Encontro de Almas
2 Glee
Notas iniciais
POV Julia
Minha irmã mais velha Milla, naquela época já estava na faculdade de psicologia, e diferente de mim, não era fanática por livros, mas assim como eu, amava ir ao cinema ou assistir uma boa séries de televisão.
Depois da aula de segunda feira, eu tinha várias listas de livros que iria precisar para o ano dentro da minha mochila, quando meus pais chegaram em casa final da tarde, corri para dar um oi, carregando comigo a lista de livros para literatura brasileiro.
“Oi pai, oi mãe! “ Soltei um gritinho abraçando eles, meus apenas suspiraram, depois de darem um beijo no topo da minha cabeça.
“O que tu já tá toda animada depois de um primeiro dia de aula, ainda mais em uma segunda feira?” O pai perguntou.
“A professora de Literatura Brasileira, deu a lista de livros que vamos trabalhar este ano!” Anunciei. “Já risquei os que eu tenho e marquei os que eu vou precisar comprar.”
“A tua estante vai explodir.” Brincou a minha irmã.
“Eu vou só precisar de uma extra, meu aniversário é semana que vem. Vai que o pai me dá uma estante nova.” Comentei inocentemente. “Lugar no meu quarto tem.”
“Essa idade é tão boa! A gente vivia em um mundo de sonhos.” Brincou minha mãe. Bufei. “De qualquer forma... tu vai precisar dos livros, o que vocês acham de irmos jantar no Bourbon Country visitar a livraria cultura, e comprar alguns livros da lista.” A mãe sugeriu, enfatizando a palavra alguns.
“Eu topo, assim a gente aproveita um passeio em família,” disse o pai animado.
“E eu uso a minha mesada de março para comprar a série que as gêmeas estão enchendo o saco pra eu assistir.” Comentei.
“Opa! Série nova? Eu te dou de aniversário!” A mãe se empolgou. “Já que todos nós vamos assistir.”
“Mesmo?” Perguntei empolgada e aliviada que não teria que gastar meu dinheiro.
“Sim, isso é algo que todos nós fazemos juntos, assistir séries de televisão.” Disse o pai. “Então vocês duas, vão pra cima, tomem um banho, coloquem uma roupa mais ajeitada e vamos.”
Claro que eu e a mana celebramos, deixei a lista com meus pais e apostamos corrida até o andar de cima. No caminho para o shopping, eu contava como tinha ido meu primeiro dia, como eram meus colegas, e professores.
“Então, a maioria da turma estudou junto no fundamental dois, tem eu, a Lua e a Luci que viemos juntas, e a Sofia que veio do interior.” Contei. “A professora regente da turma é a professora de português que também da aula de literatura brasileira.”
“Ah que bom. Professora de matéria que tu gosta, vai ser mais fácil para tu se conectar com ela.
“Ela é bem novinha... parecia um pouco insegura.” Comentei, meus pais e a mana tensionariam.
“Ju... por favor me diz que tu não calou a boca dos teus colegas!” Pediu a mãe.
“Ela tava tentando se apresentar, e os merdinhas não calavam a boca!” Eu me defendi. “Eu fiz o que qualquer aluno decente faria!”
“To tão orgulhoso!” O pai exclamou.
“Osvaldo!” A mãe bronqueou.
“Conta!” A mana pediu animada, com os olhos arregalados.
“Primeiro eu subi na mesa, a Lua e a Luci me ajudaram.” Contei com um sorriso sonhador. “Daí eu disse...” Fiz um pouco de suspense.
“Conta logo!” A mãe exigiu, eu pude ouvir animação na voz dela.
“Okay, okay! Então eu disse. ““CALA A BOCA, SEUS FILHOS DA PUTA! A PROFESSORA TÁ TENTANDO DAR AULA, CONVERSEM NO INTERVALO OU NA SAÍDA!” o efeito foi imediato, ela segurou a minha mão, me ajudou a descer e me agradeceu, a aula teve início e foi isso” Disse eu com orgulho na voz.
“Espera! Tu não foi mandada pra direção?” Perguntou a mana surpresa.
“Pois é, essa foi a parte que me deixou chocada! Até mostro a minha agenda, tá lisinha como bundinha de bebê, cheirando a nova ainda.” Brinquei.
