Ensina-me A Ser Tua
37 Capítulo 37 - Planos...
Finn acordou confuso. Era cedo demais para ter alguém em sua porta. Cambaleou pelo corredor, tentando não tropeçar na bagunça espalhada pelo apartamento. Puck não era muito organizado... Todo seu sono se dissipou quando se deparou com Rachel à sua frente. Esfregou os olhos algumas vezes, tentando ter certeza de que não continuava dormindo. Não estava...
F: Rach? [sua voz saiu um pouco rouca]
R: Posso entrar? [mantinha o olhar baixo] Preciso conversar com você.
F: Claro! [deu espaço para que ela entrasse]
R: Desculpe a hora, mas eu terei um dia complicado e não poderá ser depois. [tentava se explicar, visivelmente nervosa]
F: Não tem problema. Sente-se... [apontou o sofá] Como você está? [estava realmente preocupado com ela]
R: Finn... [a voz saiu fraca]
F: Está precisando de alguma coisa?
R: Finn, só me ouve, ok?! [pôs a mão sobre a do rapaz, tentando fazê-lo se calar]
F: Ok. [assentiu]
R: O que eu vou dizer não é nada fácil, portanto, eu preciso que você preste bastante atenção. [finalmente olhou para os olhos dele]
F: Estou prestando...
R: Minha cabeça está uma bagunça. Eu não sei o que vou fazer. [dizia com a voz insegura] Mas eu sei que, apesar de você ter dito que estará ao meu lado, eu preciso te pedir que me dê espaço. [soltou o ar que prendia com o nervosismo]
F: O quê? [assustou-se]
R: Eu não sei se vou ter esse bebê, Finn. [não conseguiu disfarçar o constrangimento ao dizer isso] Eu realmente não sei. Mas será uma decisão minha. Eu não quero dividir isso com você. Se eu tiver esse bebê, você poderá ter uma convivência com ele, se quiser assumir. Mas não se sinta obrigado.
F: Do que você está falando? [irritou-se um pouco]
R: O que eu disse... Eu não quero dividir essa gestação com você. [sua voz saiu mais dura do que pretendia] Você pode participar depois, mas antes... [respirou fundo, tremendo] Antes de ele nascer, você não precisa fazer parte. Não precisa se preocupar.
F: Mas é minha responsabilidade também, Rach! [elevou a voz, levantando-se bruscamente] Você não pode passar por isso sozinha.
R: Eu não estou sozinha, Finn! [rebateu]
F: Não? E eu posso saber quem é esse cara com quem você está? Por que você vai querer que ele faça parte disso tudo se o pai sou eu? Sou eu mesmo, Rachel? [perguntou extremamente irritado]
R: Não existe nenhum cara, Finn... [respondeu cansada. Sabia que não devia discutir com ele, nem se ofender] Esse filho é seu. [garantiu] Não poderia ser de mais ninguém.
F: Então como você não estará sozinha? [perguntou mais calmo] Seus amigos não contam, Rach. Não é a mesma coisa.
R: Finn... Me escuta... [respirou fundo mais uma vez, tentando conter o nervosismo evidente] Eu me apaixonei por outra pessoa e não te disse quem era porque era difícil explicar. Mas agora, eu preciso deixar isso muito claro pra você. [encheu os pulmões de ar e olhou para ele de forma agoniada] Eu estou com a Quinn.
F: O que você quer dizer com “estou com a Quinn”? [ele sabia o que significava, mas precisava ouvir de novo]
R: Que eu me apaixonei por ela. [confessou]
F: Você está brincando comigo, não é?! [apertou as mãos em punhos, fazendo Rachel se preocupar]
R: Não. [respondeu temerosa] Eu não estou brincando...
Finn se movimentava pela sala desnorteado, com um olhar perdido, tentando digerir o que tinha acabado de ouvir. Rachel esperava alguma reação dele, mas nada acontecia. Ele passou as mãos pelos cabelos, tornando visível o tremor que havia dominado seu corpo.
R: Finn... [chamou preocupada]
F: Eu estou tentando entender como isso aconteceu, Rachel! [respirou fundo sem olhar para ela]
R: Simplesmente aconteceu. [elevou a voz um pouco] Não importa agora como foi, nem quando foi.
F: Para mim importa! [contestou irritado] Pra mim que fui enganado importa!
R: Mas eu não vou falar sobre isso com você!
F: Eu tenho o direito de saber! [a irritação aumentava] Não me venha dizer que não me traiu com ela porque eu sei que traiu!
R: Eu não vou falar sobre isso com você! [insistiu]
F: Ótimo! Não fale com o trouxa! [gritou]
R: Terminamos, Finn. O que eu faço da minha vida agora não lhe diz respeito mais. Me desculpe... [tentava demonstrar que realmente sentia muito por magoá-lo, mas sabia que não conseguiria convencê-lo disso]
F: Mas você espera um filho meu!
R: E o que isso tem a ver com quem eu amo?
F: Tem a ver que você está me cortando da sua vida por causa de quem você ama!
