Ensina-me a Amar
18 The First Dance
Notas iniciais
Can you still see the heart of me?
All my agony fades away
When you hold me in your embrace
Don't tear me down for all I need
Make my heart a better place
Give me something I can believe
Don't tear me down
You've opened the door now, don't let it close
All I Need — Within Temptation
***
Elena sorriu para Damon, o primeiro sorriso verdadeiro dela desde que toda aquela loucura começara e disse, olhando-o bem nos olhos.
— Há uma coisa que você precisa saber — a morena sabia que Damon ficaria furioso depois de ouvir tudo o que ela tinha a dizer, mas ainda assim, não podia esconder dele o fato de que Kol nunca havia morrido.
— O que é? — Ele perguntou suavemente, enquanto brincava com os dedos dela. Elena respirou fundo e disse:
—Lembra de Kol? — Damon apenas assentiu, incentivando Elena a continuar:— Eu descobri que ele está vivo.
O rapaz engasgou diante do que acabara de ouvir. Ele encarou-a por alguns instantes, e ao olhar nos olhos cor de chocolate da morena, percebeu que ela falava sério. Damon sentiu o ódio o consumir por dentro, fechou as mãos em punho e olhou para Elena, que temia uma reação exagerada do outro.
— Então aquele cretino fingiu a própria morte? — Damon questionou grunhindo. Elena assentiu e disse:
— Sim — a morena respirou fundo, tentando controlar-se. Não podia chorar agora. Sabia que isso apenas pioraria a ira de Damon.
O rapaz levantou-se, subitamente, e bradou:
— Eu vou matar aquele infeliz! — A morena estremeceu diante do grito do outro e disse, tentando acalmá-lo:
— Damon, não! Pare e pense, ele não vale à pena! Não suje suas mãos com o sangue dele, por favor — implorou, sabendo que aquilo bastaria, por enquanto. Nós podemos denunciá-lo por falsificação de identidade, por forjar óbito... Ele irá pagar pelo que fez da maneira certa, eu garanto isso — Elena adicionou rapidamente. Não podia permitir que ele fizesse algo que pudesse levá-lo à cadeia. Precisava convencê-lo a manter-se calmo, na medida do possível.
Damon suspirou profundamente e voltou a sentar ao lado dela, pegando a sua mão com força e dizendo:
— Por que ele forjou a própria morte?
— Ele disse que estava cansado de mim, que eu não era boa o bastante para ele... Disse que se cansou, e quando as torres foram atacadas ele viu na tragédia uma boa forma de fugir, então ele foi embora, e nunca mais voltou — quando percebeu, Elena já estava com os olhos marejados novamente. Sentiu as lágrimas caírem por seu rosto, e arrepiou-se ao sentir o dedo de Damon contra sua pele, secando as lágrimas que caíam.— Mas eu acho que ele mentiu, acho que ele fugiu por outra razão, e preciso descobrir por quê.
— Eu vou te ajudar — o rapaz murmurou afagando o rosto da morena. — Faço questão de colocar aquele cretino atrás das grades — ela apenas assentiu concordando, e apertando mais seu corpo contra o dele. Damon a avaliou calmamente e beijou-lhe os lábios, fazendo a morena aproximar-se dele. Sentia o ar a sua volta rarefeito, enquanto inalava o perfume agridoce de Damon. Passou a mão pelos cabelos do rapaz, bagunçando-os, e aprofundou mais o beijo, porém, eles se separaram antes do que ela desejava, e o rapaz questionou:
— Quer que eu fique aqui com você? — Elena apenas assentiu, agradecendo mentalmente por ele ter dado a sugestão. Ela não queria ficar sozinha, amava sentir a presença de Damon, o calor do corpo dele contra o dela.
A morena ajeitou-se na cama, dando espaço para que ele deitasse ao seu lado e deitou sua cabeça no ombro dele, que passou o braço pelas costas dela, puxando-a para mais perto.
— Você vai ficar bem? — Ele perguntou verdadeiramente preocupado. Elena respirou fundo e disse:
— Eventualmente, sim — disse simplesmente. Damon a encarou, mas manteve-se em silêncio, sabia que ela não queria falar sobre Kol naquele momento, e ele não forçaria nada. Elena fechou os olhos, ficando em silêncio. Toda a dor desapareceu quando ela se viu envolvida pelo abraço dele.
