Ensina-me A Ser Tua

22 Capítulo 22 - A garota dele...


Alguns dias haviam se passado e a troca de mensagens continuava. Quando ler não era o suficiente, ligavam-se. Mas algo incomodava Quinn. Rachel ainda não tinha terminado o namoro com Finn. A loira evitou perguntar o que a impedia de fazer isso, pois achou que a estaria pressionando. Não queria isso. Já tinha entendido que não seria fácil terminar um namoro como o deles, mas a incerteza de quando isso aconteceria a estava sufocando. Tanto que a quantidade de mensagens que ela enviava estava sendo inferior à que a morena mandava. Quinn estava com raiva e sabia que tinha razão. Sempre que via o status “namorando com Finn Hudson” no Facebook de Rachel, tinha vontade de quebrar tudo. Forçou-se a deixar que o tempo passasse mais um pouco antes de cobrar uma atitude definitiva da morena. Mas estava se tornando cada vez mais difícil.


N: Sua cabeça continua em Nova York? [perguntou baixinho, ao perceber a distração da amiga]

Q: Maldita Nova York! [esbravejou]

N: Você não pode deixar que isso te domine, Quinn. Faz dias que você não presta atenção nas aulas. Você sabe que não sou esperto como você para tirar suas dúvidas depois.

Q: Eu tento me concentrar, mas está complicado...

N: Você precisa fazer alguma coisa.

Q: E eu acho que sei exatamente o que farei...


Rachel estava ensaiando para tentar uma vaga num musical off-Broadway, então ficava em NYADA quando as aulas acabavam, usando uma das salas, ou algum dos auditórios para praticar. Era nesses lugares que ela estava na maioria das vezes em que falava com Quinn. Naquele dia, a loira ainda não havia respondido às mensagens dela. Provavelmente por estar muito ocupada com as aulas. Achou que ainda era cedo para enviar mais uma. A morena estava bastante confiante. Mantinha sua técnica vocal afiada, e a prática constante acabou deixando-a muito melhor no quesito dança. Nada a interrompia. Nada a distraía. A não ser Quinn... Ela sabia que a loira estava evitando tocar no assunto “término” e que quando isso acontecesse, sabia que seria uma grande explosão de raiva. Mas terminar com Finn não estava sendo uma tarefa fácil, por vários motivos. O rapaz estava tentando se concentrar ao máximo nos treinos para o jogo que se aproximava e ela sabia que isso o desestabilizaria. Poderia tentar explicar isso à Quinn, mas pareceria que ela estava dando mais importância aos sentimentos dele do que aos dela. Mas também tinha o fato de que eles dois seriam padrinhos do casamento de Will e Emma. Terminar com Finn antes disso, garantiria uma verdadeira “saia-justa”, um clima chato que ela não sabia se queria enfrentar. Mas tudo parecia insignificante (e talvez fosse) diante do compromisso de terminar. Quinn não tinha obrigação de entender os motivos dela para retardar o término e, por isso, queria tentar evitar qualquer discussão.


O fim de tarde se aproximava e Rachel só se tocou disso quando precisaram utilizar a sala em que se encontrava. Juntou suas coisas e buscou o celular... Nenhuma resposta de Quinn. Arrumou suas coisas e resolveu que já estava na hora de ir para casa. O dia estava frio, o que a fez lembrar, imediatamente, do frio de New Haven. Tudo, de alguma forma, ligava sua vida à de Quinn. Tentou encontrar um táxi, mas todos estavam ocupados. Naquele dia, Nova York estava ensandecida. Metrô acabou virando sua única alternativa. E os deuses tinham que brincar com ela... Encostada na parede do prédio que acabara de sair estava Quinn. Linda! Devidamente preparada para o clima frio que assolava a cidade. O coração de Rachel enlouqueceu. Batia descontroladamente. A loira não sabia se tinha sido uma boa ideia ir até lá. O gigantesco sorriso da morena foi sua resposta. Antes que se movesse na direção dela, sentiu a proximidade eletrizante de Rachel, que não hesitou um segundo sequer ao abraçá-la:


