Ensina-me A Ser Tua
46 Capítulo 46 - Uma semana...
Os olhos verdes de Quinn brilhavam intensamente ao admirar o rosto de Rachel à sua frente, com um sorriso iluminado. Teve certeza, mais do que nunca, de que a saudade que sentia dela era muito maior do que seu corpo aguentava sentir... Poucas vezes na vida Quinn se sentiu realizada. Mas essas poucas vezes sempre envolveram Rachel. Com a morena à sua frente ela entendia que todos os caminhos levavam até ela. E naquele momento ela agradeceu a Deus por ter voltado à casa dela naquela noite chuvosa alguns meses atrás...
Q: Como você conseguiu vir? [perguntou agitada]
R: Britt teve a ideia genial de inventar um evento de dança em Boston e implorou para que eu a acompanhasse porque Santana não queria ir. [explicava] Ela foi tão convincente que meus pais insistiram também! Então, para todos os efeitos, eu estou em Boston. [piscou-lhe sorridente]
Q: E quanto tempo essa viagem a Boston durará? [arqueou a sobrancelha com um sorriso]
R: Uma semana! [seu sorriso ficou ainda maior]
Quinn parecia uma vencedora da loteria. Aquele parecia o maior prêmio de todos! A loira abraçou Rachel e a ergueu do chão, rodopiando com ela pelo quarto. Era felicidade demais para manter os pés no solo... Quando finalmente parou, voltou a beijar os lábios carnudos da morena. Ela não queria parar de beijá-la...
R: Uma semana inteirinha com você... [sussurrou]
Rachel estava faminta! Com o maior prazer do mundo Quinn foi à cozinha preparar alguma coisa para que ela se alimentasse bem. A morena sentou sobre o balcão e ficou admirando a leveza com que a loira preparava a sopa. Os cabelos presos em um rabo de cavalo que mantinha os cabelos não muito longos no lugar. A pele branca perfeita... O discreto sinal no lado esquerdo do pescoço, próximo ao maxilar... O sorriso no rosto de Quinn não queria ir embora. O cheiro de Rachel já tinha impregnado o ambiente novamente...
R: Essa deve ser a milésima vez que te olho e que dou graças a Deus por ter te provocado a fazer amor comigo naquela primeira vez... Porque fingimos ser apenas sexo, mas já era amor...
Quinn a olhou de lado, surpresa pelo que ela havia dito. Momentos antes era a loira quem pensava sobre isso. Era ela quem agradecia por aquele dia... Deixou de lado o que fazia e se aproximou dela. Encaixou-se entre as pernas e apoiou as mãos sobre o balcão. Foi direto ao pescoço de Rachel e o beijou de forma carinhosa. Deslizou os dentes vagarosamente, arrancando um suspiro lindo da garganta da morena. Então a beijou ali... Voltou ao que fazia antes, deixando Rachel com a respiração um pouco ofegante...
R: Uma semana de beijos como este... [sussurrou com um sorriso doce]
Q: Uma semana com muito mais do que esses beijos... [respondeu intensamente]
Com a sopa pronta, as duas foram para o sofá. Quinn ligou a TV em qualquer canal e fez com que Rachel se aconchegasse a seu corpo. A morena apoiou o prato na bandeja que Quinn havia separado para ela e se deixou acariciar enquanto comia. O nariz da loira passeava por sua pele, como se estivessem se redescobrindo. Como se Quinn estivesse buscando confirmar que ela estava mesmo ali...
R: Se eu não estivesse com tanta fome, já tinha largado este prato há muito tempo e mergulhado em seu corpo...
Q: Você precisa comer... [continuava com as carícias naturalmente] Estarei aqui para você mergulhar quando quiser... [sorriu antes de dar uma mordidinha leve na base do pescoço da morena]
O prato estava abandonado na mesinha de centro e a TV já não era percebida. A boca de Quinn se movimentava com destreza única no encaixe da boca de Rachel. Saboreava cada lábio com paciência e não tinha mesmo nenhuma pressa para avançar para outro território. Ela teria uma semana para tentar matar a saudade de cada pedacinho daquele corpo que a enlouquecia. Mas, naquele momento, tudo o que ela queria e precisava era da presença de Rachel, era do calor, do cheiro, do carinho... Das pernas entrelaçadas, dos dedos das mãos brincando uns com os outros, dos olhos castanhos lhe admirando...
