Notas iniciais
Oi, gente! É a Gabi, há quanto tempo não apreço aqui, não é? Como vão? Eu não tenho nada pra dizer, só decidi dar um "oi". AHUSHSUAHS Ah, o nome do mordomo é Maurise, mas lê-se Morrisse. Ele é parecido com o lêmure criado do Rei Julian do filme Madagascar. Baixinho, gordo e com orelhas grandes. PS: Nos perdoem pelos erros ortográficos. Comentem e LEIAM AS NOTAS FINAIS!! (Há um recado da Bia)

I'm not calling for a second chance

I'm screaming at the top of my voice

Give me reason, but don't give me choice

Cause I'll just make the same mistake again

Same Mistake — James Blunt

***

Elena perdera as contas de quantas vezes tivera de repetir a mesma dança com Damon. Na verdade se cansara depois da quinta e decidiu que era hora de se sentar. A primeira vez havia sido mágica, mas as seguintes apenas serviram para irritá-la.

A organizadora apenas ditava ordens paras os casais, como se estivesse lidando com robôs e não seres humanos que tendiam a fatigar-se após um grande esforço. Além do mais, Elena mal havia saído de um hospital e a mulher mal encarada parecia não se importar com tal fato.

Elena sentia a perna começar a latejar e teve de se sentar e a mulher ruiva, e incrivelmente irritante, sugeriu — mandou — que Damon dançasse com April, uma das amigas atiradas de Rebekah, cujo o par não pudera comparecer.

Elena bufou, atraindo a atenção de Damon e para sua infelicidade de April. A garota morena, com grandes olhos azuis piscou para Elena, em uma clara provocação. Elena sorrira de um jeito meigo, mesmo com pensamentos assassinos rondando sua mente.

A dança se repetiu por mais quinze minutos, e então a mulher se deu por satisfeita. Elena estava a ponto de arrancar os cabelos tingidos da cabeça de April.

Se ela lhe lançasse mais um único olhar, ela jurava que poderia estrangula-la.

— Tudo maravilhoso minhas borboletas! Vamos continuar nos próximo ensaio, estão dispensados! — A mulher grita e todos suspiram aliviados, menos Elena que ainda vê April agarrada ao seu homem.

A morena trinca os dentes e sorri forçadamente para a organizadora que lhe acena de longe. Rebekah caminha em sua direção e sorri para a amiga, que tenta retribuir.

— O que acha de almoçar lá em casa? Podemos colocar a conversa em dia, e tenho certeza que mamãe adoraria vê-la. — Rebekah convidou. Havia percebido o desconforto de Elena com relação à amiga, sabia que ela estava indo longe demais, mas sabia que não deveria interferir, não se Elena não pedisse.

— Não sei, eu...

— Nós aceitamos. — Damon, que se aproximou sem ser percebido, interrompeu Elena e respondeu por ela. — Mas nós viemos sem carro. — Damon alerta.

— Sem problema, vamos no meu carro. Depois peço para o nosso motorista leva-los de volta. — Uma das maravilhas de ser rica, Elena pensou com acidez. Não que tivesse inveja da amiga, mas o fato de uma garota muito mais nova e bonita estar dando em cima do seu... O que eram mesmo?

O fato de uma garota muito mais nova e bonita dando em cima do seu companheiro, a irritava profundamente. Não que tivesse problemas de alto-estima, somente não suportava garotas que não respeitam os homens alheios. Teve que segurar a vontade de rir com seu pensamento digno de Caroline.

Algo que ajudou bastante quando April mais uma vez lançou um olhar desafiador para Elena que apenas sorriu verdadeiramente, ainda achando graça de seu pensamento. Damon abraçou seus ombros após sentar-se ao seu lado. Eles esperariam Rebekah se despedir de todos os seus amigos antes de irem.

Depois de quase trinta minutos, Rebekah conseguiu despedir-se de todos e comunicar o dia do próximo ensaio. Logo partiram para a casa dos Mikaelson em Nova Jersey.

O percurso durou cerca de uma hora e meia. E Elena não via a hora de poder sair daquele carro. Para a infelicidade da morena, April também fora convidada para o almoço e também estava no carro, mais precisamente, ao lado de Damon.

Os dois passaram o caminho inteiro conversando. Damon conversava e April se insinuava. Elena manteve-se calada, olhando pela janela.

O carro parou em frente as grandes portas duplas da mansão. Damon e April foram os primeiros a sair e sumiram porta a dentro, deixando Elena para trás enquanto Rebekah a ajudava sair do carro e o mordomo pegava suas muletas no porta malas.

