Ensina-me A Ser Tua
20 Capítulo 20 - O trem para a realidade...
A risada de Rachel era mesmo inconfundível. E Nick tinha mesmo razão quanto a ser um jantar de “riquinho”. Várias pessoas completamente esnobes falando sobre os mais variados assuntos chatos. Mas tudo deixava de realmente incomodar quando Quinn ouvia a risada gostosa de Rachel Berry. A morena havia caído nas graças do pai de Nick, um verdadeiro fã de musicais. Na cabeça da loira, ninguém poderia resistir ao charme de Rachel.
Estava um pouco distante do grupo que conversava com a morena, mas perto o suficiente para ouvi-la sorrir e para trocar olhares cúmplices constantemente.
N: Se quiser, pode usar o meu antigo quarto. [aproximou-se sorrindo]
Q: Do que você está falando?
N: Do desejo latente entre vocês. Essa troca de olhares está deixando vocês nuas. [provocou]
Q: Cala a boca, Nick! [irritou-se]
N: É no primeiro andar, a terceira porta à direita, caso queiram. [gesticulou sorrindo, explicando corretamente o caminho que devia seguir]
Q: Não enche! [bufou]
Quinn distraiu-se com o garçom e pegou, rapidamente, uma taça de vinho.
Q: Não tem cerveja aqui? [reclamou]
N: Você pergunta como se realmente bebesse. [disse irônico]
Q: Eu queria... [deu de ombros]
N: Está tão agoniada aqui?
Q: Nick... [tentava pedir para não provocá-la]
N: Sem brincadeira. [interrompeu] Desculpe... Você é muito fechada, então eu não sei exatamente o que se passa. Mas posso ver que se passa algo e que você precisa de alguém para conversar.
Q: Estou “fodidamente” perdida. [simplesmente respondeu] “Fodidamente” apaixonada. Satisfeito?
N: Muito! [sorriu amplamente] Ela sente o mesmo?
Q: Não sei. [respondeu insegura]
N: Como não sabe?! [surpreendeu-se]
Q: Existe algo entre a gente. Estamos apaixonadas. Disso não temos dúvidas. Sempre existiu uma forte tensão entre a gente. Uma forte atração que exteriorizamos da maneira errada, mas sentíamos. Estamos apaixonadas, mas não falamos de amor. É diferente. Eu sei que ela ama o Finn. [a última parte da frase saiu sofrida de sua boca]
N: Mas se ela ficar com você significa que ela te ama mais, não acha?!
Q: Espero que sim... Ele é o amor que ela lutou para ter. Ele era o único referencial de amor que ela tinha. Eu sei que isso não muda de uma hora para outra. Mas eu não vou perdê-la. Eu não vou deixar que ela desista de mim. [seu tom mudou para algo mais decidido]
N: Você é mesmo decidida! Gostei de ver! [apertou seu ombro]
Q: Eu sou! Eu consigo tudo o que quero. E eu a quero... Mais do que qualquer coisa que eu já quis em toda minha vida...
N: Eu sei que ela quer o mesmo.
Q: Ela é minha, Nick! Ela já deveria estar comigo há muito tempo!
N: Você sempre foi liberal assim?
Q: Como assim?
N: Ela tem um namorado e de repente vai ficar com você, que é uma garota. Algumas pessoas não encaram isso com tanta naturalidade.
Q: Eu não devo explicações a ninguém. Eu faço o que eu quiser. Eu não permitirei que ninguém me prive de ser feliz com ela. Ninguém! Nem mesmo ela...
Quinn estava tão distraída com a conversa que não percebeu a aproximação da morena:
R: Posso me juntar a vocês? [dava seu lindo e matador sorriso]
N: Cansou do meu pai? [perguntou brincalhão]
R: Não. [adiantou-se em responder] Mas espero que ele não tenha cansado de mim. Seu pai é um excelente anfitrião e um exímio conhecedor da Broadway.
N: Sempre foi... Se me dão licença... [afastou-se, sabendo que deveria deixá-las sozinhas]
Rachel caminhou para a parte de fora da casa, fazendo com que Quinn a acompanhasse. A brisa da noite bateu em seus cabelos escuros, criando um movimento perfeito dos fios sedosos, que fez a loira estremecer.
