Ensina-me A Ser Tua

35 Capítulo 35 - Mais forte do que qualquer força...


Todos pareciam chocados, mas ninguém estava mais chocado do que Quinn. Isso não estava em seus planos e podia garantir que também não estava nos de Rachel. Os pais da morena não conseguiam dizer uma palavra sequer. Kurt era puro choque. Finn era pavor... O rapaz alto precisou sentar. Por um momento ele achou que tinha ouvido errado, que estava ouvindo uma história sobre outra pessoa, até se dar conta de que era real. Naturalmente, sem pensar em nada, Quinn sentou-se ao seu lado. Era como se a existência dele fosse nula e nada ao seu redor existisse mais. O mais absoluto silêncio se fez presente naquele corredor. Quinn não sentia, nem ouvia seu próprio coração. Suas mãos estavam frias e seu corpo tremia levemente. Ela não sabia o que pensar naquele segundo...


F: Será que é meu? [a voz baixa de Finn a despertou do estado de choque, forçando-a a se voltar para ele]

Q: O que você perguntou? [não parecia acreditar no que achava que tinha escutado]

F: Será que o filho é meu? [repetiu confuso]

Q: É claro que é seu! [respondeu um tanto irritada]

F: Ela me disse que estava apaixonada por outra pessoa. Eu não sei até que ponto ela estava envolvida... [disse confuso, extremamente nervoso]

Q: Ela não dormiu com outro cara. É seu, Finn! [garantiu firme, com um imenso nó em sua garganta]


Ela não entendia como estava conseguindo agir daquela forma. Havia uma certa calma em seu estado que a fazia se comunicar com Finn. Naquele momento ela não o via como seu inimigo, rival ou qualquer outra coisa negativa. Naquele momento ela só conseguia ver seu ex-namorado de alguns poucos anos atrás, que ficou desnorteado ao ouvir essa mesma notícia de sua boca. Finn estava vivendo, novamente, o susto de uma paternidade precoce, ainda que ele não fosse o pai do bebê de Quinn. Enquanto a loira vivia, novamente, o susto de uma gravidez, ainda que não fosse o seu corpo a gerar uma criança dessa vez. Mas era sua namorada, era o seu amor... Não parecia ser muito diferente...


F: Eu não sei o que fazer... [murmurou com a voz falha] Ela vai me odiar pra sempre... [Quinn não entendia onde ele queria chegar, então aguardou que ele concluísse o que dizia, mesmo que aquilo a machucasse mais do que tudo] Devíamos ter nos cuidado! Ela nunca vai me perdoar se isso comprometer o futuro dela na Broadway! [começava a chorar, levando as mãos à cabeça] Eu não tenho maturidade para ser pai! Ela não me ama mais! Ela disse isso! Ela não me ama mais! [chorava] Eu não sei o que fazer!

Q: Seja homem! [recebeu o olhar imediato dele] Seja homem e assuma o que fez. Como você tentou fazer por mim... Faça por ela!


Era uma situação estranha. Quinn quase sentia pena dele. Mas ela não entendia o que sentia. De repente, o sentido das coisas parecia um pouco invertido. Ela sabia quem era na vida de Rachel, sabia o que significava para ela, mas não imaginava como as coisas seriam dali pra frente. Tentava identificar em si a raiva que acreditava que deveria sentir, afinal, sua garota estava grávida e, claro, o filho não era dela. Mas o que conseguiu foi vislumbrar um sentimento de revolta para com a vida. Era cruel demais para ser verdade! Era cruel demais para ser compreendido! Sua respiração começou a ficar prejudicada. Ela não conseguia mais ficar ali. Levantou-se depressa e saiu.


Rachel recebia o soro que a reidratava enquanto ouvia em silêncio o médico falar sobre seus exames. Seus pais a olhavam sem saber o que dizer. Queria dar uma bela bronca, dizer o quanto ela foi irresponsável, mas a expressão da morena era tão sofrida que qualquer coisa dita só a machucaria mais. Era óbvio que ela sabia que tinha feito besteira. Ninguém precisava dizer mais nada...


Dr. Cameron: Então você precisará de repouso, Rachel. Pode ser que você sofra outro sangramento caso não se cuide. Passarei os remédios que você deverá tomar e não poderá mais ficar sem comer. Agora, tudo depende de você. Para não perder o bebê, você vai precisar seguir à risca tudo o que falei. Daqui a três horas você poderá ir pra casa. Eu venho dar alta.


Havia um ponto na parede que parecia ser muito mais interessante do que aquela conversa toda. Enquanto seu olhar não se movia, sua vida passava em sua mente com uma clareza absurda, ao mesmo tempo em que seu futuro parecia vazio agora. Seus sonhos e planos estavam borrados, incertos, inalcançáveis... Quinn não parecia estar lá...


H: Estrelinha, você quer conversar? [perguntou cuidadoso]


Ela só conseguiu negar com a cabeça. Não conseguia emitir qualquer som. Não sabia o que falar. Leroy se aproximou e a abraçou, então, ela pôde desabar. Logo se viu abraçada pelos dois pais enquanto seu choro se tornava desesperado e os soluços lhe roubavam o ar. Seu corpo inteiro tremia e ela se agarrava aos pais com sua máxima força. Ela precisava de apoio, de sustentação...