Damon sorriu ao ver que ela havia adormecido e alisou os cabelos da morena, sentindo o odor das rosas exalar pelo ar. Afastou-se delicadamente, tomando cuidado para não acordar Elena, e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Caminhou pelo ala da Unidade de Tratamento Intensivo e foi em direção à recepção, sorrindo ao ver Rebekah lá.
— Olá, loirinha — ele disse para ela, que apenas revirou os olhos em reprovação.
— Como a Elena está?
— Ela vai ficar bem — Damon disse com um sorriso aliviado. Rebekah assentiu, parecendo bem aliviada. Ela sentia algo de diferente em Damon, ele parecia possuir um brilho distinto no olhar.
— Aconteceu algo?
— Como assim? — Ele questionou confuso. Rebekah revirou os olhos e perguntou:
— O que aconteceu? Por que você parece tão feliz?
Damon estranhou a pergunta. Não sabia como a amiga havia percebido que algo havia acontecido. O que ele deveria responder? Não podia dizer que estava namorando Elena, porque a relação deles havia acabado de começar, então respondeu simplesmente:
— Eu e Elena estamos juntos... Mas não estamos namorado — adicionou rapidamente. Rebekah arregalou os olhos, sem acreditar no que acabara de ouvir e perguntou, ainda descrente:
— Isso é sério?
— Sim.
A loira respirou fundo, tentando assimilar a informação, e falou, dando de ombros ao finalmente compreender o que aquilo significava:
— Bem, eu fico feliz por vocês. Espero que esse relacionamento dê certo.
Damon apenas assentiu, torcendo pelo mesmo. Respirou fundo e perguntou à loira, que mandava uma mensagem pelo celular:
— Onde está o Klaus?
— Pagando o hospital para Elena — Rebekah disse olhando para Damon, que franziu o cenho. Só então lembrou que o hospital no qual Elena estava era caro, bem caro.
— Por quê?
— Digamos que ele percebeu que pagar o hospital seria uma boa forma de conquistar Caroline, e ele estava certo, porque agora ela está completamente encantada com a generosidade dele — a loira disse com um sorrisinho no rosto.
— Entendi — Damon disse sorrindo também.— Depois eu falo com ele.
O rapaz sorriu ao ver Ester adentrando na recepção com um sorriso grande no rosto.
— Bom dia, Damon — ela falou dando um beijo estalado na bochecha dele, que apenas disse:
— Bom dia, Ester.
— Como Elena está? — A senhora questionou olhando para o rapaz.
— Ela está bem, mas está dormindo.
— Entendi...
— Há algo que a senhora precisa saber — Damon disse incerto. Não sabia como dizer a Ester que estava com a neta dela.— Eu e Elena estamos juntos — ele falou depois de tomar coragem. A senhora apenas riu e disse:
— Eu já imaginava que isso aconteceria, só não sabia quando.
Damon iria protestar, mas manteve-se em silêncio. Ele respirou fundo e sentou em um dos bancos, ainda quieto.
— O que fez você mudar de ideia? O que fez você perceber que é apaixonado pela minha neta?
— Talvez o fato de perceber que eu poderia perdê-la, sem sequer ter tido a chance de ficar com ela — ele falou sem olhar para Ester, que avaliava a expressão do rapaz. — Você e Klaus abriram meus olhos para o fato de que eu estava apaixonado- ele falou simplesmente.
A senhora assentiu e disse, sorridente:
— Eu fico feliz que vocês finalmente tenham se acertado. Agora eu tenho que ir, diga a Elena que eu passei por aqui mas ela estava dormindo.
— Tudo bem.
Os dois se despediram e o rapaz sentou novamente, encostando a cabeça na parede. As memórias percorriam sua mente em uma velocidade assustadora, mas todas as memórias envolviam Elena. Ele respirou fundo e sorriu ao lembrar-se de quando conhecera a morena, há cerca de um mês.
As memórias eram incrivelmente vívidas e coloridas e simplesmente não abandonavam a mente do rapaz. Sorriu ao lembrar-se da primeira briga com Elena, a qual, como sempre, ela venceu. Ele se sentia preso em uma montanha russa de emoções divergentes, mas que de alguma maneira, se uniam em algo único.
