Enfrentando o Destino

5 4. Cidade das luzes ofuscantes


Notas iniciais
Oi, leitores lindos! Curiosos pra saber o que vai acontecer no Limoeiro?
Eu também! rsrs Ainda não vai ser nesse capítulo, mas algo me diz que vocês vão me amar depois de hoje =D
Este capítulo não tava previsto originalmente, mas no dia em que ia escrever a viagem deles pro Limoeiro, tocou no rádio essa música do U2 que tá na citação, "City of Blinding Lights", que eu adoro. E daí tive a ideia de fazer esse capítulo, que eu achei que ficou muito fofo *_*
Espero que gostem tanto quanto eu gostei. Não ficou muito grande, mas achei significativo.
Boa leitura!

Capítulo 4

Cidade das luzes ofuscantes



Quanto mais você vê, menos você sabe

Menos você descobre, conforme você caminha

Eu sabia muito mais antes do que eu sei agora



(...)

Sinto sua falta quando você não está por perto

Estou me preparando para sair do chão

Oh, você está tão linda esta noite

Na cidade das luzes ofuscantes

U2, City Of Blinding Lights

Eram sete horas da noite. Já estávamos com as malas prontas. Partiríamos para casa amanhã de manhã. Olhei pela janela. Estava nevando. Era a primeira vez que eu via a neve. Sempre sonhei em ver a neve, e sempre sonhei em visitar Nova York. E olha só, eu estava tendo esses sonhos realizados, mesmo que fosse da forma mais absurda possível. Esta era minha última noite aqui. Talvez eu nunca mais voltasse. E decidi que tinha que aproveitar.


– DC? – chamei, entrando na cozinha. Ele estava preparando o jantar.


– Hmm? – ele estava de boca cheia, provando o tempero do molho bolonhesa.

– Se uma amiga viesse de longe te visitar, e fosse ficar aqui uma única noite, aonde você a levaria?

Ele pensou um pouco, limpando as mãos num pano de prato.

– Bom, depende da amiga. Se fosse a Denise, na Quinta Avenida. Se fosse a Marina, no Metropolitan. Se fosse a Magali, num restaurante em Little Italy. Mas se fosse a...

– E se fosse eu? – interrompi.

– Como assim? – ele me olhou intrigado.

– Reformulando a pergunta: se você soubesse que esta era sua última noite nesta cidade, aonde você iria?

Ele pensou por um momento antes de responder:

– Ao Central Park.

– Me leva lá – pedi, com um sorriso meigo.

– Tá gelado lá fora, linda. Você tem certeza?

– Tenho. Me leva lá, por favor.

– E eu consigo te negar alguma coisa por acaso? Então vem, vamos jantar logo pra podermos ir.

A macarronada estava uma delícia. Ele era muito jeitoso na cozinha.

– Você sempre cozinhou tão bem assim?

– Não. Antes eu era um desastre.

– Então desde quando você ficou tão bom nisso?

– Desde que eu arrumei uma namorada que odeia a comida americana, e que é uma catástrofe culinária.

– Olha que coincidência! Eu também sou assim – brinquei.

– Engraçadinha – ele riu. Ele tinha um sorriso tão bonito. Era bom vê-lo assim, de bom humor, depois de uma tarde tão difícil.



Agasalhei-me bem, com gorro, cachecol, luvas e algumas camadas de roupa. DC levava nas costas uma mochila um pouco grande demais para um passeio no parque. Achei melhor não questionar.



Fomos a pé. O parque ficava a apenas três quarteirões do nosso apartamento. Durante o caminho, tirei as luvas para pegar flocos de neve com as mãos. Eles derretiam tão rápido no calor da minha palma. Do Contra estava achando isso divertido.

– Se eu não soubesse, diria que é a primeira vez que você vê a neve.

– É a primeira vez hoje, não é? Então acho que conta como uma primeira vez.

DC não respondeu. Apenas me observou demoradamente, com um olhar curioso, me estudando. Será que ele já estava percebendo que eu não era a mesma pessoa?

O parque não estava vazio, mas também não tinha muita gente. O lugar era lindo, exatamente como eu imaginava que o inverno deveria ser. Tirei algumas fotos com o celular enquanto andávamos. Até que chegamos a um ringue de patinação no gelo. O ringue estava cheio de casais e famílias com crianças, e todos pareciam estar se divertindo muito. Uma das cenas mais belas que já vi. Sentamos num banco próximo, e Do Contra abriu a mochila, tirou um par de patins e me entregou.

