Ensina-me A Ser Tua

11 Capítulo 11 - Esmagadora realidade...


Notas iniciais
Já aviso que este capítulo é completamente diferente do que vocês esperavam. Mas peço que sejam pacientes e aceitem o drama dessa história. Concluo essa nota nas notas finais...

R: Eu não quero ser um “talvez” para você...

Q: O que você quer ser?

R: Eu não sei...

Q: Se eu estivesse aí agora, o que você seria?

R: Eu seria “sua”...”

“O quê?!” Quinn não acreditava que Rachel tinha dito aquilo e desconectado logo em seguida. Do outro lado, a morena não acreditava que tinha dito aquilo... Ambas estavam paradas em frente a suas respectivas telas sem saber o que fazer. Rachel soltou o laptop e levou as mãos à cabeça como sinal de nervosismo. Ela sabia que tinha cruzado uma linha difícil de voltar. Difícil? Era IMPOSSÍVEL voltar...

Quinn voltou a ler toda a conversa. Leu e releu. Releu de novo... Ela não poderia ter terminado assim. Rachel estava completamente confusa. Achou que a loira tivesse percebido os ciúmes que sentiu. E sentiu mesmo! Pensar que aquele rapaz bonito poderia ter algum envolvimento com Quinn lhe doía. Mas por que ela podia ter um namorado, mas a loira não? Como ela poderia estar dividida entre duas pessoas tão diferentes? Por que ela estava fazendo isso com Finn se era ele o amor da vida dela? Era mesmo? Oh droga! Quinn Fabray a estava enlouquecendo. Ainda mais...

A loira se levantou e buscou o celular. Respirou fundo algumas vezes e digitou o número da morena. Questionou-se se deveria mesmo fazer isso e não obteve qualquer resposta. Não sabia mesmo qual o passo certo naquele momento. Havia provocado Rachel e, no fim, saiu muito mais provocada do que ela. Era mesmo a melhor opção provocar e esperar o resultado, ou deveria ir à luta? Resolveu deixar de ouvir sua mente que, no momento, não estava lhe dizendo nada coerente. Finalmente, apertou em “ligar”.

Rachel se assustou com o som do celular e virou-se para pegá-lo na mesinha de cabeceira. Seu coração perdeu o compasso ao ver que era Quinn. É claro que era ela! Quem mais seria? Só então a morena percebeu que a loira não havia mudado o número. Pegou o telefone e sentiu como se ele fosse explodir em sua mão. Deveria atender? Não sabia. Mas queria... Parou de tocar. Tentava resolver se retornava quando ele tocou de novo. Rachel ficou paralisada... E nesse “jogo”, Quinn ligou cinco vezes e a morena não atendeu. Pôs o telefone de lado com a certeza de que a loira havia desistido, mas estremeceu ao ouvir ressoar no quarto o som avisando que ela tinha uma nova mensagem de voz. Foi tremendo que ela pegou o telefone de volta e, ainda tremendo, pôs-se a escutar a mensagem:

Q: Como você pode dizer o que disse e desconectar, Rachel? Vamos agir como adultas e ter uma conversa de verdade! Você não pode simplesmente me deixar solta nesse furacão. Eu quero conversar. Vamos parar de nos desencontrar e vamos esclarecer as coisas... Eu não quero que a gente se machuque...”

Já era a terceira vez que ela escutava a mensagem e não era porque queria ouvir o que Quinn dizia, mas precisava ouvir a voz dela. O timbre rouco que lhe rasgava a audição de forma sexy. A última letra das palavras “morria” na boca de Quinn Fabray e aquilo era lindo! Rachel perdeu as contas de quantas vezes ouviu aquela mensagem. No escuro de seu quarto, discou o número de telefone que estava entre os seus favoritos.

