Ensina-me a Amar
4 Behind Blue Eyes
Notas iniciais
Eu não tenho o que dizer, só que estou MUITO feliz com os comentários e recomendações. De verdade, obrigado!
Me perdoem pelos erros de português e espero que gostem do capítulo.
No one knows what it's like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes
Behind Blue Eyes — Limp Bizkit
***
Elena sentia-se atordoada com a espiral de emoções que a dominou. No centro da espiral encontrava-se a rejeição, em seguida a surpresa, a indignação e a raiva. Nunca, em todo o tempo em que fizera esse tipo de trabalho, fora rejeitada por seus pacientes. De certo o Major Salvatore fora o primeiro.
Ela estava apenas fazendo seu trabalho! Porque, no que dependesse dela, após o ocorrido mais cedo naquela noite, o major estaria queimando no sétimo circulo do inferno. Alguém que não tem compaixão ou respeito pela vida não mereceria nenhum tipo de gentileza. Mas, jamais o deixaria morrer, isso não era de seu feitio, não fora para isso que se alistou. Por mais insuportável e impertinente que fosse, ela não desistiria. Toda e qualquer vida deveria ser salva, mesmo que não merecesse.
A arrogância e prepotência daquele homem levava sua paciência – quase inabalável – ao limite, a ponto de perder a compostura. O Major exigiu que o desse morfina, mas não o faria. Damon teria de entender que a médica ali, era ela. Elena caminhou até o meio do acampamento respirando profundamente, tentando controlar a irritação e agir com profissionalismo. Ela voltaria a vê-lo dentro de duas horas, todos os recém-chegados têm de ser monitorados com certa frequência para o caso de recaídas.
Elena entrou na segunda tenda para checar e medicar seus pacientes. O senhor de aproximadamente sessenta anos que ostentava uma longa barba e que estava deitado na terceira cama ao lado direito da entrada sorriu radiante ao vê-la, que retribuiu gentilmente. Ao que entendera de traduções rudes, esse senhor era um importante chefe religioso e perdera a mulher em um bombardeio. Aquela era sua ultima semana ali, ele iria de encontro a seus filhos refugiados em um país próximo, longe dos conflitos. Provavelmente não encontraria obstáculos para sair de Israel, já que usaria o lado da fronteira que a armada americana “conquistara”. Ela checou seus sinais vitais e medicou-o e quando estava indo atender outras pessoas ouviu-o dizer.
– Yevarechecha Adonai veyishmerecha – Ele sempre dizia isso a ela ao fim das inspeções e um dos tradutores lhe disse que significava “O Senhor te abençoe e te guarde”. Elena nunca fora religiosa, tão pouco frequentava a igreja, mas desde que entrara para esse mundo aceitava de bom grado as bênçãos que lhe eram dadas.
– Amém – “Que assim seja”. Ela lhe respondeu sorrindo. Aprendera algumas palavras simples para facilitar a comunicação.
Ela examinou mais dez pacientes antes de ir verificar o estado do major. Ele estava aparentemente dormindo profundamente quando a garota chegou. Gotículas de suor se acumulavam em sua testa. Isso era um claro indício de febre alta e febre alta não era um bom sinal. Elena tocou-lhe as têmporas para checar sua temperatura e assustou-se com o quanto aquele lugar estava quente.
Com as pontas dos dedos tocou diversas partes do corpo inerte do homem para que pudesse ter certeza. Rapidamente ela mediu a temperatura com um termômetro enquanto preparava os remédios que aplicaria nele. O termômetro indicou 39,5 de febre. Isso definitivamente não era um bom sinal. Elena aplicou o medicamento em sua veia e aguardou que fizesse efeito. A febre cedeu um pouco e ela pode respirar mais aliviada. Nada a deixava pior do que ver um de seus pacientes não resistir. A garota continuou sua ronda. Medicando e trocando curativos.
Um chamado de rádio muito importante a fizera parar seu trabalho. O General do quartel onde o Major Salvatore serve, esteve procurando-o em todos os postos de socorro. Elena fez o usual protocolo antes de responder ao chamado do General.
– Estamos à procura de um homem desaparecido. Major Damon Salvatore. – O rádio chiava impossibilitando uma boa comunicação.
– Confirmo senhor. O Major está sob meus cuidados. – Elena respondeu com formalidade, tentando esconder seu desprezo ao pronunciar o título do Salvatore – Ele foi baleado um pouco abaixo do ombro e ao que parece não está reagindo à medicação. Receio que tenha que voltar aos EUA o mais rápido possível, ou talvez não resista. – A garota manteve seu tom profissional, como se estivesse negociando uma aquisição.
– Ele está apto para uma remoção? – O homem perguntou do outro lado.
– Acredito que sim. Mas não temos como fazê-lo, senhor. Não temos sequer um carro para levá-lo a base. – Elena respondeu com desgosto. Seu querido presidente não disponibilizava recursos suficientes para socorrer os feridos.
– Mandaremos um carro para buscá-lo dentro de duas horas. Informe suas coordenadas e arrume as malas. Deixo a vida do meu melhor soldado em suas mãos doutora. – Elena rapidamente informou sua localidade. – Entendido. Cambio, desligo. – O barulho que vinha do rádio mostrava que o General desligara sem esperar por uma resposta.
Os poucos soldados e médicos que caminhavam pelo acampamento assustaram-se ao ver uma Elena afobada passar correndo. Ela tinha pouco tempo para guardar suas coisas. Querendo ou não estava feliz por voltar a seu país após quase um ano e meio fora, poderia rever seus amigos e familiares. Ela juntou suas poucas roupas – já que todos os médicos e enfermeiros usam uniformes camuflados – e seus pertences.
– Meredith, terei de acompanhar o Major na viagem de volta para os EUA. Agora você está no comando. – Elena sorriu e apertou o ombro da amiga que a olhava mortificada.
Ryan ajudou-a a preparar o Major Salvatore para ser transportado. Damon estava acordado e observava cada movimento ao seu redor. A garota espantou-se com o silencio do homem, ele não dissera uma só palavra desde que despertara de seu sono. Elena preparou uma mala com remédios, soro e tudo o que usaria durante a viagem. A garota terminou seu serviço no tempo exato em que um grande Jeep entrou no acampamento e quatro soldados saltaram dele.
Com cuidado colocaram Damon no carro, Elena sentou-se ao seu lado sempre monitorando e administrando os medicamentos. Sua febre permanecia entre 37 e 39 graus, o que indicava um caso estável, por enquanto. Ele não parecia reagir a nada do que era aplicado para aplacar sua dor. O silêncio não durou muito e o Major voltou a sua habitual arrogância. Essa seria uma longa viagem.
Notas finais
Até o próximo capítulo!
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