Q: Eu quero tanto fazer amor com você por horas intermináveis! [Rachel estremeceu em seus braços] Mas antes disso eu quero passar várias horas intermináveis só assim... Só assim... [deslizava a mão delicadamente pela lateral do corpo da morena]
R: Então vamos ficar assim... Por horas intermináveis... [sorriu suavemente, sentindo o beijo repentino de Quinn prender seu lábio inferior entre os dentes]
Desde que tudo começou, as coisas foram assumindo um ritmo diferente com o passar do tempo. A pressa carnal de antes e o desejo desenfreado deram lugar à calma carinhosa, à exploração da pele, do cheiro, do olhar... O medo de sentir que antes as sufocava, deu lugar à certeza e à coragem de que era amor e nada mais...
Q: Seus pais não melhoraram nem um pouco?
R: Não... Mas eu não quero falar sobre isso...
Q: Eu queria entender...
R: A gente se fala pelo telefone todo dia, Quinn... Eu não quero falar agora. Quer dizer, se for pra falar que seja pra dizer o quanto eu te amo e como é difícil ficar longe de você...
Q: Eu também te amo! E tenho me tornado uma chata bagunceira porque a falta que sinto de você me deixa com um humor terrível!
R: Sou tão especial assim? [sorriu provocante]
Q: Você nem imagina o quanto...
Quase uma hora depois e elas continuavam no sofá, mas tinham mudado de posição. Quinn agora estava deitada no lugar que Rachel antes ocupava, enquanto a morena estava presa entre ela e o encosto do sofá... Para a loira, aquela posição era mais segura, pois a morena não corria o risco de cair...
R: Esse sofá não é um penhasco, Quinn!
Q: Mas você não pode cair. Tem um bebezinho dormindo aí dentro de você e qualquer queda é perigosa.
Só havia um momento em que Rachel conseguia ver aquela gravidez com leveza, sem tristeza: era quando ela estava com Quinn, ou quando a loira falava sobre ela. E o mais louco naquilo tudo era que Quinn era o maior motivo para ela não ver aquela gravidez com alegria. Tudo poderia ter terminado. Quinn poderia estar fora de sua vida naquele momento, mas foi exatamente o contrário. A loira permaneceu de forma ainda mais firme, mais forte ao seu lado. Aquele bebê inocente que se formava dentro dela parecia que ganhava força conforme Quinn provava que a amava...
R: É incrível a forma como você está encarando tudo isso! [disse encantada]
Q: E como eu deveria encarar? [perguntou suavemente]
R: Eu não sei... Mas acho que ninguém no mundo agiria dessa forma, dando o amor que você me dá...
Q: Eu te amo! Consequentemente, amo tudo o que você realiza. Esse bebê é uma realização sua. Independente das circunstâncias em que ele foi gerado, eu não posso deixar de assumir minha responsabilidade diante disso. Eu te provoquei a sentir ciúmes e você buscou a forma que achou certa de superar aquilo.
Rachel se moveu incomodada...
R: De novo essa história de culpa?
Quinn a puxou de volta à posição em que estava...
Q: O que eu quis dizer é que eu estou com você totalmente, inclusive para amar esse bebê...
Rachel nada disse. Encaixou-se mais ao corpo de Quinn, colocando o rosto no pescoço da loira:
R: Todas as noites eu procuro seu cheiro na cama... E ele vai embora aos poucos, conforme os dias passam, até o dia em que meus lençóis só cheiram a amaciante... [disse baixinho] Eu queria que não fosse assim... Eu queria que seu cheiro permanecesse lá todos os dias...
Foi a vez de Quinn nada dizer. Deslizou os dedos pela coluna de Rachel, sentindo o corpo dela ficando mole com as carícias.
Q: Vamos pra cama? [perguntou suavemente]
R: Não... Aqui está tão bom! [murmurou]
Q: Mas não é tão confortável, Rach...
R: Seu corpo é... [o sono ia dominando]
Rachel cedia aos carinhos de Quinn e depois de tanto tempo, de tanta briga com seus pais, finalmente ela se sentia em paz de verdade...
R: Faremos amor amanhã? [perguntou quase dormindo]
Q: A semana toda se você quiser... [beijou-lhe a testa demoradamente]
R: A semana toda...
Alguns segundos depois, Rachel dormiu. Quinn demorou muito mais do que isso. Ainda não parecia real que Rachel estava ali, em seus braços. Mas o cheiro da morena dizia que era. Ela a apertou um pouco mais no abraço e beijou-lhe delicadamente a têmpora. E sua mente a levou àquela noite chuvosa em Lima, quando ela estava dentro do carro, decidindo se voltava ou não para a casa de Rachel. Aquela marcha-a-ré tão certa foi talvez o passo mais sábio que ela já deu em sua vida. Tudo começou ali. E o que ali começou se tornou tudo para ela...
Notas finais
Espero que gostem!
Comentem! :-)
Beijos!
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