Ensina-me a Amar
24 Morgue
Notas iniciais
Cause there's monster living under my bed
Whispering in my ear
And there's an angel, with a hand on my head
She say I've got nothing to fear
There's a darkness living deep in my soul
I still got a purpose to serve
Put Your Lights On — Santana ft. Everlast
***
Kol segurou o copo com força, bebericando o pouco de uísque que ainda restava no mesmo. Passou a língua pelos lábios, sentindo a bebida descer por sua garganta. Colocou o copo sobre a estante e sorriu.
Uma ansiedade peculiar dominou-lhe, deixando-o nervoso. Passou a mão pelos cabelos e mordeu o lábio inferior. Pegou as chaves do carro e desceu as escadas de sua casa.
Abaixou a cabeça e mais um sorriso desenhou-se em seus lábios. Pôs ambas as mãos nos bolsos da calça jeans e saiu de sua casa com as chaves em mãos. Entrou no carro e deu partida, indo o mais rápido que podia em direção ao lugar marcado.
Suas mãos apertavam o volante com força, enquanto ele pressionava o acelerador do carro. Ligou o rádio e deixou que uma música barulhenta invadisse todo o recinto, animando-o.
Tudo havia saído como ele planejara. Cada movimento, cada ato. Como em um jogo de xadrez, no qual ele certamente ele havia dado o xeque-mate. Ele venceria aquilo, afinal, era da natureza dele, Kol estava habituado a ganhar todas as guerras, até mesmo, as que pareciam mais impossíveis de se vencer.
Riu com sarcasmo ao lembrar da época em que vivera com Elena e revirou os olhos. Como consegui viver tanto tempo com aquela garota estúpida? Era aquela a pergunta que dominava sua mente. Balançou a cabeça em negação e riu ao lembrar de alguns outros momentos junto a Elena. Pelo menos ela era boa na cama! Pensou cinicamente.
Ela era tão previsível, tão frágil... Sempre soube que conquistá-la seria algo fácil para ele. Riu e acelerou ainda mais o carro, indo mais rápido que os limites de velocidade permitiam.
Quando tudo isso acabar, terei meu dinheiro. Pensou sorrindo. O que ele não faria por aquele objeto? O que não daria para obter o que a grande maioria das pessoas apenas sonhavam em ter? Kol faria tudo por dinheiro, absolutamente tudo.
Não queria ter de trabalhar durante toda a vida por alguns trocados. Queria e teria mais do que isso! Só o que ele precisava fazer era se livrar de Elena, e então, todos os seus planos dariam certo. Assim que conseguisse tirá-la de seu caminho, teria passagem livre para voltar à ativa.
Seu plano era perfeito, infalível. Sorriu vitorioso ao lembrar do sucesso da primeira parte de seu plano havia dado certo. Sequestrar o namoradinho de Elena fora bem mais fácil do que ele imaginava, agora apenas precisava dar um jeito nele.
Lembrou-se de quando ainda era uma criança, nos seus cinco ou seis anos de idade, quando ouvia seu pai o dizer que o dinheiro era a coisa mais importante que ele poderia ter. Seu pai tinha razão, afinal, para Kol, a única coisa que realmente lhe importava era aquilo. Passaria por cima de tudo e de todos para conseguir o que queria, não mediria esforços para alcançar o sucesso.
Estacionou o carro perto de um galpão abandonado e andou rapidamente em direção ao grande local. As paredes cinzas estavam pichadas com as mais variadas palavras, havia um grande portão de metal fechado por uma grossa corrente, limitando o acesso de algumas pessoas.
Abriu o cadeado com a chave que estava em sua bolsa e entrou, abrindo uma grande porta de metal, iluminando todo o ambiente a sua volta.
Damon estava preso a uma cadeira. Suas mãos estavam amarradas atrás de suas costas, e seus pés estavam presos as pernas da cadeira. Sentiu-se cegar pela luz que invadiu o ambiente e semicerrou os olhos, tentando adaptar-se a luz.
Kol ergueu ambas as mangas de sua camisa negra e aproximou-se de Damon, com um sorriso sádico. Quase como se estivesse amando aquilo, e na verdade, ele estava.
