Ensina-me A Ser Tua
12 Capítulo 12 - Três mentiras e uma nova ação...
Quinn voltava exausta da faculdade, mas não era apenas pelas aulas. Sua mente estava seriamente cansada... Pensar em Rachel, nesse dia, estava sendo mais difícil do que nos outros. Não havia só desejo, saudade e confusão. A preocupação agora se fazia presente e precisava se livrar dela. Tentou falar com a morena duas vezes, mas ela não havia atendido. A loira não sabia se ela estava se afastando dela definitivamente ou se tinha a ver com o choro da noite anterior. Precisava vê-la e se sentia impotente por só poder ir à NY no fim de semana. Maldita distância!
Rachel tinha passado o dia inteiro tentando se concentrar nas aulas e pouco conseguia. Tinha saído de casa antes de Finn, deixando um bilhete avisando que precisava estar em NYADA mais cedo do que o normal. Recebeu várias mensagens carinhosas do namorado, falando sobre a noite anterior, o que a fez manter o celular no silencioso, abandonado no fundo da bolsa. Não queria ler mais nada daquilo. Precisava conversar com Kurt, mas morria de medo de revelar seu maior segredo. Ainda não era a hora... Não viu as ligações de Quinn e só as descobriu no fim do dia, quando finalmente buscou o celular para ver quantas mensagens de Finn tinha recebido. Mas todas as mensagens do namorado perderam qualquer importância quando ela viu que havia uma da loira. Mais uma vez, seu coração perdia o compasso... Foi a única mensagem que ela abriu. Era a única que precisava ler:
“Hey! Preciso saber como você está. Entendo se não quiser conversar, mas preciso que me diga, ao menos, se você está bem. Quero respeitar seu espaço, mas fica difícil quando me preocupo com você... Queria estar perto... Q”
Rachel estremeceu. Aquele era o poder de Quinn Fabray sobre ela... Mas se segurou e não respondeu. Trocou os lençóis da cama... Tê-los ali só traria a lembrança da noite anterior. Não queria lembrar... E se culpava por se sentir assim. Tomou um banho demorado e voltou ao quarto. Não... ela não poderia dormir ali naquela noite. Finn apareceu no apartamento com saudades. A noite anterior teve um significado completamente diferente para ele. Ele estava feliz. A morena lhe deu atenção, mas o convenceu a não dormir lá, assim como inventou uma boa desculpa para não vê-lo nos próximos dias. Ela precisava de espaço para se entender. Mas ele não precisava saber disso. Não ainda... Beijá-lo já não era como antes. E isso a entristecia...
Quando Finn foi embora, Rachel foi atrás de Kurt e pediu para dormir com ele em seu quarto. O amigo a pressionou a dizer o que estava se passando, pois percebeu que ela não estava bem, mas ela desconversou e contou a mesma história que contou para Finn. Agora ela mentia para o seu melhor amigo também. Será que ela poderia se sentir ainda pior? Antes de dormir, arrumou algumas coisas e pegou o celular. Era sufocante a vontade de ligar para Quinn, mas sabia que choraria e isso não ajudaria em nada. Mas seria cruel deixá-la sem notícias. Mensagem foi a opção escolhida:
“Desculpe preocupá-la. Não vi suas ligações, estava em aula. Vou dormir agora. Mas estou bem! Desculpe por ontem, eu não queria ter te acordado... Beijos. R”
Uma mensagem um tanto quanto normal, mas ela mentia de novo. Não estava bem. Oh droga, agora ela mentia para três pessoas! “Muito bem, Rachel Berry! Você pode se sentir pior?” Foi o que pensou... Não demorou e recebeu resposta de Quinn:
“Fico feliz por você se esforçar em me tranquilizar e triste por saber que você está mentindo. Mas respeito seu espaço e espero que você fique realmente bem logo. Estarei aqui por algum tempo, esperando que me procure. Não vou esperar por muito tempo até que eu vá procurar você... Boa noite! Q”
Até que enfim alguém que a conhecia! Mesmo sem vê-la. Quinn Fabray era mesmo especial... Estava à frente de qualquer um...
