Notas iniciais
Uma nova história pra vocês, espero que gostem e boa leitura. Xoxo.

Fria, solitária, deprimida e suicida, essa sou eu, Alexia Müller.

Não tenho amigos, não tenho família, não tenho vida social. Não estou dentro dos padrões impostos pela sociedade, sou um péssimo exemplo e estou pouco me fodendo pro que pensam e pro que deixam de pensar.

Me chamo Alexia Castro Müller, tenho 16 anos e sou de San Diego, Califórnia. Moro aqui com meus pais e meu irmão. Meu pai é um empresário bem-sucedido, minha mãe uma advogada de respeito, meu irmão o superdotado da família e eu... eu sou a ovelha negra.

Nem sempre fui assim, "inconseqüente", como costumam dizer. Eu tinha uma vida, tinha amigos e uma família que me amava, mas as coisas mudaram.

Aos meus sete anos de idade minha vida virou de cabeça para baixo, e foi aí, no momento em que eu mais precisei de ajuda que minha mãe descobriu estar grávida. Toda a atenção que eu tinha foi para o bebê que estava por vir. Eu não era mais a queridinha da família.

Minha vida foi uma total dor até meus 11 anos, até que conheci Pietro Adans, meu melhor amigo, meu único amigo. Foi ele que me mostrou a maior parte das bandas que escuto hoje, foi ele que me ensinou a não ter medo de ser quem eu sou, e foi ele que ajudou a me livrar das laminas, que pra mim, eram como drogas. Mesmo com todos os altos e baixos da minha vida deplorável, Pietro sempre me ajudou. Mas como na minha vida tudo tem que ir embora, com Pietro não foi diferente. Três anos depois que havíamos nos conhecido, Pietro teve que se mudar com a família para o Canadá. Nunca mais nos vimos, nunca mais nos falamos, perdemos totalmente o contato. Aquilo foi doloroso demais pra mim.

No dia seguinte em que perdi a única pessoa que me entendia cheguei em casa com piercings e tatuagens (Um piercing na boca, e um no septo, alargador, e uma tatuagem na nuca escrito “What The Hell”), meus pais piraram.

Apesar de que na época eu tinha apenas 14 anos, não acho que tenha sido uma atitude irresponsável da minha parte. Sim, foi em um momento de revolta e dor, afinal eu tinha perdido a única pessoa que se importava comigo, a única pessoa que me aceitava do jeito que sou, mas não me arrependo das minhas atitudes.

Eu fiquei três semanas de castigo após o ocorrido, depois meus pais decidiram me mandar pra um colégio interno. Não me aceitaram lá por muito tempo, eu era mais rebelde do que eles podiam agüentar. Eu fiquei lá durante sete meses, mas logo depois me expulsaram por quase provocar uma “rebelião” e aí eu voltei pro meu lar, amargo lar.

Pra surpresa dos meus pais, eu voltei com mais piercings, tatuagens e personalidade própria. (Continuei com o piercing no septo, mas troquei o único piercing na boca, por dois. Fiz uma tatuagem no peitoral– não sei bem se é esse o nome dessa parte do corpo, ciências nunca foi meu forte -, nos ombros, várias tatuagens em um braço, nas coxas, na coxa direita, nas mãos, nos dedos, na batata da perna, na barriga — ignora as de mais tatuagens -, na orelha, e um cabelo branco com algumas poucas mexas roxas).

Quando me viram acharam que eu era um gibi ambulante, ou algo do tipo. Eles não me mandaram pro outro colégio interno, nem militar, após um showzinho ridículo da parte deles fiquei de castigo durante um tempo e nada mais. Eles perceberam que quanto mais tentassem me mudar, pior eu ficaria. Finalmente um pouco de sanidade da parte dos meus queridos paizinhos. — Sim, a falta de respeito e a não aceitação por eu ser diferente, por parte dos meus pais é loucura pra mim -.

Enfim, essa sou eu e essa é a minha vida patética. Seja bem vindo (a), baby.


Notas finais
Espero que tenham gostado e só pra lembrar, reviews são sempre bem vindos. ;)