Enquanto Ela Partia

2 Pode beijar a noiva!


Um belo altar havia sido montado sobre o gramado, Samantha caminhava sobre um tapete de pétalas de rosas para chegar até o bonito rapaz que nele a aguardava. De braço dado com o pai, se lembrou de quando ainda era uma pequena menina a correr por ali, perdera a conta de quantas vezes feriria os joelhos e fora carregada para dentro por aqueles mesmos braços.

— Papai, me carregue de volta agora… — sussurrou como quem fazia uma prece.

— O que disse, querida? — Ernesto não havia entendido as palavras da filha.

— Não foi nada, esqueça — tranquilizou o velho pai com um sorriso gentil.

— Desde quando fala sozinha, mocinha? — riu, enquanto terminavam o percurso.

A pergunta ficou sem resposta, o pai se pôs a desvencilhar sua mão do braço e foi entregá-la ao noivo. Benjamin sorriu ao repousar seus dedos sobre os dele.

— Está tremendo, minha bela — notou o rapaz. — Eu lhe entendo, também estou tomado de emoção!

Ninguém entende, pensou. Mas optou por sorrir antes que as palavras lhe escapassem pelos lábios.

Benjamin não merecia ser magoado. Não lhe fizera nenhum mal, muito pelo contrário. Era um ótimo homem, considerado por todos um bom partido. Eram amigos desde a infância, sempre fora uma boa companhia, a ajudava, cuidava dela e a fazia rir.

Fora naquele mesmo gramado que seus lábios tocaram os dela pela primeira vez. Talvez tenha sido até mesmo onde o altar está agora, imaginou.

Há meses atrás a lembrança afagaria sua alma, mas nesse instante apenas inquietava seu coração. Por que as coisas mudaram tanto? Porque a insegurança inunda agora o meu ser?, a cada palavra dita pelo Sacerdote, Samantha ficava mais confusa.

“O casamento torna o casal uma só carne, é a mais sublime confirmação do amor entre duas pessoas…” as pessoas ouviam com atenção, radiantes em celebrar a união de dois jovens tão promissores.

Eu gosto de ter minha própria carne… Samantha sentiu as lágrimas chegando e usou toda sua concentração para contê-las, quando deu por si, o Sacerdote estava a dizer: — Pode beijar a noiva!

Um novo beijo no mesmo lugar… o primeiro a deixou borbulhante de felicidade, para esse, só havia o vazio.

Os convidados aplaudiam, tão imersos em sua própria satisfação que ela já não precisava segurar o pranto.