Ensina-me A Ser Tua

36 Capítulo 36 - Efeito colateral...


Efeito colateral: “efeito diferente do esperado...”

Finn:

Mais uma vez, o rapaz chorava desesperado no colo da mãe. Anos depois ele se colocava na mesma posição, com a mesma falta de maturidade. Não fazia ideia de como as coisas seriam, principalmente por saber que Rachel já não o amava. Parecia tudo um pesadelo. A mulher que ele pensou ser o amor de sua vida, já não o via da mesma forma e esperava um filho dele. Eles seriam forçados a viver uma relação diferente e isso o amedrontava. Pensar em como tudo aquilo estava sendo incrivelmente difícil para Rachel o magoava ainda mais. Mas ele sequer sonhava que a morena tinha alguém para apoiá-la, além dele. Ela pediu para conversar com ele em Nova York e ele daria a ela o espaço que precisasse para lidar com tudo...

Kurt:

Seu choque foi tão grande que sequer conseguiu conversar com a amiga. Tiveram um breve momento em que ele a abraçou com força e disse que a amava. Ela sabia que poderia contar com ele, não era preciso que nada fosse dito...

Berry:

Na casa dos pais de Rachel, o clima era estranho. Jamais tinha passado pela cabeça de qualquer um deles que sua estrelinha poderia não se tornar uma verdadeira estrela. Nunca imaginaram que ela poderia ter um filho tão cedo. Nunca pensaram que ela seria tão irresponsável. Mas não houve sermão, muito menos questionamentos. Eles eram sensíveis demais para entender que tudo o que Rachel precisava no momento era de apoio, não de censura. De seus pais, a morena só recebeu muito carinho, amor e compreensão...

Quinn:

Quando a loira se deu conta do que significava tudo aquilo, ela precisou de ar. Estava sufocada daquela realidade pesada que tanto a lembrava de sua própria realidade num passado não muito distante. Mas havia algo a mais: havia Rachel. Havia o beijo a ser dado, o toque quente em sua pele, o ingresso do cinema a ser comprado, o jantar especial, o carinho no sofá enquanto passa um filme chato na TV, as ligações sem fim, as mensagens apaixonadas, o cheiro perfeito... Havia o amor a ser devorado, gota por gota, o suor compartilhado, os sussurros no escuro... Havia o sorriso brilhante e a gargalhada gostosa de sua morena, o olhar intenso, os lábios carnudos... Havia muito ainda a ser vivido, provado, sentido... Havia uma história a se desenvolver que não podia parar assim, no começo, como se não tivesse força pra continuar.

Longe daquele corredor, Quinn chorou. Pouco... Não se permitiu chorar mais... mas seu corpo inteiro entrava numa espécie de colapso emocional e ela tremia... Tremia como nunca havia tremido. Era capaz de quebrar qualquer coisa à sua frente... Precisou de uma força que não era sua para não deixar que as lágrimas ditassem o ritmo de sua reação. Era um momento delicado com uma pessoa sofrendo mais do que qualquer outra: Rachel. A dor era dela. E qualquer dor que Quinn sentisse, era infinitamente menor do que a da morena. Seria egoísmo dela fazer qualquer comparação. Sabia que não podia cobrar nada de Rachel, nenhuma satisfação. Quando tudo aconteceu, elas se encontravam num estágio estranho de relacionamento, onde não conseguiam admitir o que realmente sentiam. As duas sabiam que na noite em que tudo aconteceu, Rachel apenas buscava em Finn uma forma de esquecer Quinn. E o efeito foi completamente colateral...

Quinn tinha duas opções: ficar ou partir. Não... Ela não tinha outra opção além de ficar...

Quando entrou no quarto de Rachel e a viu tão indefesa, seu coração se quebrou em mil pedaços... Dizer tudo o que disse foi difícil. Era difícil ser tão forte! Mas ela precisava... Precisava ser para sua namorada um porto seguro. Dar a ela tudo o que não teve ou não se permitiu ter quando passou aquilo tudo. As circunstâncias tinham suas semelhanças e diferenças, mas ambas resultavam em mágoa e, talvez, em alguns sonhos despedaçados...

Quinn foi direto para Nova York com Rachel. A loira sabia que estava se prejudicando em Yale por causa de suas faltas, mas precisava estabelecer prioridades e Rachel era a maior delas.

Santana e Britt souberam de tudo de forma resumida, mas o fundamental. A latina deixou de lado qualquer desavença com Rachel e se colocou à disposição para elas. Já não era o momento de manter viva qualquer infantilidade ou diferença desnecessária.

Rachel pediu para não ir à NYADA. Estava sem cabeça e ainda sentia algumas cólicas. Quinn não teve coragem de forçá-la a ir. Finn manteve contato, mas não foi até seu apartamento. Entendeu que quando ela estivesse pronta para conversar ela o chamaria.

