End Game

10 Imperfection looks good


Notas iniciais
Olha quem resolveu aparecer com o último capítulo da fanfic meus dengos? Eu sei que já estava avisado desde o começo que essa seria uma fanfic curta, mas a sensação de perda continua a mesma e sim, eu sou melodramática assim mesmo kkkkkkkkkk... Gostaria de dedicar esse último capítulo da fanfic a duas pessoas muito especiais pra mim...Minha amiga Regina, pela linda recomendação que deixou aqui na fanfic e minha amiga e xará Cintia Paiva porque foi aniversário dela há alguns dias atrás e esse aqui é o meu presente, assim como prometido!!! Enfim, como sempre eu vou deixar a choradeira pro epílogo, por enquanto, fiquem com o último capítulo de End Game!!!

I've made mistakes and made some choices

Is that's hard to deny

After the storm

Something was born on the 4th of July

Our past days were the fun

This endgame is the one

With four words on the tip of my tongue

I'll never say it

—Você vai morar aí por acaso?

Sara parecia irritada ao telefone e de certa forma, eu podia entende-la.

Eu havia saído de Starling falando que iria passar alguns dias em Moscou, mas esse “alguns dias” acabou se transformando em mais de um mês!

Um mês e dez dias, pra ser mais exata!

—Não, eu não vou morar aqui e você sabe disso, até porque foi você mesma que comprou as minhas passagens de volta pra daqui a dois dias, não foi? Então não faça drama! –Ela bufou pelo telefone e eu sabia o quanto ela deveria estar querendo me matar nesse momento.

Você está fugindo, Felicity! Não tente me enganar com esse papo de eu comprei as suas passagens, nós duas sabemos que o único motivo de vocês estar voltando agora é porque sabe que aquele que não deve ser nomeado foi embora a poucos dias atrás!

Eu havia pedido pra Sara não tocar no nome de Oliver, mas o que eu estava pedindo era pra ela não falar sobre ele, ao invés disso, ela continuou falando sobre ele, trocando apenas o nome “Oliver” por “aquele que não deve ser nomeado”.

Isso era um insulto ao Harry Potter!

—Sara, por favor! –Escutei um suspiro vindo do outro lado da linha e sabia que pelo menos essa batalha eu havia ganhado.

Tudo bem, eu vou ficar quieta! Mas de antemão, eu já vou pedindo desculpas ok? É que as vezes você não sabe o que é melhor pra você!—Depois disso ela desligou o telefone e eu franzi o cenho, em total confusão.

Sara era uma força da natureza a ser levada em consideração, mas o que diabos ela estava querendo dizer quando pediu desculpas?

Pensei em ligar de volta, mas pelo jeito dela no telefone eu já sabia que não conseguiria arrancar nada dela, eu só esperava que ela não tivesse feito nenhuma burrada, porque tudo o que eu menos precisava agora era de confusão na minha vida confusa.

Eu sinceramente não sabia o que fazer, eu voltaria pra Starling daqui a dois dias e aí? Caitlin havia confirmado as minhas suspeitas quando me ligou falando que a maioria das pacientes cancelaram suas consultas, somente as que realmente gostavam de mim e do meu trabalho haviam se mantido firmes e algumas até já haviam dito, inclusive, que mesmo que eu me mudasse de cidade, elas iriam atrás de mim porque não confiavam em nenhuma outra médica.

Isso era um conforto muito bem vindo em meio ao caos!

No fundo eu já sabia que a minha vida em Starling estava acabada, as pessoas nunca esqueceriam dessas histórias e eu nunca teria paz, a verdade era que sem o Oliver ao meu lado eu não ia possuir forças suficientes pra poder enfrentar tudo isso de cabeça erguida, eu iria acabar recuando como um ratinho assustado e isso eu me recusava a fazer.

Bati a cabeça de leve na parede atrás de mim assim que o nome “Oliver” voltou a assaltar a minha mente, durante todos esses dias eu tentei a todo custo exclui-lo dos meus pensamentos, mas ele sempre dava um jeito de se infiltrar em meio aos meus sentimentos e memórias, era como um lembrete doloroso da vida que eu poderia ter ao lado dele e que agora havia escapado das minhas mãos.

Espera, mas que vida?

