Notas iniciais
Edições necessárias, espero que gostem do capítulo e espero ver todos vocês, lá nos comentários, respondo todo mundo, não se preocupem.

(POV) de Julia

Era o primeiro dia de aula do primeiro ano do ensino médio, e a empolgação era palpável. A maioria dos colegas já se conhecia, especialmente eu, a Luciana e a Luana, que éramos amigas desde o fundamental 1 e havíamos acabado na mesma escola de ensino médio. As conversas animadas sobre as férias de verão enchiam o ar enquanto nos dirigíamos para a sala.

Assim que o sinal soou, a turma começou a se acomodar, mas as conversas e bagunça continuavam. Eu e as gêmeas nos posicionamos no meio da agitação, conversando sobre o que esperar do novo ano. A sala estava cheia de energia, e parecia que ninguém estava muito interessado na chegada da professora.

Mas então, a porta se abriu, e tudo mudou. Foi como se o mundo ao meu redor tivesse silenciado. A mulher que entrou na sala trouxe uma presença que imediatamente chamou minha atenção. O sorriso encantador dela foi a primeira coisa que eu vi, parecia iluminar o ambiente, e meu coração disparou. "Quem é essa? Nunca vi alguém com um sorriso tão radiante. Meu coração tá batendo forte... Nunca me senti assim antes."

Ela se dirigiu ao quadro e começou a escrever seu nome com movimentos delicados. Sua voz, doce e um pouco trêmula, ecoou pela sala: “Bom dia, pessoal. Meu nome é Rubi Velásquez. Eu sou a professora de Literatura Brasileira e Estudos Gramaticais da Língua Portuguesa.”

O entusiasmo da turma, que antes era tão vibrante, começou a morrer. A professora parecia visivelmente nervosa, e seu sorriso encantador estava desaparecendo. Eu não queria que aquele sorriso inebriante sumisse, precisava fazer alguma coisa, eu queria ficar olhando aquele sorriso lindo.

Olhei para a Lua e a Luci. “Ei, a professora chegou.”

“Ninguém tá prestando atenção,” Lua comentou, um pouco frustrada.

“Então, eu vou fazer com que eles escutem. Segura a mesa pra mim?” Perguntei, determinada.

As duas me olharam com surpresa. “Tu vai mesmo fazer isso, Ju?” Luciana perguntou, preocupada, ela sempre foi a mais racional e preocupada.

“Alguém tem que fazer algo, ou ela não vai conseguir dar aula hoje! Me ajuda?”

“Ok!” Aceitou Luana, com um brilho travesso nos olhos. Sempre foi a mais destemida das duas.

Com um impulso de coragem, subi na cadeira e depois na mesa que a Lua estava segurando. Luci me deu apoio na mão para evitar uma queda, enquanto eu me equilibrava com meu coturno. Virei para meus colegas, mãos na cintura, e com um olhar assassino.

“CALA A BOCA, SEUS FILHOS DA PUTA ! A PROFESSORA TÁ TENTANDO DAR AULA, CONVERSEM NO INTERVALO OU NA SAÍDA!”

O efeito foi imediato: a sala ficou em silêncio absoluto. Rubi, inicialmente surpresa, me observou com um misto de alívio e apreensão. Quando terminei meu discurso, ela me ajudou a descer da mesa com um sorriso agradecido. Suas mãos eram quentinhas e macias, e eu senti um frio na barriga.

Rubi me olhou nos olhos, ainda um pouco nervosa, com as bochechas rosadas e as sardinhas visíveis. “Qual é teu nome?” Sua voz tremia um pouco.

"Julia. Julia Gomes," eu respondi, sentindo que meu coração estava prestes a sair pela boca. "Ela tá me agradecendo? As mãos dela são tão quentes... Nunca vou esquecer isso."

Rubi sorriu com mais confiança, e eu pude ver a gratidão nos olhos dela. "Obrigada, Julia, pela ajuda. Agora, pode se sentar, e nós vamos começar a aula."

Ela se dirigiu à turma com um tom mais firme, sua confiança crescendo conforme ela começava a se ajustar ao papel de professora. O primeiro dia de aula prometia ser inesquecível, não apenas pela nova jornada que estávamos começando, mas também pelo impacto que um simples gesto de apoio pode ter.

