Enfrentando o Destino

6 5. De volta ao Limoeiro


Notas iniciais
Oi, leitores amados!
Tou postando mais cedo hoje, porque não vou conseguir postar hoje à noite! E eu sei que vcs ficaram curiosos depois do beijo deles! Mas mesmo assim quero reviews no capítulo 4, viu? Nada de pular direto pra esse hiihihi
Espero que gostem.
Boa leitura!
P.S.: O Nyah hoje acordou com a pá virada, não tou conseguindo acertar a formatação de jeito nenhum! Vou tentar arrumar isso mais tarde... Portanto, perdoem os espaçamentos estranhos, please!!

Capítulo 5

De volta ao Limoeiro


A quatro mãos escrevemos o roteiro

para o palco de meu tempo:

o meu destino e eu.

Nem sempre estamos afinados,

nem sempre nos levamos a sério.

Lya Luft


Do Contra e Magali cochilavam. Ainda eram cinco da tarde, mas já estávamos no voo há quatro horas, e faltavam mais seis pela frente. Já eu não conseguia relaxar. Aliás, desde o passeio no parque não preguei os olhos.

Eu estava com muito remorso por ter beijado o DC. Claro, ele era meu noivo nesta realidade, mas mesmo assim senti que estava sendo infiel ao Cebola. Um lado meu procurava racionalizar a situação; eu justificava para mim mesma que estava presa ali contra a minha vontade, e que apenas estava agindo como uma noiva normal agiria. Mas o remorso que eu sentia não era tanto por tê-lo beijado. Era porque eu tinha gostado. Gostado demais.

Depois que voltamos do passeio no parque, esfriei meus ânimos em um longo banho, e evitei de toda forma estar perto do meu noivo. E já que dividíamos a mesma cama, esquivar-me dele não foi tarefa fácil. Se no parque o clima esquentou, na cama ele não iria parar nuns beijinhos. Fingi que tinha caído no sono logo que deitei, para não dar chance a nenhuma aproximação. Mas, de olhos fechados, eu estava bem acesa.

Meu corpo reagia de forma perigosa quando estava perto dele. Meus instintos me desobedeciam. Só de lembrar daquele beijo, eu já perdia o controle. Era diferente dos beijos do Cebola. Era um beijo sem a hesitação e ingenuidade próprias dos rapazes adolescentes. Era mais maduro, mais quente, mais sensual. Como diria a Denise, o DC tinha pegada. Manter distância era minha única esperança de permanecer lúcida e fiel.

Nimbus largou sua revista e foi em direção ao banheiro. Levantei-me, com cuidado para não despertar meu noivo, e o segui. Esperei até que ele saísse. Ele levou um susto quando me viu ali, à espreita. Segurei-o pelo braço.

– Nimbus, preciso falar com você.

– Pois diga, estou ouvindo.

– Eu queria pedir que você não ficasse com raiva do seu irmão por minha causa. Eu sou a única culpada desta viagem, e do cancelamento dos seus compromissos. Me desculpa.

– Imagina, Mô. Eu fiquei nervoso na hora, pois o DC tomou todas as decisões sem nem me comunicar, mas já passou. Eu já sou acostumado com isso, ele faz tudo do jeito dele e pronto. E ele tinha razão, eu precisava mesmo descansar. E a Magali tá com saudade de casa, da comidinha da dona Lili, então, nem se fala – nós dois rimos. – No fim das contas, tanto eu quanto a Magali ficamos felizes com essa viagem improvisada.

– Jura que você não tá com raiva de mim? Nem do DC?

– Claro que não, Mô. Você é minha cunhada preferida – ele me deu um abraço apertado e um beijo no topo de minha cabeça. Fiz cara de brava:

– E você tem mais alguma cunhada além de mim, por acaso?

– É, não tenho – rimos de novo. – Desencana, Mô, eu não tô com raiva nenhuma de vocês. Você, eu imagino como deva ser a TPM que você tá passando.

– TPM?

