Ensina-me A Ser Tua

17 Capítulo 17 - "Minha..."


(...) Não existia mundo lá fora. Não havia namorado, distância física, confusão. Naquele momento elas estavam sendo novamente uma da outra, como nunca foram de ninguém... O beijo cessou e Rachel encaixou o rosto no pescoço de Quinn. A loira ficou em silêncio o máximo que pôde e então fez o que precisava fazer:

Q: Fique comigo... Escolha a mim... [pediu baixinho]

Foi impossível Rachel não se arrepiar. Ela não esperava aquele pedido daquela forma, naquele momento. Ela não pensava que Quinn faria isso. E a realidade voltou a se fazer presente. Ela não poderia fugir para sempre. Não poderia fingir que tudo era perfeito. Ela tinha uma escolha a fazer e agora sabia que Quinn esperava que ela fizesse logo. Oh droga! Ela poderia voltar cinco minutos no tempo?”

Era oficial: Rachel não poderia ficar calada! Ela tinha que dizer alguma coisa, sendo boa ou ruim... A demora em ouvir a voz da morena estava deixando Quinn apreensiva. A loira soltou a respiração pesada que estava presa em seus pulmões e se arrependeu de ter pedido isso naquela hora. Lamentava-se por ter estragado um momento tão bom... Pensou que poderia ter esperado mais, só que não aguentava. Precisava dizer aquilo. E já não tinha mais como voltar atrás. Não esperava por um “sim” ou “não”. Queria, ao menos, um “talvez”.

Rachel queria voltar um pouco no tempo, para o momento anterior àquelas palavras. Mas não por não ter gostado de ouvi-las, pois era tudo o que ela queria que a loira dissesse, mas ouvir de verdade tem um peso muito maior do que sonhar, desejar... Ela já sabia que teria que se decidir, mas agora parecia que ela tinha um prazo, ou algo assim para dar sua resposta...

Quinn estava constrangida e não queria mais continuar naquele clima. Moveu-se para se levantar, mas foi Rachel quem fez isso primeiro. A loira a observou se sentar e esperou que ela falasse, ou saísse dali em silêncio. Algo que ela pudesse interpretar como uma resposta que, infelizmente, sentia que seria negativa. Percebeu que a morena ia falar. Sua agonia ia terminar. Ou começar...

R: Desculpe... Desculpe por esse silêncio. [disse ao buscar seu olhar] É que... Eu não pensei que teríamos essa conversa hoje, agora... Eu pensei que ela viria mais tarde, com um formalismo, com um “precisamos conversar” antes.

Q: Não precisa responder agora. [apressou-se em dizer, com medo de ouvir um “não”] Eu sei que você precisa de um tempo para pensar.

R: Por que você acha que eu preciso de um tempo para pensar? [perguntou calma]

Q: Porque não temos um passado tranquilo para lembrar, mas eu já não sou mais aquela pessoa complicada que complicava sua vida. Acho que no último ano eu consegui mostrar que amadureci. Não estamos mais na escola. As coisas mudaram... [disse segura, escondendo seu nervosismo]

R: Por que você pensa que isso me importa? [era uma dúvida sincera]

Q: O quê? [perguntou confusa]

R: Nosso passado. [respondeu] Se a forma como nos comportamos no passado fizesse alguma diferença para mim hoje, eu não estaria aqui. [disse como se fosse óbvio] Não teríamos transado e, talvez, nem nos falássemos. Se eu me apegasse às coisas ruins do passado, nem com o Finn eu estaria, porque você sabe que ele me fez sofrer. Que ele me trocou por você e foi infantil diversas vezes em que eu precisei dele. Mas como você disse, não estamos mais na escola. E as coisas, realmente, mudaram. E muito! [enfatizou] Então, eu não posso ignorar a forma como você me faz sentir hoje para me apegar à forma como você me tratou no passado.

Q: E como eu faço você se sentir hoje? [perguntou ansiosa]

R: Achei que você soubesse... [baixou os olhos]

Q: Eu quero ouvir... [pediu baixinho]

R: Eu não sei explicar ainda... [manteve o olhar baixo]

Q: Isso não é justo! [protestou]

R: O que você quer dizer com “fique comigo”? [voltou a olhá-la]

Q: Que fique comigo! [respondeu firme]

R: Que “fique comigo” como? [insistiu] Nos veremos com certa frequência? Transaremos sempre que nos encontrarmos? Seja específica!