(POV) de Rubi

Eu estava prestes a começar minha primeira aula como professora fixa, e a ansiedade estava a mil. Era o primeiro dia de aula do primeiro ano do ensino médio, e eu me sentia nervosa e animada ao mesmo tempo.

Quando o sinal tocou, segui em direção à sala e, ao abrir a porta, uma onda de conversas animadas invadiu meus ouvidos. A sala estava cheia de estudantes conversando animadamente. Decidi que precisava me apresentar de forma clara e segura, então entrei e comecei a escrever meu nome no quadro.

"Bom dia, pessoal," minha voz soou mais tremida do que eu gostaria. "Meu nome é Rubi Velásquez. Eu sou a professora de Literatura Brasileira e Estudos Gramaticais da Língua Portuguesa."

Enquanto escrevia, notei uma jovem com uma jaqueta de couro preta com spikes, coturnos pretos e uma combinação de piercings e brincos. Ela tinha mechas coloridas nos cabelos naturalmente dourados e cacheados, e usava sombra e unhas pretas. Seus olhos azuis cobertos com um óculos de armação roxa brilhavam com um calor gentil e uma expressão determinada. Meus olhos foram atraídos por ela instantaneamente. Havia algo magnético naquele olhar e na atitude dela. Eu me perguntei como ela seria na aula.

Enquanto tentava falar acima do ruído da sala, percebi que muitos dos alunos estavam completamente desinteressados. O sorriso que eu havia tentado manter no rosto estava começando a desvanecer. A ansiedade e a insegurança eram palpáveis, e eu temia que não conseguiria capturar a atenção da turma.

Foi quando, de repente, a jovem com a jaqueta de couro se levantou. Ela parecia estar decidida a mudar a situação. Subiu na cadeira e depois na mesa, que estava sendo segurada por duas colegas suas. O que ela fez a seguir me deixou completamente surpresa. Com um tom firme e uma atitude desafiadora, ela gritou:

“CALA A BOCA, SEUS FILHOS DA PUTA! A PROFESSORA TÁ TENTANDO DAR AULA, CONVERSEM NO INTERVALO OU NA SAÍDA!”

A sala imediatamente ficou em silêncio. Eu fiquei sem palavras, entre o choque e a gratidão. Não sabia se deveria me sentir aliviada ou ofendida, mas a verdade é que a intervenção dela foi exatamente o que eu precisava. Seus olhos, apesar do tom impetuoso, eram gentis e brilhavam com uma intensidade que eu não conseguia ignorar.

Depois que a sala acalmou, a ajudei a descer da mesa. Quando nossas mãos se tocaram, senti uma sensação inesperada, uma espécie de conexão que não conseguia explicar. Ela estava ofegante, e eu me perguntei como alguém tão jovem podia ter tanto impacto.

“Qual teu nome?” Perguntei, tentando esconder o nervosismo na minha voz. Olhando para ela, vi seu rosto corado e seus olhos azuis mais evidentes. Eu estava começando a sentir uma curiosidade profunda sobre ela.

“Julia, Julia Gomes,” ela respondeu com um sorriso tímido.

A forma como ela me apresentou seu nome era tão sincera, e a sua atitude corajosa me tocou profundamente. A combinação de sua aparência marcante e sua coragem inesperada criou uma impressão duradoura.

“Obrigada, Julia, pela ajuda. Agora, pode se sentar, e a gente começa a aula,” eu disse, tentando recuperar minha confiança. Sua intervenção tinha me dado uma nova perspectiva sobre como essa turma poderia ser. A gentileza dela estava me tocando de maneiras que eu não esperava. Era um momento que eu sabia que jamais esqueceria.

Finalmente pude começar a aula, me postei em frente à classe e me apresentei novamente. Os alunos finalmente estavam prestando atenção, talvez por medo de que a Julia fosse subir na mesa de novo e chamar a atenção deles. Não pude deixar de sorrir com o pensamento.

“Bom dia, queridos! Sejam bem-vindos ao primeiro ano do ensino médio! Meu nome é Rubi Velásquez e serei a professora de Literatura Brasileira e Estudos Gramaticais da Língua Portuguesa de vocês este ano. Vamos começar nos apresentando? Quem gostaria de ser o primeiro?”

Um silêncio momentâneo tomou conta da sala até que Julia, com um bufo e um revirar de olhos, levantou o braço, provavelmente frustrada que ninguém tinha feito o mesmo.

