End Game
8 Can't hide the truth
Notas iniciais
I hit you like bang
We tried to forget it
But we just couldn't
And I bury hatchets
But I keep maps of where I put 'em
—De qual fruta você acha que o Tommy mais gosta? Morango, cereja ou uva?
Franzi o cenho com a pergunta e revirei os olhos, desde que havia começado a namorar o Tommy há duas semanas, Sara parecia uma idiota, eu sabia que era hipocrisia minha falar isso, afinal eu estava em um estado pior que o dela.
Mas qual é?
Eu sempre havia sido a mais romântica, Sara era a fodona que não ligava pra nada!
Agora ela queria saber qual era a fruta favorita do melhor amigo do meu namorado? Será que haviam abduzido a loira e colocado uma alienígena com problemas mentais no lugar?
—O que você quer fazer? Um suco no café da manhã? –Ela gargalhou alto e em seguida me olhou com deboche.
—Não, é pra saber qual sabor de calcinha comestível eu preciso escolher hoje à noite!
Esquece a teoria da alien, era ela mesmo!
—Eu ainda não acredito que você está namorando com Thomas Merlyn, quer dizer, eu achei que isso aconteceria desde o começo, mas ver ao vivo e a cores é bem diferente! –Ela riu baixinho e se jogou ao meu lado.
—Qual é? Esse é exatamente o tipo de coisa que dá pra se esperar de mim, a real novidade é ver você namorando o líder de uma gangue, eu posso dizer que não achei que isso aconteceria desde o começo, na verdade, eu fiquei bem surpresa quando aconteceu! –Dei de ombros e sorri, segurando o meu colar logo em seguida.
Era algo que eu havia adquirido o costume de fazer, eu sempre o segurava e acariciava, assim eu conseguia sentir o Queen mais perto de mim.
Como eu disse, eu estava patética!
—Não posso te culpar, eu também não imaginava que isso pudesse acontecer, quer dizer, no começo ele era só um babaca que eu queria que sumisse, um babaca super gostoso, mas ainda sim, um babaca. Mas depois ele se mostrou uma pessoa totalmente diferente e eu me apaixonei! –Ela revirou os olhos e em seguida foi abrir a porta pra Caitlin.
As duas últimas semanas haviam sido incríveis, apesar de alguns pequenos contratempos, eu havia perdido algumas pacientes, meu pai havia quase tido um ataque cardíaco, mas agora parecia mais tranquilo, embora ainda se recusasse terminantemente a ficar no mesmo lugar que o Oliver.
Nós éramos muito diferentes e as vezes eu tinha medo de que essas diferenças fossem conseguir nos superar em um momento ou outro, mas eu sempre tentava deixar isso de fora da minha mente, afinal, sofrer pelo futuro seria sofrer duas vezes, então não compensava em nada destruir a minha felicidade atual por algo que podia ou não acontecer.
Porque sim, eu estava mais do que feliz!
Oliver era carinhoso e gentil, mas ao mesmo tempo marrento e mandão, era a combinação perfeita. E além de tudo era sexy, muito, muito sexy.
—Felicity, você tá ficando vermelha! –Levantei a cabeça rapidamente e me deparei com Caitlin me olhando com o cenho franzido enquanto Sara dava gargalhadas.
—O que? Não, que isso! –Caitlin revirou os olhos, mas nem teve a oportunidade de falar nada porque Sara continuava a gargalhar como um louca.
—Mas o que diabos você tem? –Ela demorei mais alguns minutos para conseguir parar de rir e quando finalmente voltou ao juízo perfeito me olhou nos olhos de forma inquisidora.
—Você está com abstinência de sexo e isso é muito engraçado, Oliver Queen transformou a minha amiga em uma devassa! –Se por acaso eu não estivesse vermelha antes, agora eu definitivamente estava.
Caitlin parecia confusa e olhava de um lado pro outro como se estivesse perdida.
—Como assim? Quer dizer, eu sei que os dois devem ser bem animadinhos, mas mal acabou de fazer dois dias que o Oliver viajou! –Aquilo me fez afundar ainda mais no sofá e Sara gargalhou ainda mais alto.
Daqui a pouco a senhora Agrippa que morava no apartamento de baixo começaria a me ligar pedindo pra parar o barulho porque estava incomodando o gato dela.
