End Game
9 Hello Russia!
Notas iniciais
And I can't let you go
Your hand prints on my soul
It's like your eyes are liquor
Filha do Prefeito tenta proteger Grupo Criminoso!
Não é segredo pra ninguém que Felicity Megan Smoak, a filha do prefeito, que sempre foi conhecida como a princesinha da cidade, decidiu colocar as garras pra fora há algum tempo atrás. Ela assumiu publicamente um namoro com Oliver Queen, um homem que a cidade inteira teme por saberem que ele é o líder da gangue Arrow.
Nunca se conseguiu provar nada sobre o Senhor Queen e seu grupo, mas as pessoas afirmam que os “motoqueiros” realmente lidam com coisas pesadas, como tráfico, contrabando e até assassinatos.
O único problema é que a polícia nunca conseguiu provar nada e agora parece ainda menos interessada em lidar com esse caso.
Qual seria o motivo disso?
Chegou ao meu conhecimento, por fontes confiáveis de dentro da polícia de Starling City, que a não mais tão princesinha da cidade teria pedido ao pai para falar com o chefe de polícia Quentin Lance para paralisar as investigações em andamento sobre o namorado dela e os amigos dele.
A fonte me informou ainda que o delegado teria aceitado atender o pedido, pois além deste vir direito do prefeito da cidade, sua filha, Sara Lance, estaria em um relacionamento com Thomas Merlyn, que também faz parte do grupo Arrow.
A doutora Felicity Smoak pode usar do fato da influência do pai para proteger o namorado criminoso?
Isso ficará impune?
Por Anne Braffyp
Li o jornal pelo que pareceu ser a milésima vez enquanto Oliver andava de um lado pro outro do apartamento, em silêncio.
Eu o havia convencido de irmos pra casa, porque não queria uma cena no meio de todo mundo, ele não falou comigo em momento algum, apenas concordou com a cabeça e dirigiu sua moto até aqui em silêncio total.
Achei que assim que pisássemos no apartamento ele explodiria comigo, mas tudo o que ele havia feito foi me lançar um olhar profundo e então começar a andar como um louco de um lado para o outro, ainda em silêncio.
Eu estava começando a odiar o silêncio!
—Você vai ficar me dando tratamento de silêncio até quando? –Minha voz saiu em um sussurro e isso pareceu desperta-lo, ele parou de andar no mesmo momento e então olhou pra mim com os olhos cansados.
Meu coração se apertou fortemente e eu soube que nada de bom sairia dessa nossa conversa.
—Eu nem sei o que te dizer, Felicity! –Aquilo me pegou desprevenida e de certa forma, foi pior do que qualquer outra coisa que ele pudesse ter me falado.
—Coloca a raiva pra fora e aí, quando você se acalmar, vai poder me escutar e tentar me entender! –Eu estava à beira de lágrimas, acho que a calma dele estava me deixando muito assustada.
—Eu não estou com raiva de você, Felicity! Como eu poderia? Você tentou me proteger, é o que qualquer namorada faria. Não, eu não estou com raiva de você, eu estou com raiva de mim porque deixei isso ir longe demais. –Ele continuava me olhando com os olhos cansados, como se estivesse custando tudo dele olhar pra mim e continuar falando. –Eu sabia que não poderia levar isso em frente, mas eu te amo e esse é o problema, eu sabia que a merda iria explodir no ventilador, mas eu não me importei com os efeitos colaterais, achei que poderia resolver tudo!
—Mas nós podemos, Oliver! Olha só, eu sinto muito ter pedido isso pro meu pai, ainda mais sem falar com você, mas eles ainda não pararam investigação nenhuma, então não existe prova nenhuma, só boatos, ninguém pode provar nada, daqui a alguns dias vão achar que tudo não passa de mais uma fofoca entres todas as que já estão falando sobre mim, eu não me importo!
Ele se sentou ao meu lado e segurou a minha mão e nesse momento eu tive certeza de uma coisa.