Era noite e a única iluminação existente entrava por uma pequena fresta na janela. No silêncio do quarto de Rachel, Quinn a tinha deitada em seu peito. Acariciava os cabelos da morena, sentindo a respiração dela contra sua blusa fina. A umidade no tecido entregava que ela chorava, mas não era um segredo:

R: Me desculpe... [pediu chorosa]

Q: Por quê? [perguntou calma]

R: Por ficar tanto tempo na cama, por fazer você faltar aula, por te dar trabalho, por ainda não dizer ao Finn e aos meus pais que estamos namorando... [enumerava cada coisa com uma certa dificuldade em respirar]

Q: Você tem o direito de ficar na cama por um tempo... [permaneceu calma, com os mesmos carinhos nos cabelos escuros] E você é minha prioridade. Não se preocupe comigo nem com esses detalhes. Uma coisa de cada vez. Agora, só você importa...

R: Eu... Eu não sei o que fazer, Quinn... [ergueu a cabeça para olhá-la] Entenda que se você continuar comigo, você vai acabar tendo que me ajudar a decidir as coisas e isso é muita responsabilidade! Você não tem que passar por isso... [chorava ainda que levemente]

Q: “Se” não existe aqui! [enfatizou] Eu não quero mais ouvir você dizendo nada disso. [repreendeu]

R: Mas...

Q: O que você sente por mim, Rachel? [interrompeu com extrema calma]

R: Eu te amo! [respondeu rapidamente] Você sabe disso!

Q: Então você quer ficar comigo, certo?

R: Claro!

Q: Então está tudo certo! [deu-lhe um sorriso terno] Você quer ficar comigo e eu com você! Isso significa que teremos que enfrentar todos os desafios juntas.

R: Mesmo algo tão grande? [perguntou temerosa]

Q: Não importa o tamanho...

R: Se eu cogitar... [tentava perguntar, mas o nervosismo aumentava consideravelmente, fazendo-a tremer] Se eu... [respirou fundo] Se eu tirasse o bebê?

Quinn manteve o olhar em seus olhos, respirou fundo e não hesitou em responder:

Q: Estarei com você em qualquer circunstância...

R: E suas crenças?

Q: “Nós” somos tudo em que acredito. Você é minha crença! [disse intensamente]

R: Ok... [estremeceu. Quinn se expressava de uma forma muito perfeita]

Q: É o que você quer fazer? [perguntou cuidadosa]

R: Eu não sei... Não sei se teria coragem. [respondeu sincera] Não sei se conseguiria conviver com isso... Parece muito mais cruel do que jamais pensei... Eu penso no meu futuro, em como um filho pode atrapalhar minhas chances na Broadway, mas ao mesmo tempo eu me sinto terrível por pensar em não ter... Eu não sei... [o choro se intensificava]

Q: Vem cá! [fez com que ela subisse em seu corpo, para ficarem na mesma altura] Faz dois dias que estamos tendo que lidar com isso. [colocou a franja da morena atrás da orelha] Não espere que as respostas apareçam tão cedo. Ontem não foi um dia bom, hoje também... Estou aqui com você e faço o que você quiser para fazer você se sentir melhor.

R: Estar comigo já é o suficiente!

Q: Então não teremos nenhum problema porque eu não pretendo sair daqui.

R: E suas aulas?

Q: Não se preocupe com isso, meu amor...

Rachel dormia enquanto Quinn se encontrava numa importante e longa ligação:

N: Puxa, princesa... Que barra! Eu sinto muito! [dizia sincero]

Q: Nem me fale! [suspirava chorosa] Mas eu preciso de você, Nick! Eu jamais pediria isso a você se não fosse importante!

N: Eu sei! Eu vou falar com meu pai! [tentava tranquilizá-la] Tenho certeza de que ele resolve isso para a gente.

Q: Então você me acompanha mesmo nessa?

N: Sou seu fiel escudeiro, princesa chata! [sorriu carinhoso] Seu bobo da corte a seu inteiro dispor!

Q: Hahahahahahaha Só você pra me fazer rir agora...

N: Eu te ligo amanhã dizendo como foi a conversa com meu pai, certo?!

Q: Certo!

N: Boa noite!

Q: Boa noite e obrigada! Por tudo...

Quando voltou ao quarto, Quinn não pôde deixar de admirar a tranquilidade com que Rachel dormia. Naquele momento raro de paz, a morena descansava, linda... A loira voltou à cama, aconchegando-se ao corpo da namorada, que murmurou uma coisa qualquer, entrelaçando suas pernas. O perfume de Rachel fez Quinn se arrepiar. O toque da pele, o calor de todo o corpo... Ela não tinha qualquer dúvida: estava fazendo a coisa certa!

Notas finais
Mil desculpas pela demora para postar, mas estive sem tempo e tive dificuldade para escrever esse capítulo de uma forma que me agradasse. Bom... Espero que gostem!
Comentem! ;)
Beijos!