Damon o olhou incrédulo. Não conseguiu acreditar na ousadia de Kol. Ganharia aquela briga facilmente se estivesse desamarrado, mas sabia que seu oponente não era homem o bastante para soltá-lo. Ficou em silêncio, esperando que Kol dissesse algo:
— Então você é o novo namoradinho da Elena? — Perguntou olhando-o com escárnio. Damon apenas revirou os olhos e grunhiu, irritado:
— Você não me sequestrou apenas para perguntar isso.
— Verdade... — Kol concordou dando uma volta, avaliando Damon, como se fosse um predador à espreita, esperando para atacar a presa. Sorriu, e algo de maquiavélico podia ser facilmente notado em seu olhar. — Primeiramente, queria dizer que você é um cara de muita sorte... Afinal, a Elena é sensacional na cama, os gemidos dela — disse rindo alto.
Damon sentiu cada músculo de seu corpo enrijecer e sacudiu o corpo, ameaçando partir para cima de Kol, apesar de saber que não conseguiria fazer aquilo. Iria matá-lo! Não pensaria duas vezes antes de pular no pescoço dele!
— Calma, nervosinho! — Kol disse rindo. Olhou para Damon e falou, erguendo um pouco mais ambas as mangas de sua camiseta negra:
— Esse é apenas um pequeno lembrete, nunca mecha com Kol Mikaelson — disse o olhando de forma ameaçadora. Tudo o que Damon sentiu depois foi a força do soco que o outro desferiu em seu rosto. Antes que pudesse reagir, sentiu seu rosto queimar graças a outro soco.
Kol riu alto e disse, ao ver a boca de Damon sangrar:
— Eu estou apenas começando — disse lançando outro soco em direção ao rosto do moreno. Damon grunhiu de dor, e tentou desviar do outro, que não permitiu.
...
Elena andava de um lado do outro de seu apartamento tentando controlar sua ansiedade. Olhou para o relógio pela milionésima vez e mordeu o lábio inferior.
— Elena, pare de dar voltas por favor! — Caroline pediu, observando o nervosismo da amiga. Ele pode estar preso no trânsito! Pensou, revirando os olhos. A morena mordeu o lábio inferior e sentou-se no sofá, ao lado da amiga.
— Ele já devia ter chegado! — Disse cruzando os braços. Levantou-se de novo, deixando a loira ainda mais nervosa. Não entendia tamanha preocupação, mas sabia que se estivesse no lugar de Elena também estaria nervosa.
— Logo ele irá chegar, você verá! — Garantiu, olhando para a melhor amiga, mas algo dentro dela revirou-se assim que as palavras saíram de sua boca.
Elena sentia-se estranhamente sufocada, como se houvesse um grande peso contra seu coração. Com Kol à solta, toda atenção era pouca. Sentia-se tão estúpida por ter acreditado naquele homem! Xingou-se mentalmente e tentou, novamente ligar para Damon.
Nenhuma resposta! Absolutamente nada! Nenhuma ligação, nenhuma mensagem. Passou a mão pelos cabelos e mordeu o lábio inferior. Assustou-se quando ouvir o celular tocando e o atendeu às pressas, sem sequer ver quem ligava.
Rezou mentalmente para ser Damon, mas sentiu o coração falhar ao perceber que era outra pessoa:
— Adivinhe só, Elena, estou com seu namoradinho.
A morena sentiu suas pernas falharem, mas manteve-se de pé. Apoiou-se na mesa e apenas ouviu o ruído irritante indicando que a ligação havia sido encerrada. Não pôde respirar, sentiu como se todo o oxigênio tivesse sido sugado de seu corpo.
— Elena, o que houve? — Caroline perguntou preocupada, e a morena não conseguiu responder. Foi como se, de repente, tivesse esquecido todas as palavras. Não conseguiu pensar por alguns instantes, tentando compreender o verdadeiro significado daquelas palavras.
Um tremor subiu por sua espinha, espalhando-se por seu corpo. Respirou fundo e olhou para Caroline, murmurando:
— Precisamos ir até a polícia.
...
Elena estava jogada na cama, observando um fino feixe de luz que adentrava pelas grossas cortinas do quarto. Suspirou e sentou-se na cama, passando a mão pelo lugar vazio ao seu lado da cama.
O lençol estava frio, e ela sentia falta daquele corpo tão estranhamente familiar ao seu lado. Suspirou pesadamente e tentou reunir forças para levantar.
