Ensina-me a Amar
8 Shelter
Notas iniciais
Oi gente!!! Tudo bem com vocês? Primeiramente, quem está postando é a Bia, pois a Gabi tem um curso hoje e não pôde postar, mas ela escreveu o capítulo e eu adicionei no mesmo alguns trechos para que o capítulo ficasse maior viu? ^.^
Nós duas esperamos sinceramente que gostem do que escrevemos okay?
>Leiam as notas finais!
I find shelter in this way
Under cover, hide away
Can you hear when I say
I have never felt this way
***
– Elena? – A garota foi tirada de seus devaneios por uma voz conhecida. Sacudiu a cabeça para afastar o sono e encarou o supervisor de seu plantão. – Há quanto tempo não tem uma noite de sono descente? – O homem perguntou e pareceu preocupado ao analisar as fundas olheiras que adornavam o belo rosto da garota, agora intensificadas pelo choro.
– Eu... Não sei. – Elena esfregou os olhos tentando impedi-los de fecharem, ou, quem sabe, chorar.
– Talvez devesse ir para casa e descansar um pouco. – Algo no tom de voz do médico dava a entender que não deveria discutir.
– Ca-sa?... – Elena engasgou com a palavra. Droga, como entraria em sua casa outra vez, tendo a evitado por tanto tempo?
– Sim, casa. Aproveite e tire o dia de folga, por favor. — Dito isso, o médico retirou-se da sala.
Elena levou alguns minutos para processar o fato de que teria de voltar para casa e dormir um pouco. Mas, a ideia de que por um erro seu alguém quase morreu a atormentaria pelo resto de sua vida. Talvez não devesse continuar com esse trabalho, já que falhara em seu maior intento. Teve de resistir à vontade de ir até a UTI vê-lo. Não poderia ir naquele momento ou desabaria em lágrimas. Porque diabos estava tão sensível? Talvez por finalmente estar em casa ou simplesmente por estar mais perto de tudo o que evitou durante todo aquele tempo. Porque estava tão cheia de “talvez”? Porque sentia suas emoções entrando em conflito? Merda, nem isso conseguiria responder!
Pegou a grande sacola do exército que estava em um dos cantos da sala de interação dos médicos e colocou-a no ombro. Ao fazer tal movimento, Elena sentiu como se estivesse carregando o peso do mundo sobre os ombros. Elena quase não conseguia manter os olhos abertos, sentia o peso de suas pálpebras contra seus olhos. Ela realmente precisava dormir.
Levou dez minutos para pegar um táxi em frente ao hospital. Enfrentou quase quarenta minutos de um trânsito intenso, até finalmente chegar a seu apartamento. Mas, mal percebera o tempo passar. O cansaço a impedia até mesmo de pensar.
Ao colocar os pés no hall de entrada de seu apartamento, deparou-se com um homem pitando a parede amarela de um azul claro, quase pálido, uma das suas cores favoritas. Passou por ele e viu mais dois homens cobrindo os moveis com mantas e o chão com jornais, do mesmo modo que encontrara a entrada. No centro da sala, uma loira ditava as ordens para uma mulher que, aparentemente, limpava a cozinha. Caroline girou nos calcanhares e encontrou o olhar assustado de sua melhor amiga.
– Carol, o que está acontecendo aqui? – Elena não obteve resposta. A loira continuava parada apenas encarando-a como se não acreditasse no que estava vendo. Sempre teve medo de Elena não retornar de sua missão suicida como boa samaritana.
– Elena! – Seu tom era descrente. – Elena, Elena, Elena! – Carol quicou no mesmo lugar enquanto pronunciava euforicamente o nome da amiga. – Oh, meu Deus! Você está viva! – E se lançou para os braços da morena, que mesmo tomada pelo torpor do sono, a abraçou e sorriu. – Como se atreve a ficar tanto tempo sem dar notícias?! – Agora Caroline estava gritando e todos ao redor pareciam prestar atenção nelas.
– Não há muitos telefones em meio ao fogo cruzado. – Elena respondeu com simplicidade. Caroline ignorou a fala da amiga e continuou:
– Meu Deus! Você emagreceu! E há quanto tempo não dorme? – Ela deveria estar realmente horrível, pensou Elena, já que todos que a olham fazem a mesma pergunta. Até mesmo o motorista do táxi.
