Ensina-me A Ser Tua
21 Capítulo 21 - Frio de saudade...
Ver Finn lhe esperando na plataforma do trem deixou Rachel mal. Ela não tinha pedido a ele para buscá-la e não estava com humor para fingir que estava tudo bem. Passou a viagem inteira pensando em Quinn e em tudo, absolutamente tudo o que viveram nos quatro dias em New Haven... Ver o namorado ali só a lembrou de que tinha que definir logo sua vida.
O sorriso torto e o olhar apaixonado de Finn estavam lá. Oh droga... Mas já não surtiam o mesmo efeito nela. Há não muito tempo atrás, ela iria se derreter e seu coração aceleraria desesperadamente. Mas Quinn Fabray fez tudo mudar e reinventou o conceito de derretimento e aceleração de coração. Agora, o corpo de Rachel respondia, como um escravo, aos efeitos causados pela loira. E só!
F: Oi, meu amor! [aproximou-se para beijá-la]
R: Oi! [respondeu sem graça]
O beijo não parecia um beijo. Pelo menos para ela. Parecia uma formalidade cruel à qual tinha que obedecer. Sabia que para ele era importante e gostoso. Os lábios de Quinn apareceram na mente de Rachel, a maciez, o movimento... Tudo era completamente diferente! Em Quinn, TUDO era melhor! O coração apertou. Aquilo era mesmo saudade. Saudade do tipo dolorosa... Queria dar meia volta e retornar ao trem, enfrentar o frio e viver em New Haven para sempre. Ok... Era cinematográfico demais fazer isso. Ela tinha uma vida em Nova York, e tinha que dar um rumo a ela. Quando o beijo terminou, sua mente voltou àquele momento, a Finn, à plataforma...
R: Eu não sabia que você vinha! [tentou demonstrar um sorriso verdadeiro, mas falhou miseravelmente. Sorte que Finn não percebeu]
F: Claro que eu viria te buscar! Estava com saudades, Rach! Depois da noite perfeita de terça, queria ter você comigo todos os dias! Estou ansioso para repetirmos a dose... [finalizou a frase no ouvido da morena]
Como ela diria que nunca mais transaria com ele? Como ela diria que enquanto transava com ele era em Quinn que ela pensava? Como ela diria que sexo e Quinn estão diretamente ligados? Como ela diria que estava apaixonada por outra pessoa? Oh droga! Rachel não estava em bons lençóis...
R: Estou resfriada! [foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça]
F: Resfriada? [estranhou]
R: Sim! Estava frio demais em New Haven! Quinn me avisou sobre agasalhos, mas eu não dei ouvidos. Estou indisposta e não quero que você se resfrie também. Você tem jogo! [tentou ser o mais convincente possível]
F: É verdade! Tenho um jogo importante... Mas eu não vou aguentar ficar mais tanto tempo sem transar com você. Terça foi gostoso demais, Rach! [disse sorrindo]
R: Acho melhor nós irmos. [desconversou enquanto caminhava]
F: Vamos lá para o meu apartamento! Puck não está e podemos ficar mais à vontade... [disse tentando parecer sexy, demonstrando a sua real intenção de ir pra cama com ela de novo]
R: Isso não vai acontecer, Finn! [disse irritada, arrependendo-se logo em seguida] Desculpe... mas acabei de dizer que estou resfriada e que não quero que você se resfrie. Precisaremos ter cuidado até seu jogo passar.
F: Mas será em duas semanas, Rach! [contestou]
R: Você quer ganhar, não quer?!
F: Claro que quero!
R: Então terá que fazer sacrifícios.
Com uma desculpa esfarrapada, Rachel conseguiu convencer Finn a ficar duas semanas sem sexo. Ela teria esse tempo para resolver como terminar com ele. Duas semanas era pouco tempo, já que ela já o havia deixado dois meses sem intimidade. O cronômetro estava correndo...
