A festa estava magnífica! A senhora sua mãe caprichara tanto que, por um instante, Samantha deixou de lado os fantasmas que a perturbaram durante toda a última estação. Dançou com o pai, e o mesmo estava tão radiante que a inundou no brilho do seu enorme sorriso, fazendo-a brilhar também. Brindou com a mãe e as tias, permitindo que Helena se gabasse de tê-la casado com Benjamin, a quem chamou de “o melhor rapagão da cidade”. Recebeu o afago das crianças, as meninas colocaram flores em seus cachos e os meninos disseram que também queriam casar com ela.

Tudo ia bem, até que Ernesto chamou a atenção de todos para um brinde especial.

— Um minuto da sua atenção, senhoras e senhores — pediu, tocando a taça com uma pequena colher, fazendo-a tinir. — Não é todo dia que entregamos a outro homem uma das mulheres de nossas vidas, não é mesmo? A ocasião pede algumas palavras.

Os convidados gesticulavam e riam com prazer, o pai tinha um carisma natural que conquistava as pessoas.

— Ainda me lembro do dia em que Helena me anunciou sua gravidez — Ernesto prosseguiu. — A maioria dos meus colegas pediriam por um menino, mas eu não. Orei ao Senhor que me abençoasse com a imagem e semelhança de minha adorada esposa. E então veio Samantha… e Deus mostrou-me que me amava muito mais do que imaginei. Minha filha é meu maior orgulho. Doce e gentil. Espirituosa e inteligente. Um brinde à Samantha! E à enorme sorte que Benjamin possui agora que a tem!

Todos aplaudiram, Benjamin afagou sua nuca e beijou-lhe a testa. Em seguida estendeu a mão para uma dança. Era chegada a hora da valsa dos noivos. Ele rodopiou com ela, enquanto os músicos tocavam, as palavras do pai haviam deixado a noiva tão feliz, que finalmente ela via no noivo o rapaz por quem era apaixonada desde que virara moça.

Quando a valsa acabou, uma voz estridente ecoou.

— Não acredito que perdi a cerimônia! Venham cá, deixe-me felicita-los!

Samantha queria crer que não era quem achava que era, mas a voz de Benjamin invadiu-lhe os ouvidos em um sussurro.

— Eu não sabia que havíamos convidado Tia Leopoldina…

— Não fui eu — respondeu. — É claro que não fui eu!

Teria sido a mãe? Não. Não podia ser. A senhora Helena também não suportava a tia. Dizia que a incomodava a mania da velha de sempre futricar o que não lhe dizia respeito… Oh, não!, pensou. Se ela ficar no antigo quarto de vovó, encontrará o diário?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.