Enfrentando o destino

2 Que comece o Jogo


Notas iniciais
Se você quer sobreviver aqui lembre-se de que é necessário confiar nas pessoas certas.

Chegamos ao acampamento, já devia ser uma três da tarde, sol estava radiante, eu não me lembro de ver um lugar tão bonito assim na minha vida, era como se fosse feito especialmente para mim, o cheiro das flores vagava no ar, era fantástico existir um lugar assim, tinha jovens correndo, conversando, era um lugar totalmente normal com adolescentes brincando, até que a gente passou por algo parecido uma parede de escaladas mais tinha alguma coisa de diferente... Ah sim! Ela tinha larva descendo dela, confesso que me assustei e imaginei quem seria louco o suficiente para subir naquilo.
Estávamos indo para a maior casa que tinha lá, enquanto passávamos eu estava praticamente sendo carregada pela garota loira acho que seu nome é Beatriz, e meu amigo Léo estava super animado nem parecia que tinha sido arremessado daquela forma, ele estava muito feliz parecia que já havia estado lá há muito tempo, eu não consegui entender mais os olhos dele brilhava como alguém que retorna para casa depois de ficar anos fora. E então me deparei com uma das maiores casas que eu vi, na verdade parecia uma mansão, simplesmente era esplêndida, de dentro da casa saiu um homem de barba mal feita, com uma cadeira de rodas, tentei imaginar quem ele seria... Ele nos observou e sorriu como se tivesse esperando a nossa chegada.
A garota loira me olhou e perguntou:

–Consegue andar ?

Eu consegui parar e sentir minha perna, o machucado não estava doendo como antes, dava para mim ficar em pé.

– S-sim eu consigo.

Ela pareceu menos preocupada. O homem nos convidou para entrar, era impressionante por dentro, tinha armaduras, estatuas de herois gregos, tentei lembrar o nome deles, mas as palavras se embaralhavam em minha cabeça, acho que por causa da minha dislexia tudo se tornava mais dificil. Entramos em uma sala e sentamos no sofá fiquei observando inquieta, esse foi um dia nada comum, perguntas latejavam em minha cabeça, eu piscava várias vezes para tentar ver se era tudo um sonho. O homem me olhou e baixei a cabeça como se quisesse evitar olhar para os olhos dele, mas não pude evitar ele carregava um olhar pesado, o sentimento que tinha em seu olhar era pena, e acho que era pena de mim. Ele começou a falar:

– Sei que tem várias dúvidas sobre o que aconteceu, mas garanto que a partir de hoje a sua vida será cheia de aventuras, sou Quíron, mas você terá tempo para perguntas depois, por enquanto peço para que Beatriz te leve a enfermaria para que possa tratar do joelho, você passará a noite no chalé de Hermes... Alguma dúvida?

Apesar de todos os acontecimentos, segui Beatriz até a enfemaria, onde passaram uma pomada e depois de alguns instantes não tinha mais machucado nenhum minha perna estava normal, não me assustei com isso depois de tudo que eu vi não tinha como ficar surpresa com uma coisa tão simples... Beatriz me deixou em frente ao chalé de Hermes e disse:

– Não se preocupe, no começo foi assim para mim também, você vai acabar gostando daqui.

– Eu realmente espero que sim. Eu disse aquilo com um sorriso forçado.

Bati na porta e uma garota abriu com um grande e largo sorriso, parecia estar feliz, ela me puxou para dentro e começou a falar:

– Olá!

– Oi...

– Sou a Eloísa conselheira de Hermes, vou te levar até o quarto.

E ele continuou me olhando, mas era de um jeito meigo, e eu ficava me perguntando aonde é que estava o Léo o único amigo que tive durantes esses anos.
No quarto tinha beliches, pelo que notei não dormiria sozinha naquela noite, o chalé de Hermes estava lotado de jovens correndo de um lado para o outro, eu abri a porta e me sentei na varanda e comecei a pensar em tudo que ouvi nesse dia, queria acreditar que era um pesadelo, e no que a Beatriz falou sobre eu ser filha de um “Deus”, quem seria essa pessoa que passou anos longe de mim? Então eu entrei e me deitei. Tive um sonho estranho se é que posso falar que foi um sonho, estava em uma floresta com uma armadura dourada segurando uma espada, logo ao meu lado estava Beatriz segurando sua espada, a expressão dela era de pânico, ao lado dela estava Léo mais ele estava diferente com pernas... P-pernas de bode, aquilo foi muito estranho, até que Caique chegou e me puxou pelo braço e falou pra mim se esconder enquanto um garoto com características asiáticas estava distraindo o monstro, que mais parecia com uma espécie de vampira peluda de uma perna, não sei como explicar, mais a aparência dela era horrível, o garoto asiático tentou distrair ela á ponto dela descer, no momento em que ela desceu Beatriz investiu um golpe certeiro nela fazendo com que ela virasse poeira, Beatriz olhou para o menino asiático com total desprezo como se ele não tivesse feito nada demais...