Dois dias... Dois infindáveis dias. Sentia como se o tempo tivesse, de alguma forma, parado, e nada mais era capaz de fazer os ponteiros voltarem a andar. Passou a mão pelos cabelos e levantou-se.
Sentia-se cansada. Mas precisava persistir. Iria descobrir onde Damon estava, nem que para isso tivesse de vasculhar o país inteiro! Ligou o celular, e esperou nervosamente para que o mesmo carregasse. Decepcionada, notou que não havia nenhuma ligação da polícia.
Caminhou em direção ao banheiro e fez sua higiene matinal. Saiu do banheiro e vestiu a primeira roupa que viu em sua frente, prendeu os cabelos em um coque alto e saiu do quarto, carregando o celular em mãos.
Foi para a cozinha e esquentou seu leite. Apoiou-se no balcão e fechou os olhos, respirando fundo. Não sabia o que faria se reencontrasse, poderia matá-lo sem pensar duas vezes.
Assustou-se ao ouvir seu celular tocando e o atendeu apressadamente, quase deixando o aparelho cair no chão.
— Alô? — Perguntou desesperada. Cada ligação a causava um intenso medo, algo diferente de tudo o que ela já sentira na vida. Não conseguia entender porque Kol fizera tudo aquilo com ela, mas sabia que havia alguma motivação sombria para tal ato.
— Senhorita Elena Gilbert? — Uma voz masculina questionou do outro lado. A morena piscou algumas vezes e murmurou:
— É ela mesma, quem gostaria?
— Aqui é o o policial Silverman, responsável pelo caso de seu namorado, Damon Salvatore — respirou fundo, mas tal ato não a impediu se sentir uma súbita falta de ar. Segurou o celular com mais força e esperou que ele prosseguisse: — A senhorita poderia vir até o necrotério por favor?
Ao ouvir aquelas palavras, separadas e distintamente, Elena sentiu como se todo o ambiente a sua volta tivesse, subitamente, diminuído de tamanho. Pressionou a mão contra o estômago, enquanto arfava em busca de ar.
Nunca pensou que poderia sentir aquilo de novo. Quis gritar, mas não sabia se tinha força para tal ato. Não conseguia pensar, sentia-se arrastada por um mar de lembranças sem fim, como se fosse puxada pelas mesmas...
— Estou indo — conseguiu dizer, depois de algum tempo. Não esperou por uma resposta, apenas desligou o celular. Caminhou a passos lentos em direção ao quarto de Caroline e bateu na porta.
A loira abriu-a incerta, e ao olhar para amiga, sentiu que havia algo de muito errado:
— Precisamos ir ao necrotério — disse apenas. Sentia-se entorpecida, quase como se não pudesse, ou não quisesse acreditar no que estava acontecendo. Carol apenas assentiu e o olhou para a amiga. Pegou as chaves do carro e as duas desceram, em silêncio, para o estacionamento.
O caminho até o necrotério foi rápido. A mente da morena navegava por coisas sem muito nexo, sem muito sentido. Seus olhos pareciam pesados, e seu corpo estava entorpecido. Não sabia o que sentir, porém, a letargia não era uma sensação desagradável.
Era como se estivesse indo de encontro a seu fatídico destino. Como se estivesse prestes a atravessar um túnel, sem saber para onde o mesmo a levaria. Não sabia como reagir caso Damon estivesse lá...
Estremeceu com o pensamento e tentou afastar sua cabeça daquelas ideias assombrosas. Aqueles curtos dez minutos dentro do carro foram os maiores de sua vida, os mais incessantes e mais dolorosos também.
Ao chegar ao necrotério, viu surgir do corredor a figura de um homem usando uma roupa azul escura.
— Você é Elena Gilbert? — Ele perguntou a olhando. A morena apenas assentiu e esperou, em silêncio que ele prosseguisse: — Ontem à noite eu recebi um corpo que tinha as mesmas características físicas de seu namorado. Esse homem estava com um rosto muito desfigurado para um reconhecimento facial, então fiz uma comparação com os registros da arcada dentária de Damon — ele disse a olhando.
— E então? — Não conseguia respirar, e sentia que poderia entrar em um colapso nervoso a qualquer instante. Respirou fundo, esperando pela verdade que não sabia se queria ouvir...
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