—Querida, animadinhos? Eu e o Tommy somos “animadinhos” e olha que somos bem criativos, mas nem nós conseguimos nos comparar com os coelhos aí, eles fizeram sexo todos os dias nas duas últimas semanas, alguns dias mais de uma vez.
Eu vou mata-la!
—Como diabos você sabe disso? –Caitlin ainda parecia espantada, quer dizer, apesar de ser perigosa com uma vassoura na mão, ela era a pessoa mais fofa do mundo, quer dizer, a segunda pessoa mais fofa.
Porque Barry era a pessoa mais fofa!
Eles dariam um casal perfeito, só faltava o garoto tomar coragem e pedir porque Deus e o mundo já pareciam ter percebido que Caitlin estava louca pra aceitar.
—Ok, já chega de falar da minha vida sexual!
A desgraçada havia descoberto isso porque havíamos feito uma noite das garotas na semana passada e Caitlin não havia podido vir porque tinha combinado de sair pra jantar com o Barry pela milésima vez, em resumo, sem a Cailtin por perto pra me proteger, Sara me embebedou e arrancou verdades vergonhosas de mim.
Que eu sabia que ela iria jogar na minha cara pelo resto da vida!
—Mas agora que as coisas começaram a ficar divertidas e...
—Beleza, já chega crianças! Vamos falar de um assunto sério, tipo, a Felicity sendo a pessoa mais amada pelos jornalistas da cidade, sério, todo dia sai uma matéria diferente sobre ela e o Oliver, olha essa de agora: “Filha do prefeito é vista com suposto líder de gangue em praia de Starling, os dois pareciam estar dando um passeio romântico à beira da praia na madrugada de 07 de agosto, mas acabaram afugentando todas as pessoas que estavam no local”.
Revirei os olhos e Sara bufou alto, Caitlin também fazia uma cara de desagrado ao terminar de ler a matéria, mas por que diabos eles não conseguiam nos deixar em paz?
—Isso é totalmente ridículo, não havia ninguém na praia quando chegamos, estava tudo completamente vazio, por isso eu decidi caminhar por lá!
—Não importa, Felicity! Notícias verdadeiras não vendem, mas notícias tendenciosas por outro lado.. –Sara saiu para a cozinha e eu tinha certeza de que ela estava indo assaltar o meu estoque de chocolate, mas não me importei dessa vez.
DESSA VEZ!
—Mas agora falando em jornalistas que amam falar sobre você e o Oliver, a tal Susan deu algum sinal de vida? –Caitlin se sentou ao meu lado, parecendo ainda preocupada com essa história.
Eu não podia mentir, eu estava preocupada também! Minha mãe havia resolvido tudo aparentemente, mas aquela mulherzinha não era do tipo que engolia desaforos calada, eu tinha certeza de que ela só estava esperando o momento oportuno pra dar o bote.
Essa era outra situação em que eu estava desesperadamente tentando não sofrer por antecipação, mas nesse caso eu não estava conseguindo nem um pouco.
Tudo o que eu podia fazer era confiar na minha mãe e acreditar que pelo menos por um tempo aquela cobra ficaria calada.
Flashback On
Eu ainda não conseguia acreditar que Oliver e eu estávamos namorando de verdade, quer dizer, eu sabia que era uma loucura, sabia que isso tinha grandes possibilidades de dar errado, mas eu estava me sentindo tão feliz que não conseguia pensar em outra coisa.
Eu sabia que ele estava feliz porque bem, ele me olhava como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo e depois do meu presente de dia dos namorados ontem a noite...Digamos que ele saiu do meu apartamento hoje com um sorriso gigantesco no rosto gritando aos quatro ventos que eu era a mulher mais incrível do mundo.
—Talvez eu deva jogar café em você! –Me assustei com Caitlin me olhando enquanto segurava a risada, a quanto tempo ela estava me chamando?
—O que aconteceu? A senhorita Ferrera chegou? –Olhei no meu relógio de pulso e vi que ainda eram 14: 38 da tarde, o horário dela não era somente as 15:15?
—Não, ela não chegou ainda! Quem está aí fora é a Donna, posso manda-la entrar ou não? –Caitlin me lançou um olhar debochado e eu soube que ela não estava perguntando sério, queria apenas testar a minha paciência.
