Enfin, amour

6 Capítulo 5


Depois de, calmamente, tomarem café da manhã contemplando o Castelo de Conwy, Duque e Guiomar seguiram para a menor casa do Reino Unido.

– Nossa! Ela é pequena, mas eu não imaginava o quanto! — Guiomar se espantou, ainda do lado de fora da casa.

– Agora imagine... o último morador dessa casa tinha 1,90m de altura!

– Meu Deus! Eu não consigo imaginar uma coisa dessa! — disse, em tom de brincadeira.

Entraram na casa. A visita não demorou muito porque a casa realmente era muito pequena. Com a fachada toda vermelha, a casa tinha três metros de altura e o casal teve que abaixar a cabeça para passar pela porta. No piso térreo, um banco de madeira à esquerda, à diagonal direita, uma lareira, e, na frente uma mesinha de madeira. Por todo o cômodo, quadros de foto e objetos de mais de cem anos atrás (como se usava na época em que ela foi habitada pela última vez). Ao lado da porta, uma escada de madeira que levava ao segundo piso, que era um dormitório, com uma cama de solteiro com uma bíblia encima, uma penteadeira, um criado mudo e os objetos de higiene pessoal.¹ A casinha era muito bonita, muito arrumada, mas muito, muito pequena.

Duque e Guiomar saíram da casa comentando sobre a visita.

– Realmente, essa casa é pequena demais. — Guiomar ria. — Ainda bem que isso não faz parte da minha realidade!

Ele olhou a casa e suspirou.

– Eu até moraria numa dessa... — em seguida, olhou fixamente para Guiomar. — desde que fosse com você.

Ela riu.

– Não, não, nós merecemos coisa maior! — enquanto terminava de rir, colocou uma das mãos na bochecha de Duque e o olhou ternamente.

– Guiomar? — uma voz masculina gritou ao fundo.

Ela se virou, e antes de responder, analisou um pouco mais o homem alto de cabelos pretos, cheios e macios e pele clara, que vinha vindo em sua direção.

– Joca? — ela disse, um pouco em dúvida.

– Sim! — ele sorriu. Ela sorriu de volta. — Guiomar! Que bom te ver!

Duque apenas observou, sem entender muito. O homem não lhe era familiar. Era amigo apenas de Guiomar.

Joca já chegou dando um abraço afetuoso em Guiomar, que logo correspondeu, mantendo um sorriso no rosto.

– Que bom também, querido! — e em seguida o soltou.

– Querido? — Duque sussurrou com a mão no queixo.

– Joca, esse aqui é o Duque de Charllain, meu marido.

Duque estendeu a mão para cumprimentar o outro homem dizendo um “Olá, como vai?”, simpático e sorrindo. Mas seu sorriso não se devia apenas pela cordialidade, mas também por ser apresentado como marido de Guiomar. Ele adorava ser marido dela e ser apresentado como tal o fazia lembrar isso. E, principalmente, deixar claro aos outros homens que ele era marido dela ela formidável! Ainda mais quando se tratava de um “querido”.

– John Batista, — Na verdade, seu nome era João Carlos, mas agora ele era empresário na Europa e todos o chamavam de John, menos os brasileiros. Mesmo percebendo que Duque não era um, ele sabia que poderia se apresentar como João, já que era marido de Guiomar. Mas preferiu seu nome estrangeiro, era mais pomposo, e ele não queria negar pompas na frente de Duque. — um velho amigo de Guiomar.

– O Joca me ajudou muito, Duque, quando eu voltei para a Europa depois da morte do Fernando.

– Ah. — ele respondeu, meio sem entusiasmo, com um sorriso amarelo.

– Então você virou duquesa... — Joca analisou Duque de cima abaixo com uma mão no queixo. — É... você teve sorte, hein, Guiomar?