Quem eu estava tentando enganar? Oliver e eu não tínhamos um futuro juntos, eu era a “mocinha” dos filmes e ele era o “cara mal e perigoso”.

—Queria que fosse realmente um filme! –Suspirei baixinho.

A verdade era que se a minha vida fosse um filme as coisas seriam bem mais fáceis, Oliver e eu encontraríamos um jeito de ficarmos juntos e então os créditos subiriam na tela e aparecia a frase que me suspirar durante muitos anos enquanto via os filmes de princesas...

“ E viveram felizes pra sempre....”

A vida não era um filme, eu não era uma princesa, esse era o mundo real e as coisas costumavam dar bem errado aqui, corações eram partidos a todo o momento e sinceramente? Eu acho que existia mais gente triste do que feliz no mundo.

—Tudo bem, agora já chega! –Me levantei da cama rapidamente e segui em direção ao banheiro para tomar um banho e me arrumar.

Eu precisava sair desse quarto urgentemente. Na verdade, era o que eu mais havia feito no último mês, quem me visse de longe pensaria que eu era uma turista animadíssima aproveitando ao máximo a viagem, mas a verdade é que ficar sozinha no quarto do hotel levava os meus pensamentos para rumos não tão agradáveis, por isso eu preferia passar os meus dias conhecendo todos os lugares possíveis, provando todas as comidas que me parecessem apetitosas e registrando tudo com o celular.

Era melhor manter a minha mente trabalhando em outras coisas, isso ajudava a tornar a minha situação toda mais suportável, além do mais, eu tinha certeza que se eu não estivesse fazendo isso, já teria entrado em alguma espécie de crise depressiva a muito tempo.

Fiz tudo no automático e então saí do meu quarto, o fechando logo em seguida. Desci pelo elevador e então deixei a minha chave com o recepcionista do hotel que me cumprimentou com um sorriso e então foi atender outros clientes.

Saí do hotel com um sorriso mínimo no rosto, porque isso era tudo que eu podia fazer, e segui em direção à Praça Vermelha.

O lugar era incrível e não ficava muito longe do hotel, por isso eu conseguia vir andando. A Praça Vermelha era um ponto turístico muito famoso na Rússia e havia sido o primeiro lugar que eu vim conhecer quando cheguei aqui em Moscou.

Desde então, eu gostava de vir aqui com bastante frequência e apenas me sentar em um café, pedir uma bebida quente e ficar observando aquele fluxo interminável de pessoas.

Era terapêutico!

No momento em que cheguei ao café, a atendente me olhou com um sorriso no rosto e gritou um comando em russo pra um garoto atrás dela, eu havia vindo tanto aqui que ela já sabia o que eu costumava pedir.

Vy prishli syuda, chtoby uvidet' ploshchad' v posledniy raz? (Você veio aqui ver a praça pela última vez?) –Sorri pra Dianna e aceitei o café de suas mãos, nós conversávamos as vezes e ela sabia que eu iria embora em breve.

Da, ya budu skuchat' po etomu mestu i tebe tozhe! (Sim, vou sentir falta desse lugar e de você também!) –Ela riu baixinho ao perceber o quanto o meu russo ainda era precário e eu revirei os olhos.

YA tozhe budu skuchat' po tebe, Felicity! Tak chto vozvrashchaysya ko mne, kogda smozhesh', khorosho? (Também vou sentir sua falta, Felicity! Então volte pra me ver quando puder, ok? –Assenti com um sorriso e ela me abraçou uma última vez antes de ir atender os outros clientes que estavam chegando.

Eu realmente sentiria falta da Rússia, havia aprendido a gostar muito do lugar e tinha certeza de que de agora em diante, viria aqui sempre que pudesse.

Me perdi em pensamentos, enquanto me lembrava de tudo o que eu havia conhecido por aqui, mas fui tirada dos meus devaneios rapidamente no momento em que vi uma morena baixinha olhando fixamente pra mim.

Não, não era possível!

Pisquei várias vezes para apagar aquela ilusão da minha mente, mas não consegui fazer aquilo sumir, ao contrário, minha visão apenas ficou mais nítida e eu pude ver Thea Queen há poucos metros de distância de mim.

Mas que diabos?

Antes que eu pudesse caminhar até ela ou fugir correndo como uma covarde (eu estava nervosa!), ela caminhou até mim e então, se sentou na cadeira ao meu lado.

