Notas iniciais
OBS: O capítulo é opcional, cabe a você, leitor optar por lê-lo ou não. Este capítulo serviu apenas parar tentar explicar o que aconteceu com Fernando. Caso opte por não lê-lo... bem... né...leia a parte do Neurologista que tu vais saber o que aconteceu -q
Fiquei pensando durante o dia sobre está história... Não sei se vocês estão esperando cenas quentes e tals, mas, sinceramente, elas vão demorar pra vir...
eu estou escrevendo ela com um tipo de escrita que não é meu... [o conto que tem dentro deste capítulo mostra o meu estilo de escrita]... e fica difícil e tals... não que eu esteja me queixando, mas eu não quero iludir vocês...

Pequenos barulhos faziam-se presentes no quarto, desde sons agudos e baixos a barulhos de objetos de grande porte sendo arrastados. Abri meus olhos e vi que Sara estava olhando para uma planilha em frente a minha cama enquanto arrumava alguns objetos.

– Opa, eu te acordei? – Sua voz era suave e delicada.

– Sim, mas tudo bem. Tenho o dia todo para dormir. – Um leve sorriso formou-se em sua face.

– Bem, agora que já está acordado podemos conversar. Os teus exames ficaram prontos e, particularmente, estou impressionada com a tua recuperação, acredito que ficarás mais uns dois ou três dias aqui e já poderá ir para casa, sem o gesso.

– Gostei da notícia, mas eu terei que fazer fisioterapia?

– Acredito que sim, devido aos pinos, mas é tranquilo. Outra coisa, o Neurologista já chegou, quer que eu o chame?

– Por favor. – Nós trocamos um leve sorriso de despedida e ela saiu de meu quarto.

Olhei pela janela e vi que o céu esteva nublado. As árvores balançavam freneticamente contra o vento e as pessoas corriam pelas ruas para fugir da chuva que se aproximava.

Assim que virei meu rosto para a porta o Neurologista entrou em meu quarto. Ele era alto, com cabelos castanhos escuros e seu óculos estava quase caindo de sua face.

– Bom dia Fernando.

– Bom dia doutor Sebastian. – Olhei em seu crachá.

– Então, qual o motivo de você ter me chamado? – Disse ele enquanto se sentava em uma cadeira ao lado de minha cama.

– Eu queria te fazer umas perguntas sobre a nossa capacidade de sonhar.

– Sonhou enquanto estava dopado?

– Dopado? Achei que estava em coma.

– Não, o coma só acontece quando há alguma lesão no cérebro. O que não aconteceu no seu caso. Você foi dopado para não sentir muitas dores e como esteva respondendo bem há recuperação, nós optamos por mantê-lo sedado por mais um tempo.

– E como é possível que eu tenha sonhado enquanto eu estava grogue?

– Bem, os medicamentos inibem os receptores de dor e fazem com que você durma. Isso não quer dizer que sua mente irá travar. Ou seja, é possível que se sonhe enquanto esteja dopado, mas, talvez, não se possa sonhar enquanto está em coma. Não existe um estudo, mas como o cérebro, no coma, não passa pelo REM, por estar debilitado, acredita-se que não se sonhe. Mas são apenas hipóteses. Como todo o resto – Disse baixinho. — Por quê? – Ele ajeitou o óculos.

– Eu tive um sonho bem real. E, pelo que meus amigos me disseram, eu comecei a sonhar do ponto que o acidente aconteceu.

– Entendo. Quer dizer que o seu subconsciente escolheu este momento para iniciar um sonho.

– Quer dizer que poderia ser qualquer outro?

– Sim, inclusive, seu sonho poderia ter virado um pesadelo, o que não seria bom. – Fizemos uma pausa. – É estranho não? Quando achamos que o que aconteceu no sonho é real, mas na verdade não é. Isso me magoa. Enfim. – Disse ele se levantando. – Não posso ficar muito tempo, qualquer coisa é só me chamar ok?

– Tudo bem, obrigado doutor Sebastian. – Ele sorriu e saiu do meu quarto.

Deitei minha cabeça e peguei um livro que estava na cômoda ao meu lado. Na capa estava escrito “Resumo de uma tempestade”. Abri o livro em uma página qualquer e comecei a ler.

“Os sinos esmagadores da igreja soavam, enquanto os pássaros que pairavam sobre ela mudavam a direção de seu voo. Eles, os sinos, empurravam o vento, fazendo-o rodar, brincavam como se ele fosse insignificante, como não estivesse lá. Eles vibravam carregando a dor que planava sobre o vilarejo, sobre cada pessoa, cada animal, cada sentimento. Os sinos simbolizavam o fim, o inicio do terror.”

