Encontro de Almas- volta às origens
1 A proposta
Notas iniciais
Dezembro de 2030
Pela primeira vez, desde o ensino médio, Julia e Rubi sentiram o chamado, um chamado que não ouviam há muito tempo, aquela voz sem nome estava pedindo para elas retornarem ao antigo pomar misterioso e encantando, nos fundos da antiga escola de Julia, que sempre dera não só a elas, mas muitos dos amigos de Julia, e alguns professores, uma sensação de paz, calma e conexão.
Rubi trocou um olhar com Julia, as duas tensionaram, um pouco de excitação e medo, estavam elas sendo punidas por nunca mais terem visitado o pomar, durante estes dez anos de separação? A entidade daquele local entenderia que as duas não puderam voltar por causa das memórias dolorosas... elas não sabiam ao certo.
“Bi... nestes anos... tu ouviu o chamado?” Perguntou Julia com hesitação.
“Não, e tu?” Rubi perguntou com a voz baixa.
“Também não.” Confidenciou Julia. “Será que aquela voz vai nos punir? Ou é por algum outro motivo?”
“Eu não sei, Jujuba..., mas como o chamado veio, acho que não temos escolha, temos?” Comentou Rubi, Julia tensionou, o medo era palpável.
“Tem razão, não temos escolha.” Julia confirmou.
Julia foi a primeira que relutantemente levantou do sofá, ela já havia se formado na faculdade fazia um ano, e mudaram-se para a casa de hóspedes no sítio da família, onde já estavam começando a construir uma vida nova, planejando um futuro, e aumentar a família.
“Vamos então.” Rubi levantou dizendo com uma firmeza forçada.
Foram com a Scooter de Julia, queriam sentir aquela sensação de liberdade e aventura que apenas a scooter dava a elas, isso acalmaria o turbilhão emocional e os pensamentos.
Quando entraram na escola, após estacionarem no estacionamento, uma enxurrada de lembranças, chocou nas duas, lembranças dos amigos que perderam contato com o tempo, colegas que partiram cedo de mais e Julia se arrependia de não ter feito um esforço maior para mudar os destinos daquela almas.
“Se eu pudesse voltar no tempo...” Disse Rubi.
“Eu teria feito tudo diferente” Completou Julia, Rubi assentiu rindo, apertando a mão de Julia.
“Talvez a Sofia e a Andreia, não teriam um final trágico.” Rubi comentou triste.
“O Pedro não teria desistido da música.” Pontuou Julia.
“A Marcela teria feito amigos e não teria se afundado na ficção, impedindo ela de voltar para a realidade.”
“A Paula, não teria saído da escola.” Disse Julia enfaticamente “Talvez, se eu tivesse subido na mesa e calado a boca de todo mundo no primeiro dia de aula... talvez... eles teriam visto que eu não era uma perdedora covarde e tu teria conseguido o respeito dos alunos mais cedo.”
“Mas não da pra voltar no tempo.” Disse Rubi tristemente, quando avistaram o portão no fundo da escola, ao lado das hortas.
“Não da mesmo?” Perguntou um voz feminina conhecida, um tom brincalhão.
Julia e Rubi encararam a guardiã do pomar, que estava parada bem em frente a elas, com um sorriso travesso, os olhos castanhos avermelhados e longos cabelos prateados que cascateavam até o meio das costas. A pele era tão branca que parecia uma escultura de marfim.
Julia ofegou, não conseguia respirar, aquela mulher, deusa, ou seja lá quem fosse, era tão intensamente linda que ela não sabia como reagir, sentiu seu coração disparar, como se já a conhecesse de muito tempo, e ao mesmo tempo como se recém a tivesse visto pela primeira vez.
“Daphne, Thalia... faz tanto tempo.” A mulher disse com um carinho na voz embargada.
Julia e Rubi ofegavam, só pela menção dos nomes mágicos e olhar intenso, ela conseguiram lembrar, a primeira vez que conheceram a beldade em frente a elas.
“Artemis.” As duas falaram ao mesmo tempo com a voz embargada, lágrimas formando em seus olhos.
“Venham, vamos para o pomar, temos muito o que conversar.” Pediu a Deusa.
“Mas... como?” Perguntou Rubi surpresa.
“Eu sei que eu devo uma explicação, também o motivo de ter escondido minha identidade por tanto tempo, o motivo que não protegi vocês naquela época.” Explicou. “Por favor, minhas irmãs, venham comigo.” Pediu ela mais uma vez, estendendo as duas mãos, como um convite.
