Encontrar Alguém - Brutinha
4 Novidade vs Amigo
Notas iniciais
— Caramba, alguém apaga esse sol – resmungou assim que abriu os olhos, tendo que fechar novamente por causa da claridade. – Meu Deus, parece que eu fui atropel... – interrompeu-se ao lembrar-se do acontecido. – Putz.
Rapidamente, Maria tentou se sentar, mas falhou ao ver a quantidade de fios em seus braços. Bufou frustrada, e apertou o botão ao lado da cama. Se estivesse ela e os filmes que sempre assistira estivessem certos, aquilo chamaria uma enfermeira.
Passado alguns minutos, a porta foi aberta. Não era uma enfermeira.
— Fatinha, graças a deus – Juliana suspirou aliviada.
— Eu tô ótima, nem sei por que me trouxeram pra cá – fez pouco caso, sendo repreendida pela amiga.
— Você foi atropelada, ôh.
— Bah. Que horas são? – mudou de assunto.
— Quase 16h
— Bicho, perdi meu dia – resmungou
— Bicho? Quem fala bicho? – riu
— Eu?
A porta foi aberta novamente, mas dessa ver era uma enfermeira.
— Como você está querida? Sente alguma dor? – perguntou aproximando-se da loira.
— Estou ótima, posso ir embora? – disse agoniada
— Claro, só vou retirar estes fios.
Em alguns minutos as duas jovens já estavam no corredor, onde encontraram Bruno.
— Poxa, onde você foi ein? – Juliana resmungou
— Fui ali, Ju – disse sério. – E por que você não me falou da carta da Ana? – virou-se para Fatinha bravo.
— Primeiro: eu não lhe devo satisfações. – falou e ele fechou ainda mais a cara – Segundo: aqui não é lugar pra isso. Com licença – saiu, deixando os irmãos sozinhos.
— Você também, Bruno – recebeu um tapa da irmã, que saiu atrás da amiga.
***
No bairro as coisas já estavam tranquilas.
Fatinha conseguiu desviar de todas as perguntas, até mesmo do porteiro conversador, Severino.
Ela só queria dormir até não poder mais, e foi o que fez, assim que chegou em casa, trancou tudo e se jogou na cama.
No apartamento vizinho, o clima estava pesado.
Juliana não havia conseguido falar com Maria de Fátima, e culpava o irmão pela saída repentina da mesma.
— Ela podia ter passado mal na rua, seu inconsequente.
— Não exagera maninha. Ela saiu porque quis, eu não fiz nada – bufou e se trancou no quarto.
***
Passada algumas semanas, a vida de todos já estava completamente normalizada. Ou não.
O relacionamento entre Bruno e Fatinha esfriou um pouco, ainda mais quando ele começou a namorar com uma estagiaria do Fórum, a Rita.
Ela não sabia explicar, mas uma raiva incontrolável subia pelo seu peito sempre que via os dois juntos. Juliana dizia que era ciúme. Juliana estava errada.
Dinho, como havia prometido, ligou mais vezes, mas não foi visitar a loira.
Lia e Vitor faziam planos para passar o final do ano com a amiga, mas a situação era um pouco complicada, já que ambos estavam trabalhando.
Ana sumiu do mapa. Depois do acidente, Fatinha levou a carta até a delegacia e prestou queixa, mas, segundo o delegado, isso ainda era insuficiente para incriminar a Ana pelo seu acidente.
O trabalho estava cada vez mais puxado, e Maria já tinha feito alguns amigos, entre eles, Raul, um modelo na empresa. Eles só viviam juntos, o que não agradava nem um pouco o vizinho moreno da garota, que não estava nem aí para ele. “Ele já tinha namorada, então eu também posso ter um”, pensava amargurada. Não, ela não sentia ciúme.
***
— Fatinha, chega pra lá – Juliana resmungou.
— Mas é folgada mesmo, não é? – brincou, dando espaço para a amiga.
Antes de responder, a campainha começou a tocar e elas se entreolharam.
— Você chamou alguém? – Fatinha perguntou enquanto se levantava.
— Não – deu de ombros. – E você? – a outra negou.
Ao abrir a porta, Fatinha conteu o grito.
Não, não conteu.
Ela gritou alto e Bruno, que estava se trocando para sair com Rita, correu porta a fora, esbaforido. A cena que ele encontrou não foi a mais bonita. Fatinha estava chorando, agarrada com um fulaninho. Ele bufou e voltou para dentro, batendo a porta com um pouco de força.
— Adriano, seu idiota, estúpido, desgraçado, eu te odeio – chorou – eu te amo, bastardo.
— Eu sei – zoou. – Não vai me convidar para entrar?
— Claro – limpou as lágrimas e entrou, sendo seguida pelo amigo. Juliana tinha pausado a série e encarava-os curiosa. – Ju, esse é o Dinho, o amor da minha vida – fez graça.
— Oh – levantou-se sorridente – você é o famoso Adriano?
— Famoso? Bom, famoso eu não sou, mas sim, eu sou o Dinho – frisou bem o apelido, rindo. – Prazer. – olhou-a de cima à baixo, fazendo a mesma corar e Fatinha bufar.
— Ela tem namorado, seu babaca – ralhou.
— Ouch – fez-se de ofendido. – Eu não fiz nada.
Juliana apenas ria, era engraçada a relação dos dois.
Logo eles estavam conversando no sofá, enquanto esperavam a pipoca ficar pronta.
— Então, quanto tempo você vai ficar- Fatinha fez manha deitada no colo do cacheado, que brincava com os fios loiros da melhor amiga.
— Dois dias, no máximo, três – respondeu.
— Com licença – Ju falou ao sentir o telefone tocar.
A conversa parou, eles olharam enquanto a garota se afastava com um sorriso no rosto, era óbvio que ela estava falando com o namorado, Gil.
— Desculpa Fat. Eu tenho que ir – disse ao voltar. – O Gil pediu pizza.
— Você vai me trocar por uma pizza? – fingiu-se de ofendida.
— Claro. É pizza, Maria de Fátima – respondeu como se fosse a coisa mais certa do mundo.
— Bom, eu adorei te conhecer, Juliana.
— Ju, por favor. Eu também adorei te conhecer, Dinho – pegou a bolsa, abraçou os dois, que se levantaram para a loira ir abrir a porta, e saiu.
— Ela é a irