Ensina-me A Ser Tua
16 Capítulo 16 - Inevitável escolha...
Ela tinha prometido um jantar e iria cumprir. Rachel voltou a preparar a macarronada que tinha começado mais cedo. Foi difícil deixar Quinn dormindo no quarto, pois todo o seu corpo gritava para continuar com ela... A morena estava se sentindo muito melhor. Quando resolveu pegar o trem, tudo o que queria era ver a loira, estar com ela... Não sabia como se sentiria, nem como iria se portar, mas arriscava-se a pensar que Quinn seria quente, e que ela não conseguiria resistir. De novo! Mas nada foi como ela pensava. A loira mostrou-se extremamente carinhosa, atenciosa, paciente... Ela era tudo o que não deveria ser. Ela não deveria ser assim, tão perfeita! Mas ela era e isso só tornava as coisas mais complicadas.
Rachel arrumou a mesa e pôs o jantar. Colocou o vinho no gelo e voltou para o quarto. Olhou-se no espelho e se perguntou se deveria trocar de roupa mesmo. “Ela me achou linda assim... Então assim ficarei...” Oh droga! Ela já não tinha qualquer dúvida de que estava perdida...
Ela tentou pensar em algo lindo. Impecavelmente lindo. Algo que pudesse se assemelhar à imagem perfeita da loira dormindo. Rachel só conseguiu pensar nos desenhos da Disney. As princesas perfeitas... Vendo Quinn dormindo tranquila, de lado, com a respiração serena, pensou que ninguém diria que aquela maravilha calma e tranquila, era a mesma pessoa que lhe dizia aquelas coisas quentes durante o sexo. Quinn sabia, como ninguém, dominar quem e o que quisesse. Rachel já estava em suas mãos e sabia que era assim...
Viu-se em dúvida: “De que forma acordá-la?” Chamando, cutucando ou beijando? Logo concluiu que estava sendo idiota. Ninguém acordaria Quinn Fabray cutucando. Seria um desperdício sem tamanho, uma imbecilidade sem precedentes. Voltou à cama e ficou de frente para ela. Sentiu a respiração bater em seu rosto e sorriu... Poderia ficar ali para sempre... Fechou os olhos e se deixou sentir: deslizou o nariz sobre o dela, numa carícia singela, que lhe deu um frio na espinha. Até sem agir, Quinn Fabray a dominava...
A loira despertou, mas não abriu os olhos. Queria desfrutar daquele carinho espontâneo. E desfrutou...
R: Eu sei que você está acordada... [sussurrou sobre seus lábios]
Q: Eu não estou acordada... [sussurrou de volta, com um sorriso travesso]
R: Que pena! Eu te beijaria se você estivesse... [Quinn abriu os olhos]
Rachel deu uma gargalhada. Foi muito fácil... Levantou-se e gesticulou para a loira se levantar:
R: Vem! O jantar está na mesa. [estendeu-lhe a mão]
Quinn sorriu com a jogada da morena e não deu o braço a torcer. Rachel a devia um beijo e ela ia cobrar... Seguiu-a tranquilamente até a mesa e seu sorriso se ampliou quando viu a arrumação. A morena tinha caprichado:
Q: Você deveria ter me acordado para te ajudar. [disse se sentando]
R: Não. [disse calma] Tinha que ser uma tarefa completamente minha. [piscou-lhe]
Q: De que é o molho?
R: Temos dois tipos: Champignon e bolonhesa.
Q: Você preparou um molho com carne? [surpreendeu-se]
R: Mas só você vai comer. [assentiu com a cabeça enquanto respondia] Posso patrocinar seu costume primitivo de comer animais, mas não faço parte dele.
Q: De qualquer forma, obrigada! [sorriu, tentando disfarçar o encantamento que lhe dominava]
O jantar estava sendo melhor do que poderiam supor. Conversavam sobre vários assuntos. Rachel contava coisas sobre NYADA e Nova York, enquanto Quinn falava sobre Yale e as aulas de Medicina. Em nenhum momento, Rachel se lembrou de sua confusão. Estava sendo um momento feliz...
Levaram os pratos para a cozinha e foram para o sofá. Quinn ligou a tv e no primeiro canal de filmes que sintonizou, seus queixos caíram... “Diário de uma paixão” estava começando e foi impossível elas não perceberem as semelhanças daquele triângulo amoroso com o delas. Era coincidência demais! Não precisaram falar mais nada. Em silêncio, concordaram em assistir. Quinn se levantou rapidamente e foi até o quarto, voltando com uma manta. A noite estava fria e elas não aguentariam muito tempo sem um cobertor. Não havia passado nem 15 minutos de filme e a loira puxou Rachel para mais perto. A morena se deixou aconchegar. Não perceberam quando seus dedos começaram a brincar, uns com os outros. Os dedos de Rachel deslizavam da ponta dos dedos de Quinn, passeando pelo braço da loira, que lhe rodeava. Delicadamente... Tão natural quanto respirar. Não falavam nada, mas com suas mãos, diziam tudo... Mas a atenção da loira se desviou. Em determinada cena do filme, ela já não queria saber da tv. Aspirava o cheiro inebriante dos cabelos da morena... Perdeu o controle! Rachel só foi capaz de entender o que estava acontecendo quando se viu sob o corpo de Quinn. A loira conseguiu, com a desenvoltura de um puma, ficar sobre o corpo da morena. Ela conhecia aquele olhar... Os olhos verdes brilhavam de desejo:
Q: Você me deve um beijo. [arqueou a sobrancelha]
R: E você não poderia esperar o filme terminar para me cobrar? [perguntou sorrindo]
Q: Até tentei, mas não foi possível esperar... [disse charmosa]
R: Então eu terei que te dar agora? [perguntou com um sorriso misterioso]
Q: Sim. Neste minuto! [soou autoritária]
Rachel ergueu um pouco a cabeça, dando a entender que iria beijá-la. Quando os lábios de Quinn se aproximaram do dela, a morena recuou e começou a rir.
Q: Você está brincando comigo, Berry? [perguntou contrariada]
R: Estou? [provocou]
Q: Está me provocando? [insistiu]
R: Se você quer mesmo, vai ter que vir pegar! [complementou a provocação]
Oh droga! Mil vezes droga! Rachel ainda não tinha aprendido a não provocar Quinn. A loira avançou sobre seus lábios com a voracidade de uma leoa, onça, pantera... Qualquer animal selvagem que coubesse na imaginação de qualquer um. Chupava os lábios carnudos com força, para depois sugar a língua da morena com extremo desejo. Inevitavelmente, gemeu na boca da loira, deixando-a ainda mais voraz. Rachel poderia gozar facilmente só por aquele beijo. Porém, jamais saberia se teria atingido esse grau de prazer naquele momento, já que Quinn cortou o beijo e a olhou provocante. A morena estava ofegante. Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios da loira:
Q: Obrigada! [arqueou a sobrancelha e saiu de cima dela]
Quinn sentou-se tranquilamente e voltou a ver o filme. Rachel não conseguiu evitar sorrir com o comportamento travesso que acabaram de ter. Isso só provava a ela que essa relação que tinham, fosse o que fosse, era muito natural... Não demorou muito para que a loira mudasse de posição, forçando a morena a mudar também. Acabaram deitadas no sofá, em forma de concha, com Quinn aconchegada nas costas de Rachel. E ela já não tinha controle sobre seus lábios, pois eram muito teimosos em distribuir beijos pelo pescoço, pela nuca, pelo ombro da morena. Os suspiros que Rachel soltava com os beijos da loira, indicavam que ela deveria continuar. E ela continuou... Por um bom tempo, foi só o que ela fez. O filme acabou e elas continuaram na mesma posição, no mesmo carinho. Não havia pressa para nada, qualquer outro lugar para ir, outra pessoa com quem falar. Estavam presas num mundo só delas, nas carícias só delas, no prazer só delas... A mão de Quinn acariciava a barriga de Rachel por baixo da blusa, em sincronia com seus lábios na nuca da morena. Os comerciais passavam na tv, o próximo filme era anunciado, mas elas já não prestavam atenção. O único som que ouviam era o de suas respirações, incluindo suspiros... Não eram preliminares, não estavam caminhando para o sexo, fosse ele selvagem ou tranquilo. Estavam apenas sendo “elas”, sendo “duas”, num momento em que podiam esquecer que, na verdade, eram “três”... Não. Finn não iria se fazer presente em suas mentes.
Q: Está com sono? [perguntou baixinho no ouvido dela]
R: Um pouco. [respondeu dengosa]
Q: Quer ir pra cama?
R: Não. Aqui está tão bom... [arrepiou-se com a respiração de Quinn ao sorrir em seu ouvido]
Rachel pôs a mão sobre a da loira e entrelaçou seus dedos. Ficou assim por alguns minutos, até que se moveu para se virar e ficar de frente para Quinn. A loira a ajudou a se encaixar de forma confortável em seus braços e a recebeu com um lindo sorriso de enlouquecer. Ainda mais... Rachel a beijou. E o mundo poderia acabar naquele momento. Não adiantaria a morena tentar negar para si mesma... Ela teria que admitir que não existe sabor mais gostoso do que os lábios de Quinn Fabray. E todos os sabores deliciosos que poderiam tentar competir com ele, vinham do corpo da loira. O gosto da pele, do suor, do prazer... Oh droga! Rachel Berry estava, definitivamente, completamente apaixonada por Quinn Fabray.
O beijo não se tornou mais quente. A morena manteve um ritmo tranquilo e carinhoso, deslizando a língua sobre a da loira, sugando o lábio superior dela... Deslizando a ponta da língua sobre o inferior... Não existia mundo lá fora. Não havia namorado, distância física, confusão. Naquele momento elas estavam sendo novamente uma da outra, como nunca foram de ninguém... O beijo cessou e Rachel encaixou o rosto no pescoço de Quinn. A loira ficou em silêncio o máximo que pôde e então fez o que precisava fazer:
Q: Fique comigo... Escolha a mim... [pediu baixinho]
Foi impossível Rachel não se arrepiar. Ela não esperava aquele pedido daquela forma, naquele momento. Ela não pensava que Quinn faria isso. E a realidade voltou a se fazer presente. Ela não poderia fugir para sempre. Não poderia fingir que tudo era perfeito. Ela tinha uma escolha a fazer e agora sabia que Quinn esperava que ela fizesse logo. Oh droga! Ela poderia voltar cinco minutos no tempo?
[CONTINUA...]
Notas finais
Espero que gostem desse capítulo.
Beijos!
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