Ensina-me A Ser Tua

47 Capítulo 47 - Na alma...


A respiração de Rachel estava leve, tranquila, como há muito tempo não havia sido. Seu corpo relaxava diante dos carinhos intermináveis de Quinn. A loira dormiu por pouco tempo. Muito pouco! O tempo que passava e ela não estava olhando Rachel parecia desperdício de vida, uma ponte entre o nada e nada mais... A morena era a imagem mais perfeita que seus olhos já tinham sido capazes de registrar. Ela não comparava com Beth em seus braços logo após nascer. Não! Não era justo, nem possível, fazer tal comparação...

Rachel era a materialização de todas as suas virtudes. De todos os seus pecados... Ela sentia sua boca inundar-se em água apenas imaginando o gosto de Rachel em sua língua... Achava perfeito o encaixe de seus corpos. O cheiro dos cabelos escuros invadia suas narinas com facilidade. Rachel era pequena, perfeita para seus braços. Sua pele era de uma maciez absurda, onde Quinn só queria deslizar, esfregar-se, mergulhar... Era assustador! Seu coração acelerou atordoado. Ela sabia que estava apaixonada. Ela sabia que a amava. Ela só não conhecia aquela sensação de amor crescente, incondicional... Aquela necessidade absurda de tocar, de sentir, de querer... O desejo incontrolável. A sede que água nenhuma era capaz de matar. O sentido das coisas...

Quando, ainda na escola, Quinn se via magnetizada à Rachel, tudo era muito assustador. A vontade de ficar sempre perto, de enfiar os dedos entre as mechas de seus cabelos, de ouvir sua voz em decibéis bem mais baixos, só em seu ouvido... Era assustador! E ela odiava aquilo... Mas ela queria tanto! Tanto! Que doía... E Rachel queria o mesmo. Cada piscar dos olhos verdes de Quinn causava um estrondo dentro de si. Cada passo no corredor provocava terremotos em seu interior. Era sufocante desejar alguém que lhe parecia inatingível. Era sufocante desejar... Desejar tanto!

Quando naquela noite chuvosa elas finalmente se entregaram, foi como se a rotação do universo tivesse mudado. O magnetismo de seus corpos se elevou e nunca mais puderam se sentir normais estando distantes. Lutaram bravamente contra o amor. Lutaram com muita coragem para evitá-lo. Bobagem! Foi a luta mais vã que poderiam ter travado. Já se amavam há muito tempo, quando ainda nem sabiam identificar o amor. Desde que o simples balançar de quadris de Quinn provocava um calor intenso entre as pernas da morena, e quando o delicado colocar de uma mecha dos cabelos escuros atrás da orelha causava erupções no interior da loira... Não houve um segundo sequer em que não se amaram, mesmo que não entendessem. Mesmo que odiassem aquele sentimento...

Tudo tinha sido muito assustador, mas elas enfrentaram. Aceitaram o que sentiam e entenderam que se amavam. Mas nada era mais assustador do que agora. A fase do amor real, da certeza, do pavor da perda, das mágoas, das dores. Rachel estava sofrendo e Quinn se sentia responsável por aquilo. Talvez se tivesse sido mais corajosa antes... Talvez se tivesse comprado uma espada e duelado com Finn antes de tudo se complicar... Talvez... Havia muitas lacunas onde ela poderia encaixar aquela palavra. Mas ela não cabia entre elas. Não! Não havia talvez entre seus corpos, entre suas almas...

E Rachel respirava, tão suave quanto deveria ser... Ela estava em paz... Seu ventre era acariciado com ternura. Era Quinn sendo a perfeição que não era possível existir. Mas existia... Havia uma miniatura de Rachel crescendo ali e a loira se perguntava o quanto era impossível não amá-lo. Era impossível não amar qualquer pedaço da morena. Será que um dia Beth a perdoaria por tê-la deixado com Shelby? E se isso acontecesse, será que ela perdoaria o fato de que seu coração fora incapaz de deixar de amar aquele filho de Rachel? Ela poderia amá-lo? Como não amaria? Era Rachel de alguma forma. Era a extensão dela. E ela amava qualquer coisa relacionada a ela...

