Notas iniciais
É isso aí, galera... estamos nos aproximando da reta final desta fic!
Eu quero muito agradecer a todos os reviews do Capítulo 10! Dos leitores frequentes, e também dos novos! Valeu, seus lindos! ♥
AVISO: O capítulo de hoje tem um momento, digamos, íntimo entre o casal principal. Eu tentei deixar sutil, por causa da classificação da fic, então se alguém não gostar e talz, por favor peço desculpas em antecipação, e por favor me avise por review ou MP, ok?
Vamos ao capítulo de hoje?
Boa leitura!

Capítulo 11

Lembranças

De que são feitos os dias?


— De pequenos desejos,


vagarosas saudades,


silenciosas lembranças.



Entre mágoas sombrias,


momentâneos lampejos:


vagas felicidades,


inatuais esperanças.



De loucuras, de crimes,


de pecados, de glórias


— do medo que encadeia


todas essas mudanças.



Dentro deles vivemos,


dentro deles choramos,


em duros desenlaces


e em sinistras alianças...

Cecília Meireles



Do Contra sabia o que estava acontecendo comigo. Mais do que eu mesma, aparentemente. Achei isso muito suspeito.

– Não sei do que você tá falando, DC. Explica melhor isso aí.

– É que uma vez você me falou uma coisa… mas faz tanto tempo… – ele fechou os olhos. – Não, é claro que não, isso não faz sentido nenhum. Se você tivesse perdido a memória, você me contaria. A Mônica que eu conheço me contaria. Seria honesta comigo. Mas tem um jeito infalível pra saber disso.

– E que j… – fui interrompida por um beijo. Este beijo era mais nervoso do que os anteriores. Eu já não tinha qualquer esperança de manter o controle. Desta vez eu não teria forças para escapar. Eu seria dele ali mesmo, sem chance de defesa.

Sua boca agora mordia minha orelha, e eu beijava seu pescoço. Suas mãos estavam em todos os lugares do meu corpo ao mesmo tempo. Comecei a desabotoar sua camisa. Eu agia com rapidez, como se eu tivesse alguma ideia do que eu estava fazendo. Era mais ou menos como patinar no gelo; meu corpo agia sem que eu comandasse. Uma de suas mãos subiu por minhas coxas, e então… Ele estava me tocando.

Gemi alto e cravei as unhas em suas costas. O que quer que fosse aquela sensação, era a melhor coisa do mundo. Eu queria que o tempo parasse naquele instante.

Quando eu achei que iria me desfazer de tanto prazer, ele parou. Levantou-se e vestiu a camisa.

– DC, por favor… – sussurei. Eu precisava que ele continuasse.

– Eu já vi que você se lembra de mim, Mônica. Seu corpo não mente. Mas a gente só vai continuar isso quando você quiser me contar qual é o seu problema.

Sem olhar para trás, ele saiu pela porta.


Meu coração pulava no peito. Demorou até que eu conseguisse me recompor. Quando consegui, desci até a cozinha, peguei um jarro d’água e subi de volta para o quarto. Peguei o Sansão da prateleira e o abracei, chorando feito criança. A rejeição do DC me machucou mais do que eu julgava possível. A ideia de perdê-lo me apavorava. Só de pensar que eu nunca mais olharia dentro daqueles olhos, nunca mais beijaria aquela boca, eu já ficava em pânico. Mas… se eu contasse a verdade a ele, de que eu não me lembrava de nada do nosso passado, ele ficaria desconsolado. E talvez ele me rejeitasse de vez. Mônica, Mônica… como você vai sair dessa?

Muitas lágrimas depois, o cansaço acumulado durante todos aqueles dias me atingiu em cheio. Apaguei imediatamente, num sono sem sonhos.


Quando acordei, o sol já estava alto. O relógio marcava 10h13. Levantei-me. Peguei na bolsa o teste de gravidez que havia comprado na farmácia no dia anterior, na volta da casa do Cascão.

Enquanto aguardava o teste ficar pronto, li a bula. Uma linha indicaria o resultado negativo. Duas linhas, positivo. A espera pela resposta estava me matando.

Depois de cinco minutos, verifiquei o resultado. Duas linhas. Então era verdade: eu estava mesmo grávida.

Eu precisava agir com muita cautela de agora em diante. Afinal, agora eu não estava sozinha. Eu carregava uma vida dentro de mim.

Desci para a cozinha. Minha mãe não estava em casa. Na mesa, um café preparado e um bilhete com a letra dela, dizendo que voltaria para o almoço. Assim que terminei de comer, voltei ao quarto. Deitei-me na cama, abraçada ao Sansão.

Olhei meu bichinho de pelúcia favorito. Quantas lembranças ele trazia!... Lembranças de um passado que não existe mais.

Minha vida inteira passou pela minha cabeça, como um filme. Lembrei-me de quando éramos somente Cebolinha, Cascão, Magali e eu. A vida parecia tão simples. Brincávamos todo o tempo, e eu batia nos meninos quando eles pegavam no meu pé. Os dias começavam e terminavam sempre do mesmo jeito.