R: Não fuja de mim esta noite. [pediu calma] Já foi ruim ter você fugindo de mim durante o dia.
Q: Eu não estou fugindo. [preocupou-se em esclarecer] Eu só quis te deixar à vontade numa conversa que você domina.
R: Você poderia ter ficado perto de mim. [assegurou]
Q: Desculpa... [pedia sinceramente]
R: Entenda que suas palavras não valerão muito se não houver ação.
Q: O que você quer dizer?
R: Se você diz que me quer, mas mantém uma distância de mim, em algum momento eu vou pensar que você desistiu. Que já não me quer mais... [mantinha o tom calmo]
Q: Isso não vai acontecer. [garantiu]
R: Então não permita que eu me equivoque pensando assim...
Q: Eu estou assustada... Preocupada... Temo que você mude de ideia ao chegar em NY. [confessou]
R: Isso não vai acontecer. [foi sua vez de garantir]
Q: Eu não estou disposta a permitir que você continue com ele. [disse firme]
R: Mesmo? [gostou de ouvir aquilo] E o que você pretende fazer para garantir que eu não continue mesmo com ele? [sabia que não continuaria. Só queria ouvir as estratégias da loira para impedir, se fosse necessário]
Q: Tudo! [respondeu firme, fazendo Rachel se arrepiar]
R: Me desculpe por chatear você com a ligação de ontem. [disse constrangida]
Q: Ok. [limitou-se em responder]
R: Tudo o que eu queria ontem à noite era seu calor me envolvendo, mas você estava claramente me evitando.
Q: Desculpe...
R: Ok... [preferiu não prolongar o assunto]
Q: Tudo o que eu queria agora era ficar sozinha com você... [disse mais perto dela]
R: Eu vi que tem muitos cômodos por aqui... [sorriu, arqueando a sobrancelha]
Q: Hoje eu não quero algo selvagem... [disse delicadamente, deslizando o dedo indicador discretamente pelo braço da morena] Quero você em minha cama, como se fosse sua também... Eu posso te dar tudo o que ele não pode. Tudo!
R: Você não precisa me convencer disso... Eu sei que você pode me dar muito do que quero e preciso. Mas o que mais me fascina é saber que você pode e vai me dar muito mais do que isso. E que eu não faço ideia do que será. Você é fascinante e eu não quero nunca deixar de me surpreender com você...
Q: Podemos ir embora agora? [perguntou ansiosa]
R: Vão servir o prato principal daqui a pouco. Então poderemos ir. [tentou acalmá-la]
Q: Ótimo! [respirou aliviada por saber que não demoraria mais muito tempo ali naquele jantar]
R: Venha participar um pouco da conversa. Aliás, fiquei feliz em saber que você já havia falado sobre mim para o pai do Nick. Ele tem uma visão muito artística sobre mim. [sorriu agradecida]
Q: Er... Eu... [corou completamente] Comentei sobre você numa conversa. [tentou amenizar, pois tinha falado sobre ela completamente empolgada e orgulhosa] A família dele meio que gosta muito de mim, pois ele não é de fazer muitos amigos. Ele é hiperativo e nem todo mundo tem paciência.
R: Apenas comentou? [perguntou desconfiada, sabendo que não tinha sido uma conversa casual, um simples comentário despretensioso]
Q: Sim. Rapidamente... [continuou tentando disfarçar]
R: Então o pai dele é mesmo um homem esperto. [disse tranquilamente] Porque ele adivinhou muitas coisas sobre nossas apresentações com o New Directions. E ele sabe muito sobre meus gostos musicais. Incrível! [sorriu amplamente, fazendo questão de que a loira entendesse que ela sabia que tinha sido tema de uma conversa, não apenas um simples comentário]
Q: Deve ser... [desviou o olhar encabulada]
No caminho de volta ao apartamento, Rachel fez questão de manter a mão direita de Quinn entre as suas, acariciando o tempo inteiro. Foi a forma singela que ela encontrou de impedir que a loira fugisse novamente. Ao chegarem, a morena se sentiu em casa. Em alguns poucos dias ela havia se acostumado com a temperatura dos cômodos, com o cheiro de Quinn impregnado no ar.