Nós duas sabíamos que de nada adiantaria se eu resolvesse pedir pra que a minha mãe não entrasse, nada conseguia impedir aquela mulher de ir onde ela quisesse.
A morena pareceu captar o rumo dos meus pensamentos e riu baixinho antes de sair da minha sala, logo após isso minha mãe entrou estampando um vestido vermelho e um sapato rosa pink, ela definitivamente não sabia o que a palavra “discreta” significava.
—Seu problema já está resolvido, bebê! –Franzi o cenho em confusão e indiquei a cadeira à minha frente pra que ela se sentasse.
—Que problema, mamãe? –Ela revirou os olhos e apontou o dedo pra um jornal em cima da minha mesa, no mesmo momento me lembrei da tal jornalista e quase me estapeei por isso.
Como apenas uma noite com o Oliver havia me feito esquecer desse problemão em que eu havia me metido?
—Você não precisa se preocupar com mais nada, está tudo sob controle agora! –Me segurei na cadeira para não me levantar e chacoalhar a minha mãe, ela estava me testando por acaso?
—Você poderia logo contar o que aconteceu de uma vez por todas ou quer me ver perder todos os cabelos aqui mesmo na sua frente? –Ela deu de ombros e riu baixinho.
—Eu não gostaria que isso acontecesse, você é linda, mas sua cabeça tinha um formato meio estranho quando você nasceu, então supondo que seja o seu lindo cabelo que esconde isso, não acho que seria bom se você o perdesse. –Estaquei no lugar e precisei de alguns segundos para me situar novamente, minha mãe havia acabado de dizer que a minha cabeça era estranha? Sacudi a cabeça e decidi deixar pra lá, eu nunca venceria uma discussão com ela e tinha coisas mais importantes pra resolver no momento.
—Mãe!
Apenas uma palavra minha bastou para que ela percebesse que a hora da brincadeira já havia acabado, então ela logo se endireitou no lugar e adotou uma postura mais séria.
Eu amava ter essa conexão com ela, sempre sabíamos o que a outra estava pensando, quer dizer, eu quase sempre sabia o que ela estava pensando porque Donna Smoak era meio louca, então as vezes ficava difícil acompanha-la.
—Eu fui à casa daquela jornalista ontem a noite com o seu pai, eu contei a ele o que estava acontecendo e é óbvio que ele foi imediatamente me ajudar. Ela tentou bancar a esperta, gravar escondido a nossa conversa para usa-la depois, mas ela não esperava que nós tivéssemos um trunfo na manga, sabemos uma coisa sobre ela que pouquíssima gente sabe e ela quer que continue assim, então fomos bem claros, se ela publicasse qualquer coisa a seu respeito faríamos com que ela nunca mais pudesse entrar em um jornal desse país, nem pra entregar currículo.
Minha mãe parecia realmente ameaçadora naquele momento e eu me lembrei de um só momento em que vi isso acontecer. Eu estava no ensino médio e uma garota que estudava comigo, Vanessa, havia colocado na cabeça que o namorado dela a estava traindo comigo, eu tentei dizer que isso não era verdade e que eu nem sequer estudava com ele ou frequentava os mesmos lugares, não adiantou. Eu nunca gostei de brigar com ninguém e era muito bobinha em muitos aspectos, a situação toda me deixou tão mal que comecei a me retrair, um dia ela jogou todas as minhas coisas na lata do lixo e riu disso, mas o que ela não esperava era que minha mãe estaria passando de carro no exato momento.
Quando Donna Smoak viu aquela cena as portas do inferno se abriram, ela estacionou o carro de qualquer jeito e saiu dele como uma louca, disse tantas coisas das quais eu nem me lembro e depois arrastou a Vanessa pra dentro do carro e a levou até a casa dos seus pais, onde falou mais um monte de impropérios que deixaram a garota aos prantos. Eu não sei o que aconteceu direito porque ela não me levou junto, mas quando cheguei em casa ela estava sentada no sofá tomando um café normalmente e me disse apenas que tudo estava resolvido, aquela garota nunca mais mexeria comigo e isso era tudo que eu precisava saber.
—Esse é o seu estado Mamazilla em ação? Porque eu confesso que as vezes ele me assusta um pouco! –Ela riu baixinho e voltou a se parecer com a mesma mulher de sempre.