A chaleira indicou que a água já havia fervido. Mais um dia cheio na faculdade que alimentava sua mais nova necessidade: café! Quinn nunca gostou muito, mas precisava disso para se manter alerta o dia inteiro. Bebia café pela manhã em casa, entre as aulas, depois do almoço, no meio da tarde e nas noites em que precisava ficar acordada estudando. Não gostava desse novo hábito dependente, mas já tinha aprendido a gostar de cafeína. Com o material arrumado sobre a mesa, comeu seu cereal matinal. Se tivesse demorado menos no banho, poderia ter preparado algo mais interessante para comer. Xingava-se mentalmente. As batidas na porta vieram quase no mesmo horário de sempre. Nick era sempre pontual, mas naquele dia, tinha se adiantado, como nos últimos dias. A loira foi até a porta, xingá-lo mais uma vez:
Q: Por que droga você está batendo a essa hora de novo? [abriu a porta irritada]
Nem em cem anos ela adivinharia que não era Nick quem estava ali em sua porta. Era cedo demais e um tanto longe para Rachel Berry estar ali, em sua frente.
Q: Rachel? [surpreendeu-se]
R: Eu disse que te procuraria... [falou com um sorriso tímido]
A morena estava linda, com os cabelos soltos, uma calça preta, botas acima do joelho e um casaco bege...Também estava com uma pequena mala, o que indicava que não era uma visita de algumas horas:
Q: Por favor, entre! [deu-lhe passagem com um sorriso ansioso começando a se formar, acompanhando as batidas escandalosas de seu coração]
R: Quando combinamos de nos visitar com os bilhetes de trem, não especificamos como seria a hospedagem. Posso ficar aqui ou terei que ver um outro lugar? [peguntou sem graça ao entrar]
Q: Claro que você vai ficar aqui! Jamais pensei em permitir que você ficasse em outro lugar! [disse rapidamente]
R: Ótimo! [sorriu levemente]
Estavam sem graça de novo, mas não sabiam se era por causa do que estavam vivendo ou por causa da noite em que a morena chorava ao telefone...
Q: Como você chegou aqui?
R: Eu tinha conseguido seu endereço com a Britt há algum tempo.
Q: Você pegou o trem de madrugada? Que perigo, Rachel! [repreendeu]
R: Estou aqui, não estou?! Não corri qualquer perigo! [assegurou]
Antes que a conversa continuasse, Nick bateu à porta. Dessa vez, no exato horário de sempre!
N: Vamos embora, princesa chata! [disse alto do corredor]
R: Quem é? [perguntou curiosa]
Q: Nick... [respondeu]
R: Oh... Ok... [não conseguiu disfarçar o incômodo em saber que ele estava ali]
Quinn foi abrir a porta e Nick entrou rápido, sem esperar que ela dissesse algo. Surpreendeu-se ao dar de cara com Rachel:
N: Opa! Eu não te conheço! [disse sorrindo]
Q: Esta é a Rachel. Minha amiga! [sorriu]
N: A futura estrela da Broadway? [perguntou animado, fazendo a morena corar]
Q: Isso! [afirmou]
R: Espero que sim! [sorriu educada, eufórica por dentro ao saber que Quinn falava sobre ela com outras pessoas]
N: Muito prazer! Se depender do talento que a Quinn diz que você tem, tenho certeza de que será!
Rachel deveria odiá-lo, mas não conseguiu. Tinha algo nele que despertava simpatia imediata. Mas ele poderia ser o namorado de Quinn. Ou o cara com quem que ela ficava. Ou o futuro marido. Ele era concorrência, afinal... Ela deveria odiá-lo! Concorrência?! Oh droga! Ela estava enlouquecendo.
Q: Nick, eu vou chegar um pouco depois na aula. Por favor, anote tudo direito para que eu possa copiar de você. Não faça bobagem!
N: Obrigado pela confiança! [sorriu sarcástico] Foi um prazer, Rachel! E bem-vinda ao frio do dia de hoje! [piscou e sorriu]
Estavam de novo sozinhas e ambas encaravam a porta que havia se fechado. Ter Rachel ali era tudo o que Quinn queria. Estar ali era tudo o que a morena queria. Por que estavam tão inseguras?