R: Oh meu Deus! O que você está fazendo aqui? [perguntou eufórica]

Q: Cansei de mensagens e telefone... [sussurrou em seu ouvido]

R: Você não tem ideia do quanto eu queria você aqui... [confessou em seu ouvido, prestes a beijar seu pescoço]

Q: Me diga! [desafiou]


Tudo estava maravilhoso. Quinn conseguia sentir o coração desesperado de Rachel batendo contra seu corpo. O perfume inebriante da loira atravessava a sanidade da morena. Se não estivessem na rua, estariam perdendo o ar num beijo tórrido cheio de saudade. Rachel ia dizer o quanto queria Quinn ali. Ela realmente ia dizer. Mas foi interrompida...


F: Rach? [ele se aproximava com um sorriso bobo no rosto]


Quinn sentiu o coração bater em sua garganta, em sua mão. Em qualquer lugar, menos no local onde realmente estava. Que piada era aquela em que se encontrava naquele segundo? Rachel teve a certeza de que os deuses estavam apontando para ela e rindo sem parar.


R: Finn? [disse se soltando] O que está fazendo aqui? [perguntou assustada]

F: Vim te buscar. Ontem não deu para nos vermos, então queria levar você para o cinema, depois jantar. Depois, quem sabe... [piscou-lhe]


A loira deu dois passos para o lado e manteve uma certa distância de Rachel, que virou para olhá-la e percebeu que estava em uma péssima situação.


F: Eu não sabia que você estava aqui, Quinn! [a loira limitou-se a sorrir, sem graça, para ele]


Rachel tentava falar alguma coisa, mas havia desaprendido a falar. Nenhuma única palavra se aproximava de ser pronunciada por ela.


F: E então? [a morena o olhou] Vamos? [beijou-lhe os lábios levemente]


Rachel não conseguiu se soltar. Seu corpo não respondia aos seus comandos. O beijo pareceu demorar mais do que devia. Ele estava demorando demais. Então, como um milagre, ela conseguiu se mover. Sua primeira reação foi olhar para Quinn. O rosto dela estava indecifrável. Mas não precisava ser muito esperta para saber que ela estava furiosa. O interior da loira pegava fogo. E não no bom sentido... O fato daquele namoro ainda existir já era um problema para ela. Mas presenciar um beijo entre eles, por mais que Rachel não tenha contribuído para tal fato, era mais do que ela podia aguentar. Não se tratava da intenção de beijar. Não se tratava de retribuir ou não. Tratava-se do simples fato de que os lábios de sua garota estavam tocando os lábios de outra pessoa. “Sua garota?” A quem ela queria enganar? Ela ainda era a garota dele... Tirando forças não sabia de onde, verbalizou qualquer coisa. Tudo o que queria era sair dali.


Q: Se me dão licença, eu preciso ir! [baixou a cabeça e começou a se mover para ir embora]

F: Já vai? [surpreendeu-se] O que você está fazendo aqui em NY? Fica até quando?

Q: Vim resolver umas coisas. [disse sem encará-lo] Volto hoje mesmo. Bom... preciso ir.

F: Já resolveu?

Q: Creio que sim! [o olhar frio que direcionou à Rachel causou um frio na espinha da morena] Até mais... [virou as costas e começou a caminhar rápido]


Rachel não havia se movido até que entendeu o que realmente estava acontecendo:


R: Finn, espera um pouco! [correu em direção à loira]


Quando a mão da morena segurou o braço de Quinn, fazendo-a parar, a fúria da loira ficou ainda maior:


Q: Não diga nada! [praticamente cuspiu as palavras]

R: Eu nem sei o que dizer... Eu... [tentava devolver a calma da loira, mas não sabia como]