“Pode começar, Julia,” disse com um leve sorriso.

“Meu nome é Julia Gomes, sou apaixonada por literatura, dos clássicos ao infantojuvenil e jovens adultos, amo livros de fantasia, escrever poesias e um dia vou me tornar uma romancista e tradutora. Sou viciada em séries de televisão, música e filmes. Gosto de me dar bem com todo mundo, mas não suporto preconceito e falta de respeito com ninguém. Espero que a gente se dê bem e que eu não precise chamar ninguém de filho da puta de novo pra prestar atenção na aula.” A turma toda guinchou numa gargalhada.

“Sem problema, Jubs, a gente vai tentar se controlar. Na real, gostei da pose durona,” uma menina alta, afrodescendente, com longos cachos negros disse sorrindo de forma brincalhona. “Meu nome é Paula, amo música, séries de televisão, filmes, e leio qualquer coisa que cai na minha mão.”

“É um prazer conhecer vocês duas, Paula e Julia. Espero que a gente se dê bem,” disse eu, rindo levemente, feliz que os alunos estavam participando.

“Meu nome é Lucas e eu gosto muito de jogar futebol e videogame,” se apresentou o menino de cabelos longos castanhos claros.

“Muito bem, Lucas! Alguém mais gostaria de se apresentar?”

Uma garota com cabelos cacheados e óculos de armação vermelha, sentada ao lado de Julia, levantou a mão com mais confiança.

“Olá, pessoal! Meu nome é Luana Garcia e eu adoro ler livros de aventuras e sair pra dançar.”

“Ótimo, Luana! Quem é o próximo?”

A menina ao lado de Luana, que era exatamente igual a ela, só podia ser gêmea. Eu me lembro que elas ajudaram Julia a subir na mesa.

“Luciana Garcia, a gêmea que faz com que essas duas não façam besteira,” Luciana zombou, apontando para Julia e Luana.

“Ela só acredita nisso, mas não tem nada que prove a teoria dela,” brincou Julia com um olhar travesso.

“Com certeza,” Luana confirmou.

Soltei uma risadinha, imaginando que ia me divertir com o trio, ou elas iam me dar dor de cabeça, ainda não tinha certeza.

“Muito bem, Luciana. Quem mais gostaria de se apresentar?” perguntei animada.

Um rapaz alto, com uma expressão amigável, levantou a mão.

“Oi, eu sou o Pedro. Toco guitarra e tô ansioso pra conhecer todo mundo e fazer novas amizades,” ele se apresentou com um amplo sorriso.

“Maravilha, Pedro! Mais alguém?” perguntei.

Uma garota sentada na última fileira, com um sorriso tímido, ergueu a mão lentamente.

“Eu sou a Sofia. Gosto muito de poesia, matemática e assistir séries.”

“Excelente, Sofia! Parece que temos uma turma bem diversificada. Isso é ótimo! Espero que todos nós possamos nos dar bem. Mais alguém?” perguntei. Ninguém mais quis, então dei seguimento à aula.

“Agora, vou falar um pouco sobre como serão nossas aulas e o que vocês podem esperar deste ano.”

Caminhei até o quadro e comecei a escrever os tópicos principais do cronograma, enquanto falava. Comecei então a explicar o cronograma e as atividades planejadas, enquanto os alunos escutavam com atenção, trocando olhares curiosos e sorrisos tímidos. A energia da sala parecia se transformar aos poucos, e a ansiedade inicial dava lugar a uma sensação de excitação pelo novo começo.

"Hoje vamos dar uma olhada no que vamos estudar este ano em nossa disciplina de Literatura Brasileira. Sei que alguns de vocês podem estar curiosos sobre o que vamos abordar, então vou explicar como vamos dividir o conteúdo."

"1º Bimestre: Introdução à Literatura Brasileira e Literatura Colonial"

Apontei para a lousa, onde eu havia escrito o resumo do primeiro bimestre. Percebi que alguns alunos, incluindo Julia, estavam copiando. Não pude deixar de sorrir com isso.

"Começaremos com uma introdução à nossa rica tradição literária. Nas primeiras semanas, vamos explorar o contexto histórico e cultural do Brasil colonial, e pra isso, vamos analisar a 'Carta de Pero Vaz de Caminha'. É uma peça fascinante que marca o início da narrativa sobre o Brasil."