—É óbvio que existem limites que nunca devem ser quebrados, mas fora eles, não existe nada que eu e seu pai não faríamos por você, querida!
Flashback Off
—Felicity? –Fui tirada das minhas lembranças por um estalar de dedos da Sara e logo sacudi a cabeça para espantar esses pensamentos.
—Desculpa, eu estava longe! A Susan não voltou a dar nenhum sinal de vida, ao menos por enquanto, e isso já é bom o suficiente, quanto mais tempo eu tiver de paz e tranquilidade, melhor! –As duas assentiram lentamente e só então eu dei por mim e percebi que a loira realmente havia assaltado todo o meu estoque de chocolate.
TODOS OS MEUS CHOCOLATES ESTAVAM EM CIMA DA MESA!
—Eu só vou dizer uma coisa, espero que eu receba uma cesta de chocolates pra compensar essa palhaçada aqui, porque se amanhã me der vontade de comer doces e não tiver nada aqui em casa, alguém vai morrer!
As duas riram baixinho, mas Caitlin logo assentiu e eu soube que mesmo sem ter culpa nenhuma, ela arcaria com o problema e me daria a tal cesta, mas qual é? Depois de tudo o que estava acontecendo, eu merecia.
—Que filmes nós vamos assistir? Que tal algum de romance? –Revirei os olhos, Cailtin era tão óbvia.
—Na verdade, que tal um de ficção científica?
—Chatooooo, a gente precisa assistir terror!
Ok, acho que todas nós éramos óbvias!
Ficamos nos olhando fixamente por vários minutos e no fim eu acabei me levantando com um suspiro, hoje era um daqueles dias em que nós não chegaríamos a um consenso e então só existia uma solução.
Clube da luta!
Peguei o DVD que já estava até um pouco surrado e entreguei pra Sara que fez as honras, as meninas nem falaram nada, isso já havia virado praxe, esse era o nosso filme favorito e nunca nos cansávamos de vê-lo.
—Quando os caras vão voltar? –Caitlin estava perguntando de modo que quem ouvisse pensaria que ela não tinha nenhum interesse no assunto.
—Nossos namorados voltam amanhã cedo e o seu quase namorado com certeza vai estar com eles! –Caitlin mostrou a língua pra mim e eu ri baixinho, era óbvio que eu não perderia a oportunidade de provoca-la.
—O Tommy me contou uma coisa muito preocupante! –A morena e eu nos viramos na direção da Sara devido ao tom sério que ela havia usado.
—O que aconteceu? É algo com o Barry? –Caitlin já estava se contorcendo no lugar e eu não estava muito diferente, o que diabos havia acontecido e por que a Sara só estava falando agora?
—Não, na verdade é com o Oliver! –Arregalei os olhos no mesmo momento e quase pulei em cima dela.
—É melhor você começar a falar Sara Lance, eu estou a ponto de matá-la! –Ela fez uma cara nervosa e torceu as mãos.
—É que o Tommy me disse que o Oliver se sentiu mal esses dias, sabe? Eles o levaram no médico e o cara disse que o Oliver tá com uma doença que eu nem me lembro o nome, tudo o que eu sei é que o sangue dele não está circulando direito pela região das orelhas, então em breve elas vão secar e cair. Parece que o único modo de impedir isso é aquecer a região pra estimular a circulação, então a Felicity vai ter muito trabalho, quer dizer, ela pode colocar bolsas quentes nas orelhas dele, mas um método mais rápido é esquentar as duas com as pernas dela! –Tive vontade de morrer naquele mesmo momento.
Eu estava quase tendo uma síncope nervosa achando que havia algo de errado com o meu namorado e a vadia estava fazendo uma piadinha sobre sexo oral?
—Vai se foder, Lance!
Ela gargalhou alto e depois de quase cinco minutos finalmente conseguimos dar play no filme.
Eu estava cercada de pessoas loucas, sem mais!
...
Se alguém me perguntasse a que horas o filme terminou e como eu vim parar na cama, eu não saberia responder, tudo o que eu sabia é que estava acordando com beijos lentos que iam subindo pela minha coluna, enquanto sentia o cobertor macio em baixo do meu corpo.
Ronronei baixinho e a pressão dos beijos aumentaram, eu estava quase voltando a dormir com as carícias tão gostosas, mas algo me fez despertar de repente.