Q: Não há o que dizer. [disse incisiva] Eu tenho que ir! [virou-se novamente]

R: Quinn... Espera! [chamou agoniada]

Q: Volte para o seu namorado. [disse fria] Eu me enganei... [a voz falhou] Você é dele... [direcionou a ela um olhar sofrido]


Rachel até conseguiria rebater isso, mas Quinn não lhe deu tempo. Saiu em disparada, sumindo em meio à multidão das ruas de Nova York. Na cabeça da loira, tudo parecia óbvio: “É claro que ele vai buscá-la! Ele é o namorado... É claro que ele vai beijá-la! Ele é o namorado... É claro que ela é a única sobrando naquela equação...”


Rachel não conseguiu voltar até Finn. Ele foi até ela:


F: O que houve? Vocês estavam brigando? [perguntou completamente confuso]

R: Nã... Não... Não estávamos! [tentou dissimular]

F: Mas parecia que ela estava chateada com você. [insistiu]

R: É impressão sua!

F: Então vamos!


Quinn poderia ter ido a qualquer lugar. Qualquer um. Mas seus pés a levaram ao único lugar que lhe daria algum tipo de força para não se deixar dominar pela fúria: o apartamento de Santana. Não fazia ideia se a amiga estava em casa e sequer se preocupou em ligar para ela. Seguiu o caminho que conhecia e chegou ao local em tempo recorde. As batidas na porta foram mais fortes do que deveriam ser. O interfone e a campainha foram totalmente esquecidos. A porta se abriu abruptamente, revelando uma Santana irada, que logo mudou de expressão ao ver a loira à sua frente:


S: Quinn?! [assustou-se]

Q: Oi, S! Posso entrar? [mantinha uma expressão desolada]

S: Claro! O que você está fazendo aqui? O que houve? [preocupou-se]

Q: Você não teria uma pergunta nova para me fazer? [já era a 3ª vez que essa pergunta lhe era feita em menos de uma hora]

S: O quê?

Q: Nada...

S: Não vai me responder?

Q: Eu vim quebrar a cara em Nova York! [irritou-se] Foi isso que eu vim fazer aqui...

S: Do que você está falando? [estava completamente confusa]

Q: Senta ali. [apontou para a poltrona mais distante]

S: Ali? [estranhou]

Q: É...

S: Por que tão longe?

Q: Porque você vai querer me bater.


Santana atendeu ao pedido de Quinn e sentou onde ela indicou. Não fazia a menor ideia do que ouviria. A loira manteve-se de pé, abraçando o próprio corpo, batendo o pé direito levemente no chão. Fechou os olhos, respirou fundo e soltou:


Q: Eu me apaixonei por quem não deveria. [disse mais rápido do que pensava que diria]

S: Pela Brit? [levantou-se assustada]

Q: NÃO! [exclamou] De onde você tirou isso? [perguntou incrédula]

S: Você chega aqui nesse estado, me pede pra ficar longe porque vou querer te bater e, de repente, me diz que se apaixonou por quem não devia... Quem mais poderia ser? [explicou como se fosse óbvio]

Q: Rachel... [respondeu baixo]

S: O QUÊ? [arregalou os olhos em completa surpresa]

Q: Isso o que você ouviu... [disse ainda baixo]

S: Você está falando sério? [aproximou-se com cuidado, tentando encontrar algum resquício de brincadeira naquela revelação]

Q: Estou! [assentiu com a cabeça, constrangida]

S: Eu vou quebrar sua cara, Fabray! [exclamou]

Q: Eu sabia... [bufou]

S: Você está maluca? [elevava a voz] Onde já se viu se apaixonar pela Berry?

Q: Qual o problema pra você? [não entendia a colocação de Santana]

S: Qual o problema? Qual o problema? [surpreendia-se com a dúvida] Pra começar, desde quando você é gay?

Q: Eu sei lá! [respondeu irritada]

S: Deveria saber! Deveria saber, Quinn!

