Enfrentando o Destino

11 10. Histórias de pescador


Notas iniciais
Leitores lindos!! Como foi o dia de vocês?
Aposto que ninguém tá curioso mais, agora que já sabem o que o Cebolitos aprontou =P
Mas, mesmo assim, a fic tem que continuar, né! Hoje o capítulo tá enorme, mas nem acontece tanta coisa assim, mas vamos ficar sabendo do futuro do resto da turma! E também vamos conhecer a história da joia que está na capa da fic! Um anel de pérola negra!
Chega de conversa, né Natássia? Vamos pro capítulo!
Boa leitura!

Capítulo 10

Histórias de pescador


És como pérola nunca antes encontrada

Permanece em sua concha de amor escondida

Tua beleza é tanta, te faz tão desejada

Mesmo encoberta embeleza a vida

Te busco em versos de amor

Te busco no fundo do mar

Em versos que irei compor

Você é a jóia que irá brilhar

Minha pérola rara

Jóia mais linda que move meus passos

Sonho de amor, meu desejo

Quero acordar com você em meus braços

Guardar para sempre o sabor do teu beijo

Quem sabe um dia você sinta este amor

E nesta concha deixe eu entrar

Depois feche e me dê o teu calor

Serei eu, só eu, a te amar.

Navegante, Pérola



Fomos a pé, já que a casa da Marina era bem perto da minha. Andamos o caminho todo de mãos dadas, enquanto ele me contava sobre o dia dele, de como o trabalho estava ficando bom, e sobre outros assuntos que não me importavam. Quando chegamos, a porta já estava aberta. Entramos. Quase todo mundo estava lá. Marina e Franja, Cascão e Cascuda, Magali e Nimbus, Titi e Aninha, Xaveco acompanhado de um rapaz que eu ainda não conhecia, Carmem e Jeremias, Irene e Toni, Quim e Maria Mello, Luca e Isadora, e Denise, solteira como sempre. Marina correu para me abraçar:

– Chegou o casal 20, pessoal! Mônica, como você tá linda! Que saudade de você!

– Você é que tá linda como sempre! E essa barriga, menina?

– Pois é! Estou de cinco meses já! É um menino!

– Parabéns, amiga! Fico tão feliz por você.

– Vamos, gente, entrem, sentem-se. Só estavam faltando vocês. Vou trazer umas bebidas pra gente. Eu não posso, mas vocês vão querer champanhe, né?

– Demorou! – DC piscou para ela.

– Ahn… pra mim, só um suco mesmo… Tô evitando tomar álcool – Do Contra me lançou um olhar desconfiado.

– Mas por quê? Você nem tá dirigindo hoje, amiga…

– Ah, é… é que estou de regime! Preciso entrar no meu vestido de noiva, oras! Você sabe quantas calorias tem numa tacinha de champanhe? Pode perguntar pra Magali!

– Ah, bom! – DC e Marina falaram ao mesmo tempo, e riram. Escapei por pouco.

Abracei todos os presentes, e coloquei o papo em dia. Denise tinha acabado de se formar em jornalismo, e estagiava numa revista dessas de celebridades. Luca e Isadora estavam namorando já há três anos, e o futuro deles parecia promissor. Toni e Irene também estavam juntos, há menos tempo, e eram um casal muito bonito. Carmem e Jeremias, este foi um casal que me surpreendeu quando o Cascão me contou. Estavam muito apaixonados, daquele jeito típico dos casais recentes. Ao contrário de Titi e Aninha, que estavam num canto discutindo por uma besteira qualquer. Xaveco, enfim, tinha saído do armário, e não poderia estar mais feliz.

Mas de todos os casais, o que mais me surpreendeu foi o Quim e a Maria Mello. Eles estavam namorando há um ano. Ela enfim se tratou de sua anorexia, e tinha ganho algum peso. Ou seja, estava mais bonita ainda. Ela realizou seu sonho, era modelo, mas agora mantinha o peso de forma saudável, e sem deixar de aproveitar as delícias que o Quim prepara.