“Sim, mas não é complicado de ler?” perguntou uma aluna com tom de zombaria na voz. “Quero dizer, não tá escrito em português de Portugal?”

"Qual é teu nome?" perguntei, incomodada com o tom de zombaria.

“Andreia Paiva-Goulart,” disse ela com um tom presunçoso, como se estivesse se exibindo.

Notei que Julia sufocou uma risadinha e rolou os olhos com a apresentação da colega. Paula fez uma cara de desagrado e trocou um olhar cúmplice com Julia, o que me preocupou por um momento.

“Andreia, a carta original de Caminha tá, sim, escrita num português mais arcaico,” expliquei enquanto escrevia o termo na lousa. “Mas, com o passar dos séculos, a língua foi se modernizando, e várias versões e traduções foram feitas pra acompanhar essa mudança. Nós vamos ler uma versão atualizada.”

“Ah, daí é mais fácil de entender, né, professora?” perguntou Luciana com um tom gentil.

“Exatamente,” confirmei.

“Seguimos com o Barroco e Arcadismo, dois movimentos literários importantes. Vamos ler ‘Prosopopeia’ de Bento Teixeira e ‘O Uraguai’ de Basílio da Gama, que são ótimos exemplos desses estilos. Depois, passaremos para o Romantismo, com destaque para ‘Iracema’ e ‘O Guarani’ de José de Alencar, explorando o indianismo e o nacionalismo.”

“Tá, mas e os livros legais? Tipo Harry Potter, por exemplo?” perguntou a aluna ao lado da Andreia.

Quase todos os alunos explodiram em gargalhada. “Cala a boca, sua idiota. Essa matéria é sobre literatura brasileira, não inglesa,” Andreia exclamou. “Senta em outro lugar, vão achar que eu sou burra como tu.”

Julia se levantou, com um olhar firme para Andreia. “Ela não quis dizer especificamente Harry Potter, mas livros do mesmo gênero,” disse Julia, com a voz cortante. “Eu também adoro fantasia, e tem vários autores brasileiros que escrevem obras maravilhosas do gênero. Se tu não conhece, posso te mostrar,” disse ela, suavemente.

“Valeu,” disse a menina timidamente.

“Julia, pode sentar agora, por favor,” pedi gentilmente.

“Desculpa, sora. Só não gosto de injustiças,” disse Julia, sentando-se novamente.

“Qual teu nome?” perguntei para a aluna que mencionara os livros de fantasia.

“Marcela Pires,” disse ela, com a voz meio embargada.

“Marcela, teremos livros pra jovens adultos que vamos trabalhar. Nesses, vou incluir alguns de fantasia, de autores brasileiros. Não te preocupa,” prometi, enquanto a turma comemorava. “Continuando.”

"2º Bimestre: Modernismo e Pré-Modernismo"

“No segundo bimestre, vamos mergulhar no Pré-Modernismo, abordando obras como ‘Vidas Secas’ de Graciliano Ramos.”

“Ah, não!” Julia reclamou, me surpreendendo. “Fiquei traumatizada com esse livro! Nunca vou superar a morte da Baleia, professora! Dá pra trocar?” pediu, com uma lágrima escorrendo.

Algumas risadas pipocaram pela sala, e outros alunos concordaram com ela. Era interessante ver que alguns já tinham lido os clássicos.

“Quando chegar nele, eu vejo o que faço. Mas é um livro muito importante, principalmente pra entender a situação da comunidade nordestina no Brasil da época.”

“Esse é aquele livro com o personagem Fabiano, certo? Meu avô sempre fala dele,” perguntou Paula.

“Isso mesmo, Paula. E é uma obra fundamental pra gente entender o regionalismo na literatura brasileira,” expliquei. “Continuando.”

“Logo em seguida, vamos explorar o Modernismo, com destaque para ‘Macunaíma’ de Mário de Andrade e o ‘Manifesto Antropofágico’ de Oswald de Andrade. Esses textos são fundamentais pra entender as mudanças na literatura e na sociedade brasileira.”

"3º Bimestre: Literatura Contemporânea"

Me animei mais ainda mais ao chegar no tópico do terceiro bimestre.

