Ensina-me a Amar
6 Damon's Death Song
Notas iniciais
Aqui quem fala (escreve) é a Gabi.
Como vão?
Quero pedir perdão pela demora a postar, mas estive sobrecarregada com os trabalhos e as provas da escola.
Muito, muito obrigada pelos comentários, logo a Bia e eu os responderemos.
Enfim, aqui está o capítulo.
Perdoem-me pelos erros de português.
Like I said
You know I’m almost dead
You know I’m almost gone
And when the drummer drums
He’s going to play my song
To carry me along
Like I said
You know I’m almost dead
You know I’m almost gone
And when the boatman comes
To ferry me away
To where we all belong
Brendan's Death Song — Red Hot Chili Peppers
***
Dezessete horas! Às dezessete horas mais longas da vida de Elena. O primeiro voo até uma região mais habitada e segura levou quase duas horas. Toda uma equipe fora mobilizada para auxiliá-los na viagem aos EUA. As quinze horas restantes foram passadas dentro de um avião militar de carga, um c130 Hércules. O ambiente fora preparado para receber Damon. Os bancos laterais estavam todos abaixados, com a intenção de criar uma maca improvisada. Do outro lado do avião, havia seis soldados que voltariam para escoltá-los, e, possivelmente passar um tempo com suas famílias.
As primeiras horas da viagem trouxeram uma exaustão quase insuportável a Elena. Talvez o peso das noites mal dormidas e o Major mais irritante e odioso da face da terra tenham triplicado seu cansaço físico e emocional. Elena tentava concentrar-se em seu lado profissional, mas o homem deitado ao seu lado tornava tudo muito mais difícil. Ele calava-se por cinco minutos e então desatava uma rodada de insultos. A garota esforçava-se ao máximo para não responder-lhe ou, quem sabe... tentar matá-lo.
Em certo momento, tivera de sedá-lo, mas não o suficiente para que ele dormisse o que, em sua opinião, era uma pena. Um paciente como ele – nas condições em que se encontravam – deveria manter-se acordado para informa-lhe como estava se sentido, mesmo que ele não o fizesse. Mas, Elena, como uma boa médica, sabia identificar os sinais que o corpo emitia diante de tal situação.
– O senhor poderia ficar quieto, apenas por um minuto? – Elena sibilou quando tentava concentrar-se para medir corretamente a dosagem de morfina. A luz do ambiente era escassa e o falatório ininterrupto de Damon não colaborava em nada.
– E se eu não quiser? – Ele perguntou com impertinência. Elena respirou fundo. Se ele vai agir como uma criança, eu o tratarei como uma, ela pensou.
– Não poderei administrar o remédio e você continuará sentindo dor. – Ela respondeu como uma mãe que tenta convencer seu filho a comer brócolis, algo que apenas o irritou.
– E o que te faz pensar que estou sentindo... – A garota sorriu docemente e levou a mão desocupada ao peito do Major. Pressionou o local e viu as feições dele fecharem-se em uma careta de dor. Elena pôde vê-lo segurar o ar e fechar os olhos.
– Agora, vai deixar que faça o meu trabalho? – Ele não respondeu e Elena entendeu aquilo como um sim. Com cuidado, mediu a quantidade exata de morfina que o manteria acordado e controlaria a dor. – Doeu, Major? – Perguntou minutos depois. A meiguice com que essas simples palavras foram pronunciadas poderia ser claramente substituída por sarcasmo. Ela usava o tom de escarnio sempre que dirigia-se a ele por sua patente.
– Na verdade, não. Fico feliz que tenha, finalmente, decidido fazer seu trabalho corretamente. – Damon respondeu com arrogância. Elena fechou as mãos em punho, respirou fundo e contou até dez mentalmente. Não se brinca com o trabalho de Elena Gilbert. E antes que pudesse responder, o comandante pediu que colocassem os cintos. Finalmente iriam pousar.
Desembarcaram, durante a madrugada, no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, localizado próximo ao Queens. A base militar de NY, não era capacitada para receber um c130 e se encontrava longe demais de hospitais aptos para receber o Major Salvatore. Tentaram convencê-lo a deitar-se na maca e que não deveria fazer esforços, que algum movimento brusco demais o faria sangrar até a morte e que os paramédicos estavam ali justamente para isso, infelizmente não obtiveram sucesso.