R: Que horas são? [murmurou sonolenta]

Q: Desculpe te acordar... Ainda é madrugada... [beijou-lhe a testa carinhosamente]

R: Esse carinho é bom... [sorriu em meio a um suspiro] Por que você está acordada?

Q: Porque você está aqui.

Rachel abriu os olhos devagar e se deparou com o brilho dos olhos de Quinn.

R: Desculpa... Eu atrapalhei seu sono?

Q: Atrapalhar não é a palavra... [sorriu suavemente] É só que prefiro ficar acordada...

R: Mas isso não é correto. Eu durmo bem e você mal, então acordo disposta e você vai querer dormir o dia inteiro...

Q: Não é assim... [manteve o sorriso] Só quero te absorver um pouco mais...

Rachel estremeceu...

R: Você estava acariciando minha barriga...

Q: Estava...

R: Por quê?

Q: Porque sim!

R: Mas por quê?

Q: Por que não?

Rachel sorriu... Sabia que não ouviria uma explicação mais eloquente de Quinn. Sabia que a loira ia se manter naquele jogo de palavras para não ter que se explicar. A loira se moveu e a ruptura daquele contato doeu na morena.

R: Aonde você vai? [perguntou confusa ao vê-la se levantar]

Q: Volto logo...

Ela devia ter ido ao banheiro. Quinn era tão educada que era incapaz de estragar um momento usando a palavra "banheiro". Mas ela demorou bem menos tempo do que Rachel pensava. Trazia uma caixa em mãos. Mãos que tremiam levemente. Lentamente a morena se sentou e ficou sem palavras. Não pela caixa, mas por sua junção com a expressão de Quinn. O quadro completo envolvia as duas coisas para fazer sentido... A loira não sentou ao lado dela. Sentou no chão à sua frente, sentindo as pernas de Rachel pairarem sobre as suas. Beijou-lhe a panturrilha da perna direita, logo depois o joelho. A morena fechou os olhos e suspirou forte ao toque dos lábios macios em sua pele.

Quinn estendeu os braços e lhe apontou a caixa. Nada disse. Rachel a segurou. Seus olhos petrificaram na temática infantil do laço. Ela não precisava abrir para ter noção do que podia ser. Seus olhos se encontraram e havia lágrimas. Nos olhos das duas... Suas mãos trêmulas seguraram a tampa da caixa e seu coração falhou uma batida. Talvez duas, ou três... Um pequeno macacão branco com os dizeres "Baby Broadway" coloridos, imitando o letreiro dos teatros, revelou-se à sua frente. Rachel o retirou da caixa e o levou ao rosto, aspirando o perfume de Quinn que estranhamente emanava da peça de roupa. Isso porque a loira comprou pela internet e ela mesma fez o embrulho, mas antes disso, passou horas com ele em mãos, decidindo se deveria dar ou não...

R: Tem seu cheiro... [murmurou emocionada]

Q: Desculpe...

R: Isso o faz ainda mais perfeito!

Quinn sorriu encabulada... Tinha medo da reação que o presente causaria. Mas apesar do inevitável conflito de sentimentos que causava em Rachel, era um presente de Quinn, e isso nunca poderia ser ruim...

Mas depois de alguns longos segundos de silêncio, onde Rachel encarou o presente fixamente, ela o colocou de volta à caixa e pôs ao lado, na mesinha de canto. Olhou para Quinn sentada no chão à sua frente, deslizando as mãos naturalmente em suas pernas.

R: Vem aqui... [chamou suavemente]

Quando a loira se ergueu para sentar-se ao seu lado, foi surpreendida pelo corpo de Rachel à sua frente. A morena não podia esperar. Cada milésimo de segundo era uma eternidade longe dela. O abraço foi forte. Aquela força dizia tudo o que Rachel não precisava dizer. Mas ela queria falar. Ela queria usar palavras. Ela precisava usá-las:

R: Obrigada! [choramingava] Obrigada por estar comigo! Eu te amo tanto! Eu nem acredito que tenho essa capacidade toda de amar como eu te amo...

