Enfrentando o Destino
4 3. Contrariando o destino
Notas iniciais
Mais uma vez, obrigada pelos reviews! Adoro ler e responder cada um dos seus comentários!
Como prometido, está aqui o capítulo 3! Eu chorei litros escrevendo kkkkkkk Espero que vcs gostem.
Ah! Pra quem leu o capítulo 2 antes de eu arrumar a formatação, segue o link com uma foto de como eu imaginei o vestido de noiva da Mô: http://media.bodaclick.com/img/img_reportajes/5mil/43dec/5438_1284995507_4c9779b377c7f.
Boa leitura!
Capítulo 3
Contrariando o destino
O futuro tem muitos nomes.
Para os fracos é o inalcançável.
Para os temerosos, o desconhecido.
Para os valentes, é a oportunidade.
Victor Hugo
– Linda, me responde por favor – ouvi uma voz suplicante sussurrar no meu ouvido. Abri os olhos devagar. Estávamos dentro do carro. Eu estava deitada com a cabeça apoiada no colo do meu noivo, e ele estava debruçado sobre mim, acariciando meu rosto. Seu toque era muito gentil, suas mãos eram quentes e macias, fazendo com que eu me sentisse melhor imediatamente.
– Ah, ela abriu os olhos! Até que enfim. Não me assusta assim não, linda. Tá melhor?
Respondi que sim com a cabeça. O rosto dele estava tão próximo do meu que eu sentia sua respiração fazendo cócegas em minha bochecha.
– Que bom – disse, me dando um beijo demorado na testa. Ele continuou me acariciando, em silêncio, apenas sorrindo e me olhando nos olhos. Estudei seu rosto. Eu nunca havia prestado muita atenção antes; ele era mais bonito do que eu me lembrava.
– O GPS tá informando que o trânsito até o hospital mais próximo está completamente engarrafado. Vai demorar um pouco até chegarmos lá, uma hora talvez – anunciou Nimbus. Sentei-me depressa, assustada.
– E por que estamos indo ao hospital?!
– Porque você ficou mais de dois minutos desmaiada, Mônica. Precisamos descobrir o que aconteceu. E a Magali comentou que você está estranha desde ontem – DC argumentou, segurando minha mão entre as suas.
– Mas eu estou bem, juro. Vamos pra casa, não quero ir ao hospital de jeito nenhum.
– Não senhora, a gente tem que descobrir o que você tem, fazer exames e...
– Não precisa! Juro! Já estou cem por cento, olha só. Só me senti fraca porque não tomei café-da-manhã. Me leva pra casa, por favor – fiz minha melhor cara de cachorro pidão. DC suspirou, e eu sabia que tinha vencido.
– Tá bom, você venceu, vamos pra casa. Mas por que você não comeu, linda? Não pode ficar sem comer assim tanto tempo.
– Ah, é que... – precisava inventar uma desculpa qualquer. – Eu queria garantir que ia entrar no vestido de noiva.
– Ah, tá – riu ele. Pelo visto a desculpa colou. – Mas eu vou ficar de olho na senhora! Ai de você se pular mais uma refeição – acrescentou ele, puxando-me para um abraço. Aconcheguei-me em seu peito. Ele era tão quentinho, e exalava um perfume delicioso.
Ficamos assim, abraçadinhos, até chegarmos ao nosso apartamento. Despedimo-nos de Magali e Nimbus, e entramos em casa. Agora éramos ele e eu, a sós. No entanto, eu já não me sentia nervosa como no aeroporto; acho que estava quase me acostumando com toda essa loucura.
– Agora eu vou fazer um rango pra minha noivinha linda, que ainda não comeu hoje. O que você quer, meu bem? – perguntou, tirando uma panela do armário.
– Não precisa. Não tô com fome – era verdade, eu não vinha sentindo muita fome ultimamente.
– Mô, você tá doente mesmo. Recusando minha comida assim, você nunca fez isso. Vamos pro hospital.
– Não! – gritei. Ele arregalou os olhos, espantado. – Quer dizer, tudo bem, você venceu, eu como o que você preparar pra mim. Pode preparar o que quiser.
– Vou fazer seu favorito. Panquecas com ovos mexidos e bacon.