Não compreendia como pudera se apaixonar por alguém que o deixava tão incrivelmente irritado. Ele lutava para entender aquilo, mas sabia que jamais conseguiria.
Mas sempre haveria o receio. Ele nunca fora muito bom com relacionamentos, ou com pessoas, no geral. Seus casos duravam apenas uma noite, e apenas uma vez na vida ele teve um relacionamento maior, com Hillary. E agora sabia que as coisas precisariam ser diferentes. Entretanto, ele não fazia ideia do que fazer, ou como agir. Respirou fundo, tentando pensar em todas as possibilidades possíveis, mas não chegou a nenhuma conclusão razoável.
Magoar Elena estava fora de cogitação. Damon não queria fazer com ela o que Kol fizera. Mas sabia que era exatamente aquilo o que ele faria. A magoaria, a deixaria em pedaços, como sempre fez com todos a sua volta. Contudo, ele não se permitiria fazer isso com ela.
E depois de um tempo, com muito custo conseguiu afastar aqueles pensamentos da cabeça, e decidiu ligar para a única pessoa que poderia ajudá-lo a descobrir a verdade sobre Kol. O rapaz pegou o celular e discou o número de um antigo amigo seu, Ethan, que trabalhava no FBI, esperando que o mesmo atendesse.
Ele sabia que esse amigo poderia ajudá-lo a descobrir o verdadeiro motivo pelo Kol havia forjado a própria morte:
— Alô? — Questionou o rapaz do outro lado da linha.
— Oi, Ethan. Sou eu, Damon.
— Oi, Damon! Nossa, não nos falamos há muito tempo não é?
— Sim, faz tempo mesmo. Olha, eu vou precisar de um favor seu — Damon disse andando de um lado para o outro do corredor.
— Diga.
— Eu preciso que você investigue um nome para mim...
— Que nome?
—Kol Mikaelson... Mas eu preciso de sigilo total, você não pode dizer nada a ninguém.
— Tudo bem, verei o que posso descobrir.
— Muito obrigado! — Damon disse aliviado.— Tchau.
— Tchau.
Damon desligou a ligação e encostou a cabeça na parede, brincando com o celular que estava em suas mãos. O que direi a Klaus? Essa perguntava rondava a mente do rapaz, que não fazia ideia do que iria dizer a seu melhor amigo. Bufou irritado e decidiu voltar para o quarto de Elena, ficando surpreso ao ver que ela já estava acordada.
— Oi — a morena disse ao vê-lo entrando. Damon sorriu e sentou ao lado dela, e puxou-a para perto.
— Oi... Como você está se sentindo?
— Eu estou com um pouco de dor — Elena disse se aninhando no peito dele.
— Quer que eu chame uma enfermeira? — Mas antes que ela respondesse, um médico entrou no quarto dela e disse, sorrindo:
— Elena, eu tenho uma excelente notícia para você.
— Que notícia? — Ela perguntou agitada. Não via a hora de sair daquele hospital. Sentia-se completamente entediada ali.
— Você já pode ir para o quarto, porque depois de amanhã você receberá alta — o médico disse animado. Elena fez uma careta emburrada diante do que ouvira e questionou:
— Não tem como ser antes, eu não vejo a hora de sair daqui!
— Infelizmente não... E tem outra coisa, você terá que usar muletas durante um mês.
— Mas... — Entretanto, antes que ela pudesse continuar, Damon a silenciou dizendo:
— Muito obrigada doutor, se precisarmos de algo lhe avisaremos... Só mais uma coisa, o senhor poderia dar um analgésico a ela?
O médico assentiu e pegou uma seringa dentro de um armário, aplicando na veia de Elena logo em seguida.
Quando ele se retirou, a morena olhou para Damon parecendo brava:
— Eu não quero usar muletas durante um mês — Elena odiava muletas. Lembrou-se de quando quebrou a perna, quando tinha doze anos, e teve que usar aqueles objetos durante dois meses. Estremeceu com a lembrança e encarou o rapaz:
— São ordens médicas Elena, você não tem muitas opções — ele disse sério. A morena revirou os olhos e se ajeitou na cama.