Finn chegou menos de 20 minutos depois e se aconchegou na cama da morena, que o recebeu com um forte abraço:

F: O que foi, Rach? Sua voz não estava boa ao telefone. [perguntou preocupado]

R: Dorme aqui hoje. Eu não quero ficar sozinha... [pediu com a voz baixa]

F: Claro! Claro que durmo! [beijou-lhe a têmpora, logo depois os lábios]

R: Desculpa! [começou a chorar] Por favor me perdoa!

F: Rach, o que está havendo? Por que você está chorando? [preocupou-se mais]

R: Eu sei que estou sendo uma péssima namorada e você não merece isso. Você merece muito mais de mim e eu estou sendo terrível! [o choro se tornava mais forte]

F: Ei, Rach! Tudo bem! Todo namoro tem uma fase um pouco mais complicada, mas ela passa. Vamos ficar bem, ok?! [disse compreensivo]

Rachel o beijou de forma sentida, até que seus lábios passaram a se mover em sincronia:

R: Faz amor comigo... [pediu]

F: Tem certeza? Você não parece no clima. [disse preocupado]

R: Eu sei que faz tempo que você tem sido paciente...

F: Não precisamos fazer por isso. [assegurou]

R: Mas eu quero fazer! E quero agora! [disse firme, ainda que estivesse completamente insegura]

Rachel precisava tirar Quinn da cabeça, precisava ao menos tentar, saber se conseguiria, mesmo prevendo que aquela era a pior forma de tentar isso... Finn voltou a beijá-la e suas mãos voltaram a deslizar pelo corpo de Rachel sem a relutância com a qual a morena agia nos últimos dois meses. Aqueles toques eram completamente diferentes dos de Quinn e aquilo a estava confundindo ainda mais... Ela se deixou levar. Protegida pela luz quase inexistente do quarto, sabia que as marcas que Quinn deixou em seu corpo não seriam percebidas pelo namorado. Sentia os beijos dele em seu pescoço, no mesmo local marcado pela loira. Sentiu sua roupa ser retirada, ficando apenas de calcinha. Finn despiu-se completamente e retirou a calcinha da namorada, beijando-lhe as pernas. A cada toque de seus lábios, Rachel se lembrava dos lábios de Quinn que, definitivamente, não eram iguais... Sentiu a língua do namorado trabalhando em sua intimidade e aquilo, definitivamente, não era igual ao que a loira havia feito. Oh droga! Ela precisava tirar Quinn da cabeça. Finn estava sendo carinhoso, paciente. Ele realmente estava fazendo amor com ela e não apenas sexo. Mas ela sabia que com Quinn também era dessa forma, apesar de tentarem disfarçar com a quase “selvageria” de suas ações. Estremeceu quando sentiu o corpo de Finn voltar a ficar sobre o dela. Mas foi diferente. Com Quinn, estremecia de prazer. Com Finn, estava estremecendo de medo.

F: Tudo bem? [perguntou carinhoso]

Rachel não respondeu. Não queria mentir de novo para ele. Apenas o beijou, rezando para que ele entendesse isso como um possível “sim”. Finn voltou a beijar o pescoço dela e se colocou entre suas pernas, dando início ao momento mais difícil daquela noite. A morena o sentiu posicionar o membro em sua entrada e percebeu que não queria dar continuidade. Mas não pediu que ele parasse. Não aceitava o fato de estar se sentindo daquela forma com seu próprio namorado, o cara que ela ama, com quem quase se casou. Seu primeiro. Ela o amava, afinal... Ainda poderia sentir-se assim? Qual a intensidade desse amor? Quando o membro de Finn deslizou para dentro dela, considerou que era tarde demais para voltar atrás.

