar minha pequena, é tão bom te ver assim novamente!

— Entre vovó!

As duas entraram silenciosamente, e Elena notou que Damon ainda estava vendo aquele canal de esportes.

— Vovó, esse Damon Salvatore... Damon, essa é Ester, minha avó — a morena disse ao ver o rapaz levantar para cumprimentar Ester. Ele sorriu para ela e disse:

— É um prazer conhecê-la.

Ester sorriu docemente e perguntou, com naturalidade:

— Você é namorado da minha neta? — Elena quase engasgou diante daquela pergunta e ficou com as bochechas completamente vermelhas. Damon negou e disse:

— Na verdade, eu sou apenas inquilino dela— ele disse sorrindo para a mulher. A senhora apenas assentiu, avaliando a beleza do rapaz e percebendo que havia algo no olhar dele, como se ele estivesse triste:

— Como vocês se conheceram? — Ester perguntou sentando-se no sofá e analisando os dois com o olhar curioso:

— O Damon foi um dos meus pacientes, ele foi baleado em combate... O General dele me ofereceu uma boa quantia para cuidar dele e eu tive que aceitar.

— Entendo... -Ester disse sorrindo— Então quer dizer que você é soldado? — Ela questionou o olhando.

— Sim, me alistei há seis ano.- Ester assentiu e disse:

— Não querendo parecer intrometida, mas você parece triste, o que houve? — A senhora questionou de maneira meiga.

— Minha amiga faleceu ontem, o funeral foi hoje — Damon disse passando as mãos pelos cabelos nervosamente.

— Entendo... Bem, eu não sei se minha neta lhe disse mas eu sou judia — ao ouvir aquilo, o rapaz ficou surpreso, ele jamais havia conhecido uma pessoa cuja religião fosse o judaísmo.

— A senhora foi para um campo de concentração? — Ele questionou esperando que a resposta fosse "não". A senhora apenas sorriu e disse, de maneira cândida e falou:

— Eu tive a sorte de me mudar para os EUA com os meus pais um pouco antes da Segunda Guerra começar. Entretanto, minha melhor amiga não teve a mesma sorte. Ela fora capturada e mandada para Aushchwitz, onde morreu poucos dias depois... — A senhora disse com um suspiro sôfrego.— Foi nesse dia em que pela primeira vez me vi orando pela morte de um ente querido, eu tinha apenas seis anos quando isso aconteceu... Você sabe o que é Yahrzeit?

— Não — Damon respondeu simplesmente.

— É uma oração que os judeus fazem em homenagem àqueles que já partiram desse mundo — Ester disse abrindo sua mala e tirando de dentro dela, um pequeno copo no qual havia uma vela branco dentro. Ela virou o pequeno receptáculo e só então Damon notou a presença da Estrela de Davi entalhada no vidro.

A senhora pegou um isqueiro dentro da bolsa e acendeu a pólvora da vela, colocando-a segurando com ambas as mãos.

— Gostaria que eu orasse para sua amiga?

— Sim — Damon respondeu sem sequer pensar.

Depois, todas as palavras de Ester tornaram-se incompreensíveis, e ele soube que ela estava falando em hebraico. Depois de alguns minutos em oração, a senhora assoprou a vela, olhando enquanto a fumaça confundia-se com o ar ao seu redor.

Ele respirou fundo e murmurou:

— Obrigado por rezar por ela.

— Não há de que, querido — ela falou sorrindo carinhosamente para ele.

— Bem, eu irei preparar a janta, a senhora quer algo em específico vovó?

— Não querida, pode fazer o que quiser — A senhora disse gentilmente. Elena levantou e caminhou em direção à cozinha, deixando Ester e Damon sozinhos. Ela sorriu e disse:

— Elena disse que você Major, mas você se alistou por causa da morte de seu irmão?