Aparentemente o Major era muito teimoso e ao ouvir Elena insinuar que naquele momento era quase como um inválido, levantou-se bruscamente e dirigiu-se a parte traseira do avião que fora aberta para descessem a maca. Elena caminhou ao seu lado, pronta para ampará-la se algo o acontecesse, assim como os dois soldados e os três paramédicos.
A garota tremia só de imaginar os danos que essa atitude do Major turrão lhe causariam mais tarde. Damon mantinha uma mão em seu ombro, o que para Elena, era uma maneira de aplacar a dor. Mesmo que estivesse sob o efeito da morfina, o lugar deveria estar dolorido por falta de cicatrização. Ele tentava manter-se ereto, mas algo o fazia curvar as costas e caminhar muito, muito de vagar. Talvez seja o enorme buraco que a bala fez e a quantidade de sangue perdeu, pensou Elena com o seu recém-descoberto sarcasmo ácido.
Depois do que pareceu uma eternidade, finalmente conseguiram colocar Damon na ambulância, eles teriam uma viajem de mais uma hora até o hospital, que por coincidência era o mesmo em que Elena trabalhara antes de voluntariar-se para guerra e ela o conhecera ali.
Voltar para a cidade em que passou a maior parte de sua vida, lhe trazia de volta as lembranças que guardara a sete chaves em seu inconsciente. Coisas pequenas e aparentemente insignificantes, mas, que há alguns meses ainda a faziam chorar. Ela sabia que teria de lidar com aquilo em algum momento, afinal, seu voluntariado acabaria uma hora ou outra. Como seria ao entrar em seu apartamento e encontrar tudo o que não teve coragem de desprender-se? Ainda poderia chamar de lar o lugar cheio de memórias de alguém que, por mais que quisesse, jamais voltaria? Ela mesma não poderia responder ou simplesmente não havia resposta.
Elena mal percebeu quando Damon fora perdendo a consciência.
Foi tirada de seus devaneios quando um dos paramédicos pediu sua ajuda, eles teriam de estancar o sangramento que provavelmente fora causado pela teimosia do homem deitado inconsciente. A única mulher da equipe, além de Elena, debruçou-se sobre o corpo inerte e ajudou a pressionar o local do ferimento. Inesperadamente, o aparelho que monitorava a respiração, disparou. Seus lábios foram arroxeando-se e os movimentos torácicos cessaram lentamente. Uma parada respiratória. Merda, Elena gritou mentalmente. O terceiro paramédico rapidamente se prestou a ajudá-la a fazê-lo voltar, usando um respirador artificial.
Quando tudo parecia normalizado, e sua única preocupação era o sangramento, a campainha do monitor cardíaco soou, chamando sua atenção para a pequena linha que aos poucos ia cessando a ondas indicando a diminuição da atividade cardíaca.
Salvatore, não ouse morrer agora! Eu não te aguentei durante quase dezoito horas para perdê-lo quando estamos tão perto! Pensou. Ela provaria a ele que poderia salvá-lo, não importa o que tivesse de fazer, mas o manteria vivo.
– Se essa linha parar faça a massagem. – Elena comandou de modo que ninguém ousaria contrariá-la. Rapidamente, secou o ferimento e iniciou o processo de estancamento. Teria de fazer aquilo rápido, já que Damon estava perdendo muito sangue e com toda a certeza era o motivo da sua quase parada. Com agilidade suturou o ferimento que se rompeu por conta do grande esforço que Damon fizera ao levantar-se da “maca”. Infelizmente, não poderiam administrar nenhum medicamento, para que não causassem um choque anafilático, já que o efeito da morfina não havia passado.
Aos poucos, pode respirar aliviada ao ver a linha voltar a dançar – como Elena costumava dizer – no monitor cardíaco. Posso ser apenas uma gota d’água no meio do oceano, mas isso é o suficiente para te salvar. A garota pensou com orgulho.
Notas finais
Comentem!
Caso o link da música não funcione: http://www.youtube.com/watch?v=X6YbVCyXs98
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