Ensina-me a Amar
29 I Will Come Back
Notas iniciais
If our hearts are never broken, then there's no joy in the mending
There's so much this hurt can teach us both
Though there's distance and there's silence, your words have never left me
They're the prayer that I say every day
Come on, come out, come here, come here
Come on, come out, come here, come here
Come on, come out, come here, come here
Come on, come out, come here, come here
***
Elena abriu as janelas de casa e respirou fundo, sentindo o sol bater contra seus cabelos. Fechou os olhos por alguns instantes e virou-se, notando a presença de City no meio da sala, olhando-a curioso. O gato encarava a dona com astúcia, moveu-se rapidamente e foi correndo para sua cama azul.
Inspirou e respirou algumas vezes, mas aquilo não lhe fora muito útil. Apertou o pingente com força e fechou os olhos, querendo desesperadamente gritar, implorar por alguma resposta da Providência. Por que logo agora?
Abriu, com as mãos trêmulas, a porta do quarto dele. Estava completamente vazio. As luzes estavam apagadas, e nem uma luz entrava graças as pesadas cortinas que tampavam as janelas. A cama estava arrumada e não havia nem indícios de que ele já dormira nela.
Elena respirou fundo e fechou a porta do quarto, tentando controlar sua vontade de chorar. Ele provavelmente já estaria no Oriente Médio àquela hora, e a morena já não sabia se ele iria voltar.
As lembranças da partida dele invadiram sua mente e a morena respirou fundo, apoiando-se na mesa em uma tentativa de não ceder a uma dor que insistia em consumi-la, tirando-a suas forças.
Elenao abraçou com força, enquanto soluçava e chorava contra o peito do rapaz, que apenas afagava os cabelos da morena. Elena não queria deixá-lo ir, não podia deixá-lo ir.
— Por favor... Não vá — pediu o encarando com os olhos encharcados pelas lágrimas. Damon respirou fundo e acariciou o rosto da morena, sussurrando ao pé do ouvido dela:
— Eu não tenho opção — disse tristemente. Ele precisava ir, não podia fugir daquilo. Corria o risco de ser desertado por aquela atitude, e simplesmente não podia permitir que aquilo acontecesse.
— Eu vou ficar bem, okay? Vai ficar tudo bem — murmurou tentando acalmar a morena, que chorava ainda mais. Não sabia da veracidade do que dizia, não podia afirmar com toda certeza do mundo que realmente ficaria bem, mas tentaria o máximo possível voltar para sua morena.
Elena o observou e mordeu o lábio, tentando conter a dor que sentia queimar em seu peito. Damon deu-lhe um selinho rápido e disse:
— Eu vou voltar — garantiu olhando-a. Sabia muito bem que não deveria fazer aquele tipo de promessa, mas ver Elena chorando apenas o incentivou a dizer aquilo. — Estarei de volta antes que imagine, okay? — Falou olhando-a nos olhos.
— Por favor, Damon — pediu agarrando-se a ele. Não podia impedi-lo de partir, mas precisava de garantias de que ele voltaria, precisava de algo, qualquer coisa com a qual pudesse contar.
— Eu amo você — ele sussurrou no ouvido da morena, fazendo-a acalmar-se um pouco. Separou-se dela e disse: — E eu vou voltar — disse segurando ambas as mãos dela com força. Soltou-a, pegou as malas, olhou-a por alguns instantes e partiu para o portão de embarque, sumindo ao adentrar pelo mesmo.
Elena sentou-se no sofá e abriu o álbum de fotografias que ele havia a dado há poucos dias. Nele, havia apenas uma foto. Era apenas aquilo o que ela possuía dele, apenas uma fotografia, e a lembrança, coisas que a mantinham esperançosa. Coisas que a faziam acreditar que ele, de fato, retornaria para casa, para ela.
Elena respirou fundo, levantou-se, foi para seu quarto e fechou a porta, tentando controlar sua vontade de chorar. Ele provavelmente já estaria no Oriente Médio àquela hora...
Damon andou a passos rápidos pelo quartel general e bateu na porta rapidamente. Entrou sem esperar por permissão e olhou para Alaric, que o encarava de volta:
— O que houve? Por que tive que voltar? — Questionou grunhindo. Alaric pousou ambas as mãos sobre a mesa de mogno e respirou fundo, respondendo:
— Iremos invadir uma usina no oeste, precisávamos dos nossos melhores homens — disse simplesmente. Damon respirou fundo e passou a mão pelos cabelos negros, tentando controlar-se para não pular no pescoço de Alaric.