Na sala a Sra. Mikaelson os aguardava com um sorriso enorme e incrivelmente acolhedor. Elena não imaginava sentir saudades disso. A mulher a abraçou e sorriu.

— Oh, minha querida, há quando tempo não nos vemos? Senti sua falta. — Michele a beijou na testa. Elena sorriu com o carinho. Há quanto tempo que não recebia um abraço de mãe?

— Também senti sua falta, Michele. — Elena respondeu com o rosto enterrado no pescoço da mulher, que a abraçava tão apertado que chegava a doer, não que ela se importasse.

— Vamos, você tem muito o que me contar. — Michele a puxou para o sofá maior e sentou-se ao seu lado.

Elena não pode deixar de notar a proximidade de Damon e April do sofá menor. Argh, como aquilo a irritava!

— Maurice, o vinho, querido! — Michele gritou para o mordomo. — Aceita vinho, minha querida? — Perguntou a Elena.

— Eu não posso. — Elena resmungou ainda encarando a cena a sua frente.

— Tudo bem. — Ela se virou na direção da cozinha. — Por favor, traga um copo de suco para a Elena! — Elena ouviu risinhos, vindos da cozinha. Michele era e sempre seria escandalosa, o que era a diversão de todos, principalmente quando estava bêbada.

Maurice serviu as bebidas e se retirou rapidamente. Elena, Michele e Rebekah iniciaram uma conversa sobre a sua época em Israel e como era a convivência com as pessoas. Damon e April pareciam muito íntimos em sua conversa particular.

— Elena, você e Damon estão juntos? — Michele perguntou, estranhando os olhares da sua ex-nora, para o melhor amigo de seu filho.

— Sim... bom, eu acho que sim. Mas dada as circunstâncias, talvez não seja o que eu acho. — Elena sorriu tristonha.

— Oh, minha filha, não deixa que April o agarre sem lutar, vá lá e mostre quem manda. — A mulher a empurrou e Rebekah concordou, rindo da atitude da mãe.

Mas, quando Elena estava prestes a se levantar, Damon e April simplesmente saíram de seus lugares e caminharam rindo em direção à cozinha. A morena bufou de raiva.

— Bekah, você ficaria triste se, de repente, sua dama de honra aparecesse morta? — Rebekah riu da pergunta da amiga, mesmo acreditando que Elena falava sério.

— É preferível que não, embora concorde que ela mereça. — Elena não respondeu, por conta de uma risada estrondosa.

April e Damon aproximavam-se como velhos amigos rindo. Damon mantinha uma mão na base da coluna da garota, num gesto que não passou despercebido a Elena. Eles tinham na mão uma taça de vinho recém preenchida. Pareciam tão íntimos... O pensamento de algo mais ocorrendo entre eles deu um nó em seu estômago. A morena mantinha os olhos de falcão sobre os dois “amigos” — não pôde esconder o sarcasmo ácido que compôs a palavra.

E tudo permaneceria assim se, quando aproximavam, April não tivesse acidentalmente — propositalmente — acariciado as costas de Damon deixando a mão escapar e tocar as nádegas do soldado.

A visão de Elena escureceu e tudo o que via era o vermelho purpura da mais pura e distinta raiva.

Nem ela o tocara ali, não seria uma vadia qualquer que o faria!

A morena levantou-se decidida a acabar com o que quer que April estivesse planejando. Aproximou-se em passos trôpegos, devido à perna ainda imobilizada. Estavam tão entretidos em sua conversa que não perceberam a aproximação de Elena, pelo Damon não percebeu.

April, ao notar a presença de Elena, se inclinou para Damon e mordeu o lóbulo de sua orelha e, usando um tom totalmente sexual, disse:

— Que tal um encontro, garotão? Hum? Depois podemos passar em um lugar especial e eu posso te mostrar o que é uma mulher de verd... — Em um átimo de segundo, April sentira seu vestido se encharcar. Tivera sua cabeça jogada para trás com um forte puxão em seus cabelos o que definitivamente a afastou de Damon que olhava tudo abismado.

Elena mantinha uma expressão de pura fúria, nunca a tinha visto assim. Ela nem ao menos parecia se dar conta do que estava fazendo.

— Fique. Longe. Dele. — Sua voz soou entre dentes como um rosnado num aviso perigoso. Mas um sorriso incrivelmente doce permanecia em seu rosto. Exceto pelo brilho mortal em seus olhos, que a deixava com uma expressão psicótica, nunca desconfiariam que Elena detinha pensamentos incrivelmente violentos.

— Meu vestido! Sua maluca! — April gritou, sua voz mais aguda que o normal. — Argh, eu poderia... — April levantou a mão a tentar acerta um tapa no rosto de Elena, que apenas segurou sua mão com força.

— Não me tente, April. Não me tente. — Elena avisou com um tom perigoso.

— Rebekah, não sei como permite que pessoas tão baixas a participarem do seu circulo social. — April gritou aparentemente indignada.

— Realmente, não sei como uma vadia igual a você se uniu ao meu circulo social. — Rebekah devolveu. A morena de olhos azuis, simplesmente, não esperava essa resposta.

— Como? — April, não entendeu.

— Isso mesmo que você ouviu. Maurice?

— Sim, senhorita? — O mordomo apareceu rapidamente, como se estivesse ali o tempo todo.

— Acompanhe a Srta. Young até seu carro. — O mordomo apenas acenou com a cabeça e se postou ao lado de April.

— Saiba que eu não aparecerei em seu casamento! — A garota chiou com raiva.

— Estará me fazendo um favor. Obrigado. — April bateu um pé contra o piso de madeira e se dirigiu a porta sendo seguida por Maurice.

— O que foi tudo isso, Elena? — Damon perguntou realmente abismado.

— Estava colocando-a no lugar dela. — Elena deu de ombros.

— Isso foi completamente... — Elena mantinha um sorrido em seu rosto — Infantil! — O sorriso em seu rosto morreu lentamente. — April e eu estávamos apenas conversando.

— Oh, claro, eu ouvi bem a conversa! — Sua voz destilava sarcasmo.

— Você está com ciúmes?—Elena não soube o que responder, então Damon continuou. — Que coisa mais... Estúpida! Não temos nada, Elena, nada. Não aja como se eu fosse sua propriedade. — As palavras de Damon a acertavam como tapas.

— Eu... — As palavras travaram em sua garganta. Seu rosto enrubesceu.

— Não, eu não quero saber. Ciúme é coisa de criança e de pessoas sem o que fazer. Você, como uma mulher madura, deveria saber que isso é ridículo. Esperava muito mais de você.

Elena sentia-se humilhada e tinha vontade de chorar. Seus olhos estavam inundados e quase não podia ver, devido às lágrimas.

— Sinto muito, Damon. Perdoe-me por ter ciúmes e por gostar de você! — Elena pausou, respirou profundamente. Damon não a veria chorar. — Infelizmente, não sou perfeita como imaginou. — Ela deu-lhe as costas, mancou até o sofá e pegou suas muletas. — Bekah, quero ir para casa agora, pode pedir para me levarem? — Rebekah assentiu e chamou seu motorista. O homem latino apareceu rapidamente e sorriu para a morena que logo desapareceu pela porta com um andar orgulhoso.

Damon a viu sair sem saber o que fazer. Sentia que a magoara. Sentiu algo queimar em sua nuca. Michele e Rebekah o encaravam com os braços cruzados sobre o peito. Suas feições demonstravam toda a sua reprovação.

— O que...

— Isso foi horrível, até para você, Damon. — Michele murmurou, com um tom repreensivo.

— Se continuar desse modo, vai perdê-la. — Rebekah advertiu.

— Você, definitivamente, não a merece. — Michele levantou-se, arrumou seu vestido e deixou a sala. Rebekah fez o mesmo, não sem antes olhá-lo com reprovação.

E ele sabia. Ele sabia que não a merecia.

Não deveria ter dito aquelas coisas, mas nunca pode se controlar e, quando ficava nervoso, falava a primeira coisa que lhe viesse a cabeça. E, havia alguns anos, nunca saia nada de bom.

O que poderia fazer? Aquilo fazia parte dele.

Algo dentro dele dizia que não deveria ter passado tanto tempo com April quando sua... Oh, certo, eles não eram nada. Não tinham nada. Não havia porque Elena agir daquele modo. Ser impulsivo era coisa tipicamente dele.

Certo, tinha definido que estavam juntos, não namorando, mas juntos. E devia respeitar esse “título”. Porque tinha que fazer tudo errado?

Nunca entenderia como, de uns anos até ali, conseguia acabar com tudo de bom que possuía. Não sabia ao certo quando começara ser assim, apenas... Era.

Era comum. Já estava acostumado e não se surpreenderia se Elena não quisesse vê-lo.

Mas, tudo dentro de si queimava com o arrependimento. Por alguma razão sabia que precisava do perdão de Elena.

...

Dessa vez, o caminho parecera incrivelmente curto para Elena. Manteve-se focada na paisagem, nos transeuntes e em tudo que lhe pudesse impedir de chorar. Só o faria no conforto de seu quarto ou no colo de Carol.

De tudo o que Damon poderia dizer para magoá-la, aquilo tinha sido realmente cruel. Não que não soubesse que ele não tinha a intenção de fazê-lo. Somente não pode se impedir.

Ela tinha plena consciência de que agira de forma errada, deveria ter se controlado mais. Mas não se arrependia do que tinha feito. Não mesmo! Damon deveria saber disso, já que, muitas vezes, fora o alvo da ira descontrolada de Elena. Ela não percebia o que estava fazendo até que estivesse feito.

A morena não sentia-se chateada com o fato dele tê-la chamado de infantil ou ter insinuado que a sua atitude havia beirado o ridículo. Não, de modo algum! O que a deixara realmente triste, fora o fato de ele esfregar em sua cara que não tinham nada, como se fosse livre para ir e vir com quem quisesse.

Era uma tola!

Damon não tinha nenhuma intenção de assumir um compromisso sério com ela nem com ninguém. Deveria ter aceitado isso quando ele viera até ela decidido a acabar com tudo antes que a magoasse.

Mas, não! Tinha que ser uma boba apaixonada. Quando amava, amava para valer.

Talvez seja por isso que Kol a tenha deixado. O pensamento amargo cruzou sua mente e a fez estremecer. Pelo menos Damon fora sincero.

O carro parou em frente a seu prédio, a tirando de sua bolha de tristeza.

— Está em casa, Srta. Gilbert. — O homem a avisou.

— Obrigado. — Elena recolheu suas muletas, que foram colocadas estrategicamente ao seu lado no banco traseiro do carro, e saiu do veiculo acenando para o motorista antes de entrar no edifício.

Ela correu, do jeito que pode, até seu apartamento. Não se deu ao trabalho de ver se Caroline estava ali, somente mancou rapidamente até seu quarto.

Arrancou o vestido de seu corpo e o jogou em algum canto de seu quarto. Quando estava prestes a pegar uma das camisas de Kol que costumava usar para dormir, sentiu mais uma onde de fúria a dominar.

Entrou em seu closet, abriu uma gaveta onde ainda guardava as roupas remanescentes de Kol, aquelas que não foram doadas. Sem pensar duas vezes, Elena passou a rasgar cada uma delas. Forçando as costuras com os dedos ou rompendo linhas com os dentes. Sentia-se um extinto animal apossar-se de seu corpo. Apenas tinha que se livrar daquilo tudo.

Quando a gaveta se esvaziou e estava cercada por retalhos, sentiu que ainda faltava algo. Algo que ainda a prenderia a aquele homem asqueroso.

Andou as cegas até sua cama e de lá retirou a caixa de memórias. Ainda sem conseguir raciocinar, segurou a caixa contra o peito e caminhou até a cozinha, onde pegou uma grande caçarola e um isqueiro.

Abriu a caixa e retirou a primeira foto. Ela e Kol abraçados no primeiro baile. Sem esboçar reações, Elena ateou fogo a imagem e quando teve certeza de que não apagaria a jogou dentro da vasilha. Outra foto. Juntos no parque. Mais fogo. Todas as cartas que ele lhe escrevera, nem se dera o trabalho de lê-las outra vez, apenas as colocou na chama que as fotos formavam.

Todos aqueles momentos que um dia tinham sido bons, agora só lhe traziam a amargura de ter velado por tanto tempo um homem que não se importou com nada além de si mesmo. Sentia o alívio lhe inundar a cada memória posta no fogo.

No fim, não lhe sobrara nada. Sentia-se liberta. Pelo menos disso.

Aquele homem não pudera lhe amar, talvez não devesse tê-lo amado. Perguntou-se que se nunca tivesse tido aquele primeiro encontro com Kol, talvez nunca teria conhecido Damon e agora não estaria sofrendo de amor num intervalo tão curto de tempo.

Sem aguentar seu peso, suas pernas fraquejaram e ela caiu sentada, no meio da cozinha.

Porque tinha que gostar de Damon? Porque justamente ele? Não havia alguém melhor? Certamente deveria ter feito algo de muito ruim em sua outra vida para que merecesse isso.

O primeiro, um homem que a enganou por anos, morreu e depois renasceu das cinzas com a desculpa que não a amava mais, algo que nem a mais ingênua das pessoas acreditaria. Ela largara tudo por ele, inclusive o casamento com o homem que seus pais haviam escolhido, o que culminou no afastamento destes. E o segundo, era um soldado insensível e sem coração que, por ironia do destino, tinha lhe caído em suas mãos para que o cuidasse. Acreditou que poderia muda-lo, mas podia perceber que esse caminho a machucaria.

Um som agudo lhe cortou os ouvidos e levou alguns segundo para assimilar de onde vinha. Era um soluço que irrompera por seu peito. Não percebera que chorava.

