Ensina-me A Ser Tua

45 Capítulo 45 - Quando as palavras podem se calar...


Rachel tinha ido ao médico na companhia de Santana duas vezes. Era estranho, mas havia uma familiaridade entre elas maior do que se podia supor. E também havia sido um pedido de Quinn. Ela precisava ter certeza de que Rachel estava bem e só Santana era capaz de lhe dar todas as informações com os mínimos detalhes. Britt iria se confundir e Kurt iria resumir tudo. Apesar da pouca paciência da latina para a grande quantidade de perguntas feitas pela loira, ela sabia que a amiga precisava saber de tudo para se sentir tranquila, então passava por cima de seu próprio temperamento e a tranquilizava. Rachel se sentia melhor com relação a tudo ao ter certeza de que Quinn ainda estava completamente ligada a ela. As ligações diárias noturnas continuavam acontecendo. Não que elas não pudessem se falar durante o dia, mas seus horários eram completamente antagônicos e uma não queria prejudicar a outra em suas aulas. A morena mantinha uma postura firme dentro do apartamento diante de seus pais, não deixando qualquer pista escapar de que ela e Quinn não tinham terminado o namoro coisa nenhuma. Kurt já demonstrava certa insatisfação com a presença diária e pesada dos dois Berry, mas não queria causar mais um problema para ela. Finn tentava manter contato com Rachel, mas ela ainda estava magoada por toda a confusão que ele provocou, mesmo sem querer.


R: Já dá pra ver bem... [murmurou com o olhar cabisbaixo]

S: O quê? [perguntou distraída]

R: Minha barriga... Já dá pra ver... Está maior... [respondeu ainda baixinho]

S: Mal dá pra ver, Berry! [exagerou um pouco] Está num tamanho normal pra quem não come.

R: Eu como! [defendeu-se]

S: Pouco! [rebateu]

R: Mas estou me alimentando bem para nutrir o Jeremy... [explicou]

S: Você nem sabe se é um menino. [revirou os olhos]

R: Vai ser... [disse firme]

S: Por que Jeremy?

R: Porque a Quinn escolheu... [murmurou saudosa]

S: Quando seus pais vão voltar pra Lima?

R: Eu não sei... [respondeu agoniada] Eu os amo, mas a nossa convivência está insuportável! E eu quero a Quinn comigo... [resmungou triste]

S: Tenha um pouco de paciência... Ela anda muito ocupada! Todo esse assunto de vocês a deixou bem pendurada nas matérias. A sorte é que ela é inteligente e está conseguindo recuperar, mas ela tem virado noites estudando.

R: Eu sinto muito... [lamentou-se sincera]

S: E ela pensa em você o tempo todo... [garantiu]

R: Mesmo?! [seus olhos assumiram um brilho intenso de alegria]

S: Mesmo! [confirmou] Veja bem, Rachel... Sei que tivemos nossas diferenças e sei que não fui uma das maiores apoiadoras desse namoro de vocês no começo, mas agora eu sou. Eu entendo o sofrimento de vocês agora e estou à disposição para ajudar no que for preciso. A Q é minha amiga e você... Bom... Você também é. [desviou o olhar encabulada] E pelo que entendi, acho que sou os olhos dela sobre você agora... [sorriu] Só quero dizer que estou aqui...

R: Eu sei, Santana... [disse com os olhos marejados] Eu sei disso e agradeço! É uma situação louca e complicada, mas que está se ajeitando. Eu estou dando à Quinn espaço para que ela cuide das coisas dela. É difícil, mas eu tenho que fazer isso por ela. Eu sinto muita saudade, mas eu sei que vamos resolver isso...

S: Vocês vão...

R: Eu... Eu liguei pra Shelby... [disse baixinho]

S: Você o quê?

R: Eu liguei pra Shelby...

S: Pra quê?

R: Não sei... Eu senti que precisava falar com ela. Nessa situação que estou passando, eu senti que precisava falar com minha mãe, mesmo que ela não aja como tal.

S: E o que ela disse?

R: Ela se ofereceu para vir passar uns dias comigo. Ela foi muito legal, mas eu pedi que ela não viesse ainda. Ela está em Paris com Beth... Eu não posso, simplesmente, pedir que ela largue tudo e venha. Não agora. A relação dela com meus pais não é das melhores, isso só iria piorar as coisas. E tem também a Quinn... [disse constrangida]

S: O que tem a Quinn?

R: Eu não contei a ela que falei com a Shelby. Por favor, Santana, não conte! [recebeu um aceno da latina] Nós nunca conversamos sobre a relação delas duas. Eu não sei como seria a reação da Quinn com Shelby e Beth por aqui...