Em New Haven, Quinn estava sob o grosso edredom, esperando por notícias de Rachel. Pelo horário, sabia que a morena já havia chegado em Nova York e, provavelmente, em casa. Queria ligar, mas preferia dar-lhe um pouco de espaço. Se antes de dormir ainda não tivesse notícias, pegaria o telefone e iria em busca delas. O cheiro de Rachel estava em seus lençóis, em seus travesseiros... E isso só tornava essa distância mais complicada, mais difícil, mais dolorosa... Seu corpo inteiro estremeceu ao ouvir o celular tocar indicando uma mensagem. Era Rachel! Seu coração disparou desesperadamente:
“Cheguei. Mas queria não ter chegado. Queria não ter saído daí. Queria não ter me afastado de você... O frio me acompanhou e não tem você para me esquentar. Já sinto saudades... Isso é normal? Te ligo mais tarde... R”
Quinn releu a mensagem várias vezes, absorvendo cada palavra. Um sorriso imenso tomou conta de seu rosto... Até que um pensamento lhe veio à cabeça: “Ela está com ele, por isso só ligará mais tarde...” O sorriso se desfez... Queria atirar o celular contra a parede, queria quebrar tudo em seu quarto. O simples fato de pensar que ele a estava tocando, dava vontade de vomitar. Tinha que responder a mensagem, mas tudo o que conseguiria dizer era desaforado e ciumento. Respirou fundo e se conscientizou de que não poderia deixar de “marcar território”. Seus dedos passaram a digitar rapidamente:
“Sentir saudades é o mais normal dentro do que vivemos... A saudade aqui é tanta que estou me embriagando com seu cheiro em meus lençóis, tentando amenizar a falta dolorosa que sua ausência deixou... Ligue logo! Preciso de sua voz... Q”
Certo. As pernas de Rachel fraquejaram ao ler a resposta de Quinn, a ponto de quase cair no chão. Sua sorte era que estava sentada num restaurante. Enquanto Finn se entretia com o cardápio e não parava de falar sobre jogos, sua mente vagava em direção à New Haven. Acenava com a cabeça concordando com qualquer coisa que ele dizia e sorria quando o via sorrindo, fingindo prestar atenção. Mas a verdade era que nada do que ele dizia era realmente absorvido. Era impossível prestar atenção quando se tinha Quinn Fabray em sua mente. Rachel poderia sentir os toques da loira em sua pele se fechasse os olhos. A respiração em seu ouvido, os gemidos, o cheiro inebriante de cada parte de seu corpo... A morena estava possuída pelo desejo desenfreado de tê-la em seus braços. Nada mais poderia ser como era antes. Quinn Fabray havia mudado sua vida para sempre...
Enquanto Finn a levava para casa, tudo o que ela conseguia pensar era que não conseguiria terminar com ele naquele dia. Ela não poderia simplesmente dizer que acabou e que não dá mais, que as coisas mudaram. Precisava terminar de forma honesta. Ele merecia, no mínimo, isso. Como explicar que, apesar de ainda existir amor, ela não quer mais ficar com ele? Que espécie de amor é esse?
Foi difícil convencê-lo a ir embora. Finn queria dormir com ela e a morena sabia que ele iria tentar ter sexo de novo, caso ficasse em seu apartamento. Um pequeno discurso dramático sobre cansaço, gripe, consequências e jogos perdidos, e o rapaz saiu de lá convencido de que ela tinha razão.
Kurt a recebeu saudoso e ansioso para saber detalhes sobre a viagem. Ele não imaginava que, por enquanto, os detalhes não poderiam ser contados. Mas ele queria saber tudo sobre o apartamento de Quinn, sobre Quinn em New Haven, sobre Quinn acordando, Quinn dormindo, Quinn no cotidiano. Para ele, Quinn era um perfeito mistério, uma pessoa fascinante que ele queria ter em sua vida e se realizava através de Rachel. Ele admirava a loira, sem saber da importância que ela ainda apresentaria em sua vida.
Rachel contou todas as coisas inofensivas que pôde e matou um pouco a saudade que sentiu do amigo nos últimos dias. Precisava muito falar com ele, desabafar, contar a verdade. Sentia-se mal por esconder, por mantê-lo por fora de algo tão maravilhoso e importante em sua vida. Sabia que ele ficaria chateado quando, finalmente, descobrisse. Mas ela não conseguia falar no momento.