– Não sei, eu... — Elena não tinha forças o suficiente para formar uma frase completa, o torpor estava começando a lhe tirar a sensatez.
– Vamos, você tem que comer e precisa da sua cama. – Caroline a interrompeu, a empurrando para a cozinha. Lá preparou um sanduíche, que era a única coisa que poderia preparar com rapidez.
– O que você está fazendo aqui? – Elena olhou em volta sugestivamente, tentando entender o porquê da reforma em seu apartamento. A cozinha estava diferente, mais moderna.
– Ah, Lena, estava na hora de mudar, não acha? Depois que o... – ela para, sem saber se poderia pronunciar o nome dele em voz alta. Carol viu a amiga enrijecer e prender a respiração. – Depois que ele morreu – passou a escolher as palavras cuidadosamente – esse apartamento nunca mais foi o mesmo, perdeu um pouco da vida e da personalidade que tinha, então decidi reformá-lo e dar uma cara mais alegre. A sua cara – a loira completou com um tom amável.
– Eu acho que vou dormir um pouco. Afinal, tenho o dia de folga – Elena sorriu forçadamente se apressou em terminar seu lanche. Rapidamente correu para o quarto e se trancou, com medo de que a amiga deparasse com a cena que estava por vir.
Ao menos aquele lugar continuava o mesmo, a mesma parede verde ainda comportava a grande cama de madeira maciça, que ele insistira em comprar. Elena lembrava perfeitamente desse dia. O dia em que começaram a mobilhar o apartamento, logo após tê-la pedido para morar com ele, no último ano da faculdade.
– Eu prefiro a que vimos naquele antiquário. – Ele se queixava enquanto caminhavam entre as camas King Size. Ela não podia deixar de reparar o quão bonito ele ficava quando fazia beicinho ou era contrariado.
– Amor, só estamos dando uma olhada. Se não gostar de nada, podemos voltar e comprar aquela cama que vimos – ela sorriu, tentando conter a vontade de rir.
– Então vamos. – Ele pegou sua mão e a arrastou para fora da loja, atravessou a rua e entrou no antiquário.
Ela sorriu ante essa memória, com um nó se formando em sua garganta. Ela sabia que isso era martírio, mas não pôde evitar. Sempre que sentia a ausência dele, procurava pela caixa de recordações que ficava embaixo de sua cama. E, dessa vez não foi diferente. A falta que ele fazia, chegava a corroê-la por dentro, causando -a uma dor inimaginável.
Dentro da caixa havia muitas fotografias e cartas. Fotos deles abraçados em um banco do Central Park, caminhando de mãos dadas na Times Square, sentados no refeitório da faculdade, beijando-se no parque de diversões, na montanha russa, a primeira viagem juntos para o Rosemoor Wildlife, ele dormindo, ela dormindo, os dois juntos após acordarem. Elena pegou uma carta de quando fora visitar seus pais e não pudera levá-lo, por conta de seu estágio, ele era romântico demais para apenas dar um telefonema. Desdobrou o papel e pôs-se a ler.
“Minha querida e doce Elena,
Mal posso dizer-te o quanto te amo, é algo maior do eu mesmo posso suportar. A menor e mais vaga ideia de que um dia possa perdê-la, faz com que meu coração quebre em milhões de pedaços. Receio que, se um dia me deixar, talvez não resista. Digo com todas as palavras, que não poderia viver em um mundo onde você não existe.
Esse mundo seria escuro e vazio. Porque, Elena, você é como o Sol, com sua força e determinação pairando sobre nós. Mesmo que nada esteja dando certo, e tudo pareça que vai dar errado, você continua esperando e tendo sempre a melhor palavra de consolo.
Às vezes você consegue agir como uma criança e no momento seguinte ser a garota responsável que quer conquistar o mundo. Odeia abrir mão de seu orgulho, mas o faz sempre que preciso. Quando está com ciúmes, age como uma louca possessiva, ou é naquele curto período do mês? Ainda não decidi, mas talvez tenha alguma ligação.
E eu te amo por isso e outras coisas, como suas panquecas. Eu amo cada defeito e cada qualidade, porque eles a tornam perfeita... Perfeita para mim.