R: Não é por causa dela. [defendeu-se]
F: Claro que é! [disse irritado]
R: Não é! [garantiu]
F: Então por que eu não posso fazer parte? [já não havia raiva em sua voz]
R: Porque eu não sei o que vou fazer. E as coisas entre nós não mudaram. Estamos terminados e eu não quero confundir as coisas. [tentava manter a calma] Se eu tiver esse bebê, você terá uma relação de pai e filho com ele, se quiser, e eu não vou interferir nisso. Mas a nossa relação só poderá ser uma amizade. E agora, não vamos nos enganar, nós não conseguiremos ser amigos...
F: Eu posso me esforçar... [seu comportamento tinha mudado completamente]
R: Por favor, eu preciso que seja assim! [fechou os olhos com força, tentando finalizar aquela conversa sem desabar]
F: Você acha que ela vai ficar do seu lado? [provocou]
R: Ela está do meu lado. [abriu os olhos e respondeu firme]
F: Ela abandonou a filha dela. Por que você acha que ela não vai abandonar o seu filho?
R: Eu não vou me incomodar em te responder porque isso é ridículo! [levantou-se irritada]
F: Você sabe que não é! [aproximou-se dela]
R: É sim! Ela não abandonou a filha dela e você sabe muito bem disso. [defendia] E eu não estou esperando que ela assuma essa criança, Finn. Eu preciso dela comigo. Preciso dela pra mim e não para o bebê!
F: Isso não é certo! [voltava a caminhar, balançando a cabeça em negativa]
R: Por favor entenda e respeite minha decisão! [a voz falhou, indicando que ela começaria a chorar]
F: Você pensa que ela te ama como eu te amo? [perguntou triste]
R: Não vamos entrar nesse assunto. [disse exausta] Você prometeu...
F: É só uma simples pergunta, Rach. Você pensa que ela te ama como eu te amo?
R: Finn... [respirou fundo] Eu SEI que ela me ama como eu preciso ser amada. Não é igual ao seu amor e não preciso saber se é maior. Mas é do amor dela que eu preciso... Me desculpe!
Depois daquela declaração, não houve muito o que falar. Rachel saiu do apartamento chorando. Não era porque ela estava com quem amava que magoar Finn deixava de ter importância. Principalmente nas condições em que ela se encontrava.
Ao descer, Quinn a esperava encostada à parede do prédio. Assim que seus olhares se cruzaram, a loira abriu os braços para recebê-la. Beijou-lhe os cabelos, afagando suas costas:
Q: Você devia ter deixado eu subir com você... [disse calma, enquanto beijava novamente]
R: Não teria sido melhor... [respondeu chorosa]
Q: O que eu posso fazer para você se sentir melhor?
R: Deixa eu sentir seu cheiro mais um pouco... [murmurou]
Quinn a levou para tomar café da manhã e tocou no assunto que ainda estava indefinido:
Q: Eu pedi ao Nick para falar com o pai dele. [baixava a xícara de café]
R: Sobre o quê? [perguntou tranquila]
Q: Ele é influente. Eu sei que ele pode conseguir uma vaga para mim em Columbia ou na Universidade de Nova York, para que eu possa me transferir. [disse de uma vez]
R: Por que você vai se transferir? [perguntou surpresa]
Q: Porque eu quero ficar perto de você. [respondeu o óbvio]
R: Mas, Quinn...
Q: Eu não vou ficar longe de você! [interrompeu] Não adianta você tentar me impedir, Rach!
R: Você não pode mudar sua vida por minha causa! [disse nervosa]
Q: Você não percebeu que já mudou? [perguntou com um sorriso carinhoso]
R: Como assim?
Q: Você já mudou minha vida, Rachel! Desde o dia em que eu te conheci... [confessou]
R: Mas...
Q: Eu estarei com você! [interrompeu novamente] E isso não significa só que você pode contar comigo. Significa que eu estarei perto, ao seu lado, ao seu alcance...
R: Eu não posso deixar! [disse firme]
Q: Você não precisa deixar. É uma decisão minha. Eu preciso estar com você...
Rachel tentava entender o que estava acontecendo. Quinn estava lhe dando o suporte que precisava, mas não do jeito certo. Não era justo que a loira mudasse seus planos por causa dela. Não pelos motivos existentes. Mas os olhos verdes lindos a olhavam com tanto carinho que era impossível dizer não para ela. Tinha que haver outra saída. Tinha...
R: Você não vai se transferir para cá! [tentou dizer firme, mas sua voz falhou]
Q: Não complica, Rach! Eu já decidi! [mantinha a voz calma]
R: Você não virá! [insistiu chorosa, constrangida]
Q: Eu te amo! [estendeu a mão para segurar a dela] Eu não vou ficar longe de você, preocupada o tempo inteiro. [a voz mantinha-se calma] Eu não vou deixar você sozinha longe de mim! Eu te amo e quero te dar o meu amor diariamente.
R: Eu também te amo... [respondeu amolecida]
Q: Então eu venho pra cá.
R: Eu vou com você! [rebateu]
Q: Como? [perguntou confusa, sem ter certeza do que tinha ouvido]
R: Você não tem que mudar sua vida por minha causa. Se alguém tem que fazer algum sacrifício esse alguém sou eu... Eu vou pra New Haven com você!
[CONTINUA...]
Notas finais
Será que a Rachel vai mesmo para New Haven? Como as coisas vão ficar? ;)
Comentem!
Beijos!
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