F: Você está tão apertada... [disse inocentemente, sem perceber que ela estava completamente tensa]

O namorado voltava a se mover dentro dela, depois de tanto tempo e ela sentia que ele estava feliz por aquilo. Ele dizia coisas lindas em seu ouvido. Ele nunca tinha falado tanto durante o sexo. A voz dele, misturada aos gemidos, só a fazia lembrar do efeito magnético que a voz de Quinn tinha sobre ela. A loira a fazia enlouquecer, prestes a gozar, apenas com a voz. Ouvir a voz de Finn dizendo aquelas coisas românticas estavam fazendo com que ela sentisse vontade de chorar. E ela chorou. Silenciosamente... Ele continuava a penetrando, aumentando um pouco a intensidade de seus movimentos, enquanto beijava seu pescoço. O choro de Rachel ia se tornar mais forte, então ela o puxou para um beijo, fazendo-o ficar cada vez mais intenso. Mais uma vez rezava para que ele não percebesse o que estava acontecendo. Ele não percebeu. Estava tão excitado e animado por ter a namorada daquela forma novamente, que tudo o que era capaz de perceber era que ela era gostosa e que estava tão excitada quanto ele. Estava errado quanto à segunda coisa... Algumas poucas estocadas depois e Finn atingiu o orgasmo. Rachel não chegou nem perto disso. Finn gemia em seu ouvido enquanto gozava forte, e a morena sentia os espasmos intensos do corpo grande do namorado. Sentia como se fosse todo peso do mundo sobre ela... Ele manteve-se carinhoso e beijou os seios da morena, sugando os mamilos, acariciando suas pernas, que rodeavam sua cintura. Ela sentiu como se traísse Quinn. Como se só ela tivesse direito sobre seus seios... Quando Finn saiu de dentro dela e se virou para o lado, ele a levou consigo e pretendia buscar os olhos da namorada, mas ela deitou sobre seu peito, evitando qualquer contato visual que entregasse seu real estado emocional. Então ele beijou o topo de sua cabeça:

F: Cansada?

R: Hum hum... [limitou-se a responder]

F: Eu te amo, Rach! Estar assim com você é o que me faz mais feliz... [disse carinhoso]

Seu coração apertou. Definitivamente, ela se sentia péssima e voltou a chorar, mas dessa vez, não pôde evitar que ele percebesse:

F: Rach? [chamou preocupado, enquanto tentava fazê-la olhar para ele] O que houve? Eu te machuquei?

R: Não. Não... Eu só estou um pouco sentimental demais! [deu-lhe um sorriso nervoso, tentando dissimular]

F: Eu não gosto de te ver chorando... Tem certeza de que é só fragilidade?

R: Sim, meu amor! É só isso! [beijou-lhe levemente os lábios e voltou a se deitar em seu peito]

Finn ficou satisfeito com a resposta da morena e logo se rendeu ao cansaço. Acabou dormindo. Ao perceber isso, Rachel se levantou e foi ao banheiro. Olhou-se no espelho e viu que não havia qualquer marca nova em seu corpo. Todas ali tinham sido feitas por Quinn. A loira a havia marcado de verdade e, embora aquelas marcas fossem sair dali a dias, a maior marca estava na alma, e ela havia acabado de comprovar que não conseguiria se livrar dela. Foi em direção ao box e ligou o chuveiro, voltando a chorar. Queria que a água levasse embora aquela sensação ruim que sentia. Quando começou a lavar o corpo, sua mente passou a lhe torturar. Lembrava dos toques de Finn em seu corpo com tristeza, enquanto lembrava dos da loira com saudade, com necessidade. Tentou segurar os soluços do choro e conseguiu. Finn não podia acordar. Ele não poderia ver seu corpo iluminado e descobrir que outra pessoa a havia possuído de forma muito mais profunda do que ele. Ele não poderia saber que Quinn havia se apossado definitivamente de sua garota...

Os beijos dele não eram iguais aos dela. Chamá-lo de “meu amor” a deixou confusa, como se estivesse pecando, maculando o verdadeiro significado da expressão. Talvez não fosse a ele que ela devesse dirigir aquelas palavras. Talvez ela já não soubesse quem realmente amava... Quinn tinha mesmo razão: ela estaria sempre em sua mente quando ele a tocasse...