R: Ele é realmente bonito! E bem agradável! Parece um bom partido! [tentou brincar, mas ambas sabiam que ela estava com ciúmes]
Quinn se virou para ela. Não fazia sentido fazê-la pensar isso. Não depois de ouvi-la chorar daquela forma...
Q: Ele é só meu amigo, Rachel! Nunca houve, não há, nem haverá nada entre a gente. Ele, para mim, é como o Kurt para você. [confessou]
R: Ele é gay? [surpreendeu-se]
Q: Não! [sorriu] Ele tem uma paixão platônica por uma de nossas professoras e jura que vai conquistá-la.
R: Mas você não se interessa por ele? [perguntou temerosa]
Q: Talvez me interessasse, se já não tivesse alguém na minha cabeça o tempo todo... [disse encarando-a]
Rachel gelou! Quinn Fabray sabia ser firme. Sabia provocar o que quisesse, em quem quisesse...
R: Eu não quero fazer você se atrasar. Vá para a sua aula! Se não tiver problema, eu fico aqui, esperando...
Q: Nós temos que conversar, Rachel! [disse firme]
R: Eu sei! [concordou]
Q: Eu preciso saber se você está bem. Eu passei o dia inteiro, ontem, preocupada com você! [confessava sincera]
R: Nós vamos conversar! [disse calma] Quando você voltar da faculdade, nós conversaremos. Ok?!
Q: Você está perdendo aula! [exclamou]
R: Nada importante! [assegurou] Não se preocupe! Agora vá! Não dependa do Nick para anotar a aula, pois percebi que você não confia nele para isso. [sorriu levemente]
Q: Não mesmo! [devolveu o sorriso]
R: Então... Eu vim! Não vou a lugar nenhum! Estarei te esperando aqui. Vá tranquila!
Q: Eu não iria, mas eu não posso perder as aulas de hoje. Pelo menos as da manhã. [tentou explicar]
R: Quinn! Está tudo bem!
Q: Ok... Não demoro!
A loira foi ao banheiro, escovou os dentes e pegou o material...
Q: Me ligue se precisar de qualquer coisa. Fique à vontade. Sinta-se em casa! [deu-lhe um sorriso acolhedor]
R: Obrigada!
Quinn saiu do apartamento. Rachel ficou encarando a porta, tentando concluir como tinha sido aquele encontro. Não teve muito tempo para pensar. Viu a porta se abrir de novo e Quinn entrar apressada, indo em sua direção. A loira parou à sua frente e murmurou um “dane-se”... Puxou-a pela cintura e a beijou. A morena, imediatamente, cedeu ao beijo, entreabrindo os lábios para receber a língua macia de Quinn. O caderno caiu no chão, junto com os livros, e a mão que ainda não fazia parte da cena foi direto à nuca de Rachel. Seus braços agarraram-se ao corpo da loira e o beijo que deveria ter sido calmo, transformou-se em algo quente. Quinn puxou o lábio inferior da morena, sugando-o com carinho, voltando a beijá-la novamente com intensidade. Só quando precisaram de ar que o beijo foi cortado. Mantiveram os rostos colados, sem nada dizer, até que Rachel a abraçou, encaixando o rosto em seu pescoço. Murmurou um “senti sua falta” e recebeu um aperto no abraço. Quinn se afastou um pouco e beijou-lhe a testa:
Q: Tenho que ir... [disse um pouco desapontada enquanto pegava os livros no chão]
R: Até mais tarde! [sorriu levemente]
Quando a porta se fechou novamente Rachel deixou que uma lágrima escapasse. Perguntava-se se havia tomado a decisão certa. Se deveria mesmo estar ali. Seu celular tocou indicando uma mensagem, tirando-a de seus pensamentos. Estranhou ao ver que era Quinn:
“Estou feliz por você ter vindo. Eu já me preparava para ir atrás de você. Eu também sentia sua falta... Q”
Rachel sorriu. Quinn estava sendo carinhosa, ao invés de selvagem... A morena tinha sua resposta: ela deveria mesmo estar ali...
Notas finais
Eu sabia que o capítulo anterior causaria alguma polêmica e me surpreendi ao perceber que houve mais aceitação do que reclamação. Agradeço por terem confiado e por entenderem o caminho seguido.
Comentem mais! Adoro! :)
Beijos e obrigada pela atenção e carinho com a história!
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