— Na verdade sim, eu e meu irmão éramos próximos, ele começou a trabalhar na torre leste da World Trade Center, ele estava lá quando as torres foram atacas... — Damon se sentiu forçado a parar de narrar aquela história ao sentir seus olhos lacrimejarem. Ele respirou fundo e manteve-se em silêncio.

— Bem, vamos mudar de assunto, vejo que falar de seu irmão lhe deixa triste — ela disse carinhosamente:

— Eu notei que minha neta gosta bastante de você — aquela frase deixou o rapaz desconcertado. Elena não aparentava gostar dele— Sei que não parece, mas o os olhos dela brilham quando ela está perto de você.

Damon respirou nervosamente e murmurou:

— Nós dois não combinamos, Ester... O Damon que se apaixonaria por uma mulher como Elena já não existe mais.

— Sabe, Damon... Uma vez, uma grande amiga me disse que nos prendemos demais ao passado, a um momento de nossa vida que já não podemos mudar. Você diz que o Damon que se apaixonaria por ela já não existe mais, entretanto, eu sinto que aquele antigo rapaz ainda está dentro de você, esperando que você permita que ele saia...

O rapaz ficou em silêncio, assimilando tudo que Ester dissera, e sem graça, sussurrou:

– Bem, eu vou ao meu quarto ver o que há nessas caixas e já volto.

Ele pegou as caixas e caminhou em direção a seu quarto, fechando a porta atrás de si. Ligou o videocassete e colocou a fita dentro, esperando alguns instantes até que a imagem de Stefan com cinco anos de idade surgiu na tela.

Damon sentiu sua garganta fechar diante daquela imagem, ele respirou fundo, presetando atenção ao vídeo diante de si.

— Stef, fala "oi"pro seu irmão — Giuseppe, pai de Damon e Stefan pediu focando a câmera no rapaz. O menino, que brincava na areia da praia com sua mãe, sorriu e foi correndo em direção à câmera, dizendo:

—Oi, Dam — o pequeno disse acenando para a câmera com um sorriso inocente no rosto.

— O que você quer falar para o seu irmão, filho?

— Eu quero falar que eu gosto do Damon muitão! Ele é o melhor irmão do mundo! — Stefan falou gargalhando de maneira angelical.

— Por quê? — Giuseppe questionou focalizando a câmera no pequeno, que brincava com os próprios dedos.

— Porque o Dam é legal! Uma vez ele me levou ao parquinho, e tinha uma moça machucada, e ele ajudou a moça — Stefan falou. — E porque ele me deixa dormir na cama dele quando o monstro quer me pegar — o menino falou com os olhinhos brilhando.

— O que mais quer dizer ao Damon?

— Quero dizer que amo ele de montão! — Stefan falou abrindo os braços o máximo que pôde para tentar demonstrar o quanto amava o irmão. — Quando eu crescer, vou cuidar e ajudar de todo mundo que nem o Damon faz.

— O que você quer ser quando ficar grandão?

— Eu quero ajudar as pessoas, que nem o Dam ajuda! — O menino falou carinhosamente. Ele sorriu delicadamente, com aquela inocência e pureza no olhar.

Damon pausou o vídeo naquele sorriso, sentindo as lágrimas quentes verterem por seu rosto. Ele sentia falta de ser aquele cara bacana e gentil do qual Stefan sempre se orgulhou, sentia muita falta...

O rapaz assustou-se com o som de alguém batendo na porta:

—Damon, o jantar já está pronto — Elena disse do outro lado da porta. Ele levantou, secou o rosto e saiu do quarto com um sorriso forçado, fingindo que estava tudo bem.

—O que tem para janta? — Ele questionou sentando-se a mesa.

— Arroz, frango assado e farofa — Elena disse sentando ao lado de Caroline, que estava em silêncio. Todos jantaram quietos, sem emitir um único ruído sequer.

Elena estava parada no centro de seu quarto observando tudo ao seu redor. A cor verde das paredes que antes a acolhia, agora traziam melancolia. Algo que a incomodava. Aquele era o único cômodo da casa que não permitiu que Carol reformasse e, só naquele instante, percebeu o quanto aquilo era deprimente. Estava na hora de mudar, deixar tudo para trás.