S: Shelby sabe que vocês estão namorando?

R: Eu contei. Tive que contar...

S: E ela?

R: Ela não disse nada demais. Só perguntou se era um relacionamento sério e eu garanti que sim.

S: Entendo...

R: Você está sendo maravilhosa!

S: Cala a boca!


Rachel riu com a relutância da latina em assumir ser legal, mas o sorriso de Santana mostrava que ela estava mesmo aberta a uma amizade verdadeira com ela...


S: Você não prefere que o Kurt venha com a gente na próxima consulta?

R: Não...

S: Por quê?

R: É estranho, mas eu me sinto mais perto da Quinn por estar perto de você!

S: Não seja melosa, Berry!

R: Mas é verdade!

S: Quando vocês começaram com o sexo selvagem de vocês, imaginavam que chegariam ao amor? [perguntou sincera]

R: Sempre soubemos que já era amor...


Quinn se sentava pesadamente em uma das cadeiras do refeitório de YALE, pousando sua bandeja cheia de comida sobre a mesa:


N: Vai vender comida princesa chata, ou alimentar um batalhão?

Q: Você não tem nada melhor pra fazer do que me perseguir, Nick?

N: Você sabe que não... [sorriu divertido]

Q: Estou morrendo de fome. Meu cérebro precisa de açúcar. Passei a madrugada estudando e odiei a prova.

N: Não foi tão ruim assim...

Q: Não foi pra você que não teve trabalho de pensar, já que copiou tudo de mim.

N: Porque eu sei que você acerta tudo.

Q: Não tenho tanta certeza...

N: Bobagem... A prova já passou. Agora relaxe...

Q: Bobagem? Não é bobagem... [disse agoniada] Estou longe da Rachel, com saudades, tentando preencher meu tempo com os estudos atrasados. O mínimo que tenho que fazer é tirar nota boa, senão de nada valerá estar longe dela.

N: Desculpe... Eu nem imagino como deve estar sendo difícil para vocês.

Q: Está sendo insuportável. Minha mãe me liga todos os dias para saber se eu rezei pedindo a Deus para afastar de mim o “demônio gay”.

N: Sério?!

Q: Sério!

N: Poxa...

Q: Pois é! Eu tenho que lidar com os pais gays da minha namorada que me odeiam porque venho de uma família homofóbica. Então a gente está fingindo que tudo acabou... Tenho que lidar com minha mãe e suas teorias malucas homofóbicas. Tenho que lidar com a preocupação constante sobre se Rachel está se alimentando, se está se cuidando, se está emocionalmente bem, se o Finn a está rondando e se seus pais estão mexendo com a cabeça dela... E, além disso, tenho que ser uma excelente aluna para ter a chance de conseguir uma bolsa integral e não precisar mais que minha mãe pague a metade das minhas mensalidades...


Nick estendeu a mão e segurou a mão agitada de Quinn, dedicando a ela um olhar calmo e a voz mansa:


N: Eu posso ajudar em alguma coisa?


Quinn se desarmou. Ali à sua frente estava seu melhor amigo em Yale. Um rapaz atencioso, carinhoso, divertido e que cada vez mais se mostrava fiel. Talvez ela pudesse ficar menos na defensiva...


Q: Você já ajuda. [sorriu sincera] Sua companhia já ajuda...

N: A-há! Então eu não sou tão inconveniente como você diz! [apontou sorrindo]

Q: Não força, Nick!


Quinn já estava acostumada com o clima frio de New Haven. Nos dias em que o sol se mostrava majestoso, ela estava trancada dentro de uma sala de aula fria em Yale. Então não havia mais calor para ela. Olhando ao seu redor, ela via que tinha muito sentido no que Santana havia falado quando a visitou. Seu apartamento estava uma verdadeira bagunça melancólica e Quinn nunca foi bagunceira. Muito pelo contrário... Ela sempre teve verdadeira agonia com bagunça. Colocou-se a arrumar tudo o que estava fora de ordem. Olhou o relógio e viu que ainda tinha quase uma hora para ligar para Rachel. Era tempo suficiente para tomar um banho para ver o tempo passar mais rápido. Terminava de vestir a blusa do pijama quando ouviu um barulho vindo da sala. Lembrava perfeitamente de ter fechado a porta e Nick nunca entrava sem tocar a campainha. Caminhou temerosa até a porta do quarto e não precisou mais sair dele...