Tikara e Keika não vieram, pois estavam de férias no Japão. Dudu também não apareceu. Tinha aula na faculdade hoje. Estava no primeiro semestre de Engenharia Civil.

Neste futuro, parece que todo mundo se deu bem. Todos estavam tão felizes. Mas este nunca foi o futuro que eu sonhei. Faltava uma pessoa ali, a mais importante de todas. Meu melhor amigo, meu amor de infância. Sem ele ali, nada parecia certo.

Não foi difícil me manter discreta. O Cascão havia me contado praticamente tudo que tinha acontecido com todo mundo, de modo que eu consegui passar a noite quase inteira sem dar nenhum furo grave. Até que eu virei o centro das atenções.

– Moniquete, agora parou tudo!! Eu ainda não tinha visto esse anel no seu dedo! Que coisa mais lindaaaaaaa! – Denise estava dramática como sempre.

– É mesmo, menina! – Maria Mello também se aproximou para apreciar a joia. – Mônica, conta pra gente como foi o pedido!!!

– O pedido?

– A louca!! O pedido de casamento, fófis!! A gente quer saber nos mínimos detalhes, tintim por tintim.

Droga. Essa foi provavelmente a única história que o Cascão não me contou. Improvisei:

– Ah, mas o DC conta essa história muito melhor do que eu, não é, amor?

– Ah, o pedido foi super sem-graça. Eu cheguei na Mônica e falei no ouvido dela baixinho: “Casa comigo”. Daí entreguei a caixinha com a joia. Nem me ajoelhei, nem nada disso que rola nesses pedidos de casamento que todo mundo faz.

– DC, conta a história direito!! – Magali interveio.

– Mas foi assim, ué!

– Tem que contar do anel!

– Ai, lá vem essa história do anel de novo! O DC já contou isso mais de mil vezes – Nimbus protestou.

– Mas pra gente não, fófico!! Vocês ainda não tinham vindo pro Brasil depois do noivado! Anda, DC, queremos a história do anel – Denise exigiu.

– Tá vendo, mano, elas que tão pedindo, não sou eu que tô querendo me gabar não.

– Mas a história é linda, fazer o quê! – os olhos da Magali brilhavam.

– Ai, gente, nem foi nada demais. Eu tive a ideia de pedir a Mônica em casamento no dia em que eu completei 18 anos, porque se fosse legalmente permitido se casar com 17, eu teria pedido no nosso primeiro dia de namoro – todo mundo riu. – Daí, quando pensei “Agora já posso casar”, comecei a pensar em como seria o anel que eu queria dar pra ela. Fui em muitas joalherias, inclusive em outros países, mas nada me agradava. Todos os anéis de noivado eram muito… comuns. Diamantes, safiras, pedras preciosas caras e bonitas. Mas as pedras são frias, minerais que precisam ser lapidados artificialmente pra ficarem belos. Já a pérola é orgânica. Algo muito belo que nasce a partir de um grão de areia, e que vai crescendo ao longo dos anos. E quando é colhida, já está pronta, linda como nunca. Sem artifícios, sem lapidações. É uma das coisas mais belas da natureza. Ou seja, exatamente como o meu amor pela Mônica.

– Awwwwnnnnnnnn – todas as meninas presentes falaram ao mesmo tempo.

– Então, eu comecei a olhar anéis especificamente que fossem ornamentados com pérolas. Mas comprar uma pérola também era algo muito comum. Eu precisava inovar. Fazer diferente. Então eu decidi pescar uma pérola.

– Você pescou essa pérola, gatz? Com as próprias mãos?

– Claro. Você acha que eu ia dar pra ela uma joia que não tivesse um valor sentimental agregado?

– Mas como é isso de pescar pérolas? – Franja perguntou.