– Tensão pré-matrimônio – ele brincou. Não segurei a gargalhada. – Normal você querer um colo de mãe nessas horas. E do DC, não tenho raiva, porque eu já sei que ele faz qualquer coisa por você. Você é a prioridade número 1 dele, todo o resto vem depois.

– Você acha isso, Nimbus?

– Claro, eu até pego no pé dele pra ele parar de ser tão dedicado.

– Ora, mas por quê?!

– Porque a Magali fica me comparando com ele: "Você é um insensível, devia aprender com seu irmão!" – ele imitou com uma vozinha fina. Gargalhei de novo.

Fomos até a mesa de comes e bebes, e conversamos mais um pouco. Aos poucos, eu estava voltando a ter fome. Servi-me de um sanduíche e suco, e Nimbus pediu uísque à comissária ali perto. Voltamos para nossos assentos, e Magali já estava acordada, assistindo a um filme. DC ainda dormia profundamente. Aconcheguei-me na poltrona, e o sono finalmente me invadiu.



Acordei com o trem de pouso do avião tocando bruscamente o solo. Um calafrio percorreu minha coluna. Uma mão apertou a minha com força.



– Pronto, linda. Já acabou esse voo sem fim – DC falou, olhando pela janela.

– Algo me diz que só está começando – sussurrei para mim mesma.



Eu estava de frente à porta da minha casa, hesitante. Estava ansiosa por ver minha mãe, abraçá-la, mas também sentia medo do que me esperava. Estaria ela muito diferente? Ela me reconheceria neste corpo estranho? A saudade falou mais alto. Tomei coragem e toquei a campainha.



Depois de vários minutos, meu pai abriu a porta. Estava de pijamas. Naturalmente, pois já era quase meia-noite. Senti peso na consciência por acordá-lo.

– Filha!? – ele esfregou os olhos. Parecia não acreditar no que via.



– Oi, pai – apertei-o num abraço.

– Calma, filhinha, não esmaga o papai. Já se esqueceu do quanto você é forte?

– Desculpa, pai. Mas é que eu tava com muita saudade!

– Vamos, entra, minha filha, já tá tarde. Vou pegar sua mala.

– Não precisa, pai, eu mesma levo.

– Então vou chamar sua mãe.

– Sim, faça isso por favor – eu não gostava da ideia de acordá-la, mas eu precisava vê-la mais do que qualquer coisa.

Entrei no meu quarto. Ele ainda era mais ou menos o mesmo, com poucas mudanças. A maior delas era uma cama de casal no lugar da minha antiga cama de solteiro. No mais, tudo estava praticamente intacto. Na escrivaninha, um porta-retrato tinha uma foto minha com o DC. Olhei-o por alguns momentos e então o deitei na mesa, com a foto virada para baixo.

– Mônica!? Que surpresa é essa, filha? – a voz da minha mãe veio da porta do quarto.

– Mãe! – corri para abraçá-la.

– Nem acredito que você tá aqui, filhota – ela disse enquanto me dava beijinhos por todo o rosto.

– Nem eu acredito que tô aqui – abracei-a mais apertado.

– Vem, vamos pra cozinha, vou preparar algo pra você comer.

– Não precisa, mãe, eu tô sem fome.

– Ah, até parece que você vai recusar minha comida. Anda, vem logo – Nesta nova realidade, todo mundo tinha mania de me mandar comer? Dei-me por vencida e a segui.

Descemos todos até a cozinha, e minha mãe começou a tirar coisas da geladeira. Observei os dois em silêncio; ambos estavam levemente enrugados, e meu pai tinha cabelos grisalhos que não estavam ali antes.

– Mãe, é sério, não precisa. Eu comi bem no avião.

– E desde quando você gosta de comida de avião?

– Na classe executiva a comida é bem melhor.

– Tá vendo só, Luísa? Nossa filha agora tá toda metida, só viaja na executiva – papai provocou. Eu o belisquei de brincadeira, e ele fingiu que doeu, fazendo caretas. Mamãe e eu caímos na risada.

– Cadê o DC? Ele não veio com você?

– Veio, mas ele foi pra casa da mãe dele.

