Notas iniciais
Leitores lindos!! Eu já falei que tenho os leitores mais queridos do Nyah? Já, né! Mas falo de novo!
Aviso importante: eu MUDEI a classificação etária da fic! Depois que terminei esse cap. 9, precisei fazer isso. Se alguém tiver algum problema ou impedimento com relação a isso, me desculpe! Mas os personagens têm vida própria dentro de mim, sabe? Daí eles acabam fazendo coisas que não estavam previstas inicialmente... hehehehe
E, quando fui mudar a classificação da história, percebi que ganhei mais duas recomendações! Das leitoras Princess Dance e Laly04Pixie!! Meninas, obrigada!! Nem sei como agradecer o carinho de vocês, e espero continuar correspondendo à expectativa.
Esses são os avisos de hoje! Vamos ao capítulo, que eu sei que vcs estão curiosos com os crimes do Cebolitos!!
Boa leitura!

Capítulo 9

Revelações


Mais do que amor,

do que dinheiro, do que fé,

do que fama, do que justiça,

deem-me a verdade.

Thoreau



– Isso mesmo, Mô. Você deu o fora no careca.

– E por que eu faria uma idiotice dessa? Se tudo o que eu mais queria era namorar com ele?

– Isso ninguém nunca soube. Um dia, vocês estavam um grude só, e no dia seguinte você deu um fora nele.



– E eu nunca expliquei o porquê disso pra ninguém?

– Não.

– Eu tava gostando de outra pessoa?

– Se tava, nunca contou pra ninguém.

– Mas você concorda que isso é muito estranho?

– Demais, uai.

– Mas nem continuamos amigos depois disso?

– Continuaram melhores amigos, como sempre foram. Até que você começou a namorar o DC.

– E como foi que a gente começou a namorar?

– Ele foi fazer intercâmbio no Japão em 2013. Ficou lá um ano e meio. E quando voltou, vocês começaram a namorar logo em seguida.

– Então o fora que dei no Cê não tem nada a ver com o Do Contra?

– Não. Você dispensou o careca alguns meses antes de o DC ir morar fora. E não rolou nada nesse período entre vocês. Até o dia em que o DC partiu, vocês eram só amigos.

– Ainda continuo sem entender por que eu dispensei o Cebola.

– Uai, o amor acabou, sei lá. Pode ter sido tanta coisa. Mas, o que quer que você tenha sentido, foi um sentimento que você guardou pra si.

– E por que o Cebola tá preso? E por que ele me odeia, e ao DC mais ainda?

– Quando vocês começaram a namorar, o Cebola ficou inconformado. Te perseguia, tentava te ter de volta a qualquer custo.

– Mas já não fazia uns dois anos que eu tinha terminado tudo com nele?

– Fazia, mas eu acho que ele sempre teve a esperança de que um dia você mudaria de ideia. E como você nunca ficava nem saía com ninguém, ele achou que o que era dele tava guardado. Daí, quando te viu com o maior rival dele, enlouqueceu. Pra piorar, depois que você começou a namorar o DC, você meio que abandonou o Cebola, sabe? Não fazia mais questão da amizade dele, foi se afastando cada vez mais… acho que a raiva dele é mais por isso do que por qualquer outra coisa.

– E qual foi o crime dele?

– Na época, o DC já estava investindo na Bolsa de Valores. Ele sempre teve um faro muito bom pra negócios, e com 17 anos ele já tinha um patrimônio expressivo pra alguém dessa idade. Os investimentos eram no nome do Sr. Nimbão, pois ele ainda era menor de idade. O Cebola, que também já era investidor, mais talentoso até, fez operações fraudulentas na Bolsa, usando uma identidade falsa, e, quando viu que ia ser pego, plantou provas pra incriminar o DC e tentar escapar.

– Mais um dos planos infalíveis dele?

– Exato. E, como todos os outros, não deu certo.

– E como conseguiram provar que não tinha sido o DC?

– Você era testemunha no processo, e forneceu álibis pro DC em todas as operações que tinham sido feitas. E, também, as tecnologias de investigação criminal avançaram muito nos últimos anos. O Sr. Nimbão e o DC quase foram presos na época, mas os investigadores conseguiram pegar o careca a tempo. Crimes contra o sistema financeiro são considerados os mais graves, e por isso sempre são resolvidos. Ele só conseguiu a detenção num hospital de custódia, que é uma prisão de segurança mínima, e uma pena curta, porque era menor de idade quando cometeu o crime. Se ele já tivesse 18 anos, ficaria na cadeia até o fim da vida. Além desse, ele também responde pelos crimes de fraude processual e denunciação caluniosa contra o DC.