Estava tudo se acabando entre nós dois!
—Mas eu me importo. Será que você não consegue perceber, Felicity? Você pediu pro seu pai usar a influência dele pra parar a investigação contra mim, isso é um crime. Você fez algo errado por mim, essa vida que eu levo já está começando a influenciar você sem que a gente perceba. E comigo não está diferente, eu estava com um dos caras na minha mira, mas hesitei porque pensei em você e então não quis matar ele, por causa disso o Tommy se machucou. –Ele acariciou o meu rosto e eu percebi que lágrimas já estavam escorrendo aos montes dos meus olhos. –Nós somos uma bomba relógio prestes a explodir, temos vidas diferentes e mesmo que de maneira inconsciente, estamos tentando nos encaixar na vida do outro, mas no fundo nós dois sabemos que isso não é possível.
Eu apenas negava com a cabeça rapidamente porque eu sabia aonde ele queria chegar, eu tinha plena certeza do que ele iria falar pra mim em seguida e eu não queria ouvir, embora dentro do meu coração eu precisasse admitir a verdade...
Eu sabia que o Oliver não estava mentindo, eu sabia que ele estava certo!
—Eu sabia que esse dia chegaria, mas eu não queria acreditar, nem aceitar. Eu não posso ficar com você e ser eu mesmo e a sua situação é a mesma que a minha!
-Eu te amo, Oliver!
—Eu também te amo, mas infelizmente isso nunca vai ser o suficiente! –Ele me puxou pra um abraço enquanto eu chorava fortemente.
Eu queria que ele tivesse gritado, discutido comigo, terminado tudo em um momento de raiva, porque eu ainda poderia resolver a situação, mas agora? Agora eu sabia que não me restava nada a fazer, eu poderia chorar, berrar, gritar, de nada adiantaria.
—Eu estava certo e sempre soube disso. Caras como eu não ficam com a garota, Felicity, a não ser que eles mudem e eu sei que você nunca me pediria pra abandonar a minha família do mesmo jeito que eu nunca te pediria pra abandonar a sua.
Percebi que os olhos dele estavam marejados também e em poucos segundos grudei a minha boca na dele.
O beijo foi molhado pelas nossas lágrimas e eu o abracei com tanta força, tentando impedi-lo de ir embora, mas eu sabia que não conseguiria.
Na verdade, eu sabia que não deveria, porque mesmo que estivesse me matando, eu sabia que ele estava certo e concordava com ele.
Ele se afastou de mim e tocou no colar que ele havia me dado antes de me dar um beijo na testa e se levantar.
—Temos muito pelo que agradecer sabe? Num mundo ideal nós nunca teríamos nos encontrado, então, eu sou grato pelo tempo em que pude estar com você!
Depois de dizer isso, ele saiu do meu apartamento rapidamente e eu fiquei ali, parada no mesmo lugar, chorando baixinho enquanto tinha a certeza de que o meu coração havia acabado de sair pela porta.
Uma parte de mim estava se odiando por saber que tinha ferrado com tudo, se perguntando o porquê de querer se intrometer na situação, afinal, se eu não tivesse falado com o meu pai, isso nunca teria acontecido.
Mas a outra parte de mim, a pequena parte que ainda estava pensando racionalmente sabia que isso aconteceria uma hora ou outra, nós não poderíamos continuar vivendo juntos ignorando as vidas isoladas um do outro.
Um casal precisava estar junto em todas as situações, se apoiarem, se conhecerem e nós não podíamos ter isso sem abandonarmos as nossas vidas.
Aos poucos fui sentindo o meu corpo caindo até o chão e então me deitei ali, quietinha, a coisa toda parecia muito mais dramática quando eu contava, mas a verdade é que eu não fiz uma cena de cinema, nem nada do tipo.
Eu só me deitei no chão e fiquei ali até pegar no sono!
...
