Ensina-me a Amar
25 The Call
Notas iniciais
So maybe it gets quiet
And maybe it gets numb
At least then there's still something
To share with someone
Follow The Leader — Matthew Ryan
***
Seu corpo todo tremia e um suor gélido escorria em sua nuca. Não queria ter de ouvir a resposta que estava por vir. A razão não a deixava acreditar que Damon tinha lhe deixado de uma forma tão cruel.
— Sinto muito, Srta. Gilbert. — Sinto muito. Sinto muito. Sinto muito. Duas palavras, quatro sílabas, dez letras fizeram as pernas de Elena fraquejar. Seus joelhos quase cederiam se não tivesse se apoiado na parede ao lado da porta.
O homem a sua frente apenas observava a reação da morena. Ela não era a primeira ali naquele dia. Aquela não era a primeira morte que tinha de noticiar olhando nos olhos de uma namorada, esposa, mãe ou até mesmo filha.
— Eu... Eu quero vê-lo. — Elena pediu, sua voz soando quebradiça e ainda assim determinada.
— Srta. Gilbert, não creio que...
— Por favor... Eu só... Só preciso vê-lo. — Encarando os olhos de Elena, viu a determinação que via em todas as outras mulheres que amaram verdadeiramente os homens em cima daquelas mesas geladas.
— Por aqui. — O médico abriu uma parte das portas duplas e deu passagem a Elena. Seus sentidos entorpecidos, mal registraram o odor daquele lugar. Somente seguiu o Legista por entre as mesas. Não pode deixar de reparar que havia, no mínimo, sete corpos sobre diferentes mesas. O legista parou ao lado de uma mesa afastada das outras, próxima a um imenso gabinete cheio de instrumentos para autopsias. — É esse aqui. — Elena teve de segurar a língua para não gritar ao homem que aquele ali, não era um objeto.
O médico puxou o lençol revelando, primeiro, espessos cabelos pretos e, em seguida, uma pele que poderia ter sido incrivelmente clara, se os grandes e incrivelmente assustadores hematomas não deixassem tudo naquela coloração arroxeada. O rosto do homem deitado ali era irreconhecível.
Os ossos do rosto estavam provavelmente fraturados, a julgar pelos ângulos estranhos que o crânio havia sido moldado. O nariz, estava completamente destruindo e, o que deveria ser as maçãs do rosto, haviam desaparecido e tudo ali era uma grande mistura de fragmentos ósseos.
Automaticamente, o corpo de Elena desabou no chão. Colocou as mãos nos rosto e tudo o que pode fazer foi chorar. Um choro alto e desesperado. Desesperado por realmente acreditar que aquele homem ali, era Damon. O seu Damon.
Como puderam fazer aquilo? Porque ele? Não poderiam tê-la levado no lugar? Damon não deveria ter se envolvido naquilo. E a culpa era dela. Completamente dela. Se ao menos tivesse sido mais forte, se tivesse resistido... Jamais estaria ali... Num necrotério tendo de reconhecer um corpo completamente desfigurado e destruído.
Só de imaginar que nunca mais veriam o sorriso brilhante daquele homem...
Seus olhos encontraram novamente o corpo de Damon e a bile subiu a garganta. Teria colocado todo o conteúdo de seu estomago para fora. Se houvesse algo nele.
De repente, as ultimas quarenta e oito horas passaram como um clarão em sua mente. Desde o momento que Damon saíra, até os dois dias seguintes em que passou andando de um lado a outro da sala de seu apartamento esperando que alguém lhe desse notícias.
Oh, céus! Como poderia seguir dali para frente? Como contaria a todos? Teria de pedir para pararem as buscas porque ele não seria encontrado. Não com vida. Seus soluços ficaram mais altos e mais potentes. Toda sua dor era extravasada naquele choro.
Era como se tivessem aberto um buraco em seu peito e lhe arrancassem os pulmões. Não conseguia respirar tamanha sua dor.
Chorou por todas as lembranças que tinha daquele homem, por todas as lembranças que não poderia ter. Era cedo demais para dizer que esperava passar toda a sua vida com ele? Ou, era tarde demais para dizer que o amava? Não tinha resposta para nenhuma das perguntas. Na verdade, nem ao menos sabia como conseguia formular essas perguntas em sua mente.
Não pode precisar quantos minutos ficou naquela posição, chorando. Levantou-se apenas quando não havia mais lágrimas, pelo menos, não naquele momento. Não soube dizer de onde tirou forças para sair do chão gélido.
A única certeza, que lhe preenchia o peito, era que alguém teria de pagar. E ela iria até o fim do mundo se fosse preciso.
Tentou, em vão, se restabelecer. Levantou e não disse mais nada. Apenas precisava de sua cama. Era como se tivessem lhe roubado o ar, como uma faca que adentrava cada vez mais contra o peito da morena.
Arfou, a procura de ar, mas falhou. Sufocou, enquanto as lágrimas caíam por seus olhos e caminhou, arrastando-se em direção a saída do necrotério.
No corredor iluminado, Caroline esperava aflita. Quinze minutos haviam passado desde que Elena entrara na sala do necrotério e a loira não fazia ideia do que poderia ter acontecido lá dentro.
Elena caminhou lentamente em direção a amiga e soluçou. Caroline suspirou, entendendo, imediatamente, o que havia acontecido, e abraçou-a com força, confortando-o. Elena agarrou-se a ela com força e afundou seu rosto no ombro da amiga.
Não havia palavras que pudessem expressar a dor que ela sentia. Era como se todo seu mundo tivesse ruído bem diante de seus olhos, e não havia nada, absolutamente nada que ela pudesse fazer para reverter isso. Tudo perdera o sentido para ela em uma fração de segundos.
Tivera tão pouco tempo com ele... Não pôde o dizer o quanto o amava e quanto sentiria sua falta. Jamais poderia expressar aquilo novamente. Não iria mais vê-lo, ou abraçá-lo. Ele fora arrancado dela sem a menor piedade, de maneira brutal e extremamente dolorosa.
O caminho de volta para o apartamento pareceu não acabar mais. Elena estava encolhida no lado do passageiro, o olhar perdido, o corpo retesado. Podia sentir seu coração dilacerar a cada memória que dominava-lhe a mente, por cada minuto, cada imagem.
Arfou e pousou a mão contra o peito, como se isso pudesse diminuir a dor que ela sentia lá dentro. Soluçou novamente tentando não pensar naquilo. Mas era praticamente impossível não lembrar-se de tudo o que vivera com ele.
Elena nunca pensou que teria que passar por aquela provação de novo. Que teria que suportar perder outra pessoa que amava; mas ali estava ela, sozinha novamente.
Foi arrancada de seus devaneios ao ouvir seu celular tocando. Sem muita vontade, atendeu-o:
— Oi — perguntou ruidosamente.
— Senhorita Elena Gilbert?
— É ela mesma — disse suspirando. Fechou os olhos, estremecendo ao imaginar Damon bem diante dela.
— Meu nome é Ryan Phillips, eu vi no noticiário que seu namorado está desaparecido — Elena pressionou as pálpebras com força, deixando uma lágrima cair de seus olhos e suspirou, pronta para falar aquelas tão temidas palavras, mas antes que pudesse dizer algo, o homem a interrompeu: — Eu sou médico do Presbyterian Hospital e liguei para avisar que encontraram seu namorado jogado em um beco e o trouxeram para este hospital...
Elena arfou e abriu os olhos, esperando para que ele prosseguisse.
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