Estava decidida , transformaria aquele cômodo naquele mesmo dia. Bom, na medida em que seu dinheiro permitisse... Ou seja, só uma pintura nova.

Trocou de roupa e partiu em direção a loja de materiais para construções. Só se deu conta de que não poderia pintar todo o seu quarto, sozinha, quando já carregava duas latas medianas e dois pincéis de tinta pelo apartamento. Deixou as duas ao lado do sofá se jogando no mesmo. City estava deitado em uma das almofadas do sofá e ao sentir o carinho da dona esticou-se.

O que faria agora? Carol não estava em casa e nunca que conseguiria pintar tudo aquilo sozinha. Quando fizera com Kol, demoraram quase um dia para que a pintura ficasse exatamente do jeito que queria.

De repente, como um sinal da providência divina, uma música soou vindo do corredor dos quartos. Damon ouvia Can’t Stop do Red Hot Chili Peppers, e mesmo com o som alto era possível ouvi-lo cantar acima da voz de Anthony Kiedis. Como em um desenho animado, era possível ver uma pequena lâmpada acender-se acima da cabeça de Elena, com a ideia que lhe viera a mente.

Com um surto de determinação levantou-se do sofá e caminhou apressadamente até estar parada em frente a porta do quarto de Damon. Respirou profundamente e bateu na porta. Uma. Duas. Três vezes e não ouvira nenhuma resposta. Bateu mais uma vez e quando virou as costas para retornar a sala, o som parou abruptamente e a porta se abriu em seguida.

– Espero que não tenha vindo reclamar do som. – Damon direcionou a Elena seu tão conhecido sarcasmo. Elena não sabia o que responder, diante da figura seminua de Damon, que vestia apenas uma cueca. Os cabelos desgrenhados apenas o deixavam com um ar ainda mais sexy. Quase como um letreiro em neon laranja gritando “sexo”.

– Eu... É... Não. – Ela esbofeteou-se mentalmente. Droga de hormônios! Ela gritou em sua mente. – Na verdade, eu vim pedir sua ajuda... Se não estiver ocupado, é claro. – Porque, peloamordavacajérsei, estava tão nervosa? Damon apenas arqueou uma sobrancelha escura para a morena encabulada a sua frente, um claro sinal para que continuasse. – Poderia me ajudar a pintar o quarto? Preciso tirar algumas coisas e não sei se conseguiria pintar tudo sozinha, porque como sabe aquele lugar é enorme – Ela tagarelava. Damon nunca a vira desse jeito, ela era sempre tão segura de sim. Percebeu, com muita surpresa e amargura, mais surpresa que amargura, que gostava de quando ela agia assim.

– Tudo bem. – Elena mal pode ouvir a resposta em meio sua tagarelice.

– O que? – Perguntou, atônita.

– Eu disse tu-do-bem. – Damon soletrou tentando conter a diversão. – Sou vou me vestir. – Elena assentiu e desapareceu pelo corredor.

Quando Damon chegou ao quarto, Elena já estava guardando os pequenos objetos e acessórios que estavam em cima de sua penteadeira dentro de seu guarda-roupa no closet, outros ela colocava em uma caixa. Estava tão concentrada em seu trabalho que mal percebeu a aproximação do moreno.

– Podemos começar? – A voz de Damon a assustou e sem perceber deu um pequeno pulo. – Desculpe.

– Não foi nada e, sim, podemos. – Elena retirou de dentro de uma caixinha um pequeno prendedor de cabelos e os amarrou em um coque. – Consegue tirar o colchão e coloca-lo na sala? – Damon assentiu. Elena arrancou os lençóis e os jogou no corredor.

E assim esvaziaram o quarto. Os móveis maiores, que não podiam ser retirados sem serem desmontados, foram apenas afastados e o chão forrado com jornal.