—Felicity? Ei! Amiga, acorda! –Fui despertada rapidamente pela voz de Sara e me erguei mais rápido do que deveria, minha cabeça ficou zonza e eu voltei a me deitar no mesmo instante.
—O que? O que foi? –Eu estava me sentindo mal e a minha amiga, percebendo isso, logo me ajudou a levantar e me colocou deitada no sofá.
—Felicity, você tá com febre! –Ele pareceu muito preocupada por um momento e então logo se levantou em um pulo e tentou me levantar. –Vêm, eu vou te levar pro hospital!
Neguei com a cabeça rapidamente e permaneci sentada, meu estômago estava se revirando e eu sentia que iria vomitar muito em breve.
—Eu sou médica, esqueceu? Eu tenho todos os remédios que preciso aqui e além do mais, um hospital não vai fazer diferença porque eu tenho a plena certeza de que isso tudo é emocional! –Ela me olhou por longos segundos, mas por fim acabou assentindo e então se sentou ao meu lado.
—O que você quer eu faça? –Senti o nó no meu estômago se apertar e então respirei fundo.
—Eu preciso que você me ajude a subir, porque eu acho que vou vomitar, então depois disso eu vou tomar um banho. Enquanto isso você liga pra Caitlin e tudo o que eu vou precisar é de um chá e alguns comprimidos pra febre e pra enjoo. –Ela pareceu reticente por um momento, mas por fim acabou assentindo e se levantando. –Não se preocupe, ok? Amanhã eu já vou estar bem melhor, tudo isso só está acontecendo devido a tudo o que eu passei hoje!
—É, eu sei! Foi por isso que eu vim pra cá, mas vamos conversar sobre tudo isso depois, quando você já estiver deitada em baixo das cobertas e medicada. –Ela me ajudou a levantar e então começamos a caminhar até o meu quarto. No meio do caminho senti ela puxando o celular do meu bolso e a lancei um olhar de interrogação. –Confia em mim, você não ganhar nada vendo essa porcaria agora, só finja por um tempo que nada aconteceu pra que você possa melhorar um pouco, sua saúde tem que vir em primeiro lugar!
Me limitei a assentir e então finalmente chegamos até o meu quarto, Sara me levou até o banheiro e me deu um prendedor de cabelo. Rapidamente amarrei o meu cabelo no alto da cabeça e ela saiu do banheiro, deixando a porta entreaberta, com um olhar claro de “estou aqui fora, caso você precise”.
Me sentei no chão e assim que ergui a tampa do vaso, coloquei pra fora tudo o que eu havia comido naquele dia, o que não era muito, diga-se de passagem. Fiquei lá por longos minutos, mas me senti melhor assim que coloquei tudo pra fora.
Me levantei lentamente depois e retirei as minhas roupas, em seguida, entrei no box e tomei um banho quente e relaxante.
No momento em que cheguei no quarto, Sara não estava lá, mas o meu pijama já estava dobrado em cima da minha cama junto com a lingerie, sorri diante daquilo e me limitei a vestir a minha roupa calmamente e então ir direto para debaixo do cobertor, porque o dia estava frio e além disso, a febre estava me fazendo tremer também.
Acho que acabei adormecendo por um tempo, pois no momento em que abri os olhos, Sara e Caitlin estavam entrando no quarto.
Me ergui com cuidado e Sara correu para me ajudar a sentar enquanto Caitlin colocava uma bandeja no meu colo.
—Prontinho, chá com algumas bolachinhas pra você não ficar de estômago vazio e os comprimidos pra febre e pra enjoo, faça tudo direitinho que você vai ficar boa logo, logo amiga! –Caitlin sorria, mas eu percebia que ela estava triste e ansiosa ao mesmo tempo.
—Tudo bem, vai soltando logo o que aconteceu, Caitlin? Eu sei que você tá doida pra contar alguma coisa! –Ela ficou vermelha no mesmo momento e eu percebi que era uma notícia boa, mas que ela estava receosa de contar devido a minha situação. –Caitlin, não importa o que seja, você pode contar pra gente! Vamos ficar mais do que felizes por você, se for uma notícia boa, é claro!