As duas assentiram e cruzaram o portão ao lado da deusa. Julia não pode deixar de sorrir vendo Artemis, vestida com roupas normais que pessoas comuns usam, em vez do tradicional vestido branco e sandálias ou a armadura prateada e as botas de combate.
Artemis vestia uma blusa cinza com um grande lobo estampado, e uma calça jeans clara, além de uma jaqueta branca de couro sintético.
“Gostei da roupa.” Julia brincou, para acabar com a tensão.
“Uma certa princesa, tem me ensinado a viver em sociedade, longa história, é complicado e não faz parte do universo de vocês.” Disse ela, como se deixando claro que ela não contaria quem era a princesa. “Enfim, vocês provavelmente já notaram, eu sou a guardiã do bosque além do pomar, o pomar sempre foi a porta de entrada para o bosque.”
“Sim, nós sabemos, mas não entendo porque.” Comentou Rubi. “O protetor, não deveria ser um ser do folclore brasileiro?”
“Sobre isso, eles são os guardiões, eu sou a Deusa que protege este local. Como não posso estar aqui sempre... eu deixo o trabalho sujo com eles.” Explicou ela dando de ombros.
“Faz sentido.” Entendeu Julia.
“A razão que eu não me mostrei naquela época... vocês me reconheceriam imediatamente, não podia ser assim.” Artemis explicou.
“Eu pude entender isso, foi só tu chamar pelos nossos nomes, e se mostrar para nós te reconhecermos.” Rubi mencionou, Artemis assentiu.
“E a razão que tu não nos protegeu... eu entendo agora.” Disse Julia. “A gente precisava crescer, a gente precisava amadurecer, evoluir independente uma da outra.”
“Correto, tu realmente cresceu, Daphne.” Disse ela amorosamente. “Por este motivo, eu tenho uma proposta para vocês, uma proposta que pode dar uma segunda chance para vocês, e para aqueles que não tiveram a primeira chance.”
“Artemis, o que tu quer dizer?” Perguntou Rubi, nervosamente.
“Mandar vocês duas de volta, para o ano em que se conheceram.”
“O QUE?” Julia exigiu incrédula. “Tu tá brincando né?”
“Não Daphne, eu definitivamente não estou brincando.” Artemis prometeu, com uma piscadela.
“Mas!” Rubi ofegou. “Isso mudaria o futuro que conhecemos, não mudaria?”
“Sim, mudaria.” Confirmou a deusa com um sorriso travesso. “Exatamente por isso eu estou fazendo esta proposta.”
“Mas vai mudar o futuro, talvez algumas pessoas que nós conhecemos, não estarão lá!” Julia exclamou. “Talvez eu faça decisões que acabe me separando definitivamente da Bibi, talvez eu não conheça a minha melhor amiga! Eu não quero perder elas!” Julia anunciou com os olhos cheios de lágrimas.
Só a ideia de perder Naya e Stella, de não conhecer a Beta, Luiza e Leticia, perder a Rubi. Não ela não queria isso.
“Não, isto não acontecerá, Daphne! A ideia é exatamente concertar o passado de vocês duas, salvar as almas que partiram antes do esperado, e tomar decisões maduras para o futuro.” Artemis explicou. “Naya...” Artemis hesitou por um momento. “Naya morreu na linha do tempo original, não deveria ter acontecido, nós a resgatamos.”
Julia sentiu seu coração quebrar em um milhão de pedaços, a baixinha se agarrou ao corpo da namorada, as lágrimas caiam em cascatas, o corpo balançava com os soluços.
“Tu precisava falar isso mesmo?” Rubi bronqueou.
“Desculpa... mas nesta nova linha do tempo, isso não mudará, nós continuaremos salvando a vida dela, mas o acidente é necessário para que ela faça mudanças.” Explicou a Deusa.
“Promete que eu vou conhecer ela?” Julia pediu, a voz fraca.
“Prometo que ela vai ser a dama de honra do casamento de vocês.” Artemis garantiu. “Mas as condições do primeiro encontro de vocês, pode mudar, o timing, o dia, o ano, pode ser diferente.”
“Mas isso não traria problemas?” Perguntou Rubi.
“Dependendo das decisões e escolhas, podem trazer melhoras.” Contou a Deusa. “A intenção, é vocês ajudarem aqueles que necessitam... e não começarem o relacionamento de vocês, antes da Julia se formar.”
“Isso vai ser difícil.” Comentou Julia, bufando.