Q: Não... Não é só isso! [adiantou-se em esclarecer] Eu quero dizer que... [sentou-se também, colocando a mão dela entre as suas] Fique comigo: seja minha! Só minha... Fique comigo: me ligue de madrugada com saudades. Fique comigo: apareça na minha porta de surpresa no meio da semana. Fique comigo: me receba com carinho e seu sorriso enorme quando eu chegar de surpresa em sua porta numa quarta-feira. Fique comigo: só eu tocarei seu corpo. Fique comigo: você só beijará a mim. Fique comigo: me queira... [disse tudo intensamente]

Rachel sabia que Quinn diria algo inteligente, mas não imaginou que seria algo enlouquecedor. Ouvir aquelas palavras, com aquelas intenções, saindo daqueles lábios rosados perfeitos, com aquela sexy e maravilhosa voz rouca, sentindo o olhar penetrante daqueles olhos verdes hipnotizantes era mais, muito mais do que ela esperava...

R: O fato de eu ser uma garota não te incomoda? [questionou. Afinal, ela era Quinn Fabray]

Q: Desculpe, mas quando estamos transando parece que eu me incomodo? [perguntou um tanto quanto ácida, um pouco ofendida com a pergunta]

R: Não. Nem um pouco... [respondeu constrangida, sabendo que tinha sido uma pergunta idiota, depois de tudo]

Q: Então eu não preciso me preocupar em responder a essa pergunta. [disse calma] Eu não sou idiota, Rachel. Nem hipócrita. Eu não quero lutar para não sentir o que sinto só porque você é uma garota. Eu te desejo, eu te quero... [o tom de voz agora era doce] E não nego isso. Não quero negar. A única pessoa que me importa nesse contexto é você. E eu não conseguiria mentir para você nem que eu quisesse. Você sabe que eu te desejo. Eu já te provei isso. E depois de termos nos tornado tão íntimas, não tem como voltar atrás. E eu não quero voltar atrás...

Tudo o que Quinn dizia era muito melhor do que Rachel desejava. Muito melhor do que esperava ouvir.

Q: Te incomoda o fato de sermos duas garotas? [perguntou, já que viu que essa era uma dúvida que rondava a mente da morena]

R: Acho que o fato de ter insistido tanto para que você tomasse uma atitude naquele dia já responde por mim... [disse com um sorriso leve]

Q: Então está tudo claro... Eu quero você! Quero você pra mim... [disse decidida] Eu não sei como as coisas serão e não posso fazer promessas de que serão perfeitas. Nem sei como lidaremos com isso. [disse sincera] Mas eu te quero e estou disposta a fazer o que for preciso para conseguir isso. Então pense... Pense no que acabamos de conversar. Eu sei que você o ama [fechou os olhos incomodada] e que isso é muito para se ignorar, mas pense, por favor... [manteve os olhos fechados]

R: Eu não preciso pensar. [respondeu] Ainda não ficou claro para você que eu já fiz a minha escolha?

Q: O quê? [abriu os olhos]

R: Eu estou aqui, Quinn. Numa quinta-feira. [disse tranquila, como se dissesse o óbvio] Eu saí de casa e ainda estava escuro. E eu não olhei pra trás... Eu sei que tenho estado confusa e sei que fiz bobagem por causa dessa confusão, mas eu já sabia que não teria volta quando eu pressionei você no seu carro, em Lima. E quando eu dei de cara com você em minha porta, toda molhada por conta da chuva, eu soube que tudo ia mudar... Nunca foi só sexo... Nunca seria...

Q: Então...

R: Eu já escolhi você muito antes de saber... [interrompeu com o tom de voz de confissão] Eu já pensava em você muito antes do que venho pensando desde a nossa primeira vez. E quanto ao meu amor pelo Finn, você me faz ter dúvidas sobre ele. E eu não consigo dizer agora que eu já não sinto mais nada por ele. Que não o amo. [desviou o olhar, fazendo Quinn se sentir mal por ouvir sobre ele] Mas entre querer você ou ele... Eu estou aqui. E isso diz claramente quem eu quero... [o coração da loira acelerou] Desde que cheguei você só fez eu me sentir melhor e cada segundo aqui me fez ver que eu agi certo ao vir. Eu nunca me senti tão bem num lugar como você me fez sentir aqui... E não é porque seu apartamento é bonito e aconchegante. É porque tem você... [disse quase num sussurro] Tem seu cheiro... Sua presença...

Quinn avançou sobre ela. Precisava beijá-la. Mas Rachel recuou. Ela se levantou, deixando a loira confusa.