Sara e Cailtin não me beijariam desse jeito e as duas não tinham barba, Oliver estava viajando, então quem diabos estava em cima de mim?
Com o sangue fervendo, respirei fundo e me ajeitei melhor na cama, tentando parecer o mais relaxada possível, o homem em cima de mim não pareceu perceber e quando estava chegando perto do meu pescoço fiz o que tinha que fazer.
Puxei o cotovelo pra trás com toda a minha força e o enterrei na barriga do filho da puta, ele urrou de dor e eu logo me contorci na cama e consegui libertar minha perna, em seguida o chutei com toda a minha força e ele caiu de bunda no chão.
Me levantei em um pulo, pronta para jogar o abajur nele se fosse necessário, mas parei no momento em que eu vi quem estava caído no chão.
—Oliver? –Ele não estava com a melhor das caras e me olhava de maneira enfezada.
—Mas que porra, Felicity! Se você não queria que eu te beijasse era só falar! –Eu soltei o abajur no mesmo momento e corri pro seu colo.
—Me desculpa, eu não sabia que você já havia voltado, achei que era algum lunático! –eu distribuía beijos por todo o seu rosto e tinha certeza de que a cara de dor que ele fazia não era nem um pouco real, muito pelo contrário, ele já estava se aproveitando do carinho que estava recebendo.
—Eu cheguei mais cedo, topei com a Caitlin saindo do prédio e ela me deu a chave pra entrar, decidi te fazer uma surpresa, mas aqui fica uma anotação pro futuro, não tentar fazer surpresas pra doutora perigosa! –Ri baixinho e meu corpo relaxou contra o dele, logo Oliver passou os braços pela minha cintura e me apertou contra si. –Senti sua falta, Smoak!
Me ajeitei melhor em seu colo e cruzei as penas nas suas costas antes de colar minha testa na dele. –Também senti sua falta motoqueiro! –Ele revirou os olhos e em seguida começou a distribuir beijos pelo meu pescoço. –E então? Como foi lá?
Aquilo pareceu tira-lo da zona de conforto e rápido como um raio, Oliver parou de me beijar e se ajeitou melhor, como se estivesse se sentindo desconfortável.
—Foi tudo ok, quer dizer, correu tudo bem! –Eu assenti, de repente me sentindo desconfortável também, eu sabia que o mundo dele era muito diferente do meu, sabia que algumas coisas me assustavam, mas eu era difícil levar as coisas desse jeito, como se uma parte da vida dele sempre fosse ficar excluída da minha vida.
—Você pode me contar, se quiser, é claro! –Ele respirou fundo antes de assentir e me apertou com mais força, como se estivesse prevendo que eu fosse tentar escapar dos seus braços.
—No final deu tudo certo, mas antes disso nós precisamos bater em algumas pessoas, trocar alguns tiros, um dos caras do outro lado morreu e o Tommy se machucou, não foi nada grave, mas a Sara foi correndo ficar com ele assim que ele chegou! –Assenti rapidamente, ainda em estado de torpor.
Bater em alguns caras. Trocar tiros. Um homem morreu. Tommy se machucou!
Eu realmente me sentia desconfortável, mas aquela era a vida dele, como diabos eu poderia falar que aquilo não era o ideal? Quer dizer, eu havia conhecido ele desse jeito, não podia querer muda-lo agora. Além do mais, quem era eu pra poder falar o que diabos era ideal ou não?
Cada um decidia viver de acordo com seus princípios e ninguém tinha o direito de julgar ninguém, eu bem sabia como era doloroso ouvir julgamentos e palavras ruins das pessoas ao nosso redor.
Percebi que ele parecia prestes a me soltar, parecendo quase que doente com o meu silêncio, eu estava pronta para expor todos os meus pensamentos pra ele, quando algo veio à minha mente.
—Espera, se o Tommy se machucou, isso quer dizer que você e o Barry tá bem? Você tá bem? Tá ferido? –Eu já começava a entrar em desespero e passava as mãos pelo seu corpo em busca de algum ferimento.
Ele pareceu perceber o quanto eu estava nervosa e logo tratou de me abraçar para me acalmar.
—Tá tudo bem meu amor, tá tudo bem! Eu não me machuquei nem um pouco e o Barry só teve alguns arranhões, o pior aconteceu com o Tommy, mas ele está bem também, eu me certifiquei disso antes de sairmos de lá, nunca deixaria que nada acontecesse com nenhum deles, somos um time, protegemos uns aos outros.
—Família! –Ele franziu o cenho, parecendo não entender a minha declaração, mas eu dei de ombros. –Você disse que são um time, que protegem uns aos outros, mas vocês são mais que isso, vocês são família!
FAMÍLIA!
Essa era a palavra que respondia todas os questionamentos sobre a vida que o Oliver levava, eu nunca poderia pedir pra que ele abandonasse a gangue porque aqueles homens eram a família dele, eu nunca conseguiria lidar com a situação se ele me pedisse pra me separar da minha família, então como eu sequer poderia pensar em pedir pra ele se separar da dele?
Eu tinha plena consciência de que muitas pessoas não entenderiam, muitas pessoas diriam que existia uma diferença gritante, pois a família do meu namorado se tratava de uma gangue, eles roubavam, traficavam e as vezes até matavam. Muitas pessoas diriam que isso não era uma vida digna e que isso fazia deles pessoas ruins.
Mas eu não enxergava as coisas desse modo!
Eles eram pessoas boas, nunca haviam tocado em uma pessoa inocente, pelo contrário, eles ajudavam pessoas, mesmo quando elas nem sequer sabiam disso. Barry havia me contado sobre as doações que Oliver fazia pra instituições de caridade e sobre as cestas básicas que eles costumavam deixar na porta de pessoas que passavam necessidade.
Do jeito dele, Oliver era um herói e eu me orgulhava disso!
Fui tirada dos meus devaneios quando senti as mãos de Oliver acariciando o meu rosto de maneira nova, quer dizer, ele me fazia carinho com muita frequência, mas eu nunca havia sentido tanta adoração em seu toque como estava sentindo agora.
Olhei pra ele com o cenho franzido e suspirei, o olhar dele sobre mim expressava tantas coisas e por um momento eu me senti perdendo o folego.
—O que foi? –Eu já estava começando a me preocupar, o homem a minha frente parecia prestes a chorar e eu me preocupei no mesmo momento. –Falei alguma coisa errada?
Ele negou rapidamente e me abraçou com força.
—Durante todo esse tempo eu aceitei que nunca acharia alguém pra mim, alguém que seria capaz de compreender tudo o que aqueles caras significam pra mim, tudo o que aquela família significa pra mim, o porquê de eu nunca ter saído fora, o porquê de eu ter escolhido continuar o legado do meu pai, mas ai você apareceu e pela primeira vez em muito tempo eu sinto que tenho um lugar no mundo, um lugar onde eu posso só me deitar e descansar, sabendo que tem coisas boas me esperando na hora em que eu acordar.
Eu poderia ser considerada uma boba chorona, mas foi impossível evitar, Oliver finalmente estava se abrindo pra mim, de alma e coração, eu não poderia estar mais feliz.
Beijei-o com toda a força do meu ser, mas apesar de tudo aquele beijo não teve nenhum apelo sexual, tudo o que eu sentia era um carinho imenso, uma vontade de cuidar, de proteger, de estar junto.
Eu sentia amor!
Estava cansada de manter aquele sentimento dentro do meu peito, eu o amava e sabia disso há muito tempo, agora tudo o que me restava fazer era colocar isso pra fora. Talvez isso fosse demais pra ele, talvez ele ainda não estivesse pronto, talvez ele fugisse, mas eu precisa tentar, estava cansada de viver uma vida cheia de “talvez”.
Pela primeira vez na vida eu tinha total e absoluta certeza do que eu queria e eu não podia mais me manter calada.
—Oliver? –Ele grudou o rosto no meu e me lançou um olhar questionador, eu respirei fundo e rezei aos céus pra ser correspondida porque não ser seria uma merda. –Eu te amo!
Fechei os olhos logo em seguida, estava com medo de ver algo que me machucasse dentro dos olhos dele. Me obriguei a ficar em silêncio e esperar, talvez ele precisasse de um tempo para digerir tudo.
Não era exagero dizer que mais de cinco minutos se passaram quando ele finalmente tocou o meu rosto e acariciou o meu cabelo, ele não disse uma única palavra, mas eu conseguia entender o que o seu corpo queria me falar, Oliver desejava que eu abrisse os olhos.