“Bem, tu não mentiria sobre isso, então eu fico orgulhosa que tu tenha defendido a honra da tua professora com sucesso, agora tenta não chamar teus colegas de filhos da puta de novo.” Pediu a mãe.
“Eu avisei na minha apresentação, se eles derem motivo eu vou.” Disse pra ela.
“Acabei de ter uma premonição.” Avisou o pai, com os dois dedos nas têmporas. A Milla e eu só nos olhamos, sabíamos o que estava vindo. “Um número excruciante de visitas na escola nova da Julinha em nosso futuro, Inês.”
“Eu tive a mesma visão, Valdo!” Disse ela com uma voz brincalhona.
Eu e a mana explodimos em gargalhadas, eu posso ser travessa, mas meus pais sabem que eu jamais faria qualquer coisa para prejudicar alguém ou atrapalhar a aula. Quando chegamos ao shopping, fomos primeiro para a área de alimentação, tava todo mundo com fome afinal de contas.
Depois da janta, ainda com conversas animadas sobre o meu primeiro dia de aula e o dia deles, fomos para a cultura comprar os livros e o box da série.
“Então filha, qual é a série?” Perguntou o pai, vendo a estante cheia de boxes de séries de televisão, apontei para a caixa certa.
“Essa aqui.” Anunciei pegando ela. “Glee, é uma série musical, sobre um professor apaixonado por música que decide reconstruir um novo clube do coral quando o professor anterior é demitido.” Contei.
“A premissa parece interessante.” Comentou a minha mãe.
Glee foi a série que mudou a minha vida naquela época, minha obsessão. E mesmo depois de tantos anos... não mudou muito. Também me aproximou a uma certa pessoa que eu conheceria muitos anos mais tarde, e se tornaria uma constante a minha vida, mas de novo, é um grande spoiler, devo me conter por hora.
O pai colocou a caixa com os dvds dentro da cesta que ele pegou na entrada, imagino que ele também tenha tido uma visão do rombo no cartão de crédito, sabendo que eu ficaria empolgada para comprar os livros novos.
“Vamos ver os livros?” Perguntei, esfregando uma mão na outra, empolgada.
“Que dúvida né?” Milla zombou brincalhona, me beijando na bochecha.
“Ah, não me julga, a professora Rubi indicou um monte de livros infanto e para adultos jovens em literatura brasileira, vou precisar pra aula.” Comentei dando de ombros.
“Sei, sei.” Brincou ela.
“Onde nós começamos? Os livros infanto-juvenis? Os livros para o mês do orgulho, os livros de fantasia, ou os para jovens adultos sem fantasia incluída?” Perguntou a mãe.
“Fantasia!” Disse eu, super empolgada, os olhos arregalados.
Caminhamos em direção aos livros de fantasia, que é o meu segundo gênero favorito, quando entrei no corredor, senti meu coração acelerar, até ofeguei, meus olhos arregalaram.
“Ju? Que foi?”
“Professora Rubi!” Exclamei, empolgada, um sorriso brincando nos meus lábios. Ao ver a linda mulher alta com os cachos ruivos, e sorriso alegre, as esmeraldas de seus olhos brilhando em empolgação.
“Não acredito, se não é a minha aluna tão apaixonada por literatura quanto eu!” Rubi exclamou sorridente, aquele sorriso lindo que alcançava suas esmeraldas tranquilas, abrindo em seu rosto.
“Professora, esses são meus pais Osvaldo e Inês Almeida-Gomes, e a minha irmã mais velha e ovelha negra da família, a Milla!” Brinquei.
“É um prazer conhecer vocês todos!” Disse Rubi com aquele sorriso encantador. “Rubi Velásquez.” Disse ela cumprimentando meus pais com um aperto de mão
“É um prazer conhecer a senhorita também professora, e por favor me deixe já me desculpar antecipadamente pelas travessuras que a Julia, Luciana e a Luana irão aprontar durante o ano.” Disse a minha mãe tentando se manter séria.
“Eu contei pra eles como foi a primeira aula.” Contei pra professora, minhas bochechas queimando.
“Ah, certo. A Julia me ajudou muito hoje, meu primeiro dia na escola, sou professora nova lá...”
“Engraçado que ela também é nova lá.” A mana zombou.