Ela encarou Damon, que a observava em silêncio e perdeu o fio da meada ao dar de cara com aquele belo par de olhos azuis. A morena já não conseguia pensar direito, apenas sentia seu coração bater loucamente. O ar a sua volta parecia estranhamente rarefeito, e ela lutava para não se perder ainda mais no olhar dele. Era como se ela afogasse naqueles olhos, mas por mais que tentasse, não conseguia mais retornar à superfície.
— Nós precisamos conversar — ele pediu olhando-a seriamente. Uma sombra passou rapidamente pelos olhos dele, mas ela não pôde identificar o que era.
— O que houve? — Ela questionou preocupada. Ergueu a coluna, podendo, dessa forma, olhá-lo melhor.
— Elena, eu... Eu não acho que isso irá dar certo — ele murmurou sem sequer olhá-la nos olhos.
— Como assim? — Sentia-se idiota. Havia entendido bem o que ele queria dizer, mas não conseguia processar a informação. Engoliu em seco, esperando, rezando, para que estivesse errada.
— Nós dois... Não vai dar certo — ele disse baixo. Damon sentiu a garganta fechar, mas não se deu ao luxo de permitir que as lágrimas caíssem de seus olhos. Era orgulhoso demais para isso.
— Isso não é verdade — Elena murmurou.
— Eu não quero te magoar, não quero fazer com você o mesmo que o Kol fez — ele disse sinceramente. Não queria ser a causa de mais dor e sofrimento na vida de Elena. Seria egoísmo, até mesmo para ele.
Ela iria se pronunciar, mas não pôde dizer nada. Sabia que, lá no fundo, ele tinha razão. Sabia que podia sair ferida em toda aquela história, mas também sabia que podia aguentar as decepções.
— Eu estou desistindo de você – ele disse simplesmente.
Elena não conseguiu dizer mais nada. Era como se tivesse esquecido todas as palavras, todo seu vocabulário. Não sabia muito bem o que dizer. Queria gritar, mas não encontrava forças para tal ato. Deixou uma lágrima verter por seu rosto, enquanto Damon apenas a encarava.
Sentia-se pequena, como se o ambiente a sua volta tivesse aumentado de tamanho subitamente. Sentiu o coração afundar no peito, enquanto seu rosto ficava ainda mais molhado pelas lágrimas.
Queria Damon, precisava dele. Não importava a dor a qual ele achava que a imporia; nada daquilo importava, porque no fundo ela sabia que todos os riscos valeriam à pena. Sabia que ele valia à pena.
— Damon — ela disse segurando a mão dele com força. — Me ouça, por favor — implorou com a voz trêmula. Respirou fundo e prosseguiu: — Não ouse tentar se afastar de mim agora! Nós iremos tropeçar e cair, mas quem não faz isso? Você está aprendendo a amar e não importa o tempo que passe, eu estarei ao seu lado, te apoiando.
— Mas você seria capaz de conviver com meu passado, com tudo o que eu fiz? Com todas as pessoas que matei?
— Não posso reverter isso, Damon — ela falou afagando o rosto dele. — Eu não me apaixonei apenas por uma parte de você. Apaixonei-me por você inteiro, pelas suas qualidades e por seus defeitos. Mas vou fazer de tudo para que você seja alguém melhor.
Ele ficou em silêncio, assimilando o que Elena dissera. Não queria desistir dela, mas porque parecia tão certo fazê-lo? Olhou-a e viu em seus olhos castanhos um brilho diferente.
Ele mal havia tentado, afinal. Sabia que deveria correr o risco, e sabia também que precisava fazer de tudo para não magoar Elena, e de fato, ele faria. O rapaz acariciou o rosto da morena e disse:
— Vamos tentar — a morena sorriu diante daquelas palavras e decidiu que não tentaria tudo para aquele relacionamento funcionar.
O tempo de internação de Elena no hospital passou mais rápido do que ela imaginara. Ela não pensou que tudo passaria tão rápido assim. Damon entrou no quarto da garota e disse, batendo na porta do banheiro:
— Elena, vamos logo, o que raios você está fazendo nesse banheiro? — Ele perguntou irritado. Não entendia como alguém podia demorar tanto se arrumando. A morena, que estava terminando de passar o perfume, revirou os olhos e saiu do banheiro.