Quinn a calou. Com um beijo suave que se tornou urgente conforme os braços de Rachel se apertavam a seu corpo...

Q: Vem...

No quarto, Quinn fez questão de despi-la. Cada centímetro de roupa retirada ganhava seus lábios no lugar. Rachel queria tanto fazer amor, mas não mais do que ela. A loira estava com fome. Muita fome de Rachel Berry. Ela precisava se alimentar de amor...

Os dois lugares perfeitos onde sua boca se encaixava perfeitamente: os lábios de Rachel e entre suas pernas. Não, não... Havia mais! Era preciso incluir os seios da morena. Mas e a nuca? E o pescoço? Todo o corpo de Rachel parecia ter sido moldado para receber a boca de Quinn. Era ali, naquele corpo perfeito, que ela via sentido em possuir uma boca...

O beijo sobre o clitóris de Rachel pareceu tão intenso quanto o primeiro! A morena se arrepiou e gemeu alto. Mas era melhor, muito melhor do que o primeiro de todos! Quinn não a estava apenas degustando, não era uma forma de enlouquecê-la. Era, na verdade, uma forma de deixá-la sã. Era mesmo um beijo. De amor... Quando a língua da loira passou a se movimentar em círculos, quando seus lábios prendiam o feixe de nervos para que pudesse chupá-lo, ela não queria mais dizer: "olha o que eu posso fazer você sentir!" Ali, ela estava dizendo: "olha o quanto eu te amo, o quanto te desejo..." Rachel entendeu perfeitamente...

Antes de chegar aos lábios carnudos, Quinn beijou o ventre de Rachel demoradamente. Não havia chão se a morena quisesse pisar... Suas mãos se prenderam aos cabelos loiros e a maciez daqueles fios a fazia se sentir no paraíso... Depois os seios ganharam sua atenção... Os mamilos rígidos de prazer ganhavam a atenção total da língua sedenta e apaixonada da loira. Logo seus olhos se encontraram novamente. Nada precisava ser dito. Nada! Mas Quinn queria dizer. Ela precisava, na verdade... Fechou os olhos, enquanto sua mão se encarregava de se colocar entre as pernas da morena. Seus dedos a penetraram o mais profundo que puderam. Mas era amor... Era intenso e carinhoso... Era amor...

Q: Me sinta... Deixa eu te penetrar... [sussurrava sobre seus lábios] Eu te amo... Me sinta dentro de você! Me sinta te amando! Me sinta te pertencendo... Deixe-me dentro de você para sempre...

A voz rouca e mágica de Quinn provocava descargas elétricas intensas na pele da morena. Seus ouvidos haviam sido feitos para receber o som daquela voz... Ela se sentia como se ela inteira tivesse sido feita para ser provada por Quinn. Para complementar seu corpo... Para ser para sempre dela... O corpo trêmulo de Rachel indicava que depois de toda a penetração carinhosa e ao mesmo tempo intensa proporcionada pela loira, o orgasmo se fazia presente, libertador. Ela sentia em cada poro de seu corpo o desejo apaixonado da namorada por sua pele, por seu cheiro, por sua vida... Quinn a amava por completo, com tudo incluso! Até um filho que ela não programou ter. Um filho com seu ex-namorado. Quinn era capaz de amar...

Sentia os dedos da loira deslizando por sua pele suave, como se dedilhasse as teclas de um piano, como se tentasse decifrar segredos... Seu sono voltava. A paz voltava... A voz rouca de Quinn em seu ouvido, com as mais perfeitas declarações de amor... Ela voltava à paz... E Quinn já a havia penetrado até o limite. Ela estava em sua alma...

Notas finais
Espero que gostem!

Comentem! :-)

Beijos!