Elena tentava abrir uma das latas e Damon apenas observava, com um riso preso entre os lábios. Elena tinha a testa vincada com duas pequenas rugas e mordia o lábio, e de um modo estranho aquilo lhe parecia muito mais atraente.

–Precisa de ajuda? – Ele pergunta. Elena levanta-se lentamente, sentindo a coluna protestar devido ao tempo que ficou agachada tentando destampar aquela coisa incrivelmente teimosa, então apenas assentiu. Damon se aproximou e com um pequeno puxão abriu a lata. Teve de controlar a vontade de provocá-la. Se ela não estava sendo irritante, não seria ele a estragar isso. – O que gostaria de fazer?

– Pensei em pintar essa e aquela parede com essa cor – Apontou para as paredes e em seguida para a lata. – E as outras com essa aqui. – Apontou para a segunda lata. Damon assentiu, Elena a entregou a ele um dos pincéis e sorriu levemente. – Mãos a obra garotão. – Elena brincou.

Algumas horas de pinturas e poucas palavras trocadas, umas paradas para um lanche rápido e três paredes pintadas, muito diferente do que se imaginaria, era Damon quem se sentia incomodado com o silêncio. Mesmo a música que tocava no rádio não o distraia.

– Então... – Damon quebrou a quietude que, para Elena, era maravilhosa. – Já sabe muita coisa sobre mim – Ele comentou como quem não quer nada. Elena lhe lançou um olhar cético. – Tudo bem, o básico. – Ele cedeu com um bufo irritado e desconsiderou a ideia de Elena estar menos irritante naquele dia. – Que tal falar do porque escolheu essa vida de “boa samaritana”? Porque, eu realmente não entendo o que levaria alguém como você a se voluntariar para a guerra. – Damon focou os olhos no que fazia, apenas para disfarçar o interesse aparente.

– O que quis dizer com “alguém como eu”? – Elena colocou umas das mãos na cintura e o encarou com um olhar semi-irritado.

– Você, assim, toda delicada e cheia de manias. – Ele deu de ombros. Elena suspirou e quase sorriso. Quase.

– Posso até concordar com o delicada, mas cheia de manias? Está exagerando. – Ele novamente deu de ombros com descaso. – Bom, quando era mais nova, costumava acompanhar meus pais nos eventos sociais beneficentes, aqueles em que os ricos apenas fingem se importar com as pessoas, claro que eu não em importava, no começo, mas quando tomei consciência dessas coisas, provavelmente tinha uns dez anos quando isso ocorreu, decidi que ajudaria as pessoas. – Damon a interrompeu.

– Sério? Aos dez anos? Achei que você só tinha ficado chata depois da adolescência. – A instigou com um sorriso zombeteiro.

– Vai querer ouvir o resto da história ou não? – Ela respondeu irritada. – O tempo passou e me formei em medicina, e estava fazendo residência para me especializar em oncologia pediátrica quando Kol morreu. Durante alguns meses tudo o que podia fazer era deitar em meu travesseiro e chorar por todos aqueles que, assim como eu, perderam alguém importante. Então no dia seguinte, ao chegar ao hospital vi um anuncio para o voluntariado e sem pensar duas vezes me inscrevi. – Ela sorri com orgulho. Damon permanece quieto por alguns minutos.

– E como é a sensação de... – ele pigarreia – De ajudar alguém? – Elena o encarou por alguns minutos avaliando sua expressão, Damon mordia o lábio inferior e não parecia ter consciência do quanto aquele ato era sexy, Elena teve de balançar a cabeça para espantar seus pensamentos impuros.

– É... Incrível! – Ela faz uma pausa antes de prosseguir. – Eles me ensinaram que nada é impossível de superar. E... Ver o sorriso deles após um pequeno ato como um sorriso ou um bom dia, é... a melhor coisa que qualquer um poderia receber. – Ao final, Damon a olha com um ar admirado. De alguma forma, aquilo o cativou. – Agora me fale de você... – Damon, automaticamente, enrijeceu. Elena sabia que ele não se sentiria confortável para falar sobre Stefan. – Era um bom aluno no ensino médio? Participava de muitas competições? Era popular? – Elena perguntou coisas simples, consideradas quase banais por Damon.