—Gostando da Rússia? Eu já vim várias vezes aqui com o Ollie quando éramos pequenos, adoro esse lugar!

Tudo bem, por que diabos a irmã do meu ex namorado estava sentada ao meu lado NO MEIO DA RÚSSIA, falando sobre as suas memórias de infância como se fosse a coisa mais normal do mundo?

Será que eu realmente gostaria de saber a resposta?

—Você poderia voltar um pouco a fita e me explicar o que está fazendo aqui? Quer dizer, o que tá acontecendo Thea, eu não tô entendendo nada! –Ela deu de ombros e roubou o meu café, em seguida começou a bebe-lo enquanto admirava as pessoas à nossa frente.

—Quando éramos mais novos e eu ainda via Oliver como um príncipe encantado, eu tinha certeza de que ele se casaria com uma princesa. Toda vez que eu dizia isso em voz alta, o Ollie ria baixinho, passava a mão nos meus cabelos e dizia “Eu não tenho muita certeza disso, mas prometo que se eu achar uma princesa, vou contar pra você”. –Eu ainda não estava entendendo nada do que ela queria falar, mas a voz dela era tão mansa, emitia tantas lembranças, que era impossível não ficar ali ouvindo ela. –Os anos se passaram e eu infelizmente tive que crescer, sonhos de príncipes e princesas, castelos e cavalos brancos foram sendo esquecidos, mas uma pequena parte de mim, aquela parte que se recusava a deixar de ter esperanças, continuava esperando que o meu irmão encontrasse a princesa dele, porque era muito triste ter que ver a pessoa que eu mais amava no mundo, definhando dia após dia em uma vida que ele tinha aprendido a amar, mas que tinha exigido tudo dele.

Me doía escuta-la falando essas coisas, porque tudo o que eu desejava pro Oliver era a felicidade porque eu sabia que ele merecia, as vezes eu achava que o conhecia melhor a mim mesma e por isso eu podia dizer com certeza absoluta que ele merecia ser feliz, merecia ser amado.

Eu não tinha certeza de muitas coisas na minha vida, mas entre as minhas poucas certezas estava a de que Oliver Queen era uma boa pessoa, mesmo que ele não enxergasse isso!

—Por que está me contando tudo isso, Thea? –Eu não queria soar arrogante, nem nada do tipo, mas eu estava tão cansada, tão desgastada, eu não tinha paciência pra joguinhos e sabia que se Thea Queen havia se deslocado dos Estados Unidos até a Rússia atrás de mim, é porque ela tinha algo importante pra falar.

—Sabe qual foi a primeira coisa que o Ollie me disse quando eu te vi conversando na Verdant com ele e perguntei quem era você? –Neguei com a cabeça rapidamente, esperando que ela finalmente fosse começar a fazer sentido. –Ele disse “Felicity Smoak, princesa da cidade”! Qualquer um que tivesse escutado aquilo acharia que não era nada demais, afinal, você realmente era conhecida como a princesinha da cidade, mas eu sou a irmã dele, por isso eu notei a diferença e mesmo estando assustada e preocupada com aonde isso poderia chegar, naquela simples palavra “princesa” eu tive a certeza de uma coisa, a de que meu irmão se casaria com você!

Tudo bem, a conversa havia tomado rumos totalmente inesperados agora!

—Onde você quer chegar com isso, Thea? –Eu não achava que ela seria cruel ao ponto de cruzar o globo só pra vir me jogar na cara tudo o que eu havia perdido.

—Você o deixou ir, Felicity! Você deixou o meu irmão ir e agora ele parece aquele cara de novo, aquele cara cansado e perdido, que tenta esconder tudo atrás de um sorriso falso! –A fala dela teve o poder de me desarmar, mas ao mesmo tempo de me deixar indignada.

Ela estava me culpando? Eu sei que não havia tomado as melhores decisões, mas essa separação não tinha sido escolha minha.

—O Oliver saiu pela minha porta, eu não o mandei embora!

—Não, você fez pior, você o deixou sair! –Ela parecia tão resignada naquela afirmação e eu simplesmente não conseguia conter a explosão dentro de mim.