“Ah, mas eles não calavam a boca! Eu me senti responsável por fazer alguma coisa. Falta de respeito com a professora.” Dei de ombros.
“Obrigada de novo por isso, Julia.” Rubi disse suavemente. “Eu prometo que não mandei a Julia para a direção, afinal ela estava me ajudando.”
“Ela nos disse, nós sabemos que a Julia não mentiria.” O pai prometeu.
“Que bom, então porque a tua irmã é a ovelha negra da família.” Rubi perguntou, com uma risadinha.
“O pai e a mãe amam ler, assim como eu, ela é a única da família que prefere filmes e séries!” Acusei rindo.
“Verdade! Eu não sei onde nós erramos.” O pai disse brincalhão. Não pudemos deixar de rir.
“Também a única até agora que não escolheu a área da educação.” Disse a mãe orgulhosa.
“Ah, é?” Perguntou a Bi, interessada.
“Aham, a mana vai surtar analisando a mente humana agora, ela tá fazendo psicologia.” Contei, sorridente.
“É uma carreira linda.” Disse Rubi encantada.
“Eu sei, é um orgulho ter uma futura psicóloga na família.” Disse o pai. “O problema são os livros mesmo.”
“Okay, eu tenho que admitir mesmo! Eu não tenho paciência pra livros mesmo.” Milla comentou rindo alto, era nossa piada interna.
“Julia, porque tu não mostra para a tua irmã o que fazem os livros tão especiais?”
“Acredita, professora. Eu tentei muito. Mas não tem jeito ela acaba indo pros filmes, não vou desmerecer, pois uma coisa que amo é assistir um filme e uma série, seria hipócrita se dissesse que não assisto, mas livros desenvolvem a imaginação, criatividade.”
“Verdade, talvez um livro que tenha baseado filmes que tu goste, pode chamar a tua atenção.” Rubi sugeriu
“A Ju tentou me fazer ler os livros de Harry Potter, parei na metade do segundo e não consegui passar disso.”
“Viu, não adianta, eu tento, tento, mas ela contina grudada na tela da tv.” Reclamou o pai.
“Talvez um dia, eu supere isso e consiga me apaixonar por leitura tanto quanto vocês.” Milla tentou me tranquilizar.
“E tu sora, encontrou um livro bom?” Perguntei, curiosa por sugestões.
“Ah, não encontrei nada por enquanto, mas tu gosta de livros de fantasia, certo?” Rubi perguntou, os olhos brilhando com curiosidade.
“Muito, meu segundo gênero favorito. Alguma indicação?”
“Já leu coração de tinta?” Rubi perguntou, assenti veementemente.
“Sim! Inclusive comecei sangue de tinta durante as férias, logo eu termino e passo para morte de tinta.” Contou Julia animada.
“É uma história maravilhosa, não é?”
“Eu amo, sou apaixonada principalmente pelo dedo empoeirado, adoro a complexidade do personagem, querendo aprender o final da história e voltar para o mundo dele, fico imaginando como seria se eu pudesse entrar no universo dos meus livros favoritos.” Contei empolgada.
“Qual é essa série?” Perguntou a Bi, apontando para o box na cesta.
“Ah é uma série para adolescentes, se passa em uma escola de ensino médio dos estados unidos, um professor quer recriar o clube do coral na escola, e eles passam por muita coisa.” Contei.
“Hum, é musical?” Perguntou ela, eu assenti. “Parece interessante e eu já reconheci dois atores.” Disse ela apontando para o Mathews Morrison e a Jane Lynch. “Acho que vou comprar também.” Comentou ela empolgada.
Depois de fazermos nossas compras, pude ver a Bi corando levemente quando comecei a escolher alguns dos títulos que ela indicou para as aulas, decidimos por tomar um café, nós todos, foi divertido descobrir que temos muitos assunto em comum com Rubi, fiquei impressionada ao saber que a minha professora também amava filmes e séries, nós inclusive temos gostos em comum.
“Vamos fazer isso de novo né?” Perguntou Rubi empolgada, entregando um cartão para mim, assim que saímos do café.
“Certamente iremos!” A mãe anunciou. ”Eu sei é comum para nós professores mantermos uma certa distância dos alunos.”
“Eu não suporto esse distanciamento, diga-se de passagem.” Rubi comentou.