Quando, finalmente, foi para o quarto, desfez a pequena mala e sentiu o cheiro de Quinn se espalhando por seu quarto, como se tivesse se infiltrado em sua bagagem... Era divino! Despiu-se calmamente e foi ao banheiro. As marcas estavam lá de volta: mordidas, chupões... Quinn estava ficando cada vez mais dedicada em marcar seu corpo. Ela não reclamava, pois adorava olhar cada uma delas e lembrar o momento em que foram feitas. Pescoço, colo, abaixo dos seios, nuca, coxas... Teria mais trabalho para escondê-las dessa vez...
Durante o banho quente, sua mente continuou em Quinn, principalmente quando suas mãos deslizavam em seu próprio corpo, desejando que fossem as mãos macias da loira... Antes que enlouquecesse, saiu do banheiro em busca do celular. Ainda de toalha, deitou na cama, enquanto discava o número que não saía de sua cabeça:
Q: Hey! [atendeu sorrindo, escondendo toda a angústia que lhe dominava até o segundo em que o celular tocou]
R: Queria ouvir minha voz? [perguntou sorrindo, escondendo o quão derretida estava por falar com ela]
Q: Queria você aqui, na verdade... [confessou]
R: Que bom que queremos a mesma coisa... [disse intensamente]
Q: Volta! [pediu]
R: Eu queria, mas você sabe que não posso. [disse triste]
Q: Ele está aí? [perguntou sem nem pensar se deveria]
R: Não tem nada a ver com ele. Tenho aula amanhã.
Q: Mas também tem a ver com ele. [exclamou]
R: Pára, Quinn. [pediu calma] Estou ligando porque sinto sua falta e não para brigar.
Q: Ele está aí? [insistiu]
R: Não. Ele não está aqui. Eu não o queria aqui.
O silêncio de Quinn fez Rachel se preocupar. Não sabia, mas do outro lado, a loira estava sentada na cama, com os olhos fechados, passando a mão livre insistentemente pelos cabelos, tentando conter os ciúmes e a raiva...
R: Quinn? Fala comigo... [pedia carinhosa]
Q: Desculpa... [pediu constrangida]
R: Não precisa se desculpar. Não precisa... [disse carinhosa]
Q: É difícil. É muito difícil lidar com isso! [disse agoniada]
R: Você não pensa em desistir, não é?! [perguntou temerosa]
Q: Desistir?! Eu penso mesmo é em ir aí e trazer você de volta! Eu já disse que você é minha. Nada vai me impedir de ter você só pra mim! [disse firme, segura]
R: Muito bem! [sorriu amplamente] Sabe... [seu tom de voz mudou] Estou apenas de toalha... [disse sexy]
Q: Você está de brincadeira comigo! [manifestou-se agitada]
R: Não... Eu juro! [sussurrou]
Q: Rachel, não me torture! [pediu agoniada]
R: Tudo o que eu queria agora eram suas mãos tirando essa toalha do meu corpo e deslizando por ele... Eu queria sua boca em mim... [não era uma tentativa de amolecer a loira. Era seu real desejo]
Q: Oh droga... Não me faça ir aí agora! [derretia-se]
R: Tenha paciência! Não vai demorar para que eu esteja em seus braços novamente... [prometeu]
Q: Eu te quero agora! [disse demandante]
R: Eu também! Você não sai da minha cabeça um segundo sequer... [sussurrou novamente]
Q: Não demora, ok?! [pediu agoniada]
R: Não vou demorar! Boa noite, Quinn... [disse carinhosa]
Q: Boa noite! [respondeu no mesmo tom]
R: Eu sou sua...
Q: Minha!
Ambas ficaram com seus respectivos celulares em mãos por minutos. Estavam submersas em uma paixão avassaladora que mudou tudo em suas vidas. Agora estavam ligadas intimamente de um modo impossível de se desfazer. Queriam, mais do que tudo, finalizar a ligação com algo menos possessivo e mais romântico. Só não sabiam se já era a hora de dizer “eu te amo”... Mas queriam enganar a quem? Era óbvio que se amavam...
“Dorme bem! Estarei pensando em você... Q”
Rachel se arrepiou ao ler a mensagem repentina. Não poderia deixar de responder:
“Não sei se conseguirei dormir bem... Sinto sua falta com todo meu corpo. Sinto frio sem você... R”
Notas finais
obrigada pelos comentários de vocês! Adoro!!!!!!
Comentem mais!
Beijos!
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