—O que diabos você queria que eu fizesse? Segurasse a perna dele pra impedi-lo? Foi uma escolha dele, Thea e eu não podia fazer nada! –Ela revirou os olhos e então terminou de tomar o café, o MEU café!

—Foi uma escolha estúpida e eu achei que nós duas concordaríamos nesse ponto, mas agora começo a pensar que me enganei sobre você!

Eu estava escutando isso mesmo ou era uma alucinação da minha mente?

—Você tem algum ponto a provar ou só viajou o mundo atrás de mim pra me ofender mesmo? Por que se for isso, eu peço educadamente que você vá embora! –Eu estava prestes a perder o pouco de controle que me restava...

Eu havia passado as últimas semanas segurando tudo dentro de mim, mas eu sabia que a minha barragem emocional estava rachada e que precisava de muito pouco pra se romper.

—Eu não estou tentando te ofender, Felicity! Você acha que eu viria até aqui só pra isso? Eu precisei falar com a Sara, convence-la a me dar o endereço do seu hotel, viajei o mundo atrás de você e então fiquei sentada naquele banco ali por quase seis horas esperando você aparecer aqui porque eu sabia que se você soubesse que eu estava no seu hotel, provavelmente não me deixaria entrar e eu perderia a minha chance, então, não, eu não vim até aqui só pra ofender você Felicity Megan Smoak!

Minha mente se encontrava num choque tão grande que eu acho que estava me apegando a detalhes idiotas, porque no momento, tudo em que eu conseguia pensar era “Oliver havia contado o meu nome do meio pra irmã dele?”

—O que você veio fazer aqui então? –Ela bufou pelo que pareceu ser a milésima vez e eu me perguntei se eu estava parecendo tão retardada quanto estava me sentindo.

—Você por acaso tá com algum problema na cabeça? –Eu neguei rapidamente e então ela segurou a minha mão e me ajudou a levantar, em seguida deixou dinheiro na mesa e saiu andando comigo. –Vamos pro hotel, acho que você precisa deitar um pouco e então poderemos conversar!

Assenti levemente, pois estava começando a me sentir meio enjoada mesmo e permiti que ela me levasse ao longo do caminho. Assim que chegamos ao hotel eu acabei fazendo tudo no automático e só consegui retomar um pouco de controle sobre mim mesma quando retirei os sapatos e me deixei.

—Você disse que o Oliver fez uma escolha estúpida, disse que eu o deixei ir! Onde você quer chegar com tudo isso?

—Onde eu quero chegar? É bem simples, eu nunca me agradei desse relacionamento de vocês, porque desde o começo eu sabia que o meu irmão sofreria se não desse certo e eu já te falei isso antes. Mas agora, vendo o jeito como ele está, eu tenho que tentar resolver isso, fazer com que vocês dois fiquem juntos de novo porque só assim vocês dois vão ser felizes de verdade, caso contrário, só vão ficar por aí tendo meias vidas e vão se tornar velhos amargos e chatos.

A descrição dela da coisa toda foi bem detalhada, mas eu ainda não entendia o que ela pretendia com isso, afinal, não era como se eu pudesse voltar correndo pros braços dele, Oliver não me aceitaria de volta, ele estava bem resoluto nas escolhas dele.

—Thea, eu sinto muito, mas isso aqui não é “Operação Cupido”, você não pode fazer alguns planos infalíveis e me juntar com o seu irmão de novo, a vida não funciona assim! –Ela revirou os olhos e então, se deitou ao meu lado.

—Por que você tá tão na defensiva? Eu não acho que a sua situação seja um filme da sessão da tarde, Felicity! Mas sei sim que as coisas tem conserto, eu só quero ajudar e eu sei que você quer a minha ajuda, mas algo a está impedindo de falar isso e eu preciso saber o que é pra eu poder tirar essa merda da sua mente e seguirmos em frente.

Fechei meus olhos por alguns minutos e fiquei feliz quando vi que ela respeitou o meu espaço, eu precisava pensar, precisava analisar se valia a pena mesmo escuta-la, quer dizer, e se eu voltasse a me permitir criar esperanças só pra no fim do dia ver todas elas caindo por terra novamente? O risco valeria a pena?

Inferno, é logico que sim, é do Oliver que eu estava falando, afinal de contas!