– Mas ele sempre vem pra cá primeiro. Daí vocês ficam uns dias aqui, e uns dias lá com a Dona Keiko.

– Sério? Pai, que decepção, como você autoriza uma coisa dessa? Meu namorado dormindo junto comigo, debaixo do seu teto? – meus pais riram. Acharam que eu estava brincando, mas na verdade eu estava perguntando a sério.

– Filhos são engraçados, né! A gente proíbe de dormir com o namorado, ela reclama. Quando eu permito, ela também reclama – disse meu pai, entre risos.

– E desde quando você ficou tão de boa com esses assuntos, pai? Você era tão ciumento…

– Desde que vocês moram juntos, eu vi que não adiantava nada proibir, ué. Que remédio me restou, além de reconhecer que minha filhinha cresceu e está diferente? – mais uma rodada de gargalhadas. – Além do mais, eu detesto admitir, mas eu gosto demais daquele moleque.

– Jura, pai?

– Claro que sim. Mas você não pode contar isso nunca pra ele, senão ele perde o medo de mim – minha mãe deu-lhe um tapinha de brincadeira no braço.

– Não liga pro seu pai não, filha, ele sabe que vocês são perfeitos juntos. E que a gente não poderia ter um genro melhor. Agora come aí sua omelete.

Devorei a omelete. Embora eu não estivesse realmente com fome, era tão bom comer algo de que eu me lembrava. Era ótimo estar em casa.

– Mas me conta, filha, por que essa visita tão de repente? Aconteceu alguma coisa?

– Não aconteceu nada, pai. Só senti saudade de vocês, não posso?

– Mas é que faltam tão poucos dias pro casamento, e a gente ia se ver lá de qualquer forma. E eu achei que você tava ocupada com todos os preparativos. E com suas aulas.

– É, tinha tudo isso, mas eu não podia esperar mais pra ver vocês. Eu amo vocês demais, eu já disse isso? – levantei e abracei os dois, que já estavam em pé.

– Hoje ainda não. Mas é sempre bom ouvir – meu pai me beijou no rosto. – Filha, adorei a surpresa, e o papo tá muito bom, mas eu preciso ir dormir. Já é uma da manhã e eu tenho que chegar na empresa às oito.

– Claro, pai, vai descansar. Boa noite.

– Você não vem, Luísa?

– Daqui a pouco, eu vou terminar de lavar essa louça aqui e deixar a mesa do café já pronta pra você amanhã. Porque eu não vou levantar cedo, vou fofocar com minha filhota até bem tarde.

– Tá certo então. Boa noite, meninas.



Assim que meu pai fechou a porta do quarto, minha mãe me puxou pelo braço e me arrastou até o sofá.



– Então minha filha, eu não queria perguntar na frente do seu pai, tava esperando ele nos deixar a sós. Mas e aí, como você tá se sentindo? Já tá sentindo os enjoos matinais? Essa é a pior fase, mas eu tenho umas dicas boas pra passar por isso.

O quê? – perguntei, em choque.



– Perguntei se você já tá sentindo os enjoos.

Não consegui responder.

– Filha, você tá bem? Você ficou branca de repente.

– Ahn… hein?

– Você tá me ouvindo, filha?

– Tô, mãe. Acho que ouvi até demais.

Minha mãe fez uma cara confusa, mas em seguida me abraçou.

– Ai, eu nem acredito que vou ser vovó! Tou tão feliz! Mas e aí, filha, tá sentindo ou não os enjoos matinais?

– Ahn… matinais, ainda não – respondi, afastando-a. – Mas agora, neste exato momento, eu acho que vou vomitar.

Notas finais
Parabéns para a leitora Silky, que acertou sobre a gravidez da Mônica com 2 capítulos de antecedência!!
Eu imaginava que os leitores iam suspeitar depois do capítulo 4, quando o DC fala que tem algo diferente nela, e que ela tá mais bonita. Mas a Silky acertou ainda antes disso :D
E agora, o que nossa Moniquinha querida vai fazer? O que vcs fariam no lugar dela? Comentem!
Beijos a todos os meus 23 leitores! =*