– Ah, é muito complicado. Eu não recomendo a ninguém tentar fazer isso em casa sem a supervisão de um adulto – todos riram novamente. – Pra começar, eu queria uma pérola negra. E isso já dificultava muito as coisas.

– E por que você fazia questão de uma pérola negra?

– Porque as brancas são muito comuns, Franja. Não que elas sejam fáceis de achar. Mas, pra você ter ideia, a cada 15.000 pérolas que são encontradas na natureza, somente uma é negra. E, como eu sou o Do Contra, queria uma pérola negra de qualquer jeito.

– O bofe se tornou especialista em pérola, gente!! Me amarrota que que eu tô passada. Mas continua, gato – Denise estava em êxtase.

– Depois de pesquisar e conversar com especialistas, descobri que as únicas ostras que produzem essas pérolas são as da Polinésia Francesa. Então, depois de dois anos que comecei a caçada pelo anel perfeito, marquei férias em agosto do ano passado, e fomos todos pro Taiti.

– E aí, chegando lá, você encontrou a bendita da pérola, assim, facinho?

– Claro que não, Denise! Antes da viagem, tive que fazer curso de mergulho. Não contei pra ninguém o motivo. Chegando ao Taiti, aluguei um barco e contratei uma tripulação pra me ajudar na empreitada. Eram pescadores de pérolas mais experientes que eu. Eles tentaram me demover da ideia. Disseram que minha chance de encontrar o que eu queria era remota demais, e que, com o dinheiro que eu gastaria, poderia comprar vinte pérolas.

– E mesmo assim você resolveu arriscar – Marina estava inclinada para a frente, com o queixo apoiado nas mãos, hipnotizada pela história.

– Com certeza. É muito fácil ir lá na loja comprar. Eu gosto de fazer as coisas do jeito difícil! E se alguém me diz que não vou conseguir uma coisa, aí é que eu vou e faço mesmo. E eles também não sabiam que a parte mais difícil do trabalho eu já tinha feito.

– E qual foi a parte mais difícil? – Franja também estava empolgado com o relato.

– Conquistar o coração dessa moça aqui – ele respondeu, passando o braço por cima do meu ombro. Novos suspiros femininos ecoaram pela sala. – Foram cinco dias mergulhando nas praias do Taiti. A Mônica já estava furiosa comigo, porque eu deixava ela sozinha o tempo todo. Mas eu sabia que iria conseguir meu objetivo. E então, no sexto dia, depois de pescar algumas centenas de ostras, e de encontrar algumas poucas pérolas que eram pequenas ou disformes, eu encontrei essa daí. Quando abri a ostra, chorei de alegria. A tripulação toda comemorou comigo, até estouramos um champanhe no barco.

– Nossa, ela é linda mesmo. Deve valer muito. – Carmem olhava atentamente o anel, que já estava passando de mão em mão. Todos queriam conferir de perto.

– Nem tanto. Assim que a encontrei, fui a um especialista pra que ele avaliasse. Ele fez vários testes com a pérola, olhou com lupa, rolou ela pela mesa, pesou, mediu, e me ofereceu cinco mil dólares por ela.

– Cinco mil dólares!? E ela não é tão valiosa assim?!

– Não. Ele só me ofereceu esse valor porque era uma pérola selvagem, o que é extremamente raro, e ele era um colecionador. E por causa da cor dela, que é o que eles chamam de verde-pavão. É esse brilho furta-cor esverdeado, tá vendo? Porque existem pérolas negras com várias nuances de cor, mas essa é a mais rara de todas. Eu nem acreditei na minha sorte quando encontrei essa danadinha. Mas uma pérola com as mesmas especificações que essa, desse tamanho, cultivada em fazenda, vale no máximo uns dois mil dólares. Só que, pra mim, o importante não era o valor de mercado, e sim o significado.

– O que torna esta a pérola mais preciosa do mundo inteiro – sussurrei.

– A segunda mais preciosa do mundo. A primeira é você, linda – Ele me abraçou mais apertado.