Atendi ao seu pedido mudo e no momento em que fiz isso me senti totalmente arrebatada, os olhos de Oliver sempre carregavam uma parte escura, como uma tristeza ou um medo profundo que ele não conseguia deixar ir embora. Mesmo nos momentos em que ele estava feliz e os seus olhos brilhavam eu podia enxergar aquela mancha, mas agora não, agora tudo o que eu via era a luz irradiando dos seus olhos.
Nesse momento eu soube, ele estava feliz, ele estava verdadeiramente e completamente feliz!
—Eu sei, eu também te amo!
Abri um largo sorriso e voltei a beija-lo, tudo o que eu queria era mostrar a ele o quanto eu estava feliz e o quanto eu o amava, mas acho que Oliver queria demonstrar isso com igual intensidade porque quando ele me deitou sobre o tapete macio e arrancou as minhas roupas, eu me senti muito amada.
E quando ele colocou a cara no meio das minhas pernas e me fez gritar como uma louca, bem, eu senti várias outras coisas.
...
—Por que mesmo nós não podemos ficar no seu apartamento? –Oliver estava emburrado e reclamava desde que havíamos botado o pé pra fora de casa, ele insistia que não havia nada de interessante fora de casa e que deveríamos ficar lá dentro mesmo pelados e transando como coelhos.
—Por que eu quero passear, eu sei que você estava sentindo a minha falta, eu também estava sentindo a sua, mas não podemos passar o dia inteiro pelados. Tem ideia de quantas vezes nós já transamos hoje? –Ele ergueu a sobrancelha e abriu a boca. –Não responda!
Oliver bufou baixinho, mas por fim abriu um leve sorriso e segurou a minha mão, nós estávamos caminhando pelo parque e estávamos chamando a atenção de todo mundo, na verdade, nós havíamos sido notados desde o momento em que chegamos com aquela moto monstruosamente grande fazendo barulho.
Mas o que eu podia fazer? Ele era de um clube de motoqueiros, aquela bendita moto era como uma extensão do corpo dele!
—O que você quer fazer? –Ele nem parecia o mesmo de um minuto atrás, agora parecia empolgado e ansioso.
—O que você está aprontando? –Ele deu de ombros e me puxou pra perto, em seguida soltou a minha mão e passou o braço pelos meus ombros.
—Nada, eu só percebi que quanto antes nós começarmos esse passeio, mais rápido vamos pra casa pra eu poder tirar sua roupa de novo! –Foi impossível não gargalhar alto com aquilo e empurra-lo de leve.
—Você é um tarado! –Ele me lançou um sorriso arrogante e capturou a minha boca em um beijo rápido antes de voltar a se afastar.
—Pode até ser, mas você ama esse tarado aqui mesmo assim! –Eu ri baixinho e revirei os olhos, em seguida recomecei a caminhar em direção a barraquinha de sorvete, mas fui parada rapidamente por mãos se apossando da minha cintura. Oliver grudou a boca na minha orelha esquerda e mordeu-a levemente antes de aumentar o aperto em minha cintura. –Doutora, você não confirmou que ama esse tarado aqui!
Eu me preparei pra várias coisas que podiam vir a seguir, mas não me preparei pro que realmente aconteceu.
Cócegas!
Oliver começou a me apertar com seus dedos firmes em todos os lugares certos e eu praticamente gritava enquanto ria como uma louca e me contorcia pra tentar fugir dele.
—Eu amo...amo...muito!!! –Depois disso e de quase me matar ele finamente pareceu estar satisfeito e me soltou, só pra logo em seguida me puxar pro seu colo e me beijar de forma pecaminosa.
Oliver pediu passagem com a língua rapidamente e eu não hesitei em abrir a boca para recebe-lo completamente, logo nossas bocas começaram um beijo selvagem e escorregadio, minhas pernas apertaram a sua cintura com mais força e de forma inconsciente as mãos dele começaram a rumar para de baixo da minha blusa.
Foi nesse momento que o meu alerta vermelho começou a apitar como um louco.
—Oliver...estamos em público...todo mundo...está...olhando! –Minha voz saía em lufadas e eu lutava para recuperar o folego. Será que algum dia eu deixaria de me sentir fora de mim toda vez que ele me beijava?
Eu esperava que não!