—Como poderíamos ficar juntos, Thea? Eu sei que parece uma comparação ridícula, mas Oliver está do lado negro da força, eu não e nenhum de nós dois quer que o outro precise abandonar sua vida. Então como podemos seguir juntos? A médica e o líder de gangue? Podemos recomeçar quantas vezes quisermos, sempre vai dar errado!

Eu queria que ela me desse palavras de esperança, eu queria que ela me dissesse que havia um jeito, porque mesmo que eu não quisesse admitir, a esperança já estava tomando conta do meu coração novamente e eu não queria perdê-la.

—Esse é o problema, vocês passaram todo esse tempo separando as vidas de vocês em dois lados opostos, vocês nunca se deixaram realmente entrar na vida um do outro, Oliver não te falava sobre as ações da gangue e eu duvido muito que você falasse sobre o seu trabalho, os jantares que você frequentava, a vida que você levava. Assim nunca vai funcionar mesmo, ainda mais em uma cidade como Starling onde vocês dois já eram figuras famosas!

Tudo bem, aquilo já estava começando a me tirar do sério, eu não precisava de pessoas apontando os erros na minha relação, eu precisava de soluções.

—Thea, se você tem alguma ideia, o momento de falar é agora, sério! –Acho que ela percebeu que eu já estava ficando exausta daquela situação toda, pois ajeitou o corpo ao lado do meu e começou a olhar para os arabescos que estavam decorando o teto do quarto.

—Você e Oliver precisam fazer parte da vida um do outro, sem mais se esconder. Se você fez um parto muito estranho hoje, ótimo, você pode contar pra ele. Se ele vai levar um carregamento de armas amanhã, tudo bem, ele pode contar pra você! Vocês não precisam isolar a vida um do outro em caixas separadas e sobre o “trabalho” do Oliver, bem, ele começou algo com o Tommy e acho que isso pode ser o disfarce perfeito pra vocês!

Eu já estava começando a sentir o meu coração batendo mais forte contra o peito, eu confiava no Oliver pra compartilhar a minha vida com ele e principalmente, eu confiava em mim mesma pra saber que não me importaria com o que ele compartilhasse comigo, eu sempre estaria ao lado dele. Só bastava saber se ele ia querer isso também, afinal, eu não podia lutar sozinha.

—Como assim? O que os dois começaram? Aliás, onde eles estão? –Eu havia impedido Sara de me contar qualquer coisa sobre Oliver, mas agora, com a esperança batendo bem na minha porta, era impossível não fazer planos.

—Eles foram pra Nova York, estão abrindo uma academia de luta, a Sara vai trabalhar lá também como professora de defesa pessoal, Ollie achou que seria o disfarce perfeito, de dia eles vão ser os professores de uma academia, pessoas normais, já de noite, eles vão fazer o que sabem fazer de melhor! Nova York é um lugar gigantesco, contanto que eles tomem cuidado, bem, ninguém nunca vai realmente reparar neles.

—Espera, mas não vão achar estranho uma academia frequentada por todos aqueles caras? Quer dizer, a gangue tem um monte de membros!

—Barry, Oliver, Tommy e Sara vão cuidar da academia, Roy vai ficar em Starling comigo e o resto dos caras, bem, cada um está achando sua própria ocupação! –Ela parecia empolgada pela primeira vez desde que havia entrado no quarto e quando eu menos esperava ela começou a pular em cima da minha cama. –Não é perfeito? Você pode trabalhar como médica em Nova York, aposto que você consegue um emprego lá rapidinho, então você vai ser a namorada de um dono de academia, nada fora da lei.

Ela continuou quicando em cima da cama como uma louca, mas eu simplesmente estava tendo dificuldades de assimilar tudo aquilo, quer dizer, Oliver e eu poderíamos realmente ser felizes? Seríamos capazes de fazer dar certo?

—Agora me diz se eu não resolvi todos os problemas de vocês? Até da sua amiga Caitlin, já que ela pode transferir a faculdade dela pra Nova York e continuar trabalhando com você enquanto não se forma! –Ela continuava parecendo que ia explodir de alegria, mas parte do entusiasmo dela morreu assim que percebeu que eu não estava compartilhando daquela euforia toda. –Era pra você estar feliz. Por que você não está feliz?

