Encontro de Almas- volta às origens
2 Bem vindas de volta
Notas iniciais
POV Julia
Passamos o dia todo preparando a mala que levaríamos para o passado. Claro que por mim eu teria levado tudo que tinha em casa, mas sabia que não poderia, então peguei roupas modernas, de bandas, do Hard Rock, livros que na época ainda não havia sido lançado, meus CDs, e dvds, vários álbuns de fotografia, além do meu smartphone, mesmo que não funcionassem todos os aplicativos, eu teria as fotos e músicas salvas que eu estava esperançosa de poder acessar.
A Bi por outro lado pegou os materiais do altar, o grimório, algumas roupas mais modernas porque ela odiava a moda da época, materiais de estudos de wicca pois ela não tinha muita coisa em casa e coisas nossas, como acessórios e presentinhos que eu daria novamente pra ela quando fosse o momento certo.
“Acho que a gente exagerou um pouco né?” Comentou a Bi, apontando as quatro malas.
“Bem muitas destas coisas vão demorar para existir, e se as situações mudarem, eu posso não ter a oportunidade de ter isso de novo.” Comentei dando de ombros.
“Eu concordo, okay só espero que ela entenda.” Disse a Bibi.
“Se ela não entender, a gente força ela entender.” Insisti.
Quando a hora chegou, era já final da tarde, o sol estava se pondo, fomos transportadas com mala e tudo para o pomar, Artemis estava vestindo as roupas tradicionais, o vestido branco e a sapatilha, não pude deixar de sorrir.
A visão do pomar no final da tarde era lindo, o céu alaranjado dava um tom dourado nas árvores frondosas. Um sorriso triste brincou nos meus lábios e lágrimas começaram a se formar.
“Se vocês não tem certeza...”
“Não, eu sinto falta dos meus amigos, quero ter a chance de fazer por eles o que eu não fiz da última vez, e vai ser muito legal ver a professora Carmela e a professora Ana de novo. Até o professor Sérgio e o professor Zé!” Afirmei determinada.
“Concordo, vai ser bom rever todo mundo, ainda mais com as mudanças, a gente pode ter a chance de continuar uma amizade com eles, visto que paramos de vir porque as lembranças eram dolorosas.” Disse a Bi.
“Exato, só dói me separar das minhas amigas, mesmo sabendo que vamos nos reencontrar. Eu só tenho medo que a nossa amizade seja diferente.” Admiti.
“Julia... a amizade de vocês não vai mudar, vocês sete, além das gêmeas e a Anita, são almas irmãs, não tem como separar.” Artemis esclareceu. “A amizade de vocês ficará ainda mais forte, e a linha do tempo que vocês vem, pode ser uma grande piada interna que apenas vocês entendem.”
“Vai ser divertido né?” Perguntei olhando para as duas mulheres a minha frente.
“Não tenho dúvidas.” Rubi garantiu.
“E eu posso te ensinar algumas travessuras novas.” Artemis, piscou pra mim com um sorriso cúmplice.
“Ai! Já vi que este ano quem terá enxaquecas serei eu!” Rubi exclamou, esganiçadamente.
A Deusa e eu rimos descontroladamente. “Vejo que vocês trouxeram bastante lembrancinhas da vida passada.” Disse Artemis apontando para o violão e a guitarra nas nossas costas e as malas.
“Ah, sabe como é, muitas das coisas que a gente trouxe nem foram lançadas ainda, como o smartphone, ou cds, livros, ou fotos com amigos que a gente quer manter, eu trouxe toda a minha coleção de roupas e mochilas do Hard Rock por exemplo.” Dei de ombros.
Artemis soltou um suspiro frustrado. “Nada de expor o que não foi lançado ainda para as pessoas.” Artemis exigiu.
“Posso reter minhas habilidades?” Apontei para o violão.
“Claro, mas seria interessante tu fazer aula e tentar fingir dificuldades no começo.” Artemis sugeriu.
“Melhor mesmo, ou as pessoas vão pensar que a Jujuba é uma criança gênio, pode ser problemático, algum conselho para mim?” Perguntou Rubi.