Crescemos, e Cebolinha se transformou em Cebola. Tornou-se um rapaz tão bonito, tão inteligente. Ele mudaria o mundo um dia. Mesmo incapaz de firmar um compromisso, ele nunca escondeu seus sentimentos por mim. Brigávamos tanto, mas isso era como as coisas funcionavam. Tinha sido assim a vida toda, e eu acho que não saberia viver de outra forma. Ele jogava charme para as outras meninas, como qualquer garoto adolescente faria. Estávamos na fase de experiências, de descobertas. Eu morria de ciúmes, e jurava que iria esquecê-lo, mas ele sempre voltava. Estaríamos juntos para sempre, ele e eu.

Ali perto, um menino que pouco brincava com os outros, que nunca participava dos planos infalíveis do Cebolinha, passava despercebido. Seu jeito de fazer tudo ao contrário era por vezes irritante, mas quase sempre divertido. O Cebolinha me provocava para chamar a atenção. Os demais meninos, por sua influência e liderança. Do Contra não parecia querer chamar a minha atenção. Ele era sempre tão calado, introspectivo. Como eu poderia desconfiar dos sentimentos dele por mim?

Quando crescemos, não foi diferente. Ele assistia de longe ao teatro que era minha relação com o Cebola. Vez ou outra, demonstrava carinho por mim, mas quando lhe propus namoro, ele recuou. Julguei que seu sentimento por mim não era sério. Mas o que eu não entendi, na época, é que, ao contrário do Cebola, ele não agia precipitadamente. Ele sabia muito bem o que queria. E ele queria estar comigo, mas quando meu coração estivesse livre. Pois, para ele, era tudo ou nada. Ou ele me teria por completo ou não teria de jeito nenhum. Nem que para isso ele tivesse que esperar a vida toda.

E ele esperou. Durante nove anos, Do Contra assistiu pacientemente enquanto eu corria atrás do Cebola. Ainda sem qualquer tática de chamar a atenção. Sem as cantadas baratas, sem os planos infalíveis, sem os truques e desculpas de seu rival. Mas presente, o tempo todo. Me ajudando sempre que precisei. E, mesmo com minha indiferença, ele permaneceu fiel ao seu sentimento por mim. Nunca o vi com nenhuma outra menina. E não foi por falta de oportunidade.

Em janeiro último, ou melhor, janeiro de 2013, lembro-me bem de quando fomos ao litoral. Lá, uma menina de parar o trânsito, a menina dos sonhos de todo garoto, enamorou-se dele. E ele a dispensou. Na época, todos da turma, inclusive eu, achamos que ele foi insano em dispensar aquela deusa. Mas isso só porque o medíamos por nós mesmos. Só que ele era diferente. Ele não era qualquer adolescente. Ele não era de brincadeiras, de joguinhos. Ele não era mais criança. Ao contrário do Cebola, ele não se importava com o que os outros pensavam, e não precisava provar nada para ninguém. E ele não perderia tempo com uma garota que não morasse de verdade no coração dele só porque ela era bonita. Mas só havia lugar para uma garota no coração dele, e essa garota era eu.

Por mais que, agora, eu quisesse lutar contra minha atração por ele, por mais que eu quisesse ignorar todos os sinais, minha gravidez era um sinal que não podia ser ignorado. Teríamos um filho juntos. E, por mais que não ficássemos juntos no fim, estaríamos para sempre ligados por uma terceira pessoa. Uma pessoa que era o fruto do nosso amor de agora. Este era o nosso destino.


Durante os anos da adolescência, eu estava tão míope, tão focada em acertar as coisas com o Cebola, que não tinha me dado conta de nada disso. Durante tanto tempo, todos me disseram que Cebola e eu éramos feitos um para o outro, e eu acreditei nisso. Não questionei essa verdade absoluta do universo. Mas o Do Contra nasceu para desafiar todas as verdades absolutas do universo, inclusive essa. Ele estava certo. Ele contrariou o destino, ele mudou a História.

Lembrei-me de sua tatuagem. Uma frase que eu havia lhe dito há muito tempo: “Você é o meu destino”. Lembrei-me também da pergunta que ele me fez, se eu havia me esquecido dele. Pelo que entendi, eu havia dito a ele que isso aconteceria, há muitos anos. Será que eu, sem saber, tinha algo a ver com essa viagem no tempo? Levantei-me, e olhei mais atentamente a tatuagem em minhas costas. Não era fácil lê-la no espelho, pois a letra era tão pequena. Mas enfim eu consegui. Ela dizia: “Confie no seu destino e lute por ele até o fim”.


E finalmente eu entendi tudo.


Era isso que eu precisava fazer. Eu precisava contrariar o destino também. Fazer a minha parte. Com esta viagem no tempo, foi-me dada a oportunidade de mudar esta realidade. E eu não desperdiçaria. Eu mudaria este futuro que estava sendo escrito à minha revelia. Eu consertaria as coisas, mesmo que isso me custasse tudo.

Telefonei para um táxi. Eu iria atrás do homem da minha vida. Aquele que me amou pela vida toda, incondicionalmente, desde minhas lembranças mais remotas.

E eu também iria reparar os erros do passado.

O carro encostou. Entrei e ditei ao motorista o endereço:

– Por favor, preciso ir ao Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário. Depressa.

Notas finais
Palma, palma, não priemos cânico!! Eu posso explicar!! *desculpa de mulher pega no flagra com o Ricardão haueheuea*
Aguardem o próximo capítulo e vocês vão entender o que eu tou fazendo, ok? Não matem a Mônica antes do capítulo 12. Depois vcs podem haueahaeueaheauea
Beijos a todos!!