“Mais uma noite havia iniciado e, com ela, mais um momento de pânico, aflição e agonia assolaria a pequena cidade. Os aldeões corriam de um lado para o outro da pequena vila, carregando ferramentas, erguendo estacas, fechando os portões e purificando os arredores da cidade com sal grosso. Eles não sabiam o que os ameaçava, não sabia se era humano ou se era do mundo espiritual, mas sabia que toda noite algo diferente acontecia. Algo que faria o mais destemidos dos homens sentir medo.”

“Rebecca estava sentada nas escadas da porta de sua casa, esperando que seus pais voltassem dos campos de colheita com as toras de madeira para colocar fogueira e aquecer a casa. Ela olhou para cima esperando encontrar motivos para sorrir e se acalmar, mas notou que todo o céu estava coberto pelas nuvens carregadas de chuva. Exceto por uma pequena falha que mostrava uma parte da lua, ela esteva no centro do céu, cheia e com um leve tom de vermelho escuro. Mas a lua não apaziguava Rebecca, ela estava assustada, com um sentimento de amargura e preocupação contraindo seu peito.”

“Ela, em um momento de coragem, se colocou de pé e caminhou rumo a uma das saídas do vilarejo. Foi difícil chegar até lá, afinal, com a movimentação apressada dos moradores, era necessário desviar dos que se aproximavam e dos objetos que carregavam.”

“Quando aproximar-se da saída um dos guardas a barrou, “O que vocês vai fazer fora da aldeia pequena garotinha” disse o guarda com uma voz grave. “Vou procurar meus pais, eles ainda não voltaram dos campos de colheita” disse Rebecca timidamente. O guarda assentiu e disse que chamaria alguém para acompanha-la. No entanto Rebecca não queria companhia, ela não precisava que alguém a carregasse e servisse de sua baba.”

“No momento que o guarda deu as costas para contatar outro guarda ela saiu correndo em direção aos campos. Correu como nunca correra antes, se distanciando dos gritos abafados e graves do guarda com quem falara.”

“Ao chegar ao campo em que seus pais estariam ela viu ninguém lá. “Será que eles já voltaram?” pensou em voz alta. Ela caminhou até o meio do campo e gritou por seus pais. Ninguém respondeu. Decepcionada por não ter chegado a tempo de ajudar ela se virou para caminhar de volta ao vilarejo.”

“No momento em que deu o primeiro passo ela olhou para frente e pode ver três silhuetas paradas mais a diante. Elas eram de pessoas adultas, mas isto era tudo que Rebecca conseguia ver. “Quem é?” ela perguntou um pouco alto, mas nenhuma delas respondeu. Os três seres derem alguns passos, chegando mais perto dela. Mas mesmo estando mais próximas elas ainda continuaram escuras, como se não tivessem cor. “Nós somos a tempestade pequena criança” disse a silhueta do meio enquanto se apoiava no companheiro da direita. “Eu não entendi” disse Rebecca de forma tímida. “Nós somos O Raio, O fogo e a Chuva” disse a sombra que estava mais a esquerda.”

“Rebecca não entendia, como poderia a tempestade ser assim, como poderia possuir forma humana? “E o que vocês querem?” perguntou Rebecca em um ato de coragem. “Nos divertir” disseram os três em uníssono.”

“As três silhuetas desapareceram assim que uma rajada de vento percorreu o campo e balançou as roupas de Rebecca. Ela, que não compreendia o que estava acontecendo, mas precisava avisar a todos da aldeia. Ela correu o mais rápido que podia, cruzando e desviando das árvores; árvores que conhecia tão bem, cheias de musgo, rachaduras e pequenos insetos, mas, um pouco antes de chegar à vila, ela se chocou contra algo que ela não se lembrava de existir ali, algo grande e peludo.”

“Ela olhou para cima para ver o que havia atingido e notou que dois grandes olhos amarelados olhavam para ela. Eles olhavam além do físico e emanavam um sentimento diferente, como se despertassem medo. Eles pertenciam há uma fera gigantesca, um lobisomem que se encontrava parada em frente à Rebecca. Ela estava encurralada, não havia como fugir.”

“A grande besta olhou para os olhos de Rebecca e, com um olhar calmo, apontou para a clareira. Ela estava mandando-a voltar, mas como ela poderia voltar, seus pais ainda não haviam voltado e o guarda provavelmente estava a procurando. Ela balançou a cabeça de forma negativa, apontando para a aldeia. A criatura piscou algumas vezes, cerrou os olhos e rugiu para ela, apontando novamente para a clareira. Assustada e com medo devido ao rugido, Rebecca correu de volta para a clareira.”