Q: Eu não sei, tá legal? Eu não sei. [irritava-se ainda mais]

S: Meu Deus! Que loucura! [levava as mãos à cabeça]

Q: Por que é tão louco?

S: Você é Quinn Fabray e ela é Rachel Berry. Essa frase fala por si só.

Q: Você vivia insinuando que havia algo entre a gente na escola...

S: Eu sei. Mas eu não pensei que poderia ser sério.

Q: Jura? [perguntou com sarcasmo]

S: Você é Quinn Fabray, afinal! E ela sempre foi louca pelo Hudson.


Quinn respirou fundo...


S: E o que isso tem a ver com o fato de você estar aqui?

Q: Eu vim vê-la!

S: Continue...

Q: Eu não tenho um amor platônico por ela, Santana. Já está rolando algo entre a gente! [confessou]

S: O QUÊ? [gritou] Como assim?

Q: A gente se envolveu, ok?! [gesticulava nervosa]

S: Repito... Como assim?

Q: Você entendeu, S!

S: Puta que pariu, Fabray! Você comeu a Berry?

Q: Não fale desse jeito! [incomodou-se]

S: Oh meu Deus! Quinn... que coisa louca!

Q: S, eu não preciso de censura agora. [tentou falar o mais calma que podia] Eu sei o que fiz e não me arrependo. Eu só preciso colocar pra fora a raiva que estou sentindo agora...

S: Não vou te censurar. Mas não me peça para não ficar surpresa. Como eu ia adivinhar que vocês têm um caso se vocês moram em lugares diferentes, ela tem um namorado e você nunca foi gay?

Q: Ok! [cortou] Passada a surpresa, você pode ser só minha amiga? [perguntou triste]

S: Claro, claro... Do que você precisa? [começou a ser mais compreensiva do que vinha sendo]

Q: Quebrar coisas, beber, sei lá... [sentou-se cansada] Eu preciso que você me ajude a digerir a cena que acabei de ver. [fechou os olhos com força, tentando segurar as lágrimas que não conseguiu evitar]

S: O que foi? [sentou-se ao seu lado, mais preocupada por vê-la chorando]

Q: Eles se beijando. [o choro se intensificou]

S: Primeiro me explique o que vocês têm, quando começou e o que está acontecendo. [pediu calma]

Q: Não podemos beber antes? [olhou-a suplicante, enquanto as lágrimas banhavam seu rosto]

S: Quinn! [repreendeu]

Q: Ok... [respirou fundo, limpando as lágrimas] Transamos em Lima, depois de sairmos do Breadstix. Tudo ficou implícito porque decidimos encarar como um momento carnal. Quando eu vim pra cá no seu aniversário, nos encontramos de novo e vimos que não era algo apenas carnal. Na verdade, eu já sabia que não era apenas isso, mas admitir era um problema. No fim de semana passado, ela esteve comigo e foram os melhores 4 dias da minha vida. Vivemos num universo paralelo onde ela era minha... Ela saiu de New Haven me prometendo terminar com ele. Até hoje, não terminou, nem deu sinais de que está se esforçando para terminar... E quando fui vê-la de surpresa em NYADA, ele apareceu para buscá-la e a beijou na minha frente. Eu sou uma idiota! [voltou a chorar]

S: Espera! Eu ainda estou digerindo o começo da história. Você vem comendo a Berry desde Lima?! Isso é demais!

Q: Por que você precisa falar assim? [incomodou-se novamente]

S: Assim como?

Q: “Comer...”

S: Devo dizer como? “Fazer amor?”

Q: Dane-se a forma certa! [jogou-se no encosto do sofá, levando as mãos aos olhos] Eu quero quebrar coisas! Me deixa quebrar coisas! Por favor... [não conseguia conter o choro] Foi terrível ver os lábios dele sobre os dela. Ver os lábios dela correspondendo. Na minha frente, Santana. Eu estava ali! Me traz algo pra quebrar...