Demorou para que a intensidade de seu choro diminuísse. Mas era preciso parar. Em algum momento, ela teria que atingir algum estágio de calma...


R: Só vieram vocês? [enxugava as lágrimas]

L: Não. Kurt, Finn e Quinn também vieram...


Rachel teve certeza de que seus pulmões pararam de funcionar. O ar, simplesmente, sumiu para ela. Não havia oxigênio ao seu redor...


R: Quem?! [ela precisava ouvir que Quinn não estava lá. Que não sabia de nada. Ela precisava ouvir isso mais do que tudo]

H: Kurt, Finn e Quinn...

L: Finn e Kurt estão lá fora.

R: E a Quinn? [perguntou preocupada]

L: Ela saiu...


Claro! Claro que ela foi embora! Seria esperar muito que Quinn conseguisse suportar a presença de Finn e a notícia de que ele e Rachel teriam um filho. É claro que a loira foi embora! Na cabeça da morena isso fazia todo o sentido... Seu coração apertou como nunca antes...


R: Eu posso ficar sozinha? [perguntou chorosa]

L: Você tem certeza?

R: Por favor...


Depois de mais um abraço e declarações de amor de seus pais, Rachel se viu, finalmente, sozinha. Mas isso não durou muito tempo. A figura de Finn apareceu na porta, acabando com sua tentativa de ter um momento consigo mesma. Ao ver o rapaz, tudo o que ela conseguiu fazer foi voltar a chorar. Rapidamente, ele se aproximou e a abraçou com força:


F: Vai ficar tudo bem, Rach! Vai ficar tudo bem! [tentava acalmá-la, mas sua própria voz estava carregada de nervosismo]

R: Por que fomos tão burros? Por quê? [toda sua irritação começou a aparecer]


Não havia mais espaço para Finn questionar a paternidade do bebê. Bastou Quinn dizer a ele e a postura de Rachel, para ele perceber que não poderia ser de mais ninguém.


F: Eu não sei... Eu não sei... [afastou-se dela e segurou seu rosto com as duas mãos, tremendo] Você pode... Quer dizer, você vai contar comigo pra tudo! Eu sei que não sou maduro o suficiente, eu sei que estou perdido nisso, mas eu vou me esforçar! [prometia nervoso]

R: Eu não quero conversar agora, Finn! Eu não sei o que fazer! [tentava se esquivar do olhar nervoso dele]

F: Eu estou do seu lado! Seja o que for que você precisar ou quiser de mim, eu farei! [chorava] Eu não faço a menor ideia de como as coisas serão daqui pra frente, mas eu garanto que serei um homem de verdade por você! [garantia chorando]

R: Nós não vamos voltar, Finn! [disse séria]

F: Eu não pensei que voltaríamos. [afastou-se dela] Eu te conheço... Eu sei que quando você disse que amava outra pessoa você estava sendo sincera. Tão sincera como há muito tempo eu não via você ser... Por mais que me doa, por mais que eu sofra por isso, eu não sei se sou capaz de tentar entrar numa luta por você depois de você ser tão clara quanto a não me querer mais. [seu choro era leve] Mas eu não posso deixar de assumir minha responsabilidade nisso.

R: Eu não sei o que vou fazer, Finn... [voltava a chorar intensamente]

F: Seja o que for, terá todo o meu apoio...

R: Nós podemos conversar depois? Em Nova York? [perguntou agoniada]

F: Mas...

R: Por favor! [insistiu chorosa] Eu não quero conversar agora porque eu não sei como conduzir essa conversa. Eu estou completamente perdida e preciso organizar minha cabeça. [fechou os olhos com força] Eu preciso ficar sozinha. Eu preciso! Senão essa raiva dentro de mim vai explodir e vai acabar comigo!


Sua dor era imensa e se dividia em grandes partes. Quinn era a maior delas. Perder a loira parecia ser o fim do mundo. Qualquer vontade em pensar no que fazer quando a simples noção de que Quinn tinha ido embora a atingiu, passou completamente. Era como se ela estivesse vazia e nada mais a preenchesse. Em nenhum segundo ela conseguiu pensar no bebê. Em nenhum momento se deu a chance de pensar se havia um lado bom nisso tudo. Só via dor e a ausência de qualquer esperança...


De olhos fechados tentava se convencer de que estava tendo um pesadelo. Acordaria em New Haven, com o cheiro de Quinn no travesseiro, enquanto a loira preparava um suculento café da manhã para ela. Mas o cheiro do hospital a impedia de manter aquela ilusão por muito tempo. Tinha sido tão breve aquela história de amor... Aquela sensação de felicidade... Tão breve...


O barulho suave da porta fechando chamou sua atenção. Abriu os olhos devagar e teve certeza de que aquilo não era real. Os olhos verdes a encaravam como se suas preces tivessem sido atendidas. Mas era tão mais possível que ela tivesse ido embora de vez! Seria tão compreensível aquele abandono esperado! Mas Quinn estava ali, diante dela, com um olhar sereno.