Me lembrei de quando eu era pequena, eu costumava olhar os adultos interagindo e pensava no quanto parecia complicado. Agora eu havia me tornado a adulta complicada, porque a criança em mim simplesmente faria as malas e iria atrás do Oliver, mas a adulta sabia que tudo era mais difícil do que parecia.

—Por que você tá me falando isso? Se esse plano é tão perfeito assim, por que o Oliver não pensou nele? Por que ele não me ligou? Se ele me ama tanto e agora temos uma chance, como você disse, por que ele não se importou? –Aquilo foi a gota d’agua, eu não consegui mais segurar toda aquela confusão de sentimentos dentro de mim e quando menos esperava percebi que lágrimas e mais lágrimas já estavam escorrendo pelo meu rosto.

Thea pareceu compadecida com a minha dor e rapidamente veio me abraçar, ela ficou me segurando até que eu consegui parar de chorar.

—Você acha que esse plano não foi dele? Oliver e eu estávamos conversando antes de ele ir pra Nova York e ele se pegou descrevendo o que ele chamava de “vida perfeita”, ele criou tudo isso Felicity, você sendo médica, trabalhando com a Caitlin, vocês dois dividindo tudo sobre suas vidas, podendo ficar juntos sem medo dos comentários. Eu só fiz o que ele não teve coragem de fazer, vir até aqui e falar com você. –Olhei pra cima e antes mesmo que eu pudesse abrir a boca, ela já estava me respondendo, porque nós duas já sabíamos o que eu iria perguntar. –Ele te ama, Felicity! Mas o meu irmão não acha que é merecedor de ter uma felicidade assim e ele acha que você merece coisa melhor, algo no estilo Ray Palmer, ele tem medo de que se te trazer pra essa vida, algo dê errado e você acabe afundando, o maior medo do Oliver é que algo aconteça com você!

Ri baixinho ao pensar que ele achava que Ray Palmer era o melhor pra mim, o cara era um mala e ficou me perseguindo muito tempo depois que eu terminei com ele, só parou com a palhaçada depois que eu praticamente obriguei meu pai a manda-lo parar.

—Queria que ele pudesse se ver como eu vejo, se ele pudesse se olhar pelos meus olhos ao menos uma vez, perceberia o quanto ele é especial e o quanto é digno de amor! –Thea pareceu feliz com a minha resposta e então se levantou. –E se eu for atrás dele e ele não me quiser? E se eu não conseguir convence-lo? Eu não acho que seja capaz de vê-lo indo embora novamente.

—Sabe, o Barry me contou da conversa que vocês tiveram antes de você entrar no avião, ele estava certo Felicity, as coisas não são bonitas só porque são duráveis e nada que vale a pena vem fácil, alguns sacrifícios são exigidos. Você só vai saber se tentar! –Depois disso ela rodeou a cama até chegar a mim e depositou um beijo no meu rosto. –E caso você decida tentar, tem uma passagem no seu nome pra um voo que vai sair hoje as nove da noite rumo à Nova York, a escolha é sua!

Depois disso ela saiu do meu quarto e foi como se a situação toda nunca tivesse acontecido.

Eu fiquei ali sozinha e com uma decisão a tomar!

Eu podia ficar com um futuro seguro e estável ou poderia ir atrás do Oliver sabendo que eu não teria nenhuma garantia...

Merda, é claro que eu já sabia a resposta!

...

Era fim de tarde e ainda estávamos em pleno inverno, ou seja, eu estava quase congelando.

Minha vontade era de entrar no lugar e me aquecer, mas a fachada grande e iluminada dizendo “Queen Academy” me lembrava do porquê de eu estar hesitando tanto.

Oliver estava lá dentro e agora que eu estava tão perto, bem, minhas pernas pareciam ter virado gelatina!

Fiquei ali fora por vários minutos, esperando que a coragem me aparecesse, mas eu simplesmente não estava encontrando.

—Você vai entrar? –Levei a mão ao coração para tentar acalma-lo depois do susto, eu não havia escutado ninguém chegando atrás de mim.

Me virei rapidamente só pra dar de cara com Tommy Merlyn e eu não sabia se ficava ou não aliviada por não ser o Oliver.

—Desculpe, eu só...-Ele me interrompeu com um gesto e então parou ao meu lado.

