Encontrar Alguém - Brutinha
3 Recado vs Acidente
Notas iniciais
Fatinha havia começado a estagiar em uma renomada empresa de arquitetura do Rio de Janeiro, no entanto, a loira estava desanimada.
Lia e Vitor não poderiam mais viajar, pois, o garoto fora chamado para trabalhar em um grande hospital da capital.
É claro que ela tinha ficado feliz pelo amigo, mas, a cada dia que passava, ela se sentia mais sozinha.
— Que dia – resmungou, tirando os sapatos e jogando-os em qualquer lugar do apartamento. – Pelo menos é sexta. – Deu de ombros e jogou-se no sofá, pegando o celular, que começara a tocar. Era Juliana.
— Oi, Ju – cumprimentou animada.
— Fatinha, vem aqui em casa AGORA! – falou e logo desligou, deixando a amiga preocupada.
Maria saiu do apartamento do jeito que estava, sem sandália e tudo, e bateu na porta do apartamento em frente, enquanto divagava sobre a vida.
— Fatinha? – ouviu seu nome ser chamado e encarou o moreno em sua frente, que sorria para ela.
— Oi, Bruno. A Ju está? – perguntou sem jeito
— Claro, entra aí – deu espaço para a mesma, que entrou envergonhada.
Desde a confusão com a Ex dele, Fatinha havia se afastado. Era o melhor a se fazer.
— Você sumiu – ele comentou, fechando a porta.
— Muito trabalho – sorriu amarelo e ele assentiu.
— Bom, o quarto dela é a 2° porta à direita, fique a vontade – disse, jogando-se no sofá e pegando o notebook.
O clima entre eles estava estranho, Fatinha notou sem humor.
— Ju – bateu levemente na porta, que foi aberta em poucos minutos.
— Só você pode me salvar – disse, apavorada.
***
— Eu não acredito que você quase me matou do coração por isso, Dona Juliana – fingiu-se de brava.
— Ai, Fatinha, desculpa – riu – mas eu precisava de uma segunda opinião sobre o vestido da festa de amanhã. Você vai, não é?
— Não sei – foi sincera. – Esses dias têm sido difíceis.
A outra não discutiu, ela via a correria diária da loira, que mal tinha tempo pra ficar em casa.
— Bom, eu já vou. – levantou-se. – Amanhã é dia de acordar cedo – fez uma careta. Ela odiava limpar a casa.
Ambas saíram do quarto rindo e discutindo sobe métodos de limpeza, quando Fatinha notou que Bruno não estava mais na sala. Ela disfarçou, mas Juliana notou.
— Procurando alguém? – perguntou cínica.
— Ai, Juliana, não enche – bateu levemente no braço da amiga, abraçando-a em seguida. – Boa noite.
— Boa noite.
Fatinha estava tão cansada que mal se deitou e já estava dormindo.
***
— Já vou, inferno – Maria resmungou, jogando o cobertor para o lado e levantando cambaleante. Quem diabos ia para a casa dos outros às... 8 horas da manhã? Em um sábado?
Fatinha bufou descontente e abriu a porta, mas não tinha ninguém, só um papel no chão.
“idiota” pensou irritada e pegou a folha, fechando a porta e começando a ler o conteúdo.
— Eu não acredito nisso. – riu. – Quantos anos essa garota tem?
Sem dar importância, Fatinha deixou o papel sobre a mesa e foi preparar o café da manhã, pois o dia seria corrido. Contudo, antes de chegar à cozinha, ouviu o celular tocando, e correu para atender, antes que a ligação caísse.
— Oi – atendeu ofegante, sem olhar o visor.
— Fatinha? ‘Tá tudo bem?
— Ah, oi Bruno – sorriu levemente – ‘tá tudo bem sim.
— Eu te acordei? Olha, eu posso ligar mais tarde
— Não me acordou. Na verdade, quem me acordou foi a sua namoradinha.
— Namoradinha? – debochou.
— A Ana.
— Ela foi aí? O que ela queria? – perguntou preocupado.
— Eu não falei com ela – sentou-se na cama -, mas ela deixou um recado pra mim.
— Recado?
— Sim – riu-, tipo aquelas coisas de filme, sabe? Com recortes de jornal e tudo – ironizou – Estou morrendo de medo.
— Eu quero ver isso.
— Depois eu te mostro. Então, você me ligou só para ouvir minha voz maravilhosa? – brincou
— Não, eu ia te chamar para ir à praia.
— Nem vai dar Bruno. Hoje eu tenho que arrumar o apê
— Mas só vamos mais tarde – insistiu
— Eu vou ver aqui, aí te respondo.
— Ok, tchau.
Fatinha desligou o celular e começou a adiantar seu serviço, nem tomou café.
Duas horas depois, jogou-se no sofá, cansada.
“Bruno, a proposta ainda está de pé? Acho que vou aceitar” enviou a mensagem e foi tomar banho.
Assim que terminou, a campainha começou a tocar.
— Tô indo – correu enrolada na toalha e abriu a porta.
— Você vai assim? – Juliana brincou
— Sim, vou arrasar, não vou? – deu uma voltinha – já volto.
Depois de arrumada, Maria preparou a bolsa, pegou dinheiro e o celular, e foi para a sala, onde encontrou Juliana com o recado de Ana em mãos.
— Quem te mandou isso? – indagou curiosa
— Nem queira saber – fez pouco caso. – Vamos?
— Sim – a morena concordou, levantando-se. – Eu vou chamar o Bruno.
— É o tempo que eu fecho o apartamento. Ah, eu vou esperar vocês lá embaixo, preciso falar com o Severino.
— Certo, até daqui a pouco.
— Até.
Fatinha caminhou apressadamente para o elevador, cumprimentou uma Senhora que morava no mesmo andar, e começou a batucar os dedos no celular. Depois, foi procurar Severino. Ela ainda estava se adaptando à nova vida, então sempre que tinha alguma dúvida, ia procurar o Porteiro.
— Valeu Sevê – despediu-se
Severino apenas acenou e voltou ao trabalho.
Ao atravessar a rua, Fatinha, que estava distraída com o celular, não viu o que aconteceria, apenas sentiu o impacto da moto e caiu, tonta.
— FATINHA! – Bruno gritou ao ver a cena e correu até ela, que estava levantando-se. – Ei, ei, você não pode levantar. – segurou- a pelo braço. Quem passava pela rua olhava para eles com curiosidade. Já estava se formando um circulo de curiosos – Vamos para o hospital.
— Eu estou bem, Bruno – falou, antes de desmaiar.
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