S: Espera! Antes de quebrar as coisas me diga... Ela disse que não vai terminar?

Q: Não. Ela não disse.

S: Faz pouco tempo que ela voltou. Você tem certeza de que não está sendo pessimista?

Q: Ele a beijou, Santana. E foi tão natural... Não passa pela cabeça dele que ela possa terminar o namoro. Até porque eles transaram semana passada. O que significa isso? Que ela continua agindo como uma namorada exemplar, na cabeça dele. E ela não tem se esforçado para mudar isso. Ele a tem. Eu tenho apenas uma promessa, algumas mensagens e algum espaço na agenda dela. Ela está brincando comigo. [levantou-se com raiva, andando de um lado para o outro]

S: Eu vou trucidar aquela nanica! [rosnou]

Q: Antes você pode beber comigo? [perguntou chorosa]

S: Claro! Vou mandar uma mensagem para a Brit. Vou avisar que não vou buscá-la.

Q: Onde ela está?

S: Está com o Kurt.


Rachel entrou no apartamento feito um furacão, com Finn em seu encalço, sem entender nada. Kurt e Brittany se assustaram com tamanha voracidade.


F: Rach, por que você não quer jantar? O que está acontecendo? [insistia em entender o comportamento da namorada]

R: Eu não estou com ânimo, Finn! [seguia para o quarto sem olhar para ele]

F: Precisa ficar desse jeito? Parece que vai atropelar o mundo inteiro!


A morena queria ligar para Quinn, mas a sombra de Finn não facilitava. Ela deveria terminar tudo naquele momento? Talvez... Mas, como?


R: Me deixa em paz, Finn! [pediu agoniada]

F: O que você disse?

R: ME DEIXA EM PAZ! [gritou]

F: Eu não sei o que está havendo, mas eu não sou seu saco de pancadas. [disse sério, chateado] Quando você resolver conversar comigo civilizadamente, você sabe onde me achar. [virou as costas e saiu rápido do apartamento]


Rachel se sentou na cama e ficou imóvel. O que estava acontecendo? Ela conseguiu a façanha de magoar Finn e Quinn ao mesmo tempo. Ela não tinha tempo para pensar. Pegou o celular e começou a ligar para a loira. Várias vezes, sem cansar. É claro que ela não atendia. Milagre era ainda manter o celular ligado.


S: Que merda, Fabray! [irritou-se] Desliga essa porcaria! Eu não aguento mais a merda desse ringtone.

Q: Eu não quero desligar! [disse tranquila, virando a garrafa de cerveja que tinha na mão]

S: Então atenda de uma vez!

Q: Eu não quero atender... [levantava-se para pegar outra garrafa]

S: Então coloque no silencioso...


Mesmo sem ouvir o toque do celular, Santana podia ver a tela acendendo incessantemente...


S: Deus do céu! [bufou] Eu tinha esquecido o quanto a Berry é insistente. Já deve ser a centésima ligação dela.


Quinn se aproximou do celular e a corrigiu:


Q: Não. É a 37ª. [tomou um longo gole de cerveja]

S: Você está virando “Ice Quinn” de novo? [ergueu a sobrancelha desconfiada]

Q: Não. Eu estou me segurando para não continuar chorando. Mas se você me deixar sozinha, eu vou dar vazão à imensa vontade de chorar que ainda estou sentindo. [disse triste]

S: Eu vou mesmo quebrar a Berry! [disse irritada] É tão sério assim o que você sente por ela?

Q: Mais do que você pode imaginar... [disse olhando em seus olhos]

S: Eu vou matá-la!