Guiomar sorriu e se preparou para responder, mas Duque a interrompeu agarrando sua cintura e respondendo antes:

– Não mais sorte que eu por ter encontrado essa mulher tão maravilhosa! — e encerrou com um beijo na bochecha da amada.

Guiomar riu.

– Realmente... — ela olhou para Duque, acariciando uma das bochechas dele com seu dedão — eu tive sorte.

Agora era Joca que sorria amarelo, com as mãos no bolso e mexendo os pés, ora ficando em meia ponta baixa de pé, ora ficando com os pés inteiros no chão.

– E você veio a trabalho ou a passeio? — ele tentou puxar assunto de novo.

– A passeio. — ela respondeu.

– E você não canta mais?

– Canto! Claro que canto!

– É que agora eu abri um pub aqui, não estou mais na Inglaterra. E eu adoraria convidar você pra cantar lá hoje à noite.

Guiomar olhou boquiaberta, entusiasmada para Duque, que não expressou reação.

– Eu adoraria!

– Mas hoje nós já fizemos uma reserva em outro lugar, não é? — Duque lamentava por fora e comemorava por dentro.

– Não tem problema, eu cancelo a reserva. — disse ao marido. Em seguida, virou-se para Joca, sorrindo largo. — A que horas tenho que estar lá?

– Esteja no palco às 22h em ponto.

– Não, não. Uns minutinhos de atraso aumentam a expectativa do público.

Duque não conseguiu esconder o incômodo de presenciar aquela conversa. Para ele, era absurdo vê-la repetindo esse diálogo com outro dono de casa noturna. Era exatamente o que ela havia lhe falado quando ele a chamou para cantar no Flor do Caribe.

– Não no País de Gales.

Duque se sentiu um pouco aliviado por isso.

– Bom, sendo assim... 22h... — ela estendeu a mão para confirmar o acordo — no palco!

O homem apertou sua mão.

– Bom, agora vou indo. Tenho que avisar aos funcionários que teremos cantora hoje. — ele entregou um cartão a Guiomar. — e aqui está o endereço. Não se atrase.

– Obrigada! Pode deixar!

E se despediu com um beijo em cada bochecha de Guiomar e um tapa nas costas de Duque, e ainda fez questão de dizer:

– Prazer em conhecê-lo, hein?

– Igualmente. — Duque respondeu falando uma grande mentira.

Duque colocou as mãos nos bolsos da calça e observou Joca ir embora, ainda incomodado com tudo.

– Sujeitinho abusado esse. — pensou alto.

– Não vejo por quê.

– Você não viu? Ele ficava... — procurou a palavra por alguns segundos — competindo comigo toda hora.

Guiomar riu.

– Você não tem ideia do que ele fazia quando eu cantava pra ele. — ela disse, virando-se para Duque.

– O quê? O que ele te falava?

– Bobagem, não vem ao caso agora. — ela colocou a mão no peito dele.

– O que ele te falava? Ele te desrespeitava?

– Não, não. Ele me respeitava. Só que vivia dando encima de mim. — e quando Duque se preparava para falar, Guiomar continuou. — Mas eu nunca correspondi. Nós ficamos amigos, e nada além disso. Não sou de dar mole pra dono de casa noturna. — e interrompeu Duque, que já ia falar, de novo: menos você, é claro. — ele enlaçou sua cintura. — De você eu já gostava muito antes de eu ir trabalhar no Flor do Caribe. — ele sorriu. — Eu já gostava quando você me chamou pra dançar... quando eu te chamei pra ver o pôr-do-sol comigo... e eu gostei muito quando você me chamou pra cantar... e gostei... — piscou lentamente — muito... do que você fez depois.

– E eu tô morrendo de vontade de fazer aquilo de novo.

– Então faz. — ela respondeu baixinho, quase num sussurro.

Notas finais
Eu sabia que a fic ia ficar mimimi, mas eu não imaginava o quanto HAUIAHOIUAHIOA Juro que vou tentar maneirar :x mas eu n consigo imaginar eles de outro jeito