“Teu conhecimento além da universidade estará selado, até a formatura da Julia, mudaremos a memória das pessoas para acreditarem que foi nesta linha do tempo que tu fez o mestrado e doutorado, então, se tu quiser fazer um mestrado e doutorado diferentes após isso, talvez em outro país, pode ser uma boa ideia.” Sugeriu Artemis, Rubi assentiu,
“Alguma coisa sobre os dias de hoje estará selada em mim?” perguntei, talvez a vasta quantidade de cursos que eu fizera, para não me sobressair nas aulas.
“Cursos e faculdade, estarão selados, então sugiro que continue teu cursinho de Inglês, além de cursos de produção textual podem ser uteis.” Disse nossa mentora, assenti, ela estava certa, eu não poderia me sobressair. “Sobre a viagem, vocês irão ‘pousar’ em seus corpos mais jovens antes do primeiro dia de aula, não sei exatamente onde vocês estarão, ou o que estarão fazendo, eu mandarei as malas diretamente para a casa da Julia.”
“Espera, não seria melhor que a gente pousasse em algum momento do dia em que estamos em casa, para não fazer nada embaraçoso?” Pedi. “De preferência quando estivermos dormindo, sem ninguém por perto?”
“Ótimo, tu já tá pensando como uma adolescente de 15 anos!” Rubi brincou, eu senti minhas bochechas queimarem.
“Eu não sou meu avô, e ele está indisponível no momento para controlar em que hora do dia vocês chegarão, ou em que parte da cidade vocês estarão.” Artemis rolou os olhos bufando alto. Nós duas rimos. “Eu vou tentar sentir a lua, mas não posso garantir nada, é importante que vocês cheguem antes do primeiro dia, para fazer reconhecimento de território e se adaptarem no corpo e idade mais jovem.”
“Faz sentido.” A Bi comentou.
“Julia, eu também vou selar a tua habilidade empática, como diz uma amiga... adolescentes hormonais não tem total controle de nada, principalmente quanto a habilidades mágicas, então se prepare para aguentar o básico de novo, e o turbilhão emocional teus e dos outros.”
“Ai! Posso mudar de ideia?” Exclamei desesperada.
“Tu tem tempo de voltar atrás já te disse.” Disse Artemis. “Mas eu sei que era apenas uma brincadeira.” Eu assenti em confirmação. “Tudo bem, então acho que é isso, eu vou ficar de olho em vocês, se precisarem de auxílio nós interviremos, se não precisarem... eu criarei algumas distrações durante aulas chatas.” Ela piscou.
“Quando a gente já tiver as memórias restauradas, certo?” Perguntou a Bi em pânico, ela sabia muito bem o tipo de travessuras que a Deusa mais humana do Olimpo poderia inventar.
“Vou pensar no caso. Agora, vou dar a vocês alguns minutos para se despedirem, e abrirei o portal.” Artemis anunciou.
Quando a Deusa saiu de perto, nos dando uma certa privacidade, Rubi segurou minhas mãos, olhos marejados, não disse nada, apenas a puxei mais perto e beijei seus lábios finos e macios, com uma fome intensa, não era um beijo de despedida, era um até logo, era um te amo, vamos nos separar por um tempo, mas não é o fim, é só um começo.
Ficamos abraçadas por um tempo, apenas sentindo o calor uma da outra, nossos corpos se sentindo uma última vez, um sorriso triste em nossos lábios. Eu não sabia qual de nós teria o maior fardo, eu por lembrar, vê-la todos os dias e não poder tocá-la, ou ela por esquecer, talvez sentir um vazio por não lembrar da sua alma gêmea, eu não queria pensar nisso, mas meus olhos já estavam ardendo com as lágrimas se formando, um nó já havia se formado em minha garganta.
Senti o corpo dela trêmulo em meus braços, apenas sorri tentando passar alguma coragem, alguma segurança, mas não tinha certeza se funcionara ou se meu rosto havia se transformado em uma máscara de dor.
“É o certo a fazer.” Ela sussurrou, a voz trêmula, eu assenti.
“Por nós, e por eles.” Concordei. “Não é como se nós não fossemos nos encontrar novamente em alguns dias, só vai levar um tempo para eu te beijar de novo.”
“Pelo menos não vai ser 10 anos dessa vez, né?” Rubi brincou, eu concordei soltando uma risadinha.
“Vamos ter uma relação bem melhor agora, porque a nossa amizade será bem mais forte, então não tem porque sentir a despedida.” Comentei.
“Verdade.” Concordou a Bi. “Ju... toca pra mim tá? Quando nós estivermos sozinha, toca pra mim, mesmo que isso não me traga lembranças... eu sei que sempre vou querer te ouvir tocar.”
“Eu sempre vou tocar pra ti, prometo.” Assegurei, beijei os seus lábios e Artemis voltou.
“Desculpa... hora de ir.” Disse ela, pude ouvir a emoção em sua voz, assentimos.
“Artemis., obrigada pela segunda chance.” Disse a Bi.
“Agradece aos outros também.” Pedi, Artemis assentiu.
“Eu passarei o recado, vocês aprenderam o que precisavam, agora saberão o que fazer com esta nova chance.” Disse ela carinhosamente.
“Faremos a coisa certa dessa vez.” Prometi.
“Faremos o que tiver além do nosso alcance para guiar, proteger e salvar aqueles que não tiveram este cuidado na primeira vez.” Prometeu a Bi.
“Que assim seja e assim se faça.” Dissemos ao mesmo tempo.
Artemis convocou o portal com um estalar de dedos. Para minha completa surpresa o portal era uma porta de madeira branca, com imagens de lua crescente, cheia e minguantes, estampadas por toda a extensão da moldura da porta.
“Julia, fecha os olhos, quando tu ouvir um estalar de dedos tu vai abrir.” Artemis pediu, eu fiz o que ela mandou.
Quando o estalar de dedos ecoou ao meu redor e dentro da minha mente, eu abri os olhos, suspirei, estava na minha cama, tudo estava escuro dentro do quarto, me virei, o rádio relógio redondo com toca cd que eu dizia que tinha forma de porquinho, piscava meia noite, suspirei aliviada. Um sorriso brincou nos meus lábios, fechei meus olhos pesadamente.
‘Bem-vinda de volta.’ Pensei e voltei a dormir.
POV Rubi
Abri meus olhos assim que terminei minhas preces noturnas, estava ansiosa, faltavam apenas três semanas para as aulas começarem, e finalmente seria professora fixa mesmo que recém-formada na faculdade de Letras Português, queria me sair bem.
Encarei o espelho em frente a mim, mostrando a minha imagem, meus olhos pareciam um turbilhão, medo, nervosismo, ansiedade e uma tristeza que não conseguia explicar, eu não me sentia triste, apenas nervosa.
‘Bem-vinda de volta.’ O pensamento passou como um flash em minha mente, e a minha voz soou mais madura, mais velha, não compreendi, mas ignorei, já era tarde, eu estava cansada e imaginando coisas.
Levantei levemente e saí da sala do altar em meu pequeno apartamento, dois quartos até o meu quarto, uma porta até a cozinha, espreguicei, minha boca abriu em um bocejo, fui até a cozinha, tão pequena que e estreita que parece um corredor, entrei na cozinha peguei um copo, enchi de água da geladeira apaguei a luz e fui para o meu quarto.
“Meia noite.” Sussurrei, sentei na cama, tirei as pantufas e tomei um gole do copo.
Deitei em minha cama, ativei o alarme em meu despertador, me recostei contra o travesseiro, tomei mais um gole, coloquei na mesinha de cabeceira, me cobri, e puxei o livro que estava lendo. Quando meus olhos começaram a pesar, finalmente deitei e adormeci pesadamente.
POV Julia.
Eu estava com os olhos ainda fechado, pensando nas últimas horas, senti uma lágrima se formando, lembrando no último pedido que a Bibi me fizera, ‘toca pra mim’ suspirei, ela nem precisava pedir aquilo, eu tocaria a nossa música várias vezes para ela mesmo que ela não me pedisse, mesmo antes dela escutar isso.
‘Vai ser fácil fingir ser uma adolescente traumatizada.’ Suspirei. ‘Sabendo de tudo que eu deixei para trás em casa.’ Senti um nó na minha garganta, lembrando do sorriso das Beta, os abraços sufocantes da Nay, a honestidade brutal da Leti, o carisma da Lu e a praticidade e paixão da Stell. Abri meus olhos,
“Eu tenho que focar!” Falei para mim mesma. “Eu não posso ficar aqui remoendo, eu posso visitar elas, mesmo que só as veja de longe por enquanto.” Disse com uma onda de determinação. “A Sofia, Andreia, Pedro, Paula e a Marcela estão contando comigo, mesmo que eles não saibam ainda. Por isso que eu vim, não para remoer uma vida passada!”
Levantei da cama de casal , olhei em volta do meu quarto, uma mistura de sentimentos me chocou em cheio. Mas tenho que admitir, o meu quarto, não era diferente do apartamento que eu morava na época da faculdade.
As paredes só tinham posteres diferentes, Spice Girls, Alanis, que eu levei comigo, Britney.
‘Só falta glee aqui.’ Pensei com um aperto no peito. “Mas tecnicamente eu não conheço ainda.” Disse num sussurro.
Caminhei até o armário, vi o violão já estava encostado na porta, sorri aliviada, que Artemis não havia perdido ele no meio do caminho, me perguntei onde as malas estavam.
Ouvi uma batida na minha porta, tensionei, não tenho certeza porquê. “Julia, tu não vai dormir o dia inteiro né!” A mãe chamou do corredor.
“Já tô acordada mãe!” Exclamei abrindo a porta, vi as quatro malas na frente da porta.
“Quando tu está planejando desfazer as malas da viagem?” Perguntou ela.
“Já vô, que saco!” Eu bufei.
Tinha que fingir ser uma adolescente revoltada, era melhor fazer direito. Embora quisesse dar um abraço apertado na minha mãe, mesmo que tivesse visto ela final de semana passado.
“bom dia, pra ti também!” Disse ela.
“Tu nem deu bom dia, já chegou mandando.” Dei de ombros. “bom dia, mãe.” Disse eu, a voz suavizando, e finalmente puxei ela para o abraço que eu queria dar.
“bom dia, minha pequena.” Ela sorriu levemente, e me deu um beijo na bochecha. “O almoço tá quase pronto, então desfaz as malas mais tarde, tá?”
“Valeu mãe.” Falei aliviada.
“Nem acredito que eu te deixei comprar metade da Disney.” Ela riu alto rolando os olhos.
Eu forcei uma gargalhada, nem acredito que eu tinha esquecido completamente que tinha ido para a Disney naquele ano, meus pais me deram de presente de aniversário de quinze anos, depois do trauma que eu passei na outra escola.
“Só quero ver a maninha achar lugar para colocar toda a quinquilharia que ela comprou lá.” Zombou a Milla. “Até um box de série de tv. Qual o nome mesmo?” Perguntou a Milla.
“Glee...” Testei, glee já estava passando na tv, e tinha três temporadas em DVD naquela época, então não seria tão difícil encobrir isso.
“Isso mesmo! Vamos assistir juntas né?” A mana perguntou.
“Como ainda tem três semanas para as aulas começarem, vamos assistir todos nós.” O pai disse animado. “Depois que tu der um jeito no ninho de ratos que tu chama de cabelo, desce na cozinha, e vocês contam tudo sobre a viagem.”
“Com certeza, eu não te perdoei por não ter ido conosco pai.” Reclamei, as lembranças da viagem começar vir com força.
“Desculpa Julinha, eu tive as reuniões na faculdade, não dava para perder.” O pai se desculpou, me abraçando, beijando o topo da minha cabeça.
Quando eles finalmente saíram, chutei a porta fechada e finalmente pude ver o conteúdo das malas, me perguntava como meus pais não ficaram surpresos com o dobro de malas, quero dizer, eu trouxe apenas uma mala extra da viagem para a Disney, não três.
“De qualquer forma em vez de olhar dentro da mala, eu deveria lavar meu rosto, arrumar a bagunça que tá meu cabelo e descer.” Comentei ainda encarando as malas.
O pai tinha dito que faltava três semanas para o começo das aulas, e eu lembrava que havia voltado para casa da Disney na primeira semana de fevereiro. Pulei na cama, estiquei a mão na mesinha de cabeceira onde estavam meu óculos e o smartphone antigo que naquela época ainda era novo.
Coloquei o óculos, levei um tempo para lembrar onde desbloqueava a tela porque nos dias de hoje, ou no ano de 2030 pelo menos, é apenas com reconhecimento facial, tu não precisa nem usar mais a digital para isso, tu mostra a tua cara na câmera e pronto a tela tá lá lindinha pra ti, cheia de aplicativos.
“Como eu mexia nesse troço, ele é minúsculo! Nem quero pensar na qualidade da foto senão eu choro!” Exclamei, aterrorizada. “Realmente espero que o meu smartphone funcione aqui!” sussurrei e finalmente debloqueei a tela, ele ainda era com botões. “sexta feira 28 de janeiro, aparentemente, as aulas começam dia 19 então.”
“Julia!” A mãe gritou do final da escada lá embaixo.
“Já vô!” Gritei de volta.
Levantei da cama e fui pentear meu cabelo, no banheiro dentro do meu quarto, lavei o rosto, coloquei uma camiseta e uma bermuda cargo, minhas preferidas, e melhor ainda, confortáveis.
“Agora eu to apresentável.” Sorri para o espelho, a cara da Alanis sorrindo de volta pra mim. “Hora de me juntar ao resto da família. がんばってね!Julia chan.” Disse eu em japonês. “Merda, eu não deveria falar Japonês ainda!” Bufei.
Abri a porta do quarto e desci escada abaixo, onde minha mãe estava me esperando, com meio sorriso. Pulei os dois últimos degraus, diretamente para o chão, ela rolou os olhos.
“Tu já tem quase quinze anos, lembra?” Ela disse soltando uma risadinha.
“Ah mãe! Eu nunca vou deixar de correr, pra chegar mais rápido, além do mais, eu to faminta!” Exclamei. “Saudades da tua comida, não aguento mais comer hamburger.” Reclamei, o que era mentira, fazia meses no meu tempo que eu não comia hamburger, mas tinha que soar como se recém tivéssemos voltado dos Estados Unidos.”
“Nem eu, acredite.” A mãe admitiu, rolando os olhos.
Fui com a mãe para a cozinha, não pude deixar de sorrir ao ver o que tinha na mesa, arroz, feijão, uma salada bem farta e bife à milanesa, meu favorito, diga-se de passagem, senti as lombrigas acordarem e meu estômago roncar, e por um momento me perguntei o que a Bi estava fazendo.
POV Rubi.
Acordei tarde, como esperado visto que era ainda férias. Na segunda feira eu teria as primeiras reuniões para preparação do ano letivo, já havia preparado todos os planos de aula do primeiro bimestre, e estava esperançosa que a diretora aprovaria.
Como já era hora do almoço tomei um banho e fui ao shopping perto do meu prédio, estava com preguiça de cozinhar, era um saco cozinhar apenas para uma pessoa, me perguntava por que não estava namorando ainda, porque não havia alguém mais para compartilhar minha vida comigo.
Caminhei em volta da área de alimentação, procurando algo para comer, decidi pelo restaurante Italiano. Fiz o pedido, um espaguete ao molho de queijo com uma carne e uma salada, algo simples, porém delicioso.
Me senti incrivelmente sozinha, como se sentisse falta de alguém se juntando a mim, como se o lugar vazio ao meu lado, deveria ter alguém sentado, era estranho, pois até ontem este vazio e solidão crescente, não estava lá.
Senti um nó na garganta, e expressivos olhos azuis vieram como um flash em minha mente, mas sumiram em um segundo, me perguntei de quem eram aqueles olhos.
Foi difícil engolir a comida, mas consegui de alguma forma. Depois de comer fui ao meu lugar favorito, a livraria do shopping era grande, tinha uma grande diversidade de livros, além de boxes de filmes e séries de televisão. Escolhi um para comprar, assistir em casa antes das aulas começarem.
“Espero que esta seja boa.” Sussurrei lendo a sinopse de Glee.
Senti um dejavu, como se já tivesse lido sobre esta série, não tinha certeza onde ou quando, não me lembrava ne de ter ouvido falar na série, depois de comprar alguns livros novos, fui para o meu apartamento minúsculo, coloquei os livros no escritório e voltei para a sala de estar.
Coloquei o primeiro DVD no aparelho, me afundei no sofá branco de couro sintético envernizado, e fui completamente arrastada para o universo da série, imergindo completamente com a história.
E a sensação de dejavu voltara, sentia que já havia assistido esta série com alguém, quase podia escutar os comentários da pessoa ao meu lado. Senti meu peito apertar. Eu sentia uma dor esmagadora em meu peito, um nó na minha garganta.
Pausei e corri para a sala do altar, pedi orientação da Deusa, por mais que eu quisesse chorar, as lágrimas não vieram, mas ao fim da prece, só pude sentir alívio.
Fale com o autor