Seu choro era uma clara demonstração de seu desespero. Desespero por sua falta de respostas. Pela falta de sorte. Pelo fato de saber que era apenas uma gota num imenso mar. Sabia que não poderia ajudar Damon, mas se enganava a cada minuto se agarrando a um fio, incrivelmente fino, de esperança. Queria poder fazê-lo sem quebrar seu coração no processo.

Talvez pudesse concertá-lo para outra pessoa. Apenas queria que ele fosse feliz. Já que claramente ela era inadequada a ele. Mas, a ideia de outra pessoa tê-lo, lhe doía a alma.

Queria poder voltar no tempo e impedir-se de voluntariar-se ao exército. Não! Que merda estava pensando? Jamais voltaria atrás. Aquilo era o que mais se orgulhava de ter feito. Nunca se arrependeria de ter dedicado mais de um ano de sua vida a aquelas pessoas. Amava seu trabalho e, possivelmente ainda estaria lá se o major não lhe aparecesse.

Fungou tentando conter as lágrimas, mas foi inútil. Seu nariz fez um barulho estranho, como um assovio, por conta da congestão. Desistiu de se impedir de chorar e apenas se deixou levar pelas lágrimas.

Era a sua libertação e sabia que necessitava disso.

Necessitava esvaziar-se de toda aquela frustração que Kol lhe causara. Sabia que precisava daquilo para suportar o fato de que Elena e Damon, jamais ocupariam a mesma frase.

Damon entrou no apartamento correndo, havia sentido o cheiro de fumaça. Odiando o fato de aquele prédio não ter um sistema de alarme de incêndio.

A única coisa que o preocupava era Elena.

Em cima do balcão, que separava a sala da cozinha, havia uma grande caçarola cheia de cinzas daquilo que poderia ter sido papel.

Mais calmo — após verificar que não havia incêndio — seguiria seu caminha se um ruído baixo, como um fungar, não interrompesse seu caminho.

Um pequeno corpo seminu estava encolhido no centro da cozinha. Os joelhos estavam pressionados contra o peito e o cabelo castanho lhe cobria o rosto. Elena parecia tão vulnerável e odiava saber que havia causado aquilo, apesar de acreditar ser uma reação exagerada.

— Elena? — Ele se aproximou vagarosamente, imaginando que a qualquer momento ela fugiria como um animal acuado.

— Vá embora. — Elena resmunga e vira a cabeça para o lado contraio a Damon.

— Não posso, eu moro aqui. — Ele sorri, mas logo desfaz o sorriso. — O que houve, Lena?

— Não se faça de idiota. E não quero falar com você. — Ela murmurou com a voz chorosa.

— Eu... Lena, me desculpe. — Ele começou após um suspiro. Queria ter palavras bonitas para dizer. — Sei que agi de forma errada, eu não deveria ter dado tanta atenção a April — De fato, concordou mentalmente — e eu prometo que não o farei...

— Damon, não estou magoada por ter conversado com April. — Elena respondeu sem se virar. O que ela sentia não passava nem perto de mágoa.

— Não? — Perguntou com uma sobrancelha arqueada.

— Não. — Pausou. — Eu não me importo que tenha amigas. Desde que elas não passem dos limites ou digam que não sou mulher de verdade. Eu odeio que coloquem meus valores a prova. — Tudo bem, não estava sendo sincera, mas jamais diria a Damon a verdadeira razão de ter saído tão chateada da casa dos Mikaelson.

— Então porque está chorando? — Perguntou, com um tom desconfiado. Aquilo não fez sentido para ele e o surpreendeu muito.

— Por tudo e por nada. — Deu de ombros, ainda com o rosto escondido pelos cabelos.

Houve um minuto de silêncio entre os dois, até que alguém resolveu quebra-lo.

— Porque queimou aquelas coisas? — Damon sentia-se incomodado com a falta de palavras de Elena.

— Acesso de fúria. — Resmungou.— Não valia mais a pena guardar essas coisas. — Ela deu de ombros outra vez.

— Elena, eu odeio te ver assim sabendo que causei tudo isso. — Damon suspira.

— Eu só não estou a fim de conversar. Pode me deixar sozinha? — O moreno começou a se irritar com Elena.

— Não. Recuso-me a deixar você agir desse modo. Essa não é a Elena chata e mandona que eu conheço. — Ele esperou alguma reação, mas não obteve nenhuma. — Tudo bem. Vai ser do jeito difícil. — Damon se aproximou e rapidamente passou seu braço esquerdo por trás dos joelhos de Elena e o direito apoiou suas costas enquanto a erguia do chão, com cuidado para não machuca-la. Carregou a morena passando pelo quarto e indo direto ao banheiro. — Tome um banho enquanto preparo seu almoço. Vou deixar sua roupa separada.