Ela sorriu por um segundo e então se sentou ao meu lado.
—O Barry me pediu em namoro hoje mais cedo, assim que ele chegou da viagem. Ele apareceu no meu apartamento com um buque e estava suando tanto que eu achei que ele fosse ter um ataque. –O sorriso dela estava tão grande que foi impossível não sorrir junto e eu fiquei feliz por conseguir imaginar a cena na minha mente, Barry era a pessoa mais fofa do mundo e eu sabia que eles seriam ótimos juntos.
—Isso é incrível, mulher! Finalmente vocês vão poder transar e sumir com aquela tensão sexual que estava rondando o ambiente! –Revirei os olhos assim que a minha amiga fechou a boca.
É claro que Sara Lance não poderia ficar sem transformar uma coisa romântico em algo totalmente obsceno.
—Eu vou simplesmente fingir que você não disse isso e seguir em frente, ok? –Caitlin ainda estava sorrindo, mas de um momento para o outro ela adotou uma expressão séria e olhou pra mim de maneira apreensiva. –Eu sinto muito, Felicity! Eu não quero que pareça que eu estou super feliz e tudo mais enquanto você está sofrendo!
Neguei com a cabeça rapidamente e afastei a bandeja de mim assim que terminei de engolir os compridos com o chá.
—Eu não penso isso, Caitlin. Na verdade, eu quero que você esteja feliz, porque isso me deixa feliz, não importa que as coisas entre mim e o Oliver tenham ido pro espaço, eu quero que vocês duas tenham sorte na relação de vocês!
Eu sabia que as duas não enfrentariam os mesmos problemas que eu, afinal, o foco das pessoas não estava voltado pro Barry e pra Caitlin e a Sara nunca havia se importado com a opinião de ninguém, então nada disso seria um problema pra ela e pro Tommy!
—O Oliver terminou com você mesmo? Quer dizer, vocês nem conversaram sobre isso? –Sara parecia extremamente indignada e eu a entendia, mas eu sabia que ela não tinha ideia do que era estar no meu lugar.
—Nós conversamos, Sara. E foi justamente por isso que ele terminou comigo e apesar de estar doendo em mim, eu concordo com ele. A minha situação com o Oliver é muito diferente da sua situação com o Tommy ou da Caitlin com o Barry. Meu mundo e do Oliver são muito diferentes e nós estávamos começando a nos contaminar pelos mundos um do outro, a verdade é simples, não podemos ficar juntos e ser nós mesmos. A única maneira seria que ele abandonasse a vida de criminoso ou eu abandonasse a vida de médica. –Eu estava me segurando para não voltar a chorar, enquanto Cailtin e Sara seguravam a minha mão. –Eu sei que pra algumas pessoas a resposta parece muito fácil, quer dizer, ele faz coisas erradas, então é óbvio que deveria ser ele a mudar de vida, mas não é assim, aqueles caras são a família dele, aquele legado é o que o pai dele o pediu pra fazer, aquilo é quem ele é, eu nunca me perdoaria por ser a pessoa que tirou uma parte dele.
As duas assentiram rapidamente e eu soube que elas me entendiam, que elas sabiam que eu estava certa.
—O Barry me disse que ele tá mal, o que já era de se esperar. Mas por causa dessa situação toda, bem, parece que eles querem se mudar de Starling.
Aquilo me pegou totalmente desprevenida, afinal, mesmo admitindo que o Oliver estava certo, eu o amava muito e pensar na possibilidade de não vê-lo nunca mais, machucou o meu coração de uma maneira que eu não achava ser possível.