– Ahn... eu não sei patinar, não acho boa ideia.

– Você adora patinar, Mô, deixa de preguiça – disse enquanto tirava suas botas.

Eu adoro patinar? Até onde me lembro, eu não tinha a menor coordenação. Mas talvez eu nunca mais tivesse outra chance de patinar no Central Park. Por que não arriscar?

Entramos no ringue. De mãos dadas, deslizamos vagarosamente por alguns metros. Eu ainda estava muito insegura.

– Se solta, linda. Você é tão boa nisso, não sei por que esse medo agora.

– Eu não sei se sou tão boa assim.

– Além de boa, é modesta. Vem comigo. – Desta vez, ele me puxou num ritmo mais rápido, e eu vi que estava me saindo bem. Depois de alguns momentos, soltei de sua mão e deslizei sozinha pelo gelo. Estava fazendo tudo certo, sem dificuldade. É como se meu corpo estivesse acostumado com aquilo, mas minha cabeça não. Aumentei a velocidade, desviando das pessoas, e arrisquei um salto. Pousei no chão delicadamente. Eu era ótima nisso.

A sensação era incrível. Depois de algumas acrobacias, diminuí o ritmo para apreciar a paisagem. Contemplei os prédios iluminados de Manhattan, a lua crescente entre nuvens finas, os pinheiros congelados, e crianças fazendo anjinhos na neve perto dali. Parei, fechei os olhos e inspirei o ar gelado da noite. Eu parecia estar num sonho. Será que eu estava?

Uma mão segurou a minha. Fui envolvida num abraço por trás, e uma voz sussurrou no meu ouvido:

– Viu só como você é incrível?

Virei-me de frente para DC, ainda presa em seu abraço, e o olhei nos olhos.

– A noite está tão linda.

– Você está tão linda esta noite.

– Estou sonhando, não é? Isso tudo é um sonho.

– Não, não é um sonho. É real. Posso te beliscar se você quiser.

– Você não se atreveria.

– Já me atrevi – ele disse, beliscando de leve minha nádega esquerda. Em seguida, saiu deslizando depressa, dando uma risadinha.

– Ah, volta aqui, seu!... – corri atrás dele. Ele dava gargalhadas, e eu me contagiei com seu riso.

Ficamos um tempo nesse pega-pega, pois ele também era bom nos patins e eu não conseguia alcançá-lo. Quando estávamos em alta velocidade, DC parou de repente, e virou de frente para mim. Eu não consegui parar. Acertei-o em cheio, e fomos parar os dois no chão.

– Tá vendo o que você fez? – fiz cara de zangada e o belisquei no braço. Ainda ríamos muito, ambos de costas no chão. Já exaustos de tanto rir, ficamos calados, admirando as estrelas.

Depois de algum tempo, ele se aproximou e se debruçou sobre mim, segurando meu rosto com as duas mãos. Mais uma vez ele me estudou, olhando cada detalhe em minha face, como que procurando por algo perdido.

– Você tá diferente – ele acusou.

– Impressão sua – menti.

– Não é não. Tem alguma coisa diferente em você. Eu só não consegui identificar ainda o que é.

– Alguma ruga que não estava aí antes? – brinquei.

– Não, não é isso, sua boba. Na verdade... você tá mais bonita. Mais ainda. Eu nem achei que isso era possível. – Ele estava sério. Eu não conseguia desviar meu olhar dele.

A proximidade dele me enchia de sensações diferentes. Meu corpo respondia à sua presença. Senti urgência em sentir o cheiro dele, o gosto dele. Era muito mais forte do que eu. Antes que eu soubesse o que estava fazendo, segurei seu rosto com as mãos e o puxei para perto de mim.

Seus lábios eram quentes e úmidos. Seu beijo era calmo, sereno. Suas mãos em meu rosto eram aconchegantes, mesmo sob as luvas de lã. Sua boca deixou a minha e passou para minha orelha.

– Ainda acha que é um sonho? – sussurrou no meu ouvido.

– Acho sim. Um sonho do qual eu não quero acordar – respondi, puxando-o para mais um beijo.


Notas finais
Por enquanto é isso, meus amados leitores! Já tou terminando o próximo, nem eu tou me aguentando de curiosidade rsrsrs
Continuem mandando reviews!
Bjooooooo =*