R: Espera. Espera um pouco... [disse rápido] Isso não quer dizer que as coisas serão simples. Eu não vou mentir pra você. Assim que ele me ligar de novo eu vou desabar. Quando voltar para Nova York e encontrá-lo, eu não sei como vou agir. Eu não sei como dizer isso tudo a ele. Eu me sinto péssima por ter nos colocado nessa situação. [disse agoniada]

Q: Não é só culpa sua. [tentou acalmá-la]

R: Mas a culpa maior é minha. [e tinha razão] Eu estou no centro disso tudo. Enquanto ele está na mais completa ignorância sobre o que está acontecendo, a você eu conto tudo, inclusive que transei com ele. [percebeu o incômodo que dizer isso provocou em Quinn, mas continuou] E não adianta fingirmos que isso não aconteceu, porque aconteceu. Só que eu transei com ele e queria estar transando com você naquele momento. Você não imagina, Quinn, como é difícil estar nessa posição. De repente, o futuro que eu tracei para mim virou uma incógnita. Eu o apoiei a tentar vaga na Universidade de Nova York para ficar perto de mim e agora eu terei que dizer que não poderei cumprir com isso. Não é como se eu apenas dissesse que mudei de ideia. [mantinha-se agoniada]

Q: Eu sei que não será fácil, mas não tem como ser diferente. [tentava ajudar]

R: Não tem mesmo! Porque eu não quero abrir mão de você! [encarou-a] Eu estou assumindo que vou abrir mão dele e do futuro que eu planejei com ele, porque eu não posso continuar assim. Eu não posso ignorar o que eu sinto por você.

Quinn se levantou rápido e se pôs à frente dela. Puxou-a para si e tomou-lhe os lábios com segurança. Rachel se deixou levar... Era um beijo necessitado, como se a loira quisesse impedir que a morena mudasse de ideia sobre o que dizia. Suas mãos apertavam a cintura de Rachel, enquanto as dela agarraram os cabelos dourados. Não tinha como ser diferente: nenhuma das duas pretendia voltar atrás:

Q: Eu estou com você... [disse ao interromper o beijo] E farei o que você quiser que eu faça para facilitar as coisas. Estarei onde você quiser que eu esteja... Só seja minha. Só minha... [pediu com seus rostos colados, fazendo sua respiração bater na pele da morena, fazendo-a se arrepiar]

R: Eu já sou, Quinn... Eu já sou... [respondeu vencida]

A loira voltou a beijá-la, mas sentiu que a morena tentava dominar a situação. Rachel a fez se sentar de volta no sofá e sentou em seu colo, distribuindo beijos pelo pescoço, pelo queixo, pelo colo. Levou os lábios ao ouvido de Quinn:

R: Minha vez de fazer você gozar... [disse decidida, fazendo-a estremecer]

Rachel saiu do colo dela e se colocou entre as pernas da loira, puxando a calça junto com a calcinha. Os olhos de Quinn faiscavam em direção à morena e sua postura decidida de quem sabia o que fazer. Rachel beijava a parte interna das coxas torneadas com beijos molhados, sugando a pele com desejo. Era deliciosa... Delicadamente colocou as pernas da loira sobre seus ombros, beijando-lhe a virilha, deslizando sua língua pela região. Quinn jogou a cabeça para trás e gemeu forte, sentindo a língua da morena passear por sua intimidade. Quando a língua de Rachel a penetrou, suas mãos foram direto aos cabelos escuros, acariciando-os com extrema entrega... As mãos da morena subiram, deslizando pelo corpo perfeito, mergulhando sob a blusa e agarrando os seios da loira, acariciando-os no mesmo ritmo que sua língua trabalhava... Alternava entre penetrá-la e lamber a entrada, deslizando até o ponto pulsante. Agarrou a carne macia entre os dentes e massageou o clitóris com a ponta da língua. Oh droga! Quinn ia enfartar de prazer. Rachel repetia os movimentos, guiada pelos gemidos da loira, que dizia seu nome quase sem parar... O orgasmo foi forte e a morena sentiu o gosto em seus lábios, gemendo alto, indicando que também havia chegado lá. O cansaço não impediu que Quinn retirasse as pernas dos ombros dela e a puxasse rapidamente para seu colo novamente. A loira precisava beijá-la mais uma vez. E a beijou. Sentiu seu próprio gosto na língua macia, e gemeu com os movimentos que Rachel fazia com ela. A morena levou as mãos ao pescoço branco e deslizou suas unhas na nuca, fazendo Quinn soltar um ruído, quase que um “ronronar”, o que a fez sorrir entre o beijo... Era lindo! Quando o fogo diminuiu e a urgência ficou para trás, viram-se abraçadas carinhosamente, acariciando-se de forma natural. Em silêncio, com o rosto de Rachel encaixado no pescoço de Quinn:

Q: Você é minha! [sussurrou] Minha...

A morena não disse nada, mas assentiu com a cabeça. Era a mais pura verdade...

Notas finais
Comentem e me digam se imaginavam que este capítulo seria assim. ;)
Beijos!