— Não precisa...

— Deixe-me cuidar de você, por favor. — Damon se aproximou e acariciou seu rosto. — Eu sei que sou um idiota, que falo sem pensar e... Olha, eu não sou bom com palavras, prefiro ações. Deixe-me cuida de você e depois, se ainda estiver magoada, eu não vou me importar, só me deixe tentar... — Elena não soube o que dizer. Damon tomou seu silencio como um sim. — Vai precisar de ajuda com o banho? — Havia esquecido da perna ferida.

— Não, posso me virar sozinha. — Parou diante do olhar cético de Damon. — Se precisar de ajuda eu te chamo, Damon. — Revirou os olhos.

— Tudo bem. — Elena conteve o sorriso. Damon era fofo quando queria. E era nesses momentos que se sentia mal por saber que aquilo não daria certo.

Damon entrou no closet de Elena e encontrou uma gaveta vazia e retalhos de panos que poderiam ser peças de roupas rasgadas espalhadas pelo chão. Não sabia como, mas poderia jurar que eram roupas masculinas. Talvez fossem de Kol.

Escolheu um vestido de tecido mole — como classificou — por ser aparentemente confortável. O vestido lhe lembrava uma camiseta. Agora faltavam as roupas intimas.

Abriu todas as gavetas até encontrar. Tentou não prestar atenção nas peças que haviam ali, não era hora para aquilo. Escolheu algo qualquer. Na verdade, enfiou a mão na gaveta e puxou o que se enroscou em seus dedos, como em um sorteio. Deixou tudo em cima da cama, se certificou de que Elena estava no banho e então dirigiu-se a cozinha.

Antes de preparar o almoço, precisava fazer uma ligação.

— Olá Damon, já tenho o que pediu. — Ethan dissera assim que atendeu ao telefone.

— Sou todo ouvidos. — Damon respondeu enquanto pegava o que precisaria para preparar a punica coisa que sabia cozinhar. Massa.

— Kol Mikaelson, nasceu em 25 de setembro de 1975. Estudou nas melhores escolas que o dinheiro poderia pagar, mas aparentemente não dava valor. Com dezesseis anos teve sua primeira passagem na polícia e não parou aí. Durante a adolescência foi fichado por agressão com agravantes, desacato, vandalismo e posse de narcóticos. Além de ter ido a um reformatório por participação num roubo. O advogado do garoto era bom.

— Porra, mas que moleque...

— Não acaba aí. — Ethan o interrompeu. — No primeiro ano da faculdade foi acusado de estupro, mas aparentemente a garota desapareceu antes das investigações continuarem. Ele começou a trabalhar na empresa do pai que estava sob o comando do irmão mais velho, Finn. Quantias enormes começaram a desaparecer das contas da empresa, indo diretamente para um paraíso capital. A empresa estava sendo investigada pelo FBI, quando o ataque terrorista ocorreu. O caso continuou em processo, mas por falta de provas e suspeitos, foi arquivado. — Damon ouviu o barulho de teclas e soube que Ethan digitava algo. — Ele era conhecido pela libertinagem. Gostava de prostitutas caras. E isso não parou nem quando ficou noivo de Elena Gilbert. Ao que parece, era um noivado de fachada, já que a vida noturna de Kol não parou, mas diminuiu o ritmo.

— Espera! Como ele conseguia deixar tudo isso em segredo? — Damon perguntou realmente chocado.

— Não sei, meu amigo. Chequei com um colega é descobri que ele estava envolvido com tráfico de drogas e usava um codinome, e adivinhe? Depois da suposta morte, ele continuou importando drogas. Fui mais a fundo nessa história e achei, no registro do aeroporto, um homem com as mesmas características físicas embarcou para a Colômbia no dia seguinte ao atentado. A passagem estava no nome de William Carrel.

— Então ele mudou de nome e fugiu do país. Como você descobre essas coisas? — Damon sentia-se nervoso, por saber que aquele homem ainda estava vivo e era perigoso.

— Tenho meus contatos. Ainda precisará dos meus serviços?

— Por enquanto não.

— Se precisar, sabe como me encontrar. — Ethan desligou sem esperar resposta.

Damon estava nervoso e abismado. Como alguém como Kol não fora preso na adolescência? Ele era um delinquente. Mas, então se lembrou, Kol viera de uma família muito rica. Cresceu tendo tudo a mão, inclusive advogados caros que o tiraram da cadeia tantas vezes.

Ah, uma das maravilhas de ser rico! Pensou com ironia.

Voltou a fazer o que havia começado. Um macarrão simples com molho a bolonhesa.