Enquanto ele cozinhava, sentei no sofá com o notebook no colo. As redes sociais estavam sendo de grande ajuda. Desta vez coletei mais dados importantes. A Magali era estudante de Nutrição na mesma universidade que eu. O Nimbus tornou-se um mágico famoso, e suas apresentações lotavam grandes casas de shows. Do Contra não tinha um perfil no Facebook. Ao contrário do resto da turma, ele nunca foi muito ligado nessas coisas. Marina e Franja, Cascão e Cascuda, até Titi e Aninha, todos se casaram. Só eu não tive meu final feliz com o Cebola. Quim era o chef e sócio do restaurante Saveur, o mesmo em que eu deveria ter ido com o Cebola naquela noite que não aconteceu. Ou será que aconteceu? Será que eu viajei no tempo, ou simplesmente perdi a memória?
Será que havia alguma explicação científica para essa maluquice? Comecei a procurar no Google sobre viagem no tempo. A maioria era literatura, mas encontrei alguns artigos acadêmicos. Eles eram bem complicados, falavam de física e mecânica quântica. Muito complexos. Senti o computador saindo do meu colo.
– Vem comer, linda. Tá pronto – disse DC, segurando o notebook. Ele olhou a tela, intrigado. – Viagem no tempo... Mecânica quântica... Você tá tendo aula disso na faculdade?
– Não, é que ontem tava passando um filme na tevê sobre viagem no tempo, e daí achei o assunto interessante.
– Ah, bom. Que filme era?
– Hummmm... De Volta Para O Futuro. – improvisei.
– É, esse filme é bem antigo, mas é legal mesmo. Anda, senta aí e come logo. Tou de olho.
– E você, não vai comer?
– Sim, eu fiz pra mim um patê de atum com abacate – Ele continuava com essas manias estranhas, com esse mesmo comportamento. Achei isso muito irritante.
Comemos em silêncio. Estava tudo delicioso. Liguei a tevê em um noticiário qualquer. A presidente Hillary Clinton dava um pronunciamento ao vivo sobre um tratado de livre comércio com a China. Fiquei pensando sobre como deveria estar o mundo hoje. A economia, as tecnologias... Deve ter acontecido tanta coisa nesses seis anos.
– Tô te achando muito calada, Mô. Aconteceu alguma coisa?
– Não, de jeito nenhum. Tô só prestando atenção na tevê.
– Pra alguém que acabou de voltar de uma prova de vestido de noiva, você tá tão... triste. E eu passei uma semana fora, parece que nem sentiu minha falta. Era pra você estar me enchendo de perguntas, e de beijos, e me contando tudo que você fez nos últimos dias, e não assistindo tevê.
– Desculpa, Do Contra – abaixei a cabeça. Eu não conseguiria enganá-lo por muito mais tempo. Ele me olhou atônito.
– Tá vendo só, você tá brava comigo, você só me chama de Do Contra quando tá brava comigo. O que eu fiz, Mô? Me explica.
– Não, você não fez nada, só estou cansada. Desculpe. – eu não fazia ideia de como chamá-lo. Pelo nome, Maurício? Ou por algum apelido carinhoso? Eu tinha que prestar atenção em cada palavra minha. – E é claro que eu senti sua falta. Quero ouvir tudo da sua viagem, me conta tudo.
– Então vem cá – ele se levantou e me estendeu a mão. Ele me puxou para um abraço, e quando vi que ele iria me beijar, desviei-me.
– Preciso ir ao banheiro, já volto. – Saí correndo e tranquei a porta atrás de mim.
Droga. Eu tinha que pensar em algo, e rápido. Eu não conseguiria evitá-lo para sempre. Mas eu não podia beijá-lo. Isso seria traição, e eu não posso trair o Cebola. Tudo bem que não temos compromisso ainda, mas mesmo assim não tenho coragem de fazer isso com ele.
Preciso vê-lo de novo, não posso me casar antes de encontrá-lo. Mas eu não vou conseguir descobrir nada aqui, neste país estrangeiro. Já sabia o que eu tinha que fazer. Eu tinha que retornar ao Limoeiro. Lá estavam as respostas para toda esta confusão.
Respirei fundo e entrei no quarto. Do Contra estava deitado na cama, lendo um livro. Quando me viu, largou o livro, abrindo um sorriso tímido.