“Agora, a parte que talvez alguns de vocês estejam esperando com mais ansiedade: a Literatura Contemporânea. Vamos ler ‘O Sol na Cabeça’ de Geovani Martins e ‘A Resistência’ de Julián Fuks. Essas obras trazem uma reflexão sobre a vida urbana e questões de identidade.” Fiz uma pausa dramática “E, claro, no mês de junho, durante o Mês do Orgulho LGBT, vamos estudar a literatura LGBT de autores brasileiros. Vamos analisar obras como ‘Antes do Baile Verde’ de Lygia Fagundes Telles, ‘As Traças’ de Cassandra Rios, ‘Aquele Dia Junto ao Mar’ da Karina Dias e outras que discutem a diversidade e a representatividade na literatura. Será um momento importante pra gente explorar como a literatura pode ser um espelho da sociedade e de suas transformações.”

"Feito!" Julia disse baixinho, comemorando.

Luana sorriu suavemente pra ela, como se entendesse a felicidade da amiga, que tinha os olhos brilhando.

"4º Bimestre: Literatura Infantojuvenil e Jovem Adulto"

“Pra fechar o ano, vamos explorar a Literatura Infantojuvenil e Jovem Adulto. Leremos ‘A Bolsa Amarela’ de Lygia Bojunga e ‘Cinderela Pop’ de Paula Pimenta, entre outros que incluirão livros de fantasia como ‘A Lua das Fadas’ de Eddie Van Feu. Essas obras não só são populares entre os jovens, mas também abordam temas relevantes e inclusivos. Vamos discutir a importância dessas histórias e como elas refletem as crescimento e identidade."

“Atividades e Avaliações"

“Cada bimestre vai incluir discussões, análises e atividades criativas. Teremos produção de textos, análises críticas e, claro, avaliações pra revisar o que aprendemos. Quero que vocês não só entendam os textos, mas também se conectem com eles e se expressem através da escrita. Espero que todos participem ativamente e aproveitem ao máximo!”

Olhei para os alunos e vi que a maioria estava sorrindo e alguns estavam escrevendo nos cadernos. Vi que Julia havia feito uma anotação ao lado do nome da autora Eddie Van Feu: ‘pesquisar’. Sorri levemente ao ver que ela estava interessada.

“Então, pessoal, preparados pra essa viagem pela Literatura Brasileira? Vamos explorar muitas histórias e, quem sabe, criar algumas nossas também. Alguma pergunta ou comentário antes de começarmos?”

“Iracema é sobre a mulher indígena, certo? Sempre achei essa história interessante,” comentou Sofia.

“Exatamente, Sofia. E, ainda no romantismo, vamos ler ‘Senhora’, também de José de Alencar, que trata de amor e interesses sociais. Depois disso, mergulharemos no romance ‘A Moreninha’ de Joaquim Manuel de Macedo, uma obra que foi muito popular no século XIX.”

“Eu amo os dois! Me identifico muito com a Carolina pela personalidade audaciosa, mas também admiro a Aurélia pelo empoderamento dela, raro naquela época,” comentou Julia alegremente, os olhos brilhando de empolgação.

“Certamente, Julia. Aurélia e Carolina são personagens muito fortes,” disse eu, feliz que Julia aparentemente dividia minha paixão pela literatura.

“Vamos ler muitos clássicos!” Lucas reclamou, visivelmente desanimado.

Senti meu coração afundar, esperando mais entusiasmo da turma. “Com certeza, Lucas. Em seguida, vamos abordar a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Leremos e analisaremos alguns de seus poemas mais conhecidos.”

“Ai, que bom, professora!” disse Julia extremamente empolgada, quase pulando da cadeira. “Quero aprender ao máximo, assim posso desenvolver minha escrita.”

“Eu amo poesia! Vai ser muito interessante estudar Drummond,” disse Sofia, mostrando-se tão entusiasmada quanto Julia.

“Que bom, Sofia! Tenho certeza de que vocês vão gostar. Por fim, vamos estudar Jorge Amado e sua obra ‘Capitães da Areia’, que nos levará ao universo dos meninos de rua de Salvador.”

“Parece que vamos ter um ano cheio de leituras incríveis!” Julia disse, satisfeita, descansando a caneta sobre o caderno, alongando os dedos. Só então notei que ela estava escrevendo tudo o que eu falava.

“Com certeza, Julia. A literatura brasileira é rica e diversificada, e tenho certeza de que cada um de vocês vai encontrar algo que goste e se identifique. E lembrem-se, minhas aulas serão sempre um espaço aberto para discussão e troca de ideias. Quero ouvir o que vocês pensam e sentem sobre cada obra.”