Elena saiu do banho sentindo ligeiramente entorpecida. Encarou-se no espelho, analisando seu reflexo. A quem queria enganar? Estar apaixonada por Damon era o mesmo que andar em um chão em brasas. Acabaria queimada, sem sombra de dúvidas.

Suspirou e passou as mãos pelos cabelos, respirou fundo, envolveu seu corpo com uma toalha e saiu do quarto, colocou a roupa que Damon selecionara e deitou-se na cama, ligando a televisão em seguida.

Damon entrou no quarto e vendo-a sob as cobertas apenas deixou a bandeja com o almoço em cima do criado mudo.

— Eu trouxe seu almoço... — Esperou uma resposta, mas a mesma não veio. — Eu... vou te deixar sozinha. — Damon saiu do quarto apressadamente.

Do lado de fora do quarto, ele estava andava de um lado do outro para o outro da sala, tentando se acalmar. Estúpido, idiota! Ele repetia para si mesmo, irritado com o próprio erro. Bufou irritado e jogou-se no sofá, ainda incomodado com aquela situação.

Elena estava sozinha no quarto. As luzes apagadas, apenas o ruído irritante da televisão, os lençóis jogados sobre o corpo da morena, que sequer prestava atenção ao que passava na televisão. Ela não soube dizer quanto tempo ficara no escuro, apenas encarando a televisão, que já tinha mudado de filme há tempos.

Assustou-se ao ouvir o som de alguém batendo na porta do quarto e disse:

— Entre — Caroline, que estava do lado de fora, entrou no quarto e assustou-se ao ver a amiga encolhida na cama, assistindo a um dos filmes que odiava. Sentou-se diante da morena e perguntou, verdadeiramente preocupada:

— O que houve amiga?

— Eu e Damon fomos almoçar na casa de Rebekah e quando chegamos lá uma vadia começou a se oferecer para ele. Quando ela o tocou eu perdi o controle e a puxei, pelos cabelos, para longe dele. Depois que ela foi embora ele me disse coisas horríveis, disse que eu era infantil, que apenas crianças sentiam ciúmes e que nós não tínhamos nada, Carol — a morena disse indignada. A loira olhou a amiga e disse, cruzando os braços:

— Ele disse isso? — Perguntou levemente incomodada, e incrivelmente irritada. Odiava ver sua amiga sofrendo por homens que não mereciam sequer uma lágrima da parte dela.

— Sim.

— Bem, então teremos que mostrar a ele o quão errado está — ela disse sorrindo de forma malvada. Elena a encarou curiosa. De repente toda a tristeza que sentia havia sumido, dando lugar a um sentimento de satisfação. Caroline explicou a ela o que ambas fariam, deixando a morena bastante animada pela noite, que ficava cada vez mais próxima:

— Então faremos mesmo isso? — Elena perguntou bem mais animada. A simples ideia de provar que Damon estava errado a deixava extasiada. Sabia que havia certos riscos, mas não se importava. Caroline riu e disse, puxando a amiga da cama:

— Agora, temos que arrumar esse seu visual — a loira encarou a morena por alguns instantes. — Como você não tem nenhum vestido mais ousado, irei emprestar um meu a você — a loira disse saindo do quarto. Depois de alguns minutos, ela retornou com um vestido preto curto com um decote na parte de cima. Elena se trocou e encarou-se no espelho, ficando surpresa ao ver como o vestido havia ressaltado algumas curvas de seu corpo.

Fazer a maquiagem não fora tão difícil. Um pouco de rímel, lápis de olho, uma sombra dourada e um batom claro foram o bastante para que Elena se sentisse... Sexy. Ela sorriu com o pensamento e se encarou no espelho, sorrindo ao notar que Caroline havia terminado de enrolar suas madeixas.

— Amiga, você está linda — a loira disse batendo palminhas animadamente. Elena riu e disse:

— Obrigada — levantou-se e colocou uma sapatilha preta com spikes que havia ganhado de Caroline, mas que nunca usara, até aquele dia. Passou seu perfume predileto e se olhou no espelho, bastante satisfeita com o resultado final.

— Eu já liguei para Ben e disse tudo o que ele deve fazer, ele disse que estará aqui daqui dez minutos — a loira disse sorrindo para amiga. Elena assentiu e falou:

— Muito obrigada por me ajudar, Carol, você é a melhor amiga que eu poderia pedir — disse sinceramente. A outra apenas riu e saiu do quarto, deixando a amiga sozinha. Elena respirou fundo e ficou sentada, até que Ben chegasse.

Não demorou muito para que isso ocorresse. Damon, que estava na sala assistindo televisão e esperando que Elena resolvesse dar as caras, caminhou até o interfone quando o ouviu tocar.