– Vem cá, linda. Senti tanta saudade de você – Deitei-me ao seu lado, pousando a cabeça em seu peito, e fechei os olhos. O abraço dele me fazia sentir tão... bem. Mas eu não podia me sentir assim. Só o Cebola podia me fazer me sentir dessa forma. Eu tinha, isso sim, que achar um jeito de voltar para casa. Já estava cansada deste pesadelo.
– Quero ir pra casa.
– Como assim? – ele me olhou, confuso.
– Quero minha mãe. Quero ir pro Limoeiro – fiz biquinho.
– Agora?
– Sim, agora.
– Mas Mô, não tem como.
– Por favor – supliquei, sentando-me na cama. – Vão ser só alguns dias, a gente ainda tem bastante tempo até o casamento.
– Mônica, faltam só quatro semanas pro casamento – explicou, sentando-se também. Droga, droga!
– Por isso mesmo a gente tem que ir hoje! Quanto mais cedo a gente for, mais cedo a gente volta.
– E suas aulas?
– Ah, uma semaninha de falta não vai matar ninguém. Sou boa aluna, e nem tem prova essa semana – eu não fazia ideia se tinha prova ou não, mas mesmo que tivesse, eu não teria condições de fazer provas de matérias de Medicina.
– Mas a agenda do Nimbus tá cheia nas próximas semanas, vamos produzir o material de divulgação da turnê e do DVD! – ele estava um pouco exaltado. Ele fechou os olhos e respirou, como quem está escolhendo bem as palavras. – Você sabe que eu detesto te contrariar, aliás, você é a única que eu não consigo contrariar nunca, mas realmente uma viagem agora está fora de questão pra mim.
– Sem problema, eu vou e você fica – retruquei, um pouco arrogante. Ele empalideceu. Tentei consertar. – Eu preciso ver meus pais, meus amigos, antes de me casar. Por favor, entenda. Estou com muita saudade deles.
Ele me olhou, pensativo, por um bom tempo, sem dizer uma palavra. Então ele se levantou, pegou o celular em cima do criado-mudo e se debruçou na janela, ficando de costas para mim. Ele fez umas duas ligações, falando em inglês, mas ele falou baixo e rápido e eu não consegui entender muita coisa. Ele discou mais um número, dessa vez andando de um lado para outro, com cara de preocupado.
– Oi, mano. Tá podendo falar? Preciso conversar contigo, é sério. Eu cancelei sua agenda dos próximos dez dias. — Ele afastou o telefone da orelha, enquanto Nimbus berrava do outro lado. – Por quê? Porque sim. Não grita comigo! Deixa eu terminar de falar. Não, eu não perdi o juízo. Eu vou ter que fazer uma viagem de emergência. Pro Limoeiro. Sim, a Mônica precisa ir e eu vou com ela. – Ele escutou por um tempo, dessa vez me olhando. De repente, ele ficou vermelho. – E você acha que eu não sei disso? Que a multa é altíssima toda vez que cancelamos um show? Eu também não tô feliz com isso, mas eu não tive escolha. Você sabe muito bem por quê. Ela não vai voltar praquele lugar sem mim. E você não vai fazer nada aqui sem mim também, então eu cancelei tudo. Já fiz! Sim, sem te consultar. Eu sou seu empresário e sei o que é melhor pra você. Você tá precisando descansar, desde a nossa viagem pro Taiti você trabalhou em todos os fins de semana e feriados, nem fomos pra casa no último Natal. Acho que você e a Magali também deviam ir com a gente. A gente vai, fica uma semana, e volta. Nós podemos começar a produzir o material de lá. Não vai atrapalhar nosso cronograma. Enfim, está feito. Já tá tudo cancelado. Vou comprar as passagens agora. Quer que eu compre pra você e Magali também? Tudo bem, eu espero você falar com ela.
Segurando o telefone entre a cabeça e o pescoço, ele se sentou na escrivaninha, abriu o notebook dele e começou a digitar. – Ótimo, serão quatro passagens então. Tem um voo JFK-Guarulhos direto amanhã às 12h47. Pode ser esse? – Ele se virou para mim na cadeira giratória. – Pode ser esse, linda? – Fiz que sim com a cabeça. – Venham pra cá e daqui a gente vai junto. Até. Tchau.