—Oops! –O cretino nem sequer teve a decência de tentar esconder a cara de safado, mas rapidamente me soltou e me arrumou decentemente ao seu lado.
—Por que você não faz algo de útil e vai comprar o meu sorvete de chocolate com lascas de pimenta rosa? –Ele me olhou de forma displicente, mas logo revirou os olhos e me deu um último beijo antes de caminhar em direção a barraquinha de sorvete.
Eu estava me sentindo cansada, então caminhei um pouco pra longe e me sentei em um banquinho, fiquei esperando o Oliver, sabia que ele demoraria um pouco, pois tinha uma fila considerável, mas eu não me importava de esperar.
Estava ali apenas aproveitando o momento quando vi um menino que não deveria ter mais de quinze anos vendendo jornal. Estranhei a cena, pois já havia passado da hora do almoço, não era muito tarde pra ele estar vendendo jornais?
Acenei pra ele e o mesmo pareceu muito nervoso, mas veio em minha direção, franzi o cenho e me perguntei o que diabos estava acontecendo.
—Desculpe, mas não está muito tarde pra vender jornal? –Ele pareceu ainda mais nervoso e eu senti o meu sinal de alerta, o que diabos estava acontecendo?
—É uma edição ex...extra! –Eu assenti, me sentindo desconfortável de repente e estendi a mão.
—Eu vou querer um! –O garoto parecia prestes a explodir e eu torci pra ele não estar tendo um ataque. Ele me estendeu o jornal rapidamente e eu tirei uma nota do bolso com um valor muito superior ao do jornal. –Toma, pode ficar com o troco!
Achei que aquilo ajudaria a quebrar o clima estranho, mas tudo o que ele fez foi guardar a nota no bolso e sair correndo como se estivesse fugindo de alguém.
Sabe aquele momento do filme em que você está assistindo a mocinha fazer alguma coisa simples, mas que você sabe que vai dar uma merda tremenda? Bom, esse era o meu momento.
Eu não deveria ter comprado a porcaria do jornal.
Assim que desdobrei o mesmo me deparei com a manchete da capa e quis morrer.
—Não, não, não! Isso não tá acontecendo!
Ela havia prometido que não publicaria nada, quer dizer, meus pais haviam ameaçado ela. Corri os olhos pro final da matéria e vi que estava assinada por outra pessoa. Será que a Susan havia usado um nome falso ou até um laranja pra poder publicar essa droga?
“Se eu fosse você, falaria comigo, Felicity! Eu estou aqui na maior boa vontade disposta a ouvir e publicar a sua versão dos fatos, mas se você não quiser falar, bem, uma outra matéria vai sair amanhã e se você acha que aquela última sobre estar tendo um caso com o Queen foi ruim, essa vai te destruir!”
Ela não havia mentido, aquela matéria iria mesmo me destruir, mas não como ela pensava. Ela achou que conseguiria destruir a minha carreira com isso, mas ela conseguiria destruir algo que eu julgava tão importante quanto...
O meu relacionamento com o Oliver!
Percebi pelo canto do olho ele vindo em minha direção com o cenho franzido, eu deveria estar com cara de quem está prestes a chorar, então respirei fundo e joguei o jornal de lado de forma natural.
—O que aconteceu? –O sorvete estava esquecido em suas mãos, tão esquecido que havia caído no chão e agora serviria de comida para as formigas.
—Nada, eu não tô me sentindo muito bem, será que a gente pode ir embora? –Me levantei rapidamente e comecei a puxa-lo em direção a sua moto.
Eu sabia que ele veria aquela merda de qualquer jeito, mas talvez se eu pudesse adiar isso por algumas horas, tivesse tempo o suficiente de explicar tudo e acalma-lo, faze-lo perceber que aquilo não era o fim do mundo, que não importava o que uma louca falava, nós ficaríamos bem.
Ele começou a caminhar comigo, mas infelizmente o meu namorado não era nem um pouco burro e obviamente ligou os pontos. Ele soltou a minha mão e caminhou até o banco, pegou o jornal e eu vi sua expressão se transformando em horror no momento em que ele leu o que estava escrito.
Oliver me olhou como se finalmente tudo se encaixasse e eu desejei sumir no mesmo momento.
—Então era isso que você vinha me escondendo? -Ele voltou a olhar pro papel e em seguida o jogou em minha direção. -Que porra é essa, Felicity?
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