“Nem nós, por isso que ficaremos felizes se tu quiser fazer isso novamente.” Comentou o pai com um sorriso gentil.
“Eu iria adorar, prometo.” Disse a Rubi sorridente, os olhos esmeraldas brilhavam com animação e algo mais que não pude entender naquela época.
“Claro, vai ser divertido. “ Milla concordou animada.
“Vamos mesmo, inclusive, podemos marcar de ir à odisseia literária que acontece em abril, eu vou todos os anos.” Sugeri, anotando meu número em um bloquinho de notas que sempre carrego comigo, caso tenha ideias para escrever, destaquei a folha e entreguei para ela.
“Obrigada Julia”
“De nada sora.”
“Pode me chamar de Rubi, fora da sala de aula se tu quiser.” Disse Rubi.
Meu coração acelerou, senti minhas bochechas queimarem levemente, só esperava que não estivesse corando como uma idiota, mas sabia que o sorriso que se abrira em meus lábios era grande e meu coração estava acelerado.
Depois do café, nos despedimos com sorrisos calorosos e fomos para o estacionamento, afinal amanhã o dia começaria cedo para todos nós, fomos conversando animadamente dentro do carro.
“Gostei da tua professora, Julinha.” Comentou a mãe. “Tem bem jeitinho de professora recém-formada... filha eu pude entender porque tu fez o que tu fez hoje na escola, então eu te peço... segue ajudando ela da forma que tu puder.” Disse ela.
“É, só eu sei como foi difícil para mim quando eu comecei.” Contou o pai. “Então faz o que tu puder para ajudar esta professora a ter a atenção e carinho da turma.”
“Eu prometo pai, eu vou... quando eu vi o sorriso dela sumir... meu coração quebrou eu tinha que fazer alguma coisa, entende?” Contei.
“Pois é, eu pude entender sim.” Milla comentou, beijando a minha bochecha.
“Eu fico muito orgulhosa de ti, filha. Por ser uma aluna que sempre vai respeitar e ajudar os teus professores, e foi uma bomba e decepção o que aquelas freiras de merda fizeram contigo, eram só elogios até aquele dia.” A mãe disse indignada, senti minhas mãos fecharem em punhos, meu coração doer.
“É, mas eu tenho certeza que esta escola vai ser diferente, a diretora Soraia garantiu que os professores são treinados para compreender todas as diversidades e minorias.” Comentou o pai.
“Por isso que eles celebram o mês do orgulho?” Perguntei, meu coração acelerando.
“Sim, essa é a razão.” A mãe confirmou. “Tu vai ter todas ou a maioria das disciplinas dedicada ao tema no mês de junho, isso foi o que a diretora Soraia nos contou no dia da matrícula.”
“Isso é incrível, né Julinha?” Perguntou a Milla.
“Eu realmente espero que continue sendo incrível.” Confidenciei, com a voz embargada.
“Não tenho dúvidas.” O pai afirmou.
Chegamos em casa, eu estava muito empolgada para o meu ano escolar depois desta conversa, tomei um banho, vesti meu pijama, enviei um sms para as gêmeas contando que tinha comprado a série já, arrumei meus livros e voltei para a sala, onde meus pais e a mana me esperavam na sala, com pipoca e refrigerante para assistirmos aos primeiros episódios da série, mesmo que fosse noite de escola, nós quatro estávamos ansiosos para assistir.
POV Rubi
Meu apartamento era muito próximo ou Bourbon country, meu pai me dera quando entrei na faculdade, não por estar orgulhos, talvez até estivesse, mesmo que o sonho dele fosse que eu me tornasse uma advogada como ele, afinal eu sabia que ele tinha razão, professor no Brasil come o pão que o diabo amassou e recebe uma miséria. Mas eu amo o que faço, ser professora é gratificante.
O fato é que o incentivo do meu pai me dar o apartamento no meu primeiro ano da faculdade de letras, foi quando me assumi homossexual, obviamente eles não ficaram felizes, mas o pai que não era tão mente fechada quanto a minha mãe, me deu o apartamento antes dela ter a chance de me expulsar.
Ser professora abriu minha mente para algumas questões sociais, principalmente agora que tinha minha própria turma, não pude deixar de sorrir pensando nos meus alunos. Caminhei até a sala, olhei em volta, o pequeno apartamento tinha uma sala espaçosa, com um sofá, rack de televisão com prateleiras, e algumas decorações e uma mesa de jantar espaçosa.