R: Ou eu vinha ou eu morria... [olhou-a intensamente, cheia de saudade]


O corpo de Quinn enrijeceu completamente ao ver Rachel à sua frente, mas logo se pôs em movimento para abraçá-la. A loira não disse nada, não perguntou nada. Apenas colocou sua garota em seus braços e a beijou como nunca antes. As mãos da morena se apertaram às laterais de sua blusa e era possível sentir a necessidade de ambas em sentirem suas peles.


Suas mentes voltaram ao primeiro beijo, ao primeiro toque, ao primeiro tudo... Onde tudo começou, onde elas se entregaram ao sentimento que as consumia desde sempre... Quinn segurou o rosto de Rachel entre suas mãos e a olhou demoradamente, com a respiração ofegante de quem não acreditava no que via. Seus olhos estavam vermelhos e marejados... Sua garota estava ali novamente. Beijou sua testa e se manteve quieta por um bom tempo, sentindo as mãos de Rachel deslizarem pela lateral de seu corpo como se dissesse “eu estou mesmo aqui...”


Q: Diz que isso é real... [sussurrou ofegante]

R: É real... [respondeu num sussurro igual]


Quinn voltou aos lábios de Rachel, saboreando o gosto de sua boca. Que saudade que ela estava daquela boca! Oh droga! Ela não tinha ideia do quão enorme era a falta que sentia...


Depois de se beijarem por um tempo que jamais saberiam calcular, Quinn, finalmente, saiu do transe em que tinha se metido. Passou as mãos delicadamente pelos ombros de Rachel, tirando o sobretudo que a morena usava. Suas mãos deslizavam devagar pelo corpo da namorada, como se tentasse memorizar cada centímetro. Rachel se deixava tocar. Ela precisava ser tocada por Quinn novamente. Quando as mãos da loira passaram pelo ventre na morena, pôde sentir que o volume ali formado era maior do que ela tinha visto pela última vez. O tempo havia mesmo passado... Então seus olhos se encontraram. O carinho das mãos de Quinn em sua barriga fez Rachel fechar os olhos em apreciação. Ninguém tinha feito isso antes. Só a loira teve o desejo e a sensibilidade de fazer isso. Dentro do rodamoinho de emoções que se formava dentro de Rachel, Quinn sabia, mesmo que sem querer, levar a ela a calmaria que ela tanto precisava. Era um carinho puro de quem amava de verdade e se importava pelo bem-estar da outra. Silenciosamente Quinn dizia que a amava e que a amava acima de tudo... Rachel se perguntava o que estava fazendo longe dela por tanto tempo. Foi a vez de a morena avançar. Segurou o rosto de Quinn e a puxou para um beijo faminto, necessitado, cheio da mais sincera intenção de declarar seu amor sem palavras. A loira a puxou para mais perto e a abraçou forte. Palavras? Elas usavam muito ao telefone todos os dias. Naquele momento todas as palavras poderiam se calar... Aquele era o momento de tocar, de sentir, de saborear. Era o momento de não precisar dizer nada, perguntar nada, explicar nada. Era o momento onde tudo se explicava apenas num abraço, num beijo, num toque delicado. Era onde o mundo se resumia. Onde duas pessoas sentiam que tudo o que havia de errado em suas vidas poderia ficar de lado um pouco...


Elas já não eram as mesmas que se desafiaram na casa de Rachel, em Lima, numa noite chuvosa. Elas não eram mais as mesmas que usavam o sexo como escudo para seus sentimentos. Não eram mais as mesmas que evitavam falar de amor... Eram, na verdade, tudo o que precisavam ser e se encontravam na outra como nunca quiseram antes se encontrar em alguém. Era um amor muito mais de pele do que verbal. Quinn Fabray era o porto seguro de Rachel Berry e a morena era seu alicerce vital. Havia um bebê em formação e ele não era de Quinn, mas a loira o possuía. De alguma forma, ela o possuía e Rachel já o via como dela também. E mesmo que Beth dominasse grande parte do coração de Quinn, numa mistura imensa de saudade e arrependimento por tê-la deixado, a loira via em “Jeremy” a chance fazer o que considerava certo: assumir as consequências dos atos dedicando todo o amor que existia em si... Ainda que a verdadeira responsabilidade não fosse dela...



[CONTINUA...]



Notas finais
Postei preocupada porque o Nyah vai entrar em manutenção daqui a pouco e nem sei se vocês conseguirão ler antes disso.
De qualquer forma, aqui está o capítulo, já avisando que o próximo será BEM IMPORTANTE E DECISIVO! ;-)

Amo seus comentários e agradeço a cada um deles! Vocês são demais! Assim como as recomendações também! Vocês me fazem MUITO feliz a cada comentário! :-)
Então, continuem me animando e comentem sobre este também! ;-)

Postarei o próximo logo...

Beijos!