Rachel não desistia. Sabia que se Quinn ainda não tinha desligado o telefone, era porque cederia em algum momento. Como se um portal de esperança se abrisse diante dela, a voz doce de Brittany soou em seu ouvido, falando com Kurt. Abafada, devido à distância, mas muito clara: “Quinn está com Santana!” Bingo! Como ela não tinha pensado nisso antes? Como o furacão que entrou, Rachel saiu. Rasgando as escadas, com os passos firmes em direção ao apartamento da latina. A morena não enxergava ninguém à sua frente. Tinha um objetivo e iria cumpri-lo. Subiu as escadas do prédio de Santana, negligenciando o interfone. Não pretendia dar atenção à campainha também. Parou em frente à porta. Respirou fundo. Bateu suavemente. Não demorou muito para Santana abrir. O olhar da latina era assustador. Rachel sentiu que deveria estar usando uma armadura. Talvez um escudo. Ela não tinha nada para se defender de qualquer ataque. O celular, talvez...


S: Ora, ora, ora... Se não é a GayBerry batendo à minha porta... [disse sarcástica] Ou deveria dizer Berryssexual? A bissexualidade lhe cai bem? [perguntou séria, claramente irritada]

R: Oh Deus... [a sensação de ver que Santana sabia de tudo era como um soco no estômago] Santana, eu...

Q: Vá embora! [surgiu atrás da latina]

R: A gente precisa conversar! [apressou-se em dizer, antes que a latina fechasse a porta]

Q: Eu não quero! Cansei de ser idiota! [afastou-se, voltando ao local em que estava antes]

R: Pare com isso! [entrou no apartamento]

Q: Quem mandou você entrar? Saia daqui! [começou a elevar a voz]

R: O que está havendo? [perguntava nervosa]

Q: Como assim? Você ainda pergunta?

R: Santana, você poderia nos deixar sozinhas?

S: É a minha casa!

R: Por favor!

Q: Não saia! É ela quem vai sair! [disse séria]

R: Não seja ridícula, Quinn!

Q: Como é que é? [ofendeu-se]

R: Desculpe... [percebeu que tinha se excedido] Eu só preciso conversar.

S: Eu vou sair. Mas ficarei lá embaixo. Se demorar muito eu volto aqui e parto a sua cara ao meio, Berry!


Quinn se afastou o máximo que pôde de Rachel. O silêncio entre elas crescia e pesava. A morena tentava formular uma frase útil para começar a conversa. Perdeu a vez para a loira:


Q: Você tem alguma noção de como me senti agora há pouco? [perguntou desanimada]

R: Eu sei que foi chato. Mas não foi nada demais. E eu não tive culpa. [tentava explicar]

Q: Chato? Chato, Rachel? [irritava-se] Apenas isso? Como você ousa dizer que não foi nada demais?

R: Eu não fiz nada! [defendia-se]

Q: Exatamente isso! Você não fez nada! Você continua com ele. Você me fez de idiota!

R: Eu preciso de tempo para tomar uma decisão como essa.

Q: Você ainda vai decidir? [surpreendeu-se] Então por que você me fez acreditar que já tinha decidido?

R: Espera! [tentou consertar] Eu me expressei mal. É claro que eu já decidi. Eu decidi! [insistiu] Só preciso de tempo para agir. Isso... Para agir...

Q: Eu não vou esperar tempo nenhum...

R: Calma, Quinn. Tenta entender. [andava em direção a ela, mas a loira se afastava mais]

Q: Eu não quero entender, Rachel. Eu fiz uma viagem de duas horas num dia incrivelmente frio. Faltei aulas importantes. Tudo isso para te ver. Porque na minha cabeça, estávamos na mesma sintonia. Mas não estamos.

R: Estamos sim! [defendeu-se]

Q: Não estamos! Você me usou. Eu precisei ver vocês se beijando para entender que você não vai terminar com ele. Eu precisei passar por essa situação desconfortável. Você ia me usar até quando?

R: O quê? [não acreditava no que estava ouvindo]

Q: É muito fácil pra você ter os dois. [continuava acusando] Você tem um babaca que vive no seu pé, e uma idiota que baba em você.

R: Você está sendo injusta! [elevou a voz, ofendida]

Q: Eu? Injusta? Eu nunca disse nem fiz com ninguém, nenhuma das coisas que eu disse e fiz com você. Você tem noção do que significa para mim o fato de ter transado com você? Ter dito as coisas que eu disse a você? Ter pedido para você ficar comigo? Você acha que eu preciso ou mereço sentar no seu banco de reservas? [perguntava sofrida]

R: Você não é minha reserva! [tentava novamente se aproximar e Quinn se afastava mais]

Q: Titular é que não sou. Estou relegada à escuridão dos seus segredos. Você sequer falou com alguém sobre a gente.

R: Eu pensei que você não queria que falássemos. [surpreendeu-se por essa cobrança sem sentido] Eu não sabia que você tinha falado com a Santana.

Q: Falei hoje. Porque fiquei sufocada ao ver vocês dois. [sua voz saiu falha]

R: Eu não sabia que ele ia me buscar. [tentou encontrar um tom calmo, quase carinhoso para convencê-la disso]

Q: Isso não faz diferença! Não faz a menor diferença! Eu me senti traída, mesmo não tendo o direito de me sentir assim... [seu olhos marejados entregavam a tristeza que sentia]

R: Por favor, Quinn. Me escuta... [tentava uma nova aproximação, mas Quinn se afastou ainda mais, indo para o lado contrário]

Q: Esquece isso! [tentou ser fria] Vamos deixar pra lá. A gente transou e pronto. Não era pra ser só um deslize? Pronto. Vamos fingir que foi só um. [voltou a chorar, por mais que tentasse evitar] Você fica com a sua vida e eu fico com a minha.

R: O que você está falando? [começou a chorar também] Que absurdo é esse? Você disse que nunca desistiria. Você disse que nunca ia desistir! [chorava mais]

Q: Isso foi antes de perceber que você estava brincando comigo. Quando eu pensava que você sentia a mesma coisa. Eu não vou me sujeitar a ser a outra. [as lágrimas desciam rapidamente] Eu não vou ficar como uma imbecil esperando todos os dias que você me ligue dizendo que terminou com ele. Enquanto isso, vocês transam feito dois coelhos e eu fico amargando a solidão do meu apartamento. [disse com raiva, chorando, olhando em seus olhos]

R: Eu não estou transando com ele! [disse firme]

Q: Quem me garante?


Ninguém jamais imaginaria a cena que estava para se desenrolar. Se qualquer um tivesse dito que isso aconteceria um dia, seria chamado de louco, pois era impossível que Rachel Berry fizesse isso contra Quinn Fabray. Mas o estalo foi a prova de que era sim muito possível. O tapa que a morena deu no rosto da loira foi muito mais forte do que aquele que recebera dela no banheiro da escola. O mundo ficou em câmera lenta para ela...


Quinn não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer. Não bastasse a dor emocional que sentia, passou a sentir na pele as consequências de seus sentimentos. Rachel estava à sua frente, com a mão na boca e a expressão de completo pavor. A morena não acreditava no que tinha acabado de fazer. Seus olhos encheram ainda mais de lágrimas e entregavam todo seu arrependimento:


R: Quinn, pelo amor de Deus, me desculpa! Eu não sei como fiz isso! [o choro ficava mais forte]


Segundos foram suficientes para Quinn a pegar pelo braço e arrastá-la até a porta. Jogando-a no corredor, a única coisa que conseguiu falar saiu de sua boca com o peso da decepção, e com a voz falha de quem choraria ainda mais tão logo a porta se fechasse:


Q: Saia da minha vida! Eu não quero mais ver você! [disse machucada]


O som da porta se fechando doeu em cada fibra dos corpos das duas. Rachel tinha estragado tudo...



[CONTINUA...]



Notas finais
Antes de me odiarem, de sofrerem e tudo o mais, confiem em mim. ;)
Obrigada pelos comentários e comentem este capítulo!
Beijos e postarei o próximo logo... :)