—Eles não podem provar nada sobre aquela matéria estúpida do jornal, mas mesmo assim a corregedoria achou melhor afastar o meu pai da investigação pra que não ocorra nada ilícito, palavras deles. –Ela olhou pra mim por alguns segundos, como se estivesse decidindo entre me contar algo ou não. –Bem, você sabe que eu não sou de ficar de enrolação, aqui em Starling não tem muita coisa pra mim e depois dessa história toda, bem, eu estava no hospital com o Tommy, conversando com ele e eu disse que se eles forem realmente embora, eu vou com ele!
Dessa vez eu não fui pega de surpresa, eu sabia onde a minha amiga queria chegar assim que ela começou a falar. Sara nunca havia gostado de Starling, acho que o que a prendia aqui era o fato de não ter nada pra ela em outro lugar, mas agora que ela tinha alguém, uma chance de recomeçar longe daqui, eu sabia que ela precisava aproveitar essa chance.
—Não fale como se nós nunca mais fôssemos nos ver, afinal, existe chamada de vídeo e passagens aéreas pra isso, sempre vamos ser amigas, nós três, não importa pra qual lugar nós formos. –Caitlin parecia ser a mais calma do grupo, ela sempre era a mais calma. –Mas agora, mudando de assunto, por que será que a Donna ainda não apareceu aqui aos berros?
Dei de ombros e voltei a me deitar em baixo das cobertas. –Contenção de danos, tenho certeza de que ela e o meu pai estão tentando resolver a situação toda e ela não vai aparecer aqui antes de estar tudo o mais próximo possível do normal, acho que ela não quer me desesperar mais do que eu já estou desesperada.
Percebi que Sara iria falar alguma coisa, mas nesse momento o celular dela apitou e percebi que após ler a mensagem ela ficou muda, como se estivesse sem graça.
—Pode falar, Sara! –Ela me lançou um olhar culpado e cheio de dúvidas.
—É do hospital, o Tommy acordou e está me chamando, mas eu acho que posso ligar pro Barry e pedir pra ele ficar lá por enquanto. –Neguei com a cabeça rapidamente e revirei os olhos.
Eu sabia que ela estava dividida entre ficar comigo e com o Tommy, mas o Tommy estava machucado e eu sabia que nesse momento, ele precisava dela muito mais do que eu.
—Você tem que ir agora, ele está machucado Sara, provavelmente está com dor. Precisa de você! –Ela ainda parecia em dúvida e nesse momento Caitlin se deitou ao meu lado, deixando bem claro a sua posição. –Além do mais, como você está percebendo, eu não vou ficar sozinha, então pode ir tranquila, amanhã vamos conversar mais, não se preocupe comigo, você já ajudou bastante!
Ela acabou por fim, assentindo e só foi embora depois de prometer mil vezes que estaria aqui amanhã bem cedo com uma cesta enorme de doces pra mim.
Caitlin a levou até a porta e então voltou para ficar comigo, eu percebi que ela estava querendo me falar algo, mas parecia não querer dizer na frente da Sara.
—Por que será que quando você disse que o Oliver não poderia abandonar a vida dele, você se referiu só a ele? –Ela voltou a se deitar ao meu lado, só que dessa vez em baixo das cobertas e eu me virei de lado para que pudesse olhar pra ela.
—O Oliver nunca me pediria pra abandonar a minha vida por ele, você sabe disso!
—Sim, eu sei. Não foi isso que eu perguntei, Felicity! –Eu sabia que não poderia continuar tentando contorna-la, Caitlin era muito esperta. –Você está pensando em largar tudo pra ficar com ele, não está?
Dei de ombros e então fechei os olhos por alguns momentos.
—Eu não vou mentir pra você e dizer que essa possibilidade não passou pela minha cabeça, afinal, o que ainda tem aqui pra mim? A Susan estava certa quando disse que essa matéria iria me destruir, Caitlin. Eu posso até ter algumas pacientes fiéis, mas acha mesmo que só elas vão conseguir manter o consultório? E se não conseguirem, acha que o hospital de Star vai me contratar depois de tudo isso? Não vejo outra escolha pra mim se não ir embora, mas ao mesmo tempo eu também sei que o Oliver jamais iria aceitar isso, então, é um assunto que não vale a pena levarmos pra frente.