“Ela estava percorrendo o caminho até o centro da clareira, mas, antes de chegar até ele, acabou tropeçando em uma raiz. Ela voltou suas costas para o chão e escutou um relâmpago cortar o céu, seguido de um trovão. A chuva começou a cair. Sua roupa começou a ficar molhada, mas não era algo com que ela se importasse. Ela olhou para a direção da vila e viu que os raios atingiam apenas o vilarejo.”

“Rebecca não conseguia conter seus gritos, pensando em sua família, eu seus amigos, tudo estava perdido. Ela se pôs de pé, mas voltou a cair quando escutou um enorme rugido vindo da aldeia. O rugido não foi o único motivo que a assustou, os gritos provindos de dentro da vila contribuíram para o pavor da pequena criança. Ela sabia, a carnificina havia iniciado.”

“Lágrimas despencavam de seu rosto, ela estava presa, não poderia fazer algo, não poderia ajudar. Se tentasse ela iria morrer. Rebecca olhou para o chão, procurando algo que nem mesmo ela sabia o que era e notou que a raiz que havia tropeçado estava se mexendo. Ela olhou para o lado e notou que uma grande árvore, de troncos grossos, saindo da floresta e caminhando até onde ela estava. A árvore parou ao seu lado e esticou um galho que parecia ser sua mão. Rebecca, ainda com medo e achando aquilo estranho, aceitou a ajuda. Afinal, ela não tinha mais nada a perder.”

“A árvore deu dois passos na direção oposta e parou de se mexer. Rebecca olhou para ela tentando entender o que havia acontecido e em seguida olhou para onde os olhos da antiga árvore estavam apontados. Uma enorme silhueta de dragão estava cruzando os céus. Ele passou por onde os dois estavam e, talvez por não ter os visto, voou rumo à aldeia, enchendo seus pulmões de ar e cuspindo fogo quando chegou perto o suficiente. Os olhos de Rebecca se encheram de lágrimas e involuntariamente ela olhou para a árvore anciã, entretanto ela olhava para o chão, sentindo a dor da pequena garota, sentindo a dor de não pode ajudar.”

“Os dois não trocaram uma palavra, ambos sabiam que o outro não faria o mal, e que juntos, Rebecca estaria a salvo. Em silêncio, a árvore a colocou em um de seus galhos mais altos e, juntos, caminharam para dentro da floresta, para um lugar mais tranquilo, fora de perigo.”


“Os sinos simbolizavam o fim, o inicio do terror. Mais uma noite havia iniciado e, com ela, mais um momento de pânico, aflição e agonia assolaria a pequena cidade. Os aldeões corriam de um lado para o outro da pequena vila, erguendo estacas, fechando os portões e purificando os arredores da cidade com sal grosso. Eles não sabiam o que os ameaçava, não sabia se era humano ou se era do mundo espiritual, mas sabia que toda noite uma pessoa morria.”

“Rebecca estava sentada nas escadas da porta de sua casa, esperando que seus pais voltassem dos campos de colheita com as toras de madeira para a fogueira. Ela olhou para cima e notou apenas a lua não estava tapada pelas nuvens, ela esteva no centro do céu, cheia e iluminava uma parte da aldeia. Mas a lua não acalmava Rebecca, ela estava assustada, com um sentimento de amargura e preocupação.”

“Ela, em um momento de coragem, se colocou de pé e caminhou rumo a uma das saídas do vilarejo. Foi difícil chegar até lá, afinal, com a movimentação apressada dos moradores, era necessário desviar dos que se aproximavam e dos objetos que carregavam.”

“Quando aproximar-se da saída um dos guardas a barrou, perguntando o que ela iria fazer fora da aldeia. De forma tímida ela respondeu que iria procurar pelos seus pais, que ainda estava nos campos de colheita. O guarda assentiu e disse que chamaria alguém para acompanha-la. No entanto Rebecca não queria companhia.”

“No momento que o guarda deu as costas ela saiu correndo em direção aos campos. Correu como nunca correra antes, se distanciando dos gritos abafados do guarda com quem falara.”

“Ao chegar ao campo em que seus pais estariam ela viu ninguém lá. ‘Será que eles já voltaram?’ pensou. Ela caminhou até o meio do campo e gritou por seus pais. Ninguém respondeu. Decepcionada por não ter chegado a tempo de ajudar ela se virou para caminhar de volta ao vilarejo.”

“Mas no momento que se virou ela pode ver três silhuetas paradas mais a diante. ‘Quem é?’ ela perguntou um pouco alto, mas nenhuma delas respondeu. Os três seres caminharam até mais perto dela, mas ainda continuaram em contato com a sombra. ‘Nós somos a tempestade pequena criança’ disse uma das vozes. ‘E o que vocês querem?’ perguntou Rebecca de forma tímida. ‘Nos divertir.’ Disseram os três em coro e uníssono.”

