Narração: Grego

O patachoca estava bombando, quem diria que aquela banda iria fazer mais sucesso que as minas, já eram quase meia-noite quando lembrei de Margot, como era sexta-feira, pensei que talvez ela quisesse dá um pulo por aqui. Mandei uma mensagem a convidando e logo me arrependi, eu sou um idiota mesmo, óbvio que Margot tinha coisas melhores para fazer do que ir para o Patachoca em uma sexta a noite, ainda assim por algum motivo eu fiquei vigiando meu celular e esperando uma resposta dela, o tempo todo eu olhava meu celular, porém sem resposta, já tinha passado quase uma hora que mandei a mensagem e já nem mais lembrava disso, eu tinha certeza que ela não iria mais me responder.

Bazunga veio falar comigo.

– O que ta pegando? – Perguntei já pronto para resolver qualquer pepino.

– Tem uma mina ai querendo falar com você –

– Que mina? – Falei desinteressado.

– Sei lá, uma tal de Ma ... Ma ... Mar

– Que foi, mano, ficou gago agora ? – Já estava irritado com aquela coisa sem sentido

– Não sei falar o nome da mina, é uma mina bonita, dessas mina que tu arruma lá no Morumbi – De inicio continuei sem entender, mas então me veio a imagem de Margot, será que era ela? Não.

– Traga ela aqui – Mandei e ele atendeu, para minha surpresa era mesmo a Margot.

– Você realmente veio, cê é louca – Falei com sorrindo, estava feliz dela ter vindo.

– Não era para ter vindo? Você me convidou – Margot estava assustada e eu diria desapontada.

– Claro que era para ter vindo, eu apenas achei que você não viria –

– Você é uma pessoa confusa, Grego – Margot parecia arrependida de ter ido, me xinguei mentalmente por isso. A mina ta gravida, mulheres grávidas são sensíveis, qualquer coisinha já ferimos os sentimentos dela.

– Mano, eu to feliz, se eu não quisesse você aqui, não teria chamado – Olhei em volta e o Patachoca estava lotado, me preocupei em Margot ficar tanto tempo de pé e logo gritei para um dos funcionários liberarem uma mesa.

– Não precisa, eu quero ficar em pé e dançar – Ela protestou.

– Você ta gravida, senta logo ai – Literalmente joguei Margot na cadeira e ela não teve outra saída a não ser sentar.

– Você é paranoico assim sempre? Sempre quer cuidar de todo mundo? –

– Aqui na comunidade é assim, um cuida do outro –

Narração: Margot

Grego era um fofo, uma pessoa a qual a muito tempo eu não conhecia, era fácil fazer amizade com ele e querer ele por perto, estava sempre buscando o melhor para mim, desde que me descobriu grávida, eu diria que ele anda cuidando mais de mim do que o próprio Benjamim.

Confesso que o Patachoca estava incrível e animado, mas para mim estava um saco, Grego tinha me posto sentada e não me deixava levantar, estava já arrependida de ter aceitado o convite, fui para dançar e me distrair, mas já estava quase uma hora sentada em uma desconfortável cadeira com um infernal barulho em volta.

Ou você me deixa levantar e curtir a noite ou vou embora – Falei decidida, ele me olhou assustado, na cabeça bronca dele, mulher gravida não podia fazer nada.

– Nenhum nem outro, vem comigo então –

Grego segurou minha mão e foi me puxando no meio daquela casa noturna, era estranho, eu sentia cada par de olhos daquele lugar em mim, na gente. Eu não fazia ideia de onde ele estava me levando, mas nem fiz questão de perguntar.

Saímos do Patachoca e sua moto estava estacionada em um canto mais escuro, eu amei aquela moto, a tanto tempo não pilotava uma.

– Onde vamos?- Perguntei na esperança de precisarmos ir novamente na moto.

– Na minha casa – Ele disse da forma mais natural do mundo.

– Como assim? – Fiquei um pouco petrificada com sua ousadia.

Sem maldade, lá é um ambiente melhor para uma pessoa no estado interessante como você – Eu me segurei para não rir, ele estava tentando ser tão fofo que eu não queria ser deselegante com uma risada inoportuna.

Eu piloto – Percebi que ele estava caminhando em direção a moto, soltei sua mão e me apressei em sentar logo no piloto e deixar para ele o lugar do carona.

– Vocês mulheres são muito abusadinhas né? A gente deixa vocês fazerem a coisa uma vez e vocês querem sempre – Ele reclamou, mas em nenhum momento discordou, ocupou o lugar do carona e segurou em minha cintura, dei partida na moto e ele foi me indicando o caminho.

– Você mora aqui? – Perguntei enquanto ia entrando no pequeno quintal de uma casa, um filhote de cachorro logo veio correndo e abanando o rabo para Grego e para mim.

– Que coisa mais fofa – Peguei o filhote no colo e travessamente ele começou a lamber todo meu rosto.

– Isso é coisa do Jávai, mas vou fazer o que né? Pela paz da comunidade eu aceitei ele, mas quase nem fico em casa – Grego fez carinho no cão – Mas deixa ele ai e vamos entrar –

– Deixar aqui fora? – Fiquei com pena do animal – Ele pode ficar com a gente lá dentro, tão pequeno e indefeso – Agarrei mais o filhote junto a mim

– Mano, olha a sujeira que esse cachorro fez aqui fora, imagina se ele resolve fazer isso lá dentro – Eu sabia que ele tinha razão, mas ainda assim, era só um filhote indefeso.

– Só hoje – Falei enquanto fazia a cara mais doce que consegui.

– Só hoje – Ele repetiu. Comemorei sacudindo e balançando o filhote em meu colo.

A casa de Grego era pequena, simples, não tinha nada de ostentação, uma casa normal. Eu estava de costas para a porta, ainda com o cão nas minhas mãos, ouvi a porta sendo fechada e posteriormente trancada, um arrepio me subiu, afinal o que mesmo eu estava fazendo aqui?