—Eu discordo!
Caitlin e eu olhamos na direção da porta no mesmo momento só pra darmos de cara com a minha mãe.
Por que as pessoas decidiam entrar no meu apartamento assim? No susto? Ninguém sabia tocar o interfone?
—Oi mãe!
Ela sorriu minimamente e então caminhou até se sentar na ponta da cama. –Eu nem vou perguntar como você está, bebê, porque a sua cara já está me dizendo tudo. Eu e o seu pai fomos atrás da Susan, mas ela realmente não fez nada, ela excluiu a matéria, mas antes disso a tal Anne, colega de trabalho dela, conseguiu carregar o arquivo na nuvem e publicou, pensando que assim que ela conseguiria fama ou algo do tipo, mas nós demos um jeito nela e de agora em diante ela vai ter sorte se conseguir um emprego de jornalista em outro continente. –Ri baixinho diante da irritação da minha mãe, afinal, eu tinha plena certeza de que era isso que ela iria fazer já que ela entrava no modo Mamazilla sempre que mexiam comigo.
—O papai tá com muita raiva de mim? –Ela negou rapidamente e então começou a acariciar as minhas pernas por cima da coberta.
—Ele te ama bebê e não está com raiva, acho que agora ele finalmente percebeu o quanto o Oliver te faz feliz e ele está bem triste por toda essa situação!
Assenti com um sorriso e decidi que de repente, eu não queria mais falar daquilo.
—Eu sei o que vocês estão tentando fazer, mas não vai funcionar, de verdade. –Percebi que a minha mãe queria falar mais alguma coisa, mas a cortei no mesmo momento. –Mãe, será que você e a Caitlin poderiam arrumar uma mala pequena pra mim? Agora?
As duas trocaram um olhar assustado e continuaram paradas no mesmo lugar.
—Felicity? –Caitlin parecia receosa, o que diabos elas estavam pensando?
—Eu preciso sair daqui por alguns dias, até a poeira baixar pelo menos, preciso pensar no que vou fazer da minha vida e não vou mentir, não quero estar aqui quando o Oliver ir embora, então, eu gostaria muito que vocês arrumassem uma mala pequena pra mim porque eu não acho que consigo fazer isso agora, meu corpo tá pesado, eu to morrendo de sono e quero viajar amanhã cedo, então acho que a Caitlin pode cancelar todos os meus pacientes pelos próximos dias, isso é, se ainda tiver algum.
Eu estava com o coração em frangalhos, mas surpreendentemente a vontade de dormir era maior do que a de chorar e percebi tardiamente que o segundo comprimido que a Sara havia me trazido não era pra dor, era um calmante.
Me virei de lado de fechei os olhos, confiando que elas fariam o que eu estava pedindo!
—Pra onde você quer ir, bebê?
Sorri levemente e percebi que o limbo do sono estava prestes a me levar pro mundo dos sonhos.
—Bem, eu sempre quis conhecer Moscou!
Depois disso, tudo não passou de um borrão escuro!
...
—Você sabe que é uma idiota e que está cometendo um grande erro, não sabe?
Sara parecia inconformada com a minha decisão de viajar, ela achava que eu deveria lutar pelo Oliver ao invés de desistir.
Ela não entendia que não importava o quanto você quisesse, as vezes algumas batalhas já estavam perdidas antes mesmo de serem travadas!
—Eu sei, você disse isso durante todo o caminho até o aeroporto!
Minha mãe havia voltado pra casa, estava na prefeitura agora respondendo repórteres e ajudando-o a cuidar de tudo, Caitlin havia ido para o consultório cancelar as consultas e tentar resolver um pouquinho da minha vida, enquanto eu fugia como uma covarde.
Mas a Sara aparentemente não tinha nada melhor pra fazer e havia decidido que havia me perturbar até o momento em que eu entrasse no avião.