Ao terminar o banho, trocou de roupa e relutou em deitar novamente. Queria sair dali... Foi o que fez, mas antes buscou o celular. Sentou-se na sacada da escada de incêndio, encolhida, rodeando as pernas com os braços. Voltou a ouvir a mensagem de voz de Quinn e perdeu as contas de quantas vezes escutou. Sentia a voz rouca da loira penetrar em sua pele. Queria que isso fosse possível... Sabia que talvez não devesse fazer isso, mas retornou a ligação...

Quinn havia esperado um bom tempo por notícias de Rachel, até que percebeu que não receberia. Não queria pressionar a morena ainda mais naquele dia, então resolveu esperar um outro momento. Ficou acordada na cama por um bom tempo, até que o sono resolveu aparecer. Despertou assustada pelo som alto do celular sobre a cama e gelou ao ver que era Rachel. Atendeu rapidamente:

Q: Rachel? [sua voz era pesada de sono]

R: Não devíamos ter feito isso! [chorava do outro lado da linha]

Q: O que houve? [preocupou-se] Por que você está chorando? [óbvio que era por causa dela]

R: Você não devia ter voltado. Não devia ter voltado à minha casa... Aquele dia não devia ter acontecido! [chorava ainda mais, mesmo que tentasse manter a voz baixa]

Q: Rachel, acalme-se! Por favor, calma! Vamos conversar... [estava seriamente preocupada]

R: Ele é maravilhoso comigo! Ele não merece que eu faça isso... [seu pranto era sofrido]

Q: O que você está tentando me dizer? Você quer que eu suma? [perguntou temerosa]

R: Não... O que eu estou tentando dizer é que... Você tem razão quando diz que brincamos com fogo...

Q: O que você está tentando me dizer, Rachel? [insistia]

R: Que estou louca. Completamente louca por você! A ponto de duvidar do que eu sinto por ele. A ponto de duvidar de tudo... Menos de que eu estou completamente louca por você... [confessou chorando]

Q: Vem pra cá! [disse segura]

R: O quê?

Q: Se você não vier, eu vou aí! [disse decidida]

R: Você está louca?! [surpreendeu-se] Já passou da meia-noite.

Q: Você não é a única louca nessa história. Eu preciso de você aqui. Ou que eu esteja aí... Como vai ser?

R: Eu... Eu não posso, Quinn. [disse insegura, com a voz voltando ao normal, devido à diminuição da intensidade do choro]

Q: Tem que poder! Temos que fazer isso...

R: Não podemos...

Q: Nunca mais? [perguntou temerosa]

R: Agora! [respondeu rápido] Não podemos agora... [esclareceu]

Q: Precisamos nos ver logo...

R: Eu sei!

Q: Quando, Rachel?

R: Eu te procuro... Boa noite, Quinn!

Q: Não desliga! [pediu]

R: Eu preciso desligar!

Q: Desculpe ter te chateado mais cedo...

R: Tudo bem! [voltava a chorar]

Q: Eu não quis magoar você...

R: Tudo bem... Eu preciso ir! Boa noite! [desligou]

Rachel sentia como se estivesse mentindo para os dois. Não tinha uma relação com Quinn, mas sentia como se a tivesse traído. Precisava vê-la de novo. Precisava definir as coisas. Naquele momento, Rachel estava mais perdida do que nunca, dividida entre um suposto amor certo e um provável amor avassalador. A realidade caía sobre sua cabeça e não era nada fácil. Era esmagadora...


Notas finais
Vocês sabem que essa história é Faberry, por isso, espero que aceitem o momento Finchel como parte importante no desenrolar do drama. Afinal, ele é o namorado dela no momento. E, por enquanto, ele tem sido um bom rapaz e não um idiota que mereça o que ela está fazendo.
Confiem em mim e saibam que em tudo há um propósito em cada capítulo.
Obrigada por acompanharem e espero que comentem!
Beijos e até o próximo!