A cozinha, no entanto, dividia espaço com a área de serviço, era tão pequena que parecia apenas um corredor que dava para a lavanderia, onde só cabia um tanque, visto que eu morava sozinha, não precisava de um apartamento muito grande, a única coisa que pedi ao pai, era que tivesse um quarto onde poderia colocar meu altar.
Naquela época eu já era uma sacerdotisa Wiccana, me iniciara na wicca quando entrei na faculdade, foi o primeiro ato de rebeldia que tive depois que saí da casa dos meus pais, mas a Wicca mudou a minha vida, abriu a minha mente, eu me aceitei por quem eu sou, e finalmente pude começar a ser eu mesma.
Esse pensamento me levou ao encontro inesperado, ou determinado pelos destinos, com a família da minha aluna Julia, não pude deixar de sorrir lembrando da interação entre eles, e como eles pareciam gentis e calorosos. Completamente diferente da minha família.
Pensei inclusive em falar com a diretora Soraia, eu queria conhecer mais sobre os meus alunos, não tinha exatamente confiança para conversar com eles, a Julia quem deu o primeiro passo hoje.
“Não! Eu preciso ter confiança em mim, eu sou a professora regente da turma deles, não posso simplesmente depender dos outros. Julia me ajudou hoje, mas me recuso a depender de uma aluna de quinze anos para controlar a turma por mim.” Disse eu determinada.
Eu realmente estava determinada para agir por mim mesma, mas naquela época eu tinha um grande problema de autoconfiança, a Ju por outro lado me diz que a minha bondade e carisma sempre entram no caminho e não me deixam mostrar autoridade, ela tem razão, não mudou muito no decorrer dos anos.
Levei as compras ao meu pequeno escritório, um pequeno quarto onde eu colocara uma escrivaninha antiga e umas estante pois precisaria para trabalhar em casa. O pai me dera um apartamento de três quartos no fim das contas.
“Bem até o final do ano, é capaz de eu conseguir comprar um carro usado, não preciso pagar aluguel.” Pensei com um sorriso.
Tomei um banho restaurador, depois de um dia intenso dando aulas e tendo problemas para manter a ordem na sala de aula, especialmente com a turma do fundamental dois.
Suspirei, pensando nos pestinhas, eu realmente odiava dar aulas para crianças desta idade, mas pensei que talvez com o tempo eu poderia mudar de ideia, me conectar com eles.
Fui para o quarto do altar, onde tinha uma mesinha de pinho, contra a parede, com um vaso onde colocava flores frescas todas as manhãs, um quadro pendurado com a imagem de um pentagrama e uma imagem representando Hekate, a Deusa mãe.
Fiz uma prece de agradecimento pelo dia, pedi forças para ter confiança e conselhos para mostrar competência em sala de aula. “Que assim seja, e assim se faça.” Finalizei a prece e coloquei uma chave como oferta.
Fui para o meu quarto e finalmente deitei na minha cama, pronta para dormir e recuperar as energias para o dia seguinte, não via a hora de ir para a escola amanhã e dar as primeiras aulas de português para a minha turma.
POV Julia.
Quando voltei para o quarto, após assistir os primeiros quatro episódios de glee com meus pais e a mana vi que meu celular picava uma mensagem na tela, sorri ao ver que era da Lua.
“Oi amiga, que bom que comprou, já assistiu? Amanhã a gente comenta sobre a série no recreio, bjus, até amanhã.”
“Assitimos, o pai a mãe e a Milla assistiram comigo até o quarto episódio da primeira temporada, não quero spoilers! Eu sei que vocês estão mais adiantadas que eu, boa noite, durmam bem, até amanhã.”
Enviei a mensagem e preparei já a mochila para o dia seguinte, assim não tinha que sair correndo e pegar o material em cima da hora. Acendi luzinha de cabeceira, apaguei a luz grande e deitei, abri a gaveta da mesinha de cabeceira, peguei o meu aparelho de mp4, pus o fone no ouvido, acessei a playlist com as músicas da minha mentora, Alanis Morissette, coloquei meu óculos na mesinha de cabeceira, e apaguei a luz, dormi sendo embalada pela voz forte e ensinamentos da minha cantora favorita.
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