“Impossível, na verdade.” Concordou Rubi.
“Uma das duas voltará com as memórias e sentimentos intactos, enquanto a outra vai voltar sem qualquer memória do passado ou futuro, qualquer entendimento dos sentimentos até este momento chegar.” Explicou a Deusa.
“Melhor que seja eu.” Disseram as duas ao mesmo tempo.
“Deixa eu fazer isso, Bibi... deixa eu cuidar de tudo, mudar as coisas. Se eu voltar sem memórias, quando eu recuperar elas, pode ser tarde demais.” Disse Julia. “Deixa eu salvar a Sofia e a Andreia, deixa eu te ajudar no primeiro dia de aula... deixar eu incentivar o Pedro e me aproximar da Marcela. Deixa eu ajudar a Paula ter confiança ajudar ela a se defender.”
“Eu vou te ajudar com o poder de uma professora competente.” Constatou Rubi.
“Mas seria muito estranho que tu tivesse segurança de uma professora experiente quando é recém-formada, adolescentes maduros para a idade, podem aparecer o tempo todo Thalia. Isso é outra coisa que precisa ser mudada, tu não pode proteger a Daphne de tudo, vocês não podem ser codependentes.” Explicou a Deusa.
“Tu vai estar em contato com a Julia o tempo todo, certo? Ela terá acesso ao pomar do começo, certo?” Rubi exigiu.
“Quando ela estiver pronta, ela terá acesso ao pomar, tu guiará ela até mim, mesmo com as memórias do futuro e do passado... Daphne não terá acesso ou conhecimento do pomar até que chegue o momento certo.” Disse a Deusa, Julia assentiu. “Quando o momento certo chegar... tu vai lembrar quem te deu as instruções Daphne, tu vai lembrar quem é a protetora do pomar, assim como a tua missão.”
“Tudo bem, eu aceito, mas não espere que eu me contenha quando tiver que fazer decisões maduras.” Disse Julia, com a voz firme. “Mesmo que possa expor a verdade sobre eu ter voltado.”
“Eu entendo, mas tente manter o segredo o máximo de tempo que tu puder, quando sentir que chegou a hora da revelação, vai ser quando tu lembrará quem é a verdadeira protetora do pomar e do bosque, então chame meu nome.” Artemis pediu, Julia assentiu, Rubi relutou.
“Tem certeza que é a coisa certa a fazer?” Perguntou Rubi.
“Sim, é sim meu amor. Por nós, para não nos separarmos, para termos a chance de termos um longo relacionamento, onde nenhuma de nós se sinta insegura.” Incentivou Julia. “Para proteger os meus amigos, garantir que eles tenham uma vida longa e feliz, de preferência ao nosso lado.”
“E as consequências?”
“Como é pedido meu, da Deusa Artemis, acordado pelos olimpianos e determinado pelos destinos, esta viagem e as mudanças já são esperadas, tanto eu, quanto Hekate iremos guia-las durante a missão, enquanto Hekate vai guiar Rubi, através da Wicca e os rituais, eu estarei guiando Julia.”
“Tu finalmente acertou nossos nomes.” Julia zombou.
“Não me julga por ficar presa no passado.” Artemis bronqueou.
“Thalia e Daphne eram os nossos nomes originais né?” Perguntou Rubi.
“Sim, eram , foram dados a vocês como nomes mágico no dia da iniciação de vocês, mas suas memórias estavam seladas para não lembrarem de suas vidas anteriores, agora... vai ser diferente.” Artemis explicou.
“Antes de entrar na tua máquina do tempo e sofrer lavagem cerebral... “ Rubi mencionou, Julia explodiu em gargalhada.
“Não é uma máquina do tempo, é um portal, e não é lavagem cerebral, as tuas memórias serão seladas e tu provavelmente desbloqueará elas no tempo certo, visto a conexão de vocês, será natural.” Artemis esclareceu.
“Tanto faz, mas antes de irmos, eu tenho algumas perguntas.” Disse Rubi.
“Estou surpresa que não seja a Daphne a começar o interrogatório.” Artemis debochou.
“Quem disse que eu não tenho perguntas?” Julia disse se sentindo ofendida.
“Claro que tem.” Artemis rolou os olhos, ela conhecia muito bem aquelas duas, tivera observando ela por todas as vidas que passaram ao longo das eras. “Pode começar Thalia.”
“Visto que voltaremos ao passado. O nosso presente vai mudar? Ou o passado será o nosso presente?”
“Essa é uma ótima questão, e isto depende quanto tempo ficarão no passado para cumprir a missão.” Disse a Deusa.
“Okay com essa resposta eu acho justo perguntar... em caso a missão falhe... a gente volta e lida com as consequências de alguma forma, ou volta para uma terceira chance?” Perguntou Julia.
“Vocês vão lidar com as consequências em caso de falha, embora caso haja circunstâncias que vocês precisem de ajuda, nós interviremos, não queremos que haja falhas nesta missão. Por isso nós iremos ajudar da melhor forma que pudermos.”
“Certo, e se seu quiser ficar mais um tempo depois de cumprir a missão, para me aprimorar nos meus estudos, talvez um intercâmbio nos estados unidos, adquirir uma fluência melhor, me tornar uma melhor tradutora e escritora...” Julia comentou casualmente. “Posso?”
“Se isso for algo que a tua eu mais jovem quiser fazer no futuro dela, e for algo que tu te arrepende de não ter feito no passado... nós te daremos a oportunidade e o respaldo financeiro para isso, por meio de uma promoção para os teus pais, ou algo do tipo, sem uso de magia, ou poder divino.” Artemis prometeu. “Mas, lembre quanto mais tempo vocês ficarem no passado, mais mudanças na linha do tempo.”
“Isso pode ser perfeito para desenvolvermos nossas habilidades mágicas! A minha conexão com a natureza, o uso da empatia e poder curativo da Jujuba, imagina se decidirmos ficar, viver o passado de novo, quanta ajuda podemos dar em uma nova missão?” Rubi se empolgou.
“Bibi! Eu amo essa ideia! Até podemos encontrar nossos amigos antes, imagina se a gente vai morar juntas antes e conhecer o Jorge antes da faculdade, por exemplo!” Disse Julia animada, os olhos arregalados, brilhando em empolgação.
Um trovão rosnou no céu, as duas mais jovens estremeceram. “Eles ficaram bravos?” Julia perguntou preocupada.
“O céu tá claro, o sol tá brilhando!” Rubi exclamou.
“Não, eles aprovaram, não teve nenhuma calamidade ou desastre natural, eles aprovaram a ideia de vocês” Artemis assegurou com um suspiro longo, mas um sorriso orgulhoso nos lábios.
“A gente... a gente pode se despedir?” Julia perguntou, com a voz embargada.
“Sinto muito, mas é melhor não, essa linha do tempo irá ruir quando vocês partirem, vai ser como se nunca tivesse existido.” Artemis explicou carinhosamente. “Apenas vocês e alguns escolhidos lembrarão desta vida, Naya, Stella, Leticia, Luiza e Roberta serão alguns dos escolhidos, se vocês se despedirem, seria mais difícil a partida de vocês.”
“A gente provavelmente hesitaria e mudaria de ideia, contando pra elas.” Comentou Rubi.
“Acho que vocês tem razão, tem como fazer eu esquecer do que tu me disse sobre a Naya na linha do tempo original, tipo pra sempre?” Julia pediu estremecendo ao lembrar da amiga.
“Claro.” Artemis assegurou, e estalou os dedos.
“Uma última pergunta?” Pediu Julia, Artemis assentiu. “Posso levar coisas importantes pra nós, fotos, livros coisas que não nos deixem esquecer nossa vida anterior?”
Artemis suspirou, ela sabia que este pedido viria. “Só não exagera, tá? Pode levar um álbum de fotos, alguns livros, e talvez um grimório, não esqueça que vai precisar fazer o mesmo pela Thalia, visto que as memórias dela estarão seladas.”
“Faz sentido, eu guardo pra ti o que tu escolher, tá amor?” Prometeu Julia.
“Valeu, é um alívio porque eu tenho alguns livros que vou precisar, para dar aulas e prática Wiccana.”
“Eu garantirei que o teu micro apartamento tenha tudo o que precisa para tua volta ao começo Thalia, não te preocupa, o teu quarto também, Julia.” Artemis prometeu com um sorriso.
As duas abraçaram a Deusa e antiga mentora com força e saudades, Artemis não pode deixar de sorrir, e os olhos da deusa estavam marejados, ela certamente não podia manter a fachada estoica com as duas.
Julia e Rubi se viram de volta ao estacionamento da escola, onde a scooter estava, as duas se encararam, Rubi estremeceu com a perspectiva do que estava por vir, puxou Julia para um abraço, os olhos cheios de lágrimas.
“Bi....Tem certeza que tu quer fazer isso? A gente não precisa ir se tu não quiser, a gente pode ficar aqui e seguir nossa vida.”
“É o melhor... é melhor do que ser demitida, é melhor do que nos separarmos por dez anos sem perspectiva se iremos nos encontrar novamente, sem saber o que o futuro nos reserva, eu acho que essa chance é tudo que nós precisamos..., mas esquecer de ti meu anjinho...” A voz de Rubi soou triste, embargada pela dor.
“É por pouco tempo, e nós vamos nos reencontrar logo, não esqueça, tem uma conexão forte que nos une meu amor, somos almas gêmeas, afinal.” Disse Julia afundando o rosto no peito da namorada, tentando se manter forte. “vai ficar tudo bem, eu prometo que vai ser mais divertido, eu vou subir naquela mesa... e eu vou calar a boca de todo mundo assim que eu te ver!”
“Promete?” Rubi pediu suavemente.
“Prometo, e talvez isto te faça ter um dejavu... que tu provavelmente não vai entender, mas vai lembrar desta conversa.” Julia disse com a voz gentil.
“Teu rosto provavelmente estará nublado.” Comentou a ruiva.
“Pois é, eles não vão facilitar pra nós né?” Julia brincou.
Julia se afastou um pouco para encará-la, Rubi tinha um sorriso triste nos lábios, mas assentiu.
“Mas talvez a gente devesse combinar algumas coisas, como sinais que fariam tu me reconhecer, ou pelo menos tu pensar que pode ser que tem algo naquela conexão.”
“A gente combina isto em casa... eu não sei se aguento muito mais tempo aqui.” Rubi admitiu, encarando o prédio com um sabor doce amargo na boca.
“Muitas lembranças né?” Julia perguntou.
“Muitas.” Concordou Rubi.
Subiram na scooter, Rubi abraçou a namorada por traz, e Julia deu partida. A viagem foi rápida, Julia queria aproveitar o máximo de tempo que pudesse com Rubi e as amigas, antes de partirem para suas missões, ela se perguntava como seriam os possíveis encontros com as amigas antes do tempo, se poderia de alguma forma Jasmine de ser demitida, ou conseguir ter uma forte amizade com Diego e Alice antes da faculdade.
Mas o que ela mais queria, era salvar os amigos do ensino médio, garantir que eles tivessem uma vida longa e feliz, que fizessem parte das vidas de Rubi e Julia no futuro.
“Chegamos.” Comentou Rubi aliviada, assim que Julia passou pelo portão com a scooter.
“Finalmente.” Disse Julia.
Julia abriu a porta da casa e entraram, se livrando dos sapatos na entrada, vestindo pantufas macias, largando as chaves em um vasilha em cima do armarinho da entrada, penduraram as jaquetas no cabideiro e entraram.
Na sala, Julia ficou surpresa ao ver um caderno encapado em camurça marrom afivelado com um cinto do mesmo material, em cima da mesa de centro, Julia pegou, abriu e sorriu ao ver o que estava lá.
As duas sentaram no sofá marrom onde estavam antes de encontrarem Artemis, Julia deitou a cabeça no peito da amada, apreciando o toque suave dos depois da namorada em seus longos cabelos dourados encaracolados, os olhos azuis tinham um mix de dor e excitação.
“Diário de campo, cortesia de Artemis.” Rubi leu e soltou uma gargalhada.
“Ela não muda né?” Julia soltou uma risadinha.
“Não mesmo, mas ótima forma de tu escrever um livro com as aventuras da viagem.” Rubi comentou sorrindo levemente. “O meu sinal, vai ser o teu apelido.” Disse Rubi. “Quando eu começar a sentir uma proximidade maior, ou flashes de memórias ficarem intensos... eu te chamo assim.”
“O meu pra tu lembrar vai ser Bibi... mas antes disso eu vou te contar que sofri bullying na escola anterior...”
“Boa ideia, na primeira vez tu não me contou, eu soube mais tarde.” Comentou a mais velha. “pode desencadear algo, uma memória do futuro.”
“Bi... vamos nos esforçar para criar uma amizade forte dessa vez tá? Antes de nos apaixonarmos... vamos criar uma amizade forte.”
“Concordo. Acho que é melhor do que nos apressarmos.” Disse Rubi concordando.
Ela sabia que Julia tinha razão. A dor da separação poderia ter sido evitada se elas tivessem dado tempo ao tempo, mas agora tudo seria diferente, além de salvar os amigos, elas também salvariam o relacionamento delas.
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