– Que coisa horrível. Eu nunca achei que ele fosse capaz de algo assim. Ele sempre foi ambicioso, mas ele nunca foi mau. E o Do Contra era amigo dele também.

– Ah, ele sempre foi muito imaturo pro tamanho da inteligência que ele tem. Daí acabou usando pro mal. Ele ficou cego pela ganância, quando descobriu que, fraudando o sistema, ele conseguiria fazer dinheiro fácil. E se desesperou quando viu que a coisa ia pegar pro lado dele. E pensou que, se jogasse a culpa no seu namorado, ia matar dois coelhos com um tiro só. Ia livrar a cara e ter o caminho aberto pra te reconquistar, com o DC atrás das grades.

Fiquei pensando durante um bom tempo, tentando absorver tudo aquilo. Este, definitivamente, não era o destino que eu esperava. Mas eu ainda continuava curiosa pelo resto da história.

– Cascão… como foi que eu mudei de país?

– Ah, essa é a parte boa da história. Você já tava namorando o DC há um ano, quando surgiu uma oportunidade de o Nimbus fazer carreira nos EUA. O DC já era empresário dele aqui, e foi conduzindo a carreira dele a uma projeção internacional.

– O Do Contra sempre odiou a fama. Lembra que ele sempre saía das bandas quando elas começavam a fazer sucesso?

– Mas o Nimbus gosta. Viver da mágica era o sonho dele, e, como ele tem um talento sem igual, despontou logo. E, com o DC de empresário, o estrelato foi uma questão de tempo. Pensa só, Mô. O Do Contra achou a mina de ouro. Usufrui de todos os benefícios da fama, a fortuna, os contatos, as baladas, os privilégios, mas sem ter que ficar debaixo dos holofotes. Claro, conseguindo uma fortuna sendo tão jovem, não tem jeito, a imprensa cai em cima dele, essas Forbes da vida, e ele de vez em quando até concede uma entrevista, mas a estrela é sempre o Nimbus.

– E quando surgiu essa oportunidade de carreira lá fora…

– Só havia um impedimento. Sua faculdade. Você tinha acabado de começar o curso de Medicina, depois de um ano tentando passar no vestibular. O Nimbus quase foi embora sem o Do Contra, porque ele não ia te deixar aqui. Mas você viu o quanto o DC queria trabalhar com o irmão dele. Eles são muito unidos, e trabalham muito bem juntos, tá aí o sucesso deles que não me deixa mentir. Então o DC mexeu os pauzinhos, e conseguiu a transferência dele, a sua e a da Magali pra Universidade de Nova York. Daí foi só felicidade.

– E a Magali e o Quim? O que aconteceu com eles?

– Hoje são bons amigos. O namoro não resistiu à distância. Nem aos encantos do Nimbus, o Magnífico – ele riu.

– Quando ela se mudou pra lá, ela ainda namorava o Quim?

– Ainda.

– E mesmo assim a Magali foi?

– Ela não ia perder essa oportunidade. E, verdade seja dita, ela podia viver sem o Quim, mas não vive sem você.

– Nem eu sem ela. Mas e você, Cascão? Quero saber o que você fez todos esses anos.

– Ah, eu terminei a escola e… – Cascão foi interrompido pelo toque do meu celular. Era o Do Contra. Pedi licença e atendi.

– Alô?

– Linda, cadê você?

– Tô aqui na casa do Cascão. Vim matar as saudades dele – isso era, em parte, verdade.

– Eu tava querendo marcar uma reuniãozinha com a turma hoje à noite. O que você acha?

– Ah, eu vou adorar!

– Então nos vemos mais tarde. Vou aproveitar pra trabalhar um pouco.

– Tá certo, querido. Beijo e tchau.

Tchau e beijo!

Desliguei o telefone. Cascão me lançou um olhar acusador.

– Você tá gostando dele.

– Não tô!

– Tá sim, não consegue nem disfarçar o sorriso quando ouve a voz dele.

– Mentira! E se estiver, o que é que tem? Ele não é meu noivo?

– É, mas você não se lembra disso. E isso só pode significar uma coisa.

– O quê?!

– Que você tá se apaixonando por ele de novo. Ou pela primeira vez. Se agora você tem 15, e da primeira vez você tinha 17, então esta, agora, é na verdade a primeira vez, não é?

– Ai, Cascão, assim você vai me fundir a cuca.

– Eu, né!? Foi você que chegou aqui com essa história maluca de viagem no tempo. Vamos almoçar? Tô morrendo de fome.

– Eu também.

– Que tal a gente pedir uma pizza?

– Fechou!


Durante o resto da tarde, Cascão me contou sobre sua carreira, seu casamento, seus planos para o futuro, e também me atualizou sobre cada uma das pessoas da turma. Mas eu não conseguia parar de pensar sobre o que ele disse. Será que eu estava me apaixonando pelo Do Contra?