Quem a via sequer poderia imaginar a dor que se apoderava dela. O choro que morria em sua garganta, viajando por seu corpo, impedindo-se de sair. Quinn estava passando por cima de todo seu sofrimento, ignorando todas as vozes que gritavam para ela se afundar embaixo das cobertas, chorando numa cama fria... Ela não podia desabar. Ela não deveria desabar... Rachel não poderia vê-la no chão...


Q: Posso ficar aqui? [perguntou calma, com um olhar extremamente carinhoso]

R: Você quer ficar aqui? [perguntou temerosa. Tê-la ali era muito mais do que ela esperava]

Q: Por que eu não iria querer? [inclinou a cabeça para o lado enquanto caminhava até ela]

R: Você não tem que fazer isso! [disse séria ao vê-la se aproximar]

Q: Fazer o quê? [parou de repente]

R: Ficar aqui!

Q: Como sua namorada, eu DEVO estar aqui!

R: Minha namorada? [a dúvida em sua voz surpreendeu a loira]

Q: Você vai terminar comigo? [a tristeza em sua voz era de partir o coração e Rachel quase poderia garantir que o dela havia se partido]

R: Eu pensei que... [tentava explicar confusa] Você ainda me quer? [ela precisava perguntar, afinal, em sua mente, isso parecia algo impossível depois de tudo]

Q: Que pergunta é essa, Rachel?! [havia rispidez em sua voz]

R: Eu não sei... Eu... [atrapalhava-se no choro que voltava a se fazer presente] Eu não queria decepcionar você! [então seu corpo já não conseguia se controlar] Meu Deus, Quinn! Você tem noção do que está acontecendo? [chorava mais]

Q: Esquece que eu já passei por isso? [caminhou até a cama, sentando-se na beira, encarando-a]

R: Não. É só que... [a proximidade da loira, o perfume... Tudo a deixava desnorteada]

Q: A menos que você não me queira... [interrompeu] Mas eu não pretendo deixar você sozinha. [disse firme]

R: Quinn... [sua voz morreu antes de concluir qualquer pensamento]

Q: Você não vai passar por isso sozinha! [garantiu]

R: Eu não posso deixar que você faça isso! [havia um desespero dolorido em sua voz]

Q: O quê? Amar você?

R: Eu nem sei o que fazer, Quinn! Eu estou completamente perdida! [levava as mãos à cabeça]

Q: Mas não estará sozinha! [insistiu]

R: Eu não...

Q: Eu não tenho outra opção além de amar você! [disse com toda a calma do mundo, contrastando completamente com o terremoto que se apoderava de seu interior] E nesse amor, não cabe abandono... [esclarecia] Eu sei que tudo está confuso pra você. Eu sei exatamente como você está se sentindo... Você sabe que eu sei! Não me peça para repensar meu amor por você. Não tente se sacrificar com o pensamento insano de que é um problema seu e que você não pode me envolver. Eu sei o que estou fazendo e sei que não vou ficar sem você! [a certeza com que a loira dizia tudo, fazia o corpo de Rachel se arrepiar como nunca antes]

R: Eu não queria que você me deixasse! Eu estava apavorada só de pensar em ficar sem você! Mas eu não poderia te pedir que...

Q: Não pense! [interrompeu] Não me peça nada! Você não precisa sequer pensar em pedir. Eu lhe darei tudo! Eu não vou deixar você sofrer o que eu sofri!


E nunca Rachel viu tanta certeza em sua vida! Nunca ninguém havia passado tanta segurança para ela. Nunca, ninguém pareceu tão perfeito aos seus olhos! Em meio a todo o desespero havia uma luz com ares de esperança. E ela se chamava Quinn Fabray...


R: Me abraça! Por favor... [pediu sofrida]


Quinn a abraçou. Foi a primeira vez, desde que ouviu o médico falar sobre a gravidez que Rachel conseguiu se sentir segura. Nos braços de Quinn ela sentiu que apesar de tudo, alguma coisa poderia se manter intacta. Ela sabia que não estaria sozinha.


Enquanto sentia a intensidade do choro de Rachel, Quinn se segurava firme. Ela iria desabar. Ela precisava desabafar. Mas ela não faria aquilo ali, naquele momento. Ela precisava ser a força que a morena precisava. Na verdade, ela já era... Com uma entrega inabalável e um amor mais forte do que qualquer força...



Notas finais
Antes de qualquer coisa, quero agradecer aos vários comentários ao capítulo anterior. Aos que adoraram, aos que depositaram confiança e aos que criticaram de certa forma! Muito obrigada!
Eu só quero deixar claro que o foco desse plot é a relação entre elas duas. A forma como vão lidar com isso dentro do universo delas e só delas.
No próximo capítulo, veremos mais sobre a forma como Quinn está se sentindo com tudo isso. Uma espécie de dissecação da reação da loira. ;)
Espero que gostem e que confiem!
Beijos!