Ele desligou o telefone, abriu a carteira, pegou um cartão de crédito e finalizou a compra das passagens. Então ele entrou no closet e saiu de lá com uma mala na mão. Ele jogou a mala sobre a cama, e começou a entrar e sair do closet repetidamente. A cada vez que ele saía, vinha com um punhado de roupas na mão e as atirava dentro da mala. Ele tinha uma expressão muito séria. Eu não sabia o que falar.
– Então deu certo? Nós vamos pra casa? – arrisquei puxar o assunto, com medo de deixá-lo mais zangado. Ele respondeu sem sequer me olhar, ainda dobrando as roupas:
– Sim, deu certo. O material de divulgação vai ficar uma porcaria, vamos ter um prejuízo de 10 milhões por causa do cancelamento do show em Chicago, e o meu irmão me odeia, mas deu tudo certo. Nós vamos pra casa.
– Eu podia ir sozinha, DC. Você não precisava ter feito tudo isso.
– Não, você não podia – ele disse de dentro do closet.
– E por que não? Posso saber?
Ele me encarou, ofendido. Pensou um pouco, sentou-se na cama e escondeu o rosto nas mãos.
– Você sabe por quê, Mônica.
– Não, eu não sei – eu estava com os olhos marejados. Eu estava me sentindo horrível, um monstro egoísta. Engatinhei na cama até o lado dele, e segurei seu rosto com ambas as mãos, forçando-o a olhar dentro dos meus olhos. Queria que ele visse a minha sinceridade. – Me diz, por favor.
Sua expressão suavizou um pouco, e ele segurou minhas duas mãos sem tirar os olhos dos meus.
– Porque há quatro anos eu te fiz uma promessa, Mônica, que eu jamais te deixaria sozinha, que eu jamais deixaria que te fizessem nenhum mal. Porque, faltando tão pouco pra eu te ter pra sempre, eu não vou sair do seu lado. Porque, se você estiver com dúvidas sobre se casar comigo, eu quero estar lá pra lutar por você em condições de igualdade – seus olhos estavam rasos d'água.
Ele acertou em cheio as minhas intenções, sem nem mesmo suspeitar da verdade por trás disso tudo. Eu já não conseguia conter o choro. Subi no seu colo e o abracei forte pelo pescoço.
– Me perdoa, eu fui egoísta, eu sei. E me perdoa se alguma vez eu te dei motivo pra que você não confiasse em mim – eu não sabia muito sobre o nosso passado juntos, mas eu odiaria a mim mesma se soubesse que, com a memória intacta, dei razão para que ele fosse tão inseguro. Ele era um bom homem e merecia uma mulher fiel. Ele se soltou do meu abraço um pouco, para poder olhar nos meus olhos.
– Eu confio em você, linda. Mais que tudo. Eu não confio é no destino.
– E por que não? – perguntei. Ele mais uma vez ficou pensativo.
– Porque o destino pode ser traiçoeiro. Eu sempre achei que nós somos responsáveis por construir nosso destino. Mas e se não for assim?
– Se não for assim, então você não precisa ter medo do destino. Você precisa aceitá-lo e deixar fluir – Era tudo o que eu não estava fazendo.
– Eu acredito que contrariei o destino, Mônica, que eu mudei a História, e que agora o seu futuro é ao meu lado. Mas durante muito tempo não foi assim. E só de pensar que eu posso estar errado, que o seu destino não é ao meu lado, eu fico apavorado.
– É exatamente isso que eu estou tentando descobrir também. Nós precisamos confiar no destino. Nós dois. – eu o abracei apertado novamente.
– Então me promete, linda. Me promete que vai ficar comigo pra sempre.
– Se for nosso destino ficar juntos, então promessas não são necessárias, não é?
Ele não respondeu. Apenas me apertou mais em seu peito, e soluçou. Eu também chorava, arrasada por ter que partir o coração de um amigo tão querido.
– DC? – chamei, com a cabeça enfiada em seu ombro.
– Hum?
– Obrigada. Por tudo.
Éramos, de certa forma, iguais: ele, lutando para enfrentar o destino e ficar ao lado da mulher que ama; eu, lutando para recuperar o destino que sempre conheci.
Notas finais
E a volta deles pra casa promete muitas emoções! Aguardem as cenas dos próximos capítulos! :3
Beijos e até breve!
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