—Você só está aí tentando encontrar a coragem pra entrar e falar com ele! É normal sentir medo, Felicity, mas ele te ama e sinceramente? Acho que mesmo que decida não entrar, você ainda vai acabar vendo ele mais cedo ou mais tarde, porque eu conheço o meu amigo e a resolução dele de se manter afastado de você não vai durar muito. Eu dou poucos meses até que ele apareça rastejando na sua porta! –Tommy falava aquilo tudo com um sorriso cafajeste no rosto, mas eu via em seus olhos que ele estava me implorando pra não ir embora!

—Eu o amo! –Ele riu baixinho e então passou os braços pelos meus ombros.

—Eu sei disso, todos sabem disso! Ele também te ama, mais do que achou ser capaz de amar alguém um dia e quer saber de uma coisa? As coisas vão dar certo, Felicity! Todos nós vamos trabalhar pra fazer dar certo, a vida é assim, podemos só dar o nosso melhor e esperar que seja o suficiente! –Assenti com um sorriso e então me afastei dele.

—Obrigada!

Ele deu de ombros e então se encostou na parede, eu acenei uma última vez e então segui pra dentro da academia.

O lugar estava quase vazio, mas eu não conseguia achar Oliver.

—Felicity? –Me virei e corri ao encontro do Barry pra abraça-lo.

—Eu estava com saudades de você garoto fofo! –Ele riu baixinho e percebi que ele corou, mas logo em seguida pegou na minha mão e começou a me levar por entre os corredores.

—Eu também estava com saudades de você e acho que não posso dizer o quanto estou feliz em ver você aqui! –Sorri com aquilo e deixei-o me guiar até Oliver, porque nós dois sabíamos que eu não poderia escolher outra direção.

Paramos em frente a uma porta e então, ele se afastou de mim.

—Vai dar tudo certo, bem vinda de volta! –Abracei ele mais uma vez e então fiquei observando-o se afastar enquanto respirava pra tomar coragem.

Coragem essa que eu tinha medo de que fugisse de mim, então preferi entrar naquela sala antes que algo desse errado. Abri a porta em silêncio e percebi que ele estava de costas, ocupado carregando alguns bastões.

Limpei a garganta para chamar a atenção e assim que ele se virou e me viu, os bastões caíram da sua mão e ele ficou ali, estático.

—Oliver Queen? Oi, eu sou Felicity Smoak, acho que ainda não fomos apresentados! –Ele continuou em silêncio, me encarando de uma maneira descomunal e eu caminhei alguns passos até estar na metade do caminho entre a porta e ele.

Era um sinal claro, eu estava disposta a lutar, mas não faria isso sozinha!

—Eu gostaria de me matricular na sua academia, porque eu não entendo muito de defesa pessoal e agora que vou morar aqui em Nova York, acho que posso precisar! Eu sou médica e minha amiga e eu estamos nos mudando pra cá, eu tive um pequeno problema na cidade onde eu morava e não quero voltar pra lá, mas eu estaria mentindo se dissesse que o real motivo de eu estar não é o meu namorado!

Percebi ele engolindo à seco quando mencionei a palavra namorado e pude ver que as pernas dele tremiam, como se ele estivesse se segurando pra não correr até mim.

—Eu o deixei ir, sabe? Eu poderia ter lutado mais, mas achei que ele estava certo, que era o melhor a se fazer, mas não era! O certo é que eu fique com ele, é que envelheçamos juntos, que tenhamos filhos e que estejamos sempre lá um pelo outro! –Nesse momento lágrima já assaltavam os meus olhos e quando eu menos esperei, percebi que Oliver já havia coberto a distância e agora estava parado aqui na minha frente. –Ele se mudou pra Nova York também e acho que agora podemos fazer dar certo, de um jeito ou de outro, a irmã dele me contou que ele descreveu como seria a vida perfeita, mas eu não acho que a perfeição exista, porém eu acho que posso ter uma vida imperfeita com ele e sinceramente? Nada me deixaria mais feliz porque eu...

Fui interrompida por Oliver que grudou a boca na minha. No início tudo não passou de um roçar de lábios, mas logo o ambiente ao nosso redor começou a mudar e rapidamente Oliver pediu passagem com a língua, passagem essa que eu prontamente cedi. O beijo se tornou voraz e devastador em questão de segundos e eu senti que meu coração estava novamente no lugar.