R: Você poderia me ajudar com o vestido?
Q: Claro!
Os dedos de Quinn tocavam a pele macia a cada milímetro que o zíper descia. Rachel pôs os cabelos sobre o ombro esquerdo, deixando as costas livres para que a loira fizesse o que quisesse. E ela fez... Deslizou o vestido para fora do corpo perfeito e seus lábios se apossaram de cada centímetro ao seu alcance. O gosto da pele da morena a embriagava. A textura em sua língua provocava um verdadeiro vulcão entre suas pernas. O escovar dos dentes em seu pescoço, fez Rachel gemer sem perceber:
Q: Seu corpo me enlouquece... Você me enlouquece... [a voz rouca fazia a morena estremecer]
R: Por favor, me toque! [pediu excitada]
Q: Estou te tocando... [respondeu enquanto distribuía beijos pelo ombro nu]
R: Não aí... [disse agoniada. Apesar de estar adorando as carícias, precisava dela em outro local]
Q: Onde você quer que eu toque?
Rachel segurou as mãos de Quinn e as colocou sobre seus seios. A loira os apertou antes de acariciá-los com carinho. A morena virou o rosto e suas mãos foram direto ao pescoço dela, puxando-a para um beijo. Suas bocas já agiam coordenadas, sincronizadas...
R: Você faz eu me sentir perfeita quando me toca... [confessou quase ofegante]
Q: Você é perfeita... [disse em seu ouvido]
R: Eu preciso que você me toque para sempre... [seu tom era intenso]
Q: Eu pretendo fazer isso...
Rachel se virou para ela e a beijou intensamente, enquanto suas mãos se encarregavam de despir a loira. Os lábios carnudos largaram a boca macia de Quinn para se apossar da pele branca sedosa. A morena chupava a pele do pescoço dela com força, com a nítida intenção de marcá-la. Empurrou-a com cuidado sobre a cama, deitando-se sobre ela. Não deixou que a luz se apagasse. Queria enxergar tudo naquela noite.
R: Você é tão gostosa! Seu corpo é tão perfeito! Eu fico louca ao me dar conta de que eu posso te tocar. [dizia com os lábios sobre o colo da loira]
Quinn arqueou as costas violentamente ao sentir Rachel abocanhando seus seios. A morena precisava provar do gosto daquele corpo. Mas a loira também queria provar a pele morena. Dividiram-se em suas tarefas, em seus desejos. As unhas de Rachel arranhavam as costas de Quinn conforme sentia os dedos dela lhe penetrando. Os gemidos da loira em seu ouvido e a fricção de seus seios a estavam fazendo gritar. As pernas torneadas da morena prendiam Quinn cada vez de forma mais apertada a seu corpo... E a loira se empenhava em levá-la ao mais completo êxtase. Precisava que ela não esquecesse seus toques. Precisava que ela quisesse voltar.
O gozo de Rachel chegou acompanhado de uma intensa mordida no pescoço de Quinn. A loira aceitou de bom grado as marcas que ficariam dias em seu corpo. Não usaram o vocabulário selvagem de antes, não provocaram a outra de forma quente. Entregaram-se completamente ao desejo, à exploração do corpo, da pele. Deixaram as palavras de lado, porque elas poderiam ser proferidas via telefone. Mas os toques... Estes seriam privados pela distância física. O corte abrupto dessa realidade estava se aproximando e tudo o que precisavam, naquele momento, era de contato. O mais intenso e profundo contato que pudessem ter...
Dormiram exaustas. Não se preocuparam em conversar após o orgasmo. Dormiram completamente encaixadas... Foram os carinhosos beijos em seu pescoço que despertaram Quinn. Rachel beijava e deslizava o nariz sobre o local beijado, repetidas vezes, com uma paciência inacreditável. O carinho em suas costas indicava que a loira estava acordada. Nenhuma das duas falava. Apenas se sentiam. Porém, por mais que desejassem ficar assim para sempre, sabiam que teriam que se levantar.