– Era o mesmo que sou agora, talvez mais magro e muito mais popular. Participava do time de futebol, da equipe de corrida e os atletas da matemática. – Ele respondeu e sorriu de uma forma que Elena nunca vira antes. Era um sorriso... verdadeiro.

– Espera, você participava dos atletas da matemática? – Elena não pode conter o riso. – Isso é completamente inesperado! – Ela comenta com descrença.

– Ei, eu sou um exemplo vivo de que beleza e inteligência podem coabitar num mesmo corpo. – Damon fingiu estar ofendido. Elena iria responder, mas sem que esperasse, sentiu algo viscoso atingir seu rosto. Com a mão livre limpou o lugar e descobri ser tinta do pincel de Damon.

– Você não fez isso...

– Na verdade, eu fiz... – Damon é interrompido pela tinta que cai em sua boca. Ele leva algum tempo para assimilar e logo em seguida começa a cuspir. – Ok, Elena, considere isso uma guerra. – E então mergulhou o pincel na lata e borrifou tinta em Elena que tentou esquivar.

Sem sucesso. Elena, reparou com tristeza que sua blusa branca agora tinha uma macha de tinha azul acinzentada. Então, sem pensar duas vezes, fez o mesmo. E uma guerra sem fim iniciou-se. Elena andou para trás e parou próxima a parede, agora azul claro, a tenta defender-se das investidas de Damon, que estava mais perto da munição.

No final, Elena estava completamente azul e ao virar-se percebeu que a parede atrás de si que antes era azul claro, agora tinha manchas de tinta azul acinzentado dando um ar despojado ao local.

– Venci! – Damon grita. – Elena, você, nesse momento, se parece muito com um smurf. – Damon riu. Uma ideia se passou pela mente de Elena.

– Sério, Damon? Então, talvez, você queira um abraço. – Elena aproximou-se lentamente, sorrindo de um modo que Damon poderia considerar sexy, se não fosse pelo fato de ela estar coberta de tinta azul.

– Não, estou bem. – Ele responde e faz um pequeno som de “tsc”. Elena continuou a andar com calma, até o ponto em que Damon resolveu se afastar andando de costas.

Quando estavam próximos, a morena escorregou numa das poças de tinta e caiu por cima do homem a sua frente. Elena riu de forma angelical deixando Damon embasbacado. O riso da garota aos poucos foi morrendo e seus olhos encontraram o mar azul. Azul, sua mais nova cor preferida.

Ela estava tão bonita, tão beijável... Aqueles olhos tão doces e sinceros pareciam fixados no rosto de Damon. Inconscientemente, seus rostos se aproximaram e... Espera aquela ainda era a Elena irritante que o deixava louco. Porque tinha essa vontade de beijá-la? Porque saber o gosto dos lábios dela lhe apetecia tanto e parecia algo como uma missão de vida?

Elena apenas esperava o momento em que os lábios se tocariam, e ansiava por aquilo mais do que imaginava. Queria sentir os braços dele entorno de seu corpo, queria sentir o gosto dos lábios dele. Fechou os olhos e se aproximou. Podia sentir a respiração e o hálito de menta vindo do moreno embaixo de si, quando algo a puxou de seus devaneios.

– Elena, eu sei que quer me beijar... Mas não vai rolar, então sai de cima. – E a empurrou, fazendo rolar para o lado. Atordoado e cambaleante, Damon levantou-se e voltou a pintar. Como se nada tivesse ocorrido.

Notas finais
E então? Eu vou me retirar antes que vocês me matem, excusez- moi! Bem, esperamos que tenham gostado do capítulo meus amores, logo chegaremos com o próximo!!! Não esqueçam, quem quer que respondamos o review, coloque o seguinte: #Responder Beijos boa noite *-*