– Mas e aí, você levou no especialista, não quis vender pra ele, e depois? – Irene estava roendo as unhas.

– Aí eu coloquei a pérola, sem anel nem nada, numa caixinha, e corri pra pedir a Mônica em casamento. O pedido, como eu já contei, não teve nada de especial. Expliquei que o resto do anel eu mandaria fazer depois, em casa, mas que eu tinha encontrado essa pérola como um símbolo do meu amor por ela. E a resposta dela, acho que todo mundo já sabe qual foi.

– E o que tá escrito aqui dentro? – agora era Aninha quem segurava o anel.

– É igual à minha tatuagem – ele mostrou o antebraço esquerdo. Era uma tatuagem com tinta branca, que mais parecia uma cicatriz. – É a frase que a Mônica me disse no dia em que a gente começou a namorar. Tatuei em japonês, e depois coloquei na aliança também, pra que só eu e ela soubéssemos o que significa.

– Eu também sei ler japonês, bocó – Nimbus retrucou. – Tá escrito aí “Você é o meu destino”.

– Sem graça, estragou minha aura de mistério – Do Contra lhe mostrou a língua.

– Mas DC… e se você não tivesse conseguido encontrar a pérola do jeito que você queria? – Isa perguntou.

– Eu sabia que iria encontrar. Estava escrito no nosso destino – seu sorriso era triunfante.

– Gente, que história incrível! Se fosse qualquer outra pessoa no mundo contando, eu não acreditaria, diria que é história de pescador. Mas como é o Do Contra, então só pode ser verdade – Xaveco brincou. Todos riram.

– E agora, eu vou ter que mandar fazer um anel com uma pedra lunar, quando eu for pedir a Magali em casamento, pra superar essa história aí – Nimbus fez cara de bravo. A gargalhada foi geral.

– Quer dizer que o senhor tá pensando em me pedir em casamento, é? – Magali cruzou os braços.

– Claro que sim, amor. Daqui a uns dez anos, quem sabe.

– Nimbus!! – ela o beliscou.

– Ué! Eu vou ter que esperar a tecnologia dos voos espaciais avançar, pra eu poder ir na Lua buscar uma pedra! Não tô te falando? Por isso vai demorar tanto assim. E a culpa é do Do Contra, bate nele e não em mim.

– Mas não por isso! Eu não sou exigente que nem a Mônica não. Me contento com um reles diamante caro e comprado em loja – Magali esperneou, gerando nova rodada de risadas.

– Galera, o papo tá muito bom, mas tá tarde e eu preciso resolver muita coisa ainda hoje. Vamos, linda? – DC disse, me estendendo a mão.

– Vamos.

Despedimo-nos de todo mundo, e voltamos para casa em silêncio, novamente de mãos dadas. Eu olhava o anel no meu dedo, finalmente reparando nele. Era a joia mais linda que eu já tinha visto. Tão delicado, tão sofisticado, e com um significado especial.

Entramos em casa e subimos para o meu quarto. Agora era a hora da verdade. Do Contra me interrogaria e descobriria tudo. Era o fim da linha para mim.

DC se sentou na cama e me puxou para junto dele, segurando minhas duas mãos. Ele me olhou durante muito tempo, e, enfim, falou:

– Mônica… aconteceu aquilo que você falou que ia acontecer, não é?

– Aquilo o quê, DC?

– Você se esqueceu de mim?

Notas finais
Por hoje é isso, fofos!
Ah!! Eu queria tanto conhecer os leitores que nunca comentaram!... Dos 29 leitores, 27 já deram um sinal de vida... tou curiosa pra conhecer os dois restantes! Mandem um oi, please!
E, aos que eu já conheço, continuem comentando! Muitas das ideias pra essa fic nasceram de reviews de vcs!
E aos que já comentaram, mas em vários capítulos atrás, mandem sinal de vida também, pra eu saber que vcs ainda estão gostando (ou não)!
Beijos a todos! Até o próximo capítulo!