Quando acordei, estava desnorteada não sabia muito bem o que tinha acontecido e nem por que estávamos naquela floresta, me troquei e fui para fora, Léo estava sentado na varanda, eu o olhei e sentei ao seu lado, imaginei se o sonho que eu tive fosse mesmo real e se Léo tivesse pernas de bodes? Vou tentar não acumular informação demais...

– Ei, como você está se sentindo? Ele me perguntou com um olhar tristonho o que foi estranho por que nunca o virá assim.

– Eu estou bem, só um pouco confusa, mas bem... Tentei forçar um riso pra ver se ele sorria, mas não tive sucesso.

– Hoje você finalmente vai participar do caça a bandeira...

– Como assim? Não me lembro de ser informada disso.

– Vai ser legal, faz tempo que não vejo semideuses participando do caça. Ele finalmente sorriu, mas o medo de saber o que viria depois daquele sorriso tomou meu coração.
E então eu vejo uma garota loira correndo para a varanda onde eu e Léo estávamos sentados, era Beatriz ela me olhou e falou:

– Lore preciso falar com você a sós.

– Tá...

– Sem ninguém. Ela olhou friamente para Léo, foi uma indireta entregue com sucesso se posso assim dizer.

– Ok, eu saio, papo de garotas já saquei!

– Des-culpa Léo.

Ela me puxou pelo braço e fomos até os estábulos, digamos que lá não era um lugar cheiroso, mais os cavalos eram lindos, só um pouco... diferentes, pois eles tinham asas, mas eram criaturas maravilhosas, sem mais delongas ela começou a me fazer um questionário:

– Você já usou alguma arma?

– É não...

– Você sabe ao menos lutar?

– Só um pouco.

Eu sabia lutar um pouco por causa do meu pai ele era policial e me ensinava nos tempos livres.

– Consegue pelo menos segurar um escudo?

– Eu acho que sim.

– Certo, nós temos que preparar você para o caça, quero fazer com que nunca se esqueça dele, queria que tivessem feito isso comigo...

Quando eu menos percebi ela arrancou uma espada de dentro de um monte de feno e me entregou não era nem dez da manhã e estava treinando com Beatriz sem nem ter tomado café da manhã, ai meu estomago agüenta por favor!
Ela começou a me ensinar os pontos que devo acertar para que o adversário perca os sentidos e cai de cara no chão o que foi muito legal, também aprendi uns golpes de auto defesa, eu já estava ficando exausta e meu estomago não ajudou muito.
E lá estava eu e Beatriz treinando, quando uma flecha passou raspando por minha cara acertando o monte de feno, se eu me assustei com aquilo, lógico que não... já não sentia meu coração batendo. Era o Caique e ele estava rindo da minha cara, não duvido disso.
– Qual o seu problema? – Beatriz falou com uma voz feroz, parecia estar preocupada.

– Só vim avisar ninguém vence de estomago vazio.
Não sei se ele era médium mais leu meus pensamentos.

– Vamos então, acho que treinamos muito. – Eu disse aliviada.

Estava voltando sozinha para o chalé de Hermes, quando uma garota me derrubou e começou a rir, seu olhar era como se ela estivesse orgulhosa do que tinha acabado de fazer.

– Não sabe pedir licença, não! – Eu a fitei com um olhar raivoso

– Ah, querida você tem que sair do caminho quando eu Evelyn filha de Ares estiver passando. Com certeza você deve ser filha de Hera.

Já estava percebendo que não seria fácil aturar essa garota. Levantei-me e deixei-aela falando. Ela se virou tirou uma adaga de dentro de sua bota e investiu contra mim, me deixando sem reação, eu aproveitei enquanto ela olhava para meus olhos e falava e dei um dos golpes de defesa que havia acabado de aprender com Beatriz, consegui lançar ela ao chão com uma rasteira e arranquei a adaga de sua mão. Um garoto passou e olhou para nós como se fosse normal aquela cena de duas garotas lutando, mas vi que ele era o garoto asiático do meu sonho, acabei baixando a guarda e ela me acertou na barriga, eu me inclinei para trás e estava com tanta raiva daquela menina que avancei em contra partida, ela tentou me acertar novamente com um chute, mas eu desviei e passei a adaga em seu braço deixando um arranhão. Naquele instante Beatriz e Caique correram na minha direção parecia que estavam me procurando e quando Beatriz passou ao lado do garoto asiático pude sentir um clima pesado pairando sobre os dois e ocorreu uma troca de olhar nada amistosa entre eles.

– Lore você está bem?

– Sim, mas eu acho que ela não... Cadê? – A garota com quem eu tinha acabado de lutar sumiu em meio aquela distração.