— Alô?

—Olá, eu posso permitir a subida de Ben Thompson? Ele diz ser amigo de Elena Gilbert — Damon estranhou ao ouvir aquilo. Assustou-se ao sentir Caroline arrancando o telefone de sua mão e dizendo ao porteiro:

— Oi, pode deixá-lo subir — falou e despediu-se do homem. Depois de desligar, ela disse a Damon:

— Ele é um antigo amigo da Elena, eles marcaram de se reencontrar — ele apenas assentiu e voltou para sala, decidido a ficar com ali. Depois de alguns minutos, ouviu a campainha tocando e foi abrir. Do outro lado da porta, encontrava-se um rapaz de cerca de vinte e sete anos, loiro, alto, de olhos azuis, um pouco menos intensos do que os de Damon.

— Olá — Ben disse sorrindo para Damon, que apenas o encarou e disse:

— Oi — ele abriu passagem para o rapaz, que entrou no apartamento e avaliou o local com um sorriso no rosto. Elena saiu do quarto, deixando o moreno boquiaberto. Ela está linda. Ele pensou avaliando-a.

— Ben! — A morena disse animada. Ela caminhou em direção ao amigo e o abraçou com força. Damon observou a cena um tanto quanto consternado, e sentou-se. Ben a avaliou e disse, fazendo-a dar uma voltinha, como que para avaliá-la melhor:

— Minha nossa, você está linda — ele disse com um olhar malicioso, que Damon não deixou de notar. Ele fechou as mãos em pulso e quase levantou. Quase.

— Obrigada — Elena disse sorrindo para ele. Os dois sentaram-se no sofá, próximos de Damon e ele perguntou a ela:

— E como vai a vida? — Elena sorri e diz, sorrindo:

— Vai muito bem, estava estagiando até pouco tempo atrás e tive que voltar aos Estados Unidos — disse sem mencionar Damon, que observava a cena sentindo a raiva crescer dentro de seu corpo.

Ben ficou mais próximo de Elena, e passou sua mão pelas costas da morena, puxando-a para mais perto. Quando viu aquilo, o moreno trincou os dentes, sentindo o corpo retesar de repente. Lentamente, a visão de Damon tornava-se vermelha, como sangue. A raiva crescia lentamente dentro dele, como uma planta nascendo lentamente. Quem esse filho da puta pensa que é? Aquela perguntava rondava a mente do rapaz, que olhava Ben de forma psicótica. Ele o mataria naquela sala sem problemas se ele permanecesse se atirando em sua Elena.

Ela levantou-se, tentando disfarçar o quão desconfortável estava com aquilo, e perguntou:

— Ben, você quer vinho? — Ela perguntou sorrindo para ele. O rapaz assentiu e ela foi para cozinha, atrás de um vinho. Voltou com uma garrafa de vinho e duas taças em mãos. Ela apoiou-se na mesa, tentando abrir a garrafa, e Ben virou para Damon e comentou mordendo o lábio inferior:

— Ela é muito gostosa, você não acha? Não vejo a hora de transar com ela — Aquilo foi o limite para ele, que, quando deu por si, estava prensando Ben contra a parede:

— Se você encostar um dedo nela, eu juro que acabo com a sua raça — Damon disse grunhindo. Seu olhar era quase assassino. Ben o olhava assustado.

— Damon, o que você está fazendo? — Elena questionou enquanto vibrava mentalmente por ter conseguido o que queria.

Notas finais
Olá, pessoal, tudo bem? Tenho um aviso muito importante para fazer:Este ano será extremamente atarefado para mim, preciso concluir meus estudos, começarei a trabalhar e na verdade, eu apenas irei concluir Ensina-me a Amar e então irei parar de escrever para The Vampire Diaries. Agora partirei para as histórias Originais. Escrever para vocês foi simplesmente uma das melhores experiências da minha vida e jamais esquecerei do quão especial for ter cada um de vocês como leitor. Eu jamais esquecerei de como vocês foram carinhosos, receptivos e como amei conhecer cada um de vocês. Vocês foram os melhores leitores que eu poderia pedir, e jamais os esquecerei! Obrigada por cada comentário, recomendação, favoritação. Eu não tenho palavras o bastante para descrever o quanto irei sentir falta de cada um de vocês. Obrigada por tudo, por todos os momentos e por terem lido minhas histórias. Sentirei muita falta de vocês. Quero aproveitar e agradecer à Gabi, que se empenhou muito, que me ajudou e tornou Ensina-me a Amar o que ela é hoje. Sem a Gabi nada disso seria possível. Então muito obrigada por tudo >_