Voltei para casa, exausta pelos acontecimentos do dia. A reunião da turma seria na casa da Marina às 20h. Ainda eram 16h. Meu corpo pareceu se lembrar de que eu não havia pregado os olhos na noite passada. Tomei um longo banho e, antes sequer de conseguir vestir o pijama, desabei na cama.


Acordei com um beijo em meu pescoço. Um arrepio percorreu todo o meu corpo. Uma mão subia e descia pelo meu braço. Era meu noivo. Ele estava deitado de conchinha comigo, enfiado debaixo dos lençóis.


Virei-me de frente para ele, ainda sonolenta, e ele me deu um beijo. Não ofereci resistência. Se isso era um sonho, eu não queria acordar.

Nossas pernas se entrelaçaram, e suas mãos percorriam toda a lateral do meu corpo. O beijo se tornou mais urgente. Suas mãos me seguraram pelo quadril, me puxando para mais perto. Pude sentir que ele estava tão excitado quanto eu. Quando uma de suas mãos deixou meu quadril e pousou em meio seio, percebi que eu estava sem roupa.


Empurrei-o com força, e enrolei-me no lençol. Senti meu rosto ardendo violentamente.

– O que foi, linda!? Eu fiz alguma coisa errada? Você tá tão vermelha. Se fiz, me desculpa.

– Não, DC. Você fez tudo certo.

– Então, qual é o problema?

– Eu ainda não estou pronta, DC. Por favor, entenda.

– Você não tá pronta?!

– Isso. Não tô pronta ainda pra gente ir pra casa da Marina. Olha só, já são 19h30 e eu ainda preciso me vestir – respondi, levantando-me e indo em direção ao guarda-roupa.

Ele me seguiu, segurou meu braço e me puxou para perto dele, obrigando-me a olhá-lo nos olhos. Ele estreitou os olhos, e me fitou em silêncio por um momento.

– Ah bom. Eu achei por um momento que você estava falando de outra coisa – sua expressão era muito séria. – Por acaso tem alguma coisa que você queira me contar, Mônica?

– Eu preciso me arrumar, Do Contra – fechei os olhos. A raiva estampada no rosto dele, embora sutil, me machucava.

– Tudo bem. Eu te espero lá embaixo. Na volta, a gente conversa – ele disse, soltando-me, e batendo a porta atrás de si.

Droga. O cerco estava se fechando. Meu noivo já estava perdendo a paciência com o meu silêncio. E, quando voltássemos da casa da Marina, ele exigiria satisfações.

Enquanto me vestia, pensei mais uma vez no que o Cascão disse. Mas ele estava errado. Eu não estava me apaixonando pelo DC. Eu não podia confundir atração física com amor. Eram coisas diferentes. E se eu me deixasse inebriar pelos encantos dele, eu poderia ficar presa nesta situação para sempre, sem conseguir voltar ao passado e consertar tudo.


Terminei de me arrumar e desci. Do Contra conversava com minha mãe na sala. Os dois riam. Ele estava muito à vontade. Achei tudo aquilo muito irritante, que ele estivesse mais confortável na minha casa, na minha vida, do que eu mesma. Ele era um intruso ali, tomando conta do meu espaço, conquistando meus pais, a Magali, e todo o resto do mundo. Todos pareciam cair naquele canto da sereia, mas eu não.



E se o Cebola estivesse falando a verdade? E se ele fosse inocente daqueles crimes? Será que o Do Contra o tinha jogado atrás das grades? Ou pior, será que tinha sido eu?



Minha mãe me viu, e acenou para que eu me aproximasse.


– Filha, você tá tão linda!

DC se virou para me olhar, e um sorriso genuíno brotou em seus lábios. Não havia mais vestígio de raiva em seu rosto. Ele se levantou e me estendeu a mão. Retribuí, e ele beijou minha mão e sussurrou em meu ouvido:

– Você tá muito linda mesmo. Que tal se a gente fugir da festinha e continuar o que a gente tava fazendo? – ele me deu um beijo molhado no pescoço. Um novo arrepio tomou conta de mim.

– É tentadora a sua proposta, mas eu tenho amigas ansiosas pra fofocar. Agora vamos – esquivei-me dele, e o puxei pela porta.

Notas finais
Gostaram, queridos? Espero que sim! Ficou muito grande? Cansativo? Se ficou, me falem.
Ah! No próximo capítulo, eu vou contar a história do anel de noivado da Mônica! Aquele que aparece na capa da fic, com o reflexo deles! Esse anel é muito importante pra história, não à toa tá na capa :3 Se vc não lembra dele, volta lá pra olhar, é lindo de morrer o danado =D
Beijos a todos os meus 27 leitores!