— Pronto apressado — ela disse se apoiando nas muletas. Damon sorriu ao vê-la usando um vestido verde com desenhos bordados e sussurrou no ouvido dela:
— Você está linda — Elena sentiu os pelos se eriçarem e respirou fundo, tentando se controlar. Estar perto de Damon exigiu muita concentração e força de vontade dela. Elena contou até dez mentalmente e disse:
— Vamos? — Ele apenas assentiu e a ajudou a andar para fora do quarto. — Tem certeza de que não quer uma cadeira de rodas? — Ele perguntou verdadeiramente preocupado. Ela apenas revirou os olhos e disse, sibilando:
— Não, quantas vezes vou ter que repetir?
— Nossa! Não precisa ser grossa! — Damon disse emburrado. Elena bufou e disse:
— Me desculpe. É que estou estressada — ela falou caminhando para a porta de saída. Damon riu debochado e disse:
— Você vive numa eterna TPM – ele comentou divertido.
Elena o encarou boquiaberta e lentamente sua expressão tornou-se irada. Ela ergueu a muleta e disse, grunhindo:
— Mais um pio e eu te bato com essa muleta — ameaçou irritada. Damon arregalou os olhos fingindo estar chocado e fez um sinal por sobre os lábios, indicando que ficaria quieto.
Elena sorriu vitoriosa e voltou a andar em direção a saída. Damon riu e foi atrás, segurando-a pela cintura, ajudando-a a andar. Quando entraram no carro de Caroline, Damon disse para a loira, que já havia dado partida.
— Tome cuidado com a Leninha hoje, ela está brava — ele falou para provocar. A morena revirou os olhos e cruzou os braços, tentando não bater em Damon. Ele riu e a puxou em direção a seu corpo, aninhando-a em seu peito. E de repente, toda a raiva de Elena sumiu ao senti-lo tão perto. A morena respirou fundo e disse:
— Amanhã temos o ensaio da Rebekah — ela murmurou passando a mão pelo rosto de Damon, que, involuntariamente, aproximou o rosto do toque de Elena.
— Eu sei...
— Como eu vou dançar desse jeito? — Perguntou apontando para a própria perna. Damon sorriu e disse, convencido:
— Como sou um cara inteligente e precavido, já pensei em uma solução para isso — ele disse pondo uma mecha de cabelo de Elena atrás da orelha dela.
— Me conta o que você vai fazer — pediu curiosa.
— Surpresa — ele disse divertido.
— Ah, por favor, me conta! — Elena implorou parecendo uma criança prestes a ganhar um doce. Damon riu e disse:
— Só amanhã — a morena bufou e voltou a sua pose de criança emburrada, esperando convencer Damon com isso. Mas, como ela já previa, não deu muito certo.
Quando chegaram a casa deles, Damon foi para o quarto ler e Elena ficou na sala, deitada no sofá assistindo Hora de Aventura. De repente, sua mente começou a vigiar pelas memórias do passado. Sorriu ao lembrar-se da primeira paciente que atendeu quando foi para o Oriente Médio, lembrou-se de todos os outros pacientes e sorriu ao pensar neles.
A morena respirou fundo e sorriu ao ver Damon sentando ao lado dela.
— A perna está doendo? — Ele questionou preocupado. Ela negou com a cabeça e ele disse:
— Vou pedir uma pizza, você vai querer do quê?
— Calabresa com mussarela em cima — a morena disse sorrindo. Amava aquela pizza. Damon assentiu e ligou para a pizzaria pedindo uma pizza de calabresa e palmito. Ele sentou novamente ao lado de Elena e disse:
— Será que você terá que usar as muletas no casamento da Rebekah?
— Eu espero que não, seria ridículo!
— Não seria assim tão ruim — Damon disse pegando a mão de Elena, que apenas revirou os olhos diante do que ouvira, sem dizer mais nada. Sabia que ele compreenderia.
O jantar transcorreu normalmente, com Caroline tagarelando sobre como Klaus era generoso e com Elena falando sobre seus planos de voltar a trabalhar daqui a um mês, quando a licença cessaria.
— Eu vou me deitar — a morena disse bocejando: — Boa noite — murmurou dando um selinho nele e levantando-se. Ela foi para o quarto e colocou seu pijama, deitando na cama e pegando um livro para ler. Depois de algum tempo, ela acabou pegando no sono...