Q: Bom dia... [beijou-lhe a têmpora]
R: Boooom... [respondeu preguiçosa]
Q: O que você quer comer?
R: Você! [respondeu provocante]
Q: Hahahahahahaha
R: Ah, não é disso que você está falando? [manteve o tom divertido] Ok. Eu quero um lindo café da manhã surpresa. [voltou a beijar-lhe o pescoço]
Q: Eu escolho? [derretia-se com o carinho]
R: Hum hum... [respondeu sem afastar seus lábios da pele branca]
Quinn saiu da cama com dificuldade, enquanto a morena continuava deitada preguiçosa. A loira preparou um caprichado desjejum, com tudo o que sabia que Rachel gostava. Ao voltar para o quarto, perdeu um pouco a capacidade de respirar. A morena estava deitada, meio de bruços, com uma das pernas dobradas, com as costas completamente nuas e o lençol cobrindo apenas as belas nádegas. As pernas perfeitas estavam expostas como uma delirante tentação... Quinn pôs a bandeja aos pés da cama, chamando a atenção de Rachel sem querer. A morena deu-lhe um sorriso doce que provocou um terremoto no corpo da loira. Foi impossível não ceder àquela imagem. Seu corpo deslizou sobre o dela, beijando cada centímetro das costas, fazendo a morena se arrepiar.
Q: Fica para sempre... [pediu em seu ouvido]
R: Vem comigo... [murmurou]
Q: Um dia vai ser assim?
R: Logo será... [prometeu]
Tomaram café em silêncio, com Rachel sentada entre as pernas de Quinn. A loira não parecia ter fome, pois passou a maior parte do tempo cheirando os cabelos e a pele morena. Mas Rachel estava faminta e não parava de comer, derrubando migalhas por toda a cama a cada chupão intenso que Quinn dava em sua nuca.
Passaram o dia inteiro na cama. Não se preocuparam em se vestir ou em pensar em algum programa para aquele dia. Tudo o que precisavam era daquilo. Dormiram e acordaram diversas vezes. Beijaram-se outras tantas. Admiraram-se quase que infinitamente...
R: Como chegamos aqui? [perguntou de repente]
Q: Aqui? [perguntou confusa]
R: Como saímos daquele intenso estado de puro desejo proibido para essa entrega completa de paixão? [mantinha um sorriso calmo em seu rosto]
Q: Foi inevitável... [afirmou sorrindo]
R: Foi...
Q: Você é tão linda! [Rachel a beijou]
Não era novidade o dia estar frio, mas parecia ainda mais frio quando se davam conta de que não estariam se abraçando dali a pouco tempo. O trem de Rachel se aproximava e, de repente, aqueles quatro dias pareciam acabar definitivamente. Tinham sido dias intensos e reveladores. Tinham sido dias felizes. Olhavam-se com cumplicidade, sabendo que pensavam e que queriam a mesma coisa. Ambas tinham um nó em suas gargantas. Chegada a hora de subir no trem, Rachel não teve a menor dúvida quanto à forma de agir. Segurou Quinn pelo pescoço e a beijou apaixonadamente. A loira levou as mãos à cintura da morena, puxando-a para mais perto. Tão logo o beijo acabou, Rachel acariciou o rosto de Quinn com o nariz, como se tentasse sugar o perfume dela para morar em sua memória. Abraçou-a forte:
R: Você me fez sua. Eu sou sua! Isso não vai mudar... [disse em seu ouvido]
Ver o trem partindo fez Quinn chorar. Por mais que apertasse as mãos nos bolsos do casaco, por mais que mordesse forte o lábio inferior, as lágrimas escaparam teimosas. No interior do trem não era diferente. Rachel também chorava e, pela segunda vez em sua vida, ir para Nova York não estava sendo um momento feliz. E novamente, o motivo era a distância de Quinn. Por mais que soubessem como as coisas deveriam ser, tinham consciência de que seriam mais difíceis do que na teoria programada. Rachel teve mais certeza ainda ao avistar o sorriso de Finn a esperando na plataforma do trem ao chegar. Seu coração desacelerou por um momento e, dessa vez, não foi por um bom motivo...
Notas finais
Aguardo seus comentários!
Beijos.
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