—Eu só acho que você está cometendo um erro, vocês podem fazer dar certo! –Suspirei pela milésima veze olhei pra ela.
—Fazer dar certo de que jeito, Sara? –Aquilo conseguiu cala-la e ela ficou muda por vários minutos, eu podia ver as engrenagens girando no cérebro dela, mas no final ela não conseguiu achar uma solução, como eu já sabia que não conseguiria.
—Eu não faço ideia, mas eu não tô aqui pra resolver os problemas do mundo, apenas aponta-los!
Foi impossível não rir daquilo e depois disso tudo o que eu fiz foi abraça-la até começarmos a tremer.
Quer dizer, ela começar a tremer!
Sara retirou o celular do bolso rapidamente e pareceu preocupada no mesmo instante.
—É uma mensagem do Barry, ele está dizendo que tá no hospital com o Tommy e que ele não acordou se sentindo muito bem! –Ela me lançou um olhar rápido e tudo o que eu fiz foi assentir.
—Eu te amo, obrigada por me trazer até aqui! –Ela sorriu levemente e voltou a me abraçar.
—Eu ainda vou estar aqui quando você voltar só pra poder te dar uma surra!
Depois disso ela saiu correndo e eu sorri, Sara não era o tipo de pessoa que falava sobre amor abertamente, ao invés disso, ela falava que sempre estaria ali, esse era o jeito dela de falar que amava.
—Eu espero que ela não azucrine o coitado do taxista querendo fazer ele correr pra chegar mais rápido no hospital! –Levantei a cabeça no mesmo instante e me deparei com Barry sentando ao meu lado.
—Você não estava no hospital? –Ele deu de ombros e abriu aquele sorriso fofo cheio de covinhas.
—Eu estava, há duas horas atrás, e não suportei ficar muito tempo com o Tommy enquanto ele falava sobre a abstinência de sexo na qual ele se encontrava e que estava pensando em pagar as enfermeiras pra não entrarem no quarto por umas duas horas pra ele poder se divertir com a Sara. –Gargalhei alto depois de escutar aquilo e ele riu baixinho.
—Você sabe que ela vai te matar assim que descobrir que ele não estava passando mal coisa nenhuma, né? –Ele revirou os olhos e me abraçou de lado.
—Ela vai superar, mas eu precisava falar com você antes de você viajar, a Caitlin me contou que você ia passar um tempo fora e eu não podia te deixar ir antes de falar isso! –Ergui os olhos na direção dele e simplesmente esperei. –As coisas não são bonitas só porque são duráveis ou perfeitas, elas são bonitas justamente porque são imperfeitas, nada que vale a pena vem sem algum esforço!
Eu sabia exatamente ao que ele estava se referindo, mas também sabia que ele era gentil demais pra dizer o nome do Oliver.
Barry e Caitlin seriam o casal perfeito, eu torcia tanto por eles!
—Como a gente sabe quando um amor é real? –Minha pergunta ficou no ar assim que anunciaram o meu nome pelo autofalante do aeroporto.
Eu estava tão entretida em meus pensamentos e depois na conversa com o Barry que nem havia percebido que já estavam chamando pro meu voo a um tempão.
Lancei um sorriso na direção do meu amigo e então peguei a minha bolsa e saí rapidamente em direção ao portão de embarque.
—FELICITY! –Olhei pra trás e percebi que Barry estava em pé, com um sorriso no rosto. –A gente simplesmente sabe!
Depois daquilo abaixei a minha cabeça e corri para dentro da área da embarque.
Eu queria poder dizer que aguentei firme, mas seria mentira! Passei o voo inteiro chorando baixinho e acho que provavelmente assustei a senhora que estava sentada ao meu lado.
Devo ter pegado no sono em algum momento, pois despertei assim que senti o avião pousando, esfreguei os olhos inchados e olhei pela janela do avião.
Olá, Rússia!
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