Elena despertou com o barulho de panelas na cozinha. Levantou e caminhou até o local, sorrindo ao ver Caroline tentando preparar o café da manhã:
— Oi – a morena disse para amiga, que parecia aliviada por ver a outra:
— Ah amiga, que bom que você apareceu, eu estava surtando aqui!- Caroline disse sorrindo para a amiga: — Eu estava tentando fazer o café, mas como você pôde perceber não deu muito certo.
— É eu percebi, vá para a sala que vou ajeitar o café... Mas da próxima vez vou te ensinar – Elena disse como uma concessão. Sorriu ao ver a amiga indo para a sala e começou a preparar o café:
— Carol, onde está o Damon?
— Ele disse que ia pegar umas flores num jardim aqui perto, e acho que são para você! – A loira disse praticamente gritando. Elena revirou os olhos e sorriu ao ouvir o som da porta sendo aberta e fechada.
Damon entrou na sala carregando na mão um buquê mal feito e foi até a cozinha:
— Oi – ele disse dando um selinho na morena.
— Oi – ela disse sorrindo. — É para mim? – Elena perguntou olhando para a orquídea na mão do rapaz, que apenas assentiu e disse:
— Sim! – Ele disse entregando as flores para a morena: — E eu mereço muitos beijos por ter ido até o parque pegá-las e porque eu fui espetado pelo espinho dessa planta infeliz – ele disse fazendo uma careta.
Elena riu e disse:
— Muito obrigada – ela disse enchendo o rosto do rapaz de beijos. Damon sorriu e disse:
— Eu estou com fome, quando o café fica pronto?
— Já está pronto, meu caro Salvatore – ela disse levantando a leiteira e rindo.
Depois de tomarem café, a morena foi para o quarto se arrumar. Escolheu um vestido azul escuro e pôs um cinto preto. Colocou uma sapatilha, também preta, e prendeu o cabelo em uma trança lateral. Passou seu perfume predileto e caminhou em direção a sala, onde Damon estava, já arrumado.
— Vamos? — Ela questionou corando ao ver o olhar dele sobre seu corpo. Damon assentiu e ofereceu e entrelaçou seu braço ao dela.
Não fora difícil conseguir um táxi àquela hora da manhã. Quando entraram no veículo, Damon deu ao motorista o nome da rua e voltou sua atenção para Elena que observava os prédios se movimentarem do lado de fora.
Ao chegarem no salão, foram recebidos por Rebekah.
— Oi gente! Tudo bem com vocês? — Ela questionou abraçando os dois e sorrindo.
— Tudo bem, sim... Como seria exatamente essa dança?
— Eles estão dançando ali, mas como você está com a perna machucada, pode ficar apenas na valsa — Rebekah disse se afastando e voltando a seu lugar.
— Qual é seu plano? — A morena perguntou olhando para Damon, que apenas a guiou para a fila na qual estavam os outros casais. Ele segurou-a pela cintura e ergueu-a um pouco, colocando os pés de Elena sobre os dele. Ele abriu um sorriso torto, daqueles que deixavam a morena completamente sem fôlego e disse:
— Decidi bancar o Edward Cullen — a morena riu do comentário dele e ajeitou sua postura, entrelaçando sua mão na de Damon e colocando a outra mão nas costas dele. Quando seu olhar encontrou o dele, sentiu-se sem ar novamente.
Ele começou a mover-se suavemente, como se nem a levasse sobre seus pés. Elena não conseguia mais parar de olhá-lo, sentia-se estranhamente presa a ele, como se um magnetismo a mantivesse ali. Não queria soltá-lo.
Damon movia-se com precisão pelo salão, guiando Elena consigo. Ele tentava decifrar a expressão de Elena, descobrir quais os segredos que o olhar dela escondia. Ambos podiam sentir a eletricidade fluir por seus corpos, enquanto uma força magnética os aproximava cada vez mais.
A morena estremeceu ao lembrar de Kol. Ao lembrar de que tudo não passara de uma mentira, um sonho bom... Nada daquilo fora real.
Seria apenas um sonho? Aquela pergunta não saia da mente da morena, que queria e precisava crer que tudo a sua volta era real. Mas se for um sonho, eu não quero acordar. Pensou ao vislumbrar Damon. Os dois pararam quando a música cessou, e ela questionou temerosa:
— Isso é um sonho?
— Não... Isso é bem real — Ele respondeu simplesmente.
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