O beijo de Oliver deveria ser considerado proibido enquanto suas mãos se arrastavam até o cós da minha calça, eu havia me tornado massinha de modelar em suas mãos quentes e firmes e estava adorando isso.

Resmunguei baixinho quando o maldito ar nos faltou, mas percebi que era uma pausa necessária, eu precisava ouvi-lo dizer que estava comigo nessa.

—Eu não gostou da pessoa que eu sou quando não estou com você! Naquele dia eu cometi o erro de te deixar sair pela porta, então por favor, não me deixe sair por essa porta, Oliver! –Percebi que os olhos de Oliver também estavam marejados e quase perdi a batida do meu coração quando vi ele puxando uma corrente do seu pescoço e percebi que pendurado nela estava um lindo anel.

—A esperança é uma coisa engraçada, ela te faz fazer coisas que você disse que não faria, te faz sonhar sonhos que não são permitidos, te faz acreditar mesmo em meio a dor. Acho que no fundo eu nunca perdi a esperança de um futuro pra nós dois e eu ainda não acredito que a minha irmã foi atrás de você, mas estou mais do que feliz por ela ter feito isso. –Ele retirou o anel da corrente e então o entregou pra mim. –Felicity Megan Smoak, você sabe que eu não sou muito bom com palavras, mas se você aceitar esse anel, vai estar aceitando tudo o que vem no pacote!

Ele estendeu o anel na minha direção, mas eu simplesmente não conseguia me mover...

Oliver havia acabado de me pedir em casamento?

—ELA ACEITA SIM, ACEITA LOGO PELO AMOR DE DEUS! –Me virei pra trás no mesmo momento só pra me deparar com Tommy e Barry.

Os dois seguravam seus celulares e em uma tela eu podia ver Thea e Roy e na outra, minha mãe, Caitlin e Sara.

Espera, eles haviam feito uma chamada de vídeo pra todo mundo?

—Tommy, eu falei pra você ficar quieto, você estragou o momento! –Barry deu um tapa na cabeça dele e o mesmo deu de ombros enquanto pulava de um lado pro outro.

—Como assim ficar quieto? Ela tava demorando muito pra responder! Mulher aceita logo porque senão quem vai ter um treco sou eu! –Tommy parecia realmente desesperado e eu percebi que durante todo esse tempo Oliver estava quieto atrás de mim.

Voltei a me virar na direção dele e peguei o anel da sua mão, em seguida coloquei no dedo e ergui a mão pra que todos pudessem ver.

—OBRIGADA SENHOR, ALELUIA! –Tommy parecia um maluco, mas Barry agora também não estava diferente, eu podia ouvir os gritos de todo mundo vindo dos celulares e pela primeira vez na vida eu sentia que estava tomando a decisão certa.

Oliver riu baixinho da euforia de todo mundo e voltou a me beijar longamente, isso só fez com que Tommy e Barry gritassem ainda mais e eu ri em meio ao nosso beijo.

Por fim, nos afastamos minimamente e Oliver grudou a testa na minha.

—Obrigada por não desistir de mim! –Sorri na direção dele e acariciei o seu rosto antes de voltar a beija-lo.

—Eu não poderia desistir de uma parte de mim, eu te amo senhor Queen! –Ele riu baixinho e me pegou no colo.

—Eu também te amo futura doutora Smoak-Queen!

—Nós também amamos vocês, agora chega de se pegarem porque nossas namoradas não estão aqui, portanto não somos obrigados a ver isso! –Antes que eu pudesse falar alguma coisa, Tommy e Barry já estavam entre nós nos afastando.

—Eu vou matar você, Merlyn! –Oliver saiu correndo atrás de Tommy enquanto Barry ria alto e apontava os dois celulares pra cena pra que todos pudessem assistir.

E foi em meio àquela loucura toda que eu percebi uma coisa...

Agora eu estava em casa!

Notas finais
E aí o que acharam meus amores? Eu prometi um final feliz, não prometi? kkkkkkkkkk Mas já preciso dizer que não acabou por aqui não, ainda tenho umas cartas na manga guardadas pro epílogo!!!! Comentem, favoritem, recomendem, deixem as suas marcas aqui na fanfic antes dela terminar! Beijooos!!!