“As três silhuetas desapareceram assim que uma rajada de vento percorreu o campo. Rebecca, que não entendia o que estava acontecendo, correu de volta para a vila. Ela cruzou as árvores que conhecia tão bem, cheias de musgo e rachaduras, mas, um pouco antes de chegar à vila, se chocou contra algo que ela não se lembrava de estar ali, algo grande e peludo.”

“Ela olhou para cima e notou que dois grandes olhos amarelados olhavam para ela. Eles olhavam além do físico e emanavam um sentimento diferente, como se despertassem medo. Eles pertenciam há uma fera gigantesca que encontrava-se parada em frente a Rebecca. Ela estava encurralada, não havia como fugir.”

“A grande besta olhou para os olhos de Rebecca e apontou para a clareira. Ela estava mandando-a voltar, mas como ela poderia voltar, seus pais ainda não haviam voltado e o guarda provavelmente estava a procurando. A criatura rugiu para ela e apontou novamente para a clareira. Assustada pelo rugido e por tudo que tinha visto naquele dia, Rebecca correu de volta para a clareira.”

“Ela estava percorrendo o caminho até o centro da clareira, mas, antes de chegar até ele, acabou tropeçando em uma raiz. Ela voltou suas costas para o chão e escutou um relâmpago cortar o céu, seguido de um trovão. A chuva começou a cair. Sua roupa começou a ficar molhada, mas não era algo com que ela se importasse. Ela olhou para a direção da vila e viu que os raios atingiam apenas o vilarejo.”

“Rebecca não conseguia conter seus gritos, pensando em sua família, eu seus amigos, tudo estava perdido. Ela se pôs de pé, mas voltou a cair quando escutou um enorme rugido vindo da aldeia. O rugido não foi o único motivo que a assustou, mas os gritos provindos de dentro da vila foram o real motivo. A carnificina havia iniciado.”

“Lágrimas despencavam de seu rosto, mas ela estava presa, não poderia fazer algo, não poderia ajudar. Se tentasse ela iria morrer. Rebecca olhou para o chão, procurando algo que nem mesmo ela sabia o que era e notou que a raiz que havia tropeçado estava se mexendo. Ela olhou para o lado e viu uma grande árvore, de troncos grossos, saindo da floresta e caminhando até ela. A árvore parou ao seu lado e esticou um galho que parecia ser sua mão. Rebecca, ainda com medo, aceitou a ajuda.”

“Os dois não trocaram uma palavra, ambos sabiam que o outro não faria o mal. E, em silêncio, a árvore a colocou em um de seus galhos mais altos e, juntos, caminharam para dentro da floresta, para um lugar mais tranquilo.”

– Gostou do livro?

– Mas que droga! – Gritei enquanto me encolhia em cima da cama.

– Opa, desculpa, não sabia que esteva tão concentrado. – Sara abriu um largo sorriso

– Sem problemas. – Dei uma risada. – Sim, o livro é muito bom.

– Que bom que tu gostaste, eu que o escrevi. Acabei deixando ele aí em cima sem querer. Bem, vim trazer teu almoço. — Sara colocou a bandeja em meu colo e eu devolvi o livro para ela.

– Vou querer uma cópia dele ok?

– Sem problemas. – Ela riu. – Bem, mais tarde eu volto aqui, até mais.

Sara deu as costas e eu comecei a comer o almoço que ela havia trazido. A comida era melhor que ontem, e veio em maior quantidade. Mas como as pessoas gostam de me atrapalhar, quando esteva cortando a carne, notei que a porta do meu quarto foi aberta violentamente.

Matheus entrou em silêncio, colocou sua mochila em cima de uma cadeira e olhou para mim. Larguei meus talheres e olhei para ele.

– Estou com fome! – Disse ele mirando minha carne.

– Ah não, nem vem. Já basta tu acabar com os miojos lá de casa, vai até a lanchonete. – Falei enquanto ria de forma sínica.

– Já fui, já almocei e ainda estou com fome.

– Normal. – Falei enquanto mastigava minha carne e fazia uma cara de prazer para ele.

Matt não tinha ido me visitar, ele tinha ido me fazer sofrer com as matérias novas do colégio. Nós ficamos estudando durante seis horas, revendo matemática, física e outras matérias de pouca importância. Por mais que tenha sido pouco tempo eu havia conseguido pegar metade da matéria, deixando o resto para outro dia.


Notas finais
IMPORTANTE:
Alguém tem algum parente médico? Eu dei uma de Julio Verne e fiquei pesquisando pra não colocar coisas idiotas neste cap, mas queria que algum neuro me esclarecesse algumas coisas... aceito uma ajuda aushasuhas...
E sim, adoro colocar uma história dentro de outra história...