Se antes não tinha motivos para continuar, agora ao olhar em seus olhos posso imaginar toda uma vida. Claro, para nós dois. Três lindas meninas correndo pela sala de estar da nossa enorme casa, gritando “venha me pegar, papai!” então você apareceria na porta da cozinha, sorrindo, e nos chamando para o almoço. Não seria perfeito?
Não posso te imaginar amando outra pessoa, dói só de pensar. Eu a quero só para mim, para amar e cuidar, proteger e respeitar, por todos os dias da minha vida. Quero ser seu porto seguro, em meio a tempestade. Quero ser o olho do furacão para te manter segura a todo instante. Serei sua fortaleza em seu momento de fraqueza. Não te desampararei em momento algum. Te apoiarei e mesmo discordando de suas decisões, eu as respeitarei. Afinal, é isso que bons namorados e futuros maridos fazem, não é?
Desejo te encher de mimos e te deixar mal acostumada com café da manhã na cama aos domingos. Mas, acima de tudo, quero te fazer a mulher mais feliz desse mundo e que todos os seus sorrisos mais puros e verdadeiros que iluminam meu dia, sejam inteiramente direcionados a mim. Jamais poderia dividi-los...”
Antes que as lágrimas pudessem cair, Elena dobrou o papel e o recolocou na caixa. Mesmo sem saber como respirar sem ele, ela tinha de ser forte, e ficar se martirizando não ajudaria em nada. Não faria a dor passar. Aliás, até aprendera a conviver com a dor da perda. Escondeu a caixa mais uma vez em baixo de sua cama e abriu seu guarda-roupa lentamente, pegando a primeira roupa que encontrara em sua frente.
Elena não tinha vontade de pensar naquele momento, caminhou rapidamente em direção a seu banheiro e trancou a porta do mesmo, retirando suas roupas em um átimo. A garota abriu o box e adentrou no mesmo sentindo o ar gélido bater contra sua pele quente, fazendo — a tremer. A morena abriu a torneira sentindo a água gelada cair sobre seu corpo.
A água fria fazia com que o corpo de Elena relaxasse completamente, mas também trazia memórias um tanto quanto dolorosas. Ela recordou-se de quando ele insistiu que Elena reformasse seu banho, para haver espaço para os dois. A morena ainda podia a voz dele ecoando pelo banheiro:
– Elena, amor, você está linda, vamos logo! — A morena sorriu ao ver o noivo com a expressão nervosa.
– Mas para quê tanta pressa? — A garota questionou colocando os brincos que ele havia a dado.
– Eu quero te levar ao restaurante mas você fica enrolando! — O rapaz disse fazendo um bico. Elena riu da expressão do noivo e disse:
– Tudo bem senhor emburrado, vamos! — A morena disse entrelaçando seus dedos aos de seu noivo.
Elena estremeceu e abriu os olhos rapidamente, ela já esperava por mais uma de suas crises de choro, mas pela primeira vez, as lágrimas não verteram por seus belos olhos castanhos. A garota desligou o chuveiro e secou-se rapidamente, colocando uma calça de moletom e uma blusa de regata.
Ela saiu do banheiro e se jogou na cama, pegando no sono em uma fração de segundos.
Damon havia acordado há mais de duas horas, e depois de decorar cada minúsculo detalhe daquele quarto, que em sua opinião, era horrível e deprimente, lembrou-se de sua primeira interação com a Doutora Gilbert. Ele esperava que ela o tratasse com a maior cortesia, já que ele detinha uma patente alta dentro do exército, mas aquela mulher nem ao menos se dava ao trabalho de chamá-lo por Major, como ele merecia ser chamado, mas quando o fazia, era em forma de deboche. Elena o irritava em níveis astronômicos. Todo aquele humanismo e perfeição eram de embrulhar o estômago.
Mas, mesmo que quisesse, não poderia deixar de notar o quanto aquela garota irritante era bonita. De alguma forma estranha, seu temperamento chamava atenção. Talvez toda aquela determinação, ou o modo como os olhos dela brilhavam com a raiva contida.
Queria entender o porquê de Elena ter saído do quarto daquele modo. Parecia atordoada, prestes a chorar... Será que perdera alguém? Não, a senhorita perfeição provavelmente não suportaria a dor da perda sem sucumbir à depressão profunda. Damon pensou com sarcasmo.