– Ela quem? – Beatriz falou me questionando.

– Não lembro. – Na verdade eu lembrava mais não queria arrumar problemas.

– Então vamos, você ainda não tomou café da manhã... Deve estar com fome.

Fomos caminhando até o refeitório onde todos os campistas estavam reunidos, cada um sentado na mesa de acordo com seu chalé, e obiviamente eu deveria me sentar no chalé de Hermes já que estava alocada lá, preparei meu prato com cupcake de chocolate, um pedaço de torta, uma maçã e um copo de suco de laranja, enquanto estava terminando de preparar a garota filha de Ares passou ao meu lado e sussurrou:

– Nada mal para uma novata.

Senti um calafrio percorrer a mia espinha, mais a ignorei e caminhei junto com Caique ele me falou que devo ofecer um pouco da minha comida aos Deuses como forma de agrado, isso foi um pouco estranho, mas mesmo assim ofereci minha maçã que parecia tão apetitosa, e me sentei junto com Eloisa na mesa de Hermes.

– Está gostando de ficar aqui ?

– Sim, é legal. – Eu lembrei que passava a maior parte da minha vida com meu pai e com Léo meu único amigo depois que meu pai faleceu.

– Olha eu posso te dar algumas dicas, eu sei que tem muitas dúvidas, mais vou te explicar uma coisa. Nós somos filhos de Deuses com mortais e esse acampamento é feito para nos proteger de certas criaturas, como posso ser mais especifica ?

– Ahn... Monstros ?

– Sim, isso mesmo, e nós somos os alvos deles. Enfim, a partir do momento que você descobre que é um semideus sua vida não é mais a mesma, você começa a correr perigo, mas aprende muitas coisas legais também.

– Entendi... Mais que coisas legais ?

– Você aprende a usar seus dons de semideusa, a partir do momento em que seu pai ou mãe imortal te aceita como filho.

– Agora eu fiquei confusa em saber quem é minha mãe ? – Sei que é difícil, mas ela ainda tem que me aceitar depois de tudo o que eu passei. Não posso acreditar nisso, eu achava que ela estava morta, meu pai me falava de como se apaixonaram, mais ele evita falar detalhes.

Eu me levantei depois de digerir tudo, e caminhei até aonde todos os outros se reuniram, Quíron estava falando que era para se prepararmos que o caça a bandeira vai começar. Nesse exato momento, todos os campistas correram para se equipar, dava para sentir a animação de cada um, vesti a armadura e nos posicionamos, Beatriz nos deu as instruções e me colocou como praticamente lanterninha da bandeira, tive que ficar vigiando a bandeira mais dois garotos, Thalles e Caique, os dois estavam atentos a qualquer ataque surpresa, menos uma bomba de gás que foi jogada para perto dos dois e fez com que eles desmaiassem, de trás das árvores saiu um garoto com mais bombas na mão e ao seu lado estava Evellyn a garota que me atacou hoje de manhã. Ela me olhou com um sorriso de quem acabará de ganhar o mundo.

– Ora, ora, ora... Acho que deixaram uma cabeça de brinde nesse caça.

– Você não vai conseguir roubar a nossa bandeira. – Eu falei com um tom nada confiante.

– Felipe, vá ao encontro dos outros, deixa que com essa eu acabo.

– S-sim.
O garoto correu, e sumiu dentre as árvores. Eu segurei a minha espada, ela investiu um ataque para mim, e eu desviei dando uma cutuvelada nas costas dela, quando me virei para chuta-lá ela puxou meu pé fazendo com que eu fosse ao chão, a adaga dela estava quase ao encontro de meus olhos, eu contra ataquei com a minha espada e a adaga foi lançada para longe, ela apertou o botão de uma caneta que se transformou em uma lança, eu olhei aquilo e pensei “covarde” e tentei desviar do golpe, ela me desarmou, nesse momento eu fiquei com muita raiva e só conseguia desviar dos golpes, ela me derrubou novamente no chão, mas do nada as raízes do solo começaram a subir fazendo com que ela ficasse preza entre elas, com isso ela foi lançada com muita força de encontro a uma árvore e os troncos da árvore se drobaram e fizeram com que ela ficasse presa, eu não sabia o que tinha acontecido, mas senti minhas costas queimarem, Beatriz chegou com a bandeira do outro time e me encarou e disse:

– Você fez isso?

– Não sei, simplesmente surgiram.

As minhas costas estavam ardendo, mas eu não podia falar nada naquele momento, todos chegaram ao nosso encontro, tentei disfarçar o máximo que eu pude. Todos ficaram perplexos com a vitória do time vermelho.

Notas finais
O destino tende a ser cruel para nós meio-sangues, ele te persegue não importa o quanto eu não queira carregar o meu fardo, terei que estar preparada para enfrentar as consequências por algo que nem eu mesma serei capaz de suportar.