— Eu não posso ficar, Alaric... A Elena está em Nova York, esperando por mim — disse movendo as mãos nervosamente. A verdade era que ele não queria mais ficar, não queria deixá-la para trás.
— Damon, não há maneiras de fugir disso... Amanhã você irá fazer os exames médicos e se estiver tudo bem, irá ficar — Alaric disse em uma sentença, mas ao olhar para o loiro, Damon percebeu que ele também não estava feliz com aquilo. O rapaz mordeu o lábio inferior, absorvendo tudo o que lhe fora dito e bufou irritado.
Mas então algo lhe ocorreu. Lembrou-se de quando fora parar no hospital por causa de Kol. O médico que o atendera o avisara sobre um possível quadro de arritmia, e se aquele médico estivesse certo, ele estaria livre do serviço militar. Aquela era sua chance de poder voltar para Nova York. Foi para seu antigo pelotão e jogou-se na cama. Não demorou muito para que ele adormecesse.
Assustou-se com o som batendo na porta e virou-se na cama, bocejando. Abriu os olhos e levantou-se, caminhou atá a porta e abriu, sorrindo ao ver Mathew, o médico que sempre examinava Damon. Cumprimentou-o e seguiu-o em direção à enfermagem da base.
— Você ficou bastante tempo sem fazer exercícios físicos — o médico comentou analisando a pressão de Damon, que assentiu ofegante. Matthew fez algumas anotações, colocou a prancheta sobre uma mesa e o falou:
— Seu condicionamento físico diminuiu bastante... E eu notei que seus batimentos cardíacos estão irregulares, você tem parentes com arritmia? — Ele perguntou olhando para o moreno, que encolheu-se diante da lembrança.
— Meu irmão tinha — sussurrou.
— O curioso é que a arritmia só surgiu agora... Pois você jamais teria entrado no exército com um quadro como esse — o homem disse movendo-se na cadeira. Olhou para Damon e falou: — Mediante isso terei que falar com seus superiores, você terá que ser dispensado do Exército — o médico disse suspirando. Levantou-se, deixando o moreno sozinho na grande enfermaria.
Damon respirou fundo e pousou ambas as mãos sobre as coxas, apoiando-se. Abaixou a cabeça e sorriu, sentindo-se, de alguma forma, aliviado. Jamais pensou que iria sair do Exército, mas aquela parecia a melhor chance que tinha, não podia mais ficar ali, não com Elena em Nova York.
Não demorou muito para que Alaric surgisse na enfermaria andando a passos duros e pesados. O loiro aproximou-se de seu subordinado e disse:
— O médico me informou sobre sua situação — comentou o encarando: — Você irá ser desligado do Exército, irá ser condecorado com a Estrela Púrpura e receberá auxílio monetário do governo pelos serviços prestados — Alaric disse sério: — É uma pena não podermos te ter aqui nesse momento de necessidade — falou suspirando.
— Então eu posso voltar para Nova York?
— Não ainda... Precisamos ajeitar a papelada, você terá que esperar até o fim da semana — Alaric disse olhando para Damon, que assentiu, levantou-se, e voltou para seu quarto. Pegou o celular e viu que havia uma ligação perdida de Clark, detetive que investigava o assassinato de Kol.
Retornou a ligação e segundos depois o detetive atendeu:
— Oi, Clark... Você me ligou?
— Sim... Liguei para avisar que encontramos o assassino do Kol... O nome dele é Bernard Gregson, ele e Kol eram comparsas. Já o pegamos e ele confessou — o detetive fez uma pausa e olhou para a sala de interrogatório: — Ele disse que Kol não estava pagando-o por seus serviços e então decidiu matá-lo antes que Kol o matasse — disse encarando o detento. — Ele vai aceitou um acordo com a promotoria e terá a pena reduzida assim que disser as vítimas que Kol fez durante todos esses anos... Pelo menos poderemos dar às famílias um encerramento — disse suspirando.
— Okay, obrigada por me avisar, Clark — Damon disse sorrindo: — Tchau — falou sem sequer esperar por respostas. Jogou o celular na cama e sentou-se na mesma, pensando no que Clark dissera. Agora tudo estava perfeito, Kol provavelmente estava ardendo no fogo do Inferno, ele e Elena estavam juntos... Quando ele voltasse para Nova York, tudo iria se acertar...
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