As horas passavam lentamente, como se o tempo se recusasse a colaborar com Damon, que já estava perdendo toda paciência que ainda tinha. Mas, às quatro da tarde, Elena surgiu com a expressão bem mais saudável.
– Finalmente você decidiu dar o ar de sua graça! — O major disse revirando os olhos para Elena, que apenas deu de ombros e perguntou para o rapaz:
– Como está se sentido? — Elena não conseguia encarar Damon direito, ela sentia-se responsável pelo que havia acontecido a ele.
– Muito bem, tirando o fato de que você é responsável por eu quase ter morrido está tudo bem sim — Damon disse cruzando os braços com um olhar ameaçador para Elena.
– Escute, sei que cometi um erro, mas eu juro que não fiz por mal, eu te garanto isso — Elena disse encolhendo-se. Ela não aceitava a ideia de que havia cometido um grave erro com relação à saúde de Damon, jamais iria ficar tão desatenta novamente.
– Que seja — Damon disse dando de ombros e olhando para os lados. Elena esperava um outro tipo de atitude da parte dele e não pôde evitar ficar feliz ao perceber que ele não iria dar um daqueles típicos chiliques dele. — Eu estou com dor — o rapaz disse se encolhendo na cama. Elena respirou fundo e caminhou em direção a um armário que estava trancado com um cadeado. Ela pegou uma chave dentro do bolso e abriu o pequeno armário em busca de algum remédio para dor.
– Pronto — ela disse aplicando uma injeção no braço do rapaz, que soltou um xingamento baixinho e encostou a cabeça no travesseiro. — Agora é só esperar, logo a dor irá passar — Elena disse da maneira mais meiga possível.
Por alguns instantes, ela apenas ficou o encarando, observando os traços do rosto dele, mas expulsou aqueles pensamentos de sua cabeça e sentou-se na poltrona que havia perto da cama de Damon, decidida a ficar ali e garantir que o rapaz não fizesse nada de imprudente. Elena continuou ali observando Damon dormindo, ela sabia que ainda havia bondade nele, que ele só a escondia sob pilhas de sarcasmo e ceticismo.
A morena sorriu ao ver que Damon estava acordado, a morena caminhou até ele e questionou:
– Está se sentindo melhor?
– Sim, estou... — Damon disse olhando para o quarto a sua volta. — Esse quarto é tão claro — o rapaz disse olhando para as várias paredes do quarto, enquanto a luz da lua invadia o mesmo. — Parece o quarto do meu irmão, ele era todo branco — Damon disse abrindo um sorriso. Elena perdeu — se um pouco naquele sorriso, notando o quão verdadeiro o mesmo era. — Ele odiava cores escuras, vivia repetindo que quando casasse iria ter sua casa nas cores mais claras que existissem.
– Seu irmão parecia uma pessoa muito legal, diferente de... — Antes que ela continuasse, percebeu que seria melhor não dizer nada. Ela mordeu o lábio inferior e desviou seus olhos para a parede mais próxima que encontrou:
– Diferente de mim — Damon completou com a voz um tanto quanto embargada. Ele não olhou para ela, apenas encarou os pequenos raios solares que adentravam pela janela. Os mesmos pareciam filetes do mais fino ouro.
– Me desculpe, eu não tive a intenção... — Elena disse ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Damon balançou a cabeça e disse, com a voz áspera:
– Saia daqui, por favor.
– Damon, eu...
– Saía daqui imediatamente Elena! — Dessa vez o rapaz vociferou. A morena estremeceu e abaixou seu olhar, retirando-se do quarto rapidamente. Ela procurou o banheiro mais próximo, entrou no mesmo e trancou a porta rapidamente, escorregando até o chão... Ela fez daquele pequeno lugar, seu mais novo abrigo, enquanto a imagem de seu noivo impregnava-lhe a mente...
Notas finais
Oi de novo gente >_<
E então? Capítulo aprovado por vocês? Gente, se vocês tiverem ideias, sugestões, qualquer coisa, podem falar viu?! A gente não morde, pelo contrário, amaríamos receber sugestões de vocês *-*
Eu, Beatriz, queria pedir um favor, quem gosta das minhas histórias, por favor, leiam a fic nova: http://fanfiction.com.br/historia/360667/Redencao/
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