A turma parecia mais animada e curiosa. Os alunos trocavam olhares e sorrisos, ansiosos para começar as leituras e as discussões que estavam por vir. Senti que o primeiro passo para despertar o interesse pela literatura brasileira havia sido dado.

Entreguei para eles as listas de livros que pediria ao longo do ano e também uma apostila que eles usariam. Vi Julia riscando alguns títulos.

“A maioria eu já tenho em casa,” reclamou ela, frustrada. “Mas ainda tem bastante que eu vou poder comprar. Esses de literatura LGBT e da autora Eddie Van Feu, que eu nunca ouvi falar, vai ser bom descobrir novas histórias.” Um sorriso se espalhou pelo rosto dela, e não pude deixar de sorrir também. Era bom ver adolescentes apaixonados por literatura.

Liberei a turma quando o sinal tocou para o intervalo e fui para a sala dos professores, sorrindo levemente. Não podia acreditar que minha primeira aula como professora fixa havia funcionado tão bem.

Cheguei em casa no final da tarde, já estava um pouco mais fresco na rua. Como não tenho carro ainda, caminhei distraída até a parada do ônibus, pensando no meu primeiro dia. Considerei ligar para a Regina, minha veterana na faculdade, quando vi uma pessoa conhecida conversando animadamente com uma menina alguns anos mais nova.

“Sério que tu subiu na mesa?” perguntou a menina com traços latinos.

“Claro que sim! A coitada da professora tava lá, toda pra baixo porque ninguém prestava atenção! Eu tinha que fazer alguma coisa, né!” Julia exclamou. “E tu, como foi o primeiro dia? Algum colega novo?”

“Uhum, dois transferiram pra minha escola,” a mais nova comentou.

Julia então parou, ofegou e arregalou os olhos. “Que foi, prima?”

“Essa é a professora que eu falei!” Julia exclamou, arrastando a prima com ela para me cumprimentar. “Oi, professora Rubi. Essa é minha prima, Anita.”

“Oi, tudo bem?” Anita perguntou timidamente.

“Tudo bem, muito prazer em te conhecer, Anita,” disse, sentindo o meu coração esquentar. “Vocês moram aqui perto?”

“A Nita mora, eu moro duas ruas pra cima da casa dela. Eu sempre pego ela na escola porque é perto, né, Nita?” Julia explicou.

“Verdade, eu tenho que ficar na escola o dia todo porque é turno integral,” reclamou Anita, rolando os olhos. “A gente vem caminhando de lá e paramos para um sorvete,” Anita soltou uma risadinha.

“Ah, entendi,” afirmei com um sorriso leve. Ouvi o som de um ônibus se aproximando e li o letreiro luminoso. “Meu ônibus chegou. Te vejo na aula, Julia. Foi um prazer te conhecer, Anita,” disse, sorrindo suavemente, fazendo sinal para o ônibus parar.

“Espero que tu tenha uma boa noite de descanso, professora. Nos vemos na aula,” disse Julia, com certo carinho na voz.

POV Julia

Depois de deixar Nita em casa, fui pro meu quarto, olhei na estante e suspirei aliviada, eu tinha todos os livros clássicos que professora pedira para literatura este ano, sorri e puxei A moreninha, meu favorito.

Decidi ter a atenção redobrada e fazer anotações, não sabia como seriam as atividades, mas talvez deveria começar com uma ficha de leituras, queria impressionar a professora, se meu plano funcionasse, eu poderia ver aquele sorriso encantador, mais vezes.

Depois de terminara a ficha, fui pesquisar os livros que a professora havia recomendado, e me surpreendi de ver que a autora de A Lua das Fadas, era praticante de uma crença Neo-pagã chamada wicca, li um pouco sobre a crença, e fiquei me perguntando que tipo de pessoa era a professora Rubi.

Notas finais
Eu sei que faz um bom número de anos, mas pensei que talvez pudesse trazer uma história completamente nova sobre a Rubi e a Julia, visto que perdi a segunda versão da história original e vou ter que reescrever tudo, então, achei que seria divertido em vez de contar o reencontro, contar como elas se conheceram e como desenvolveram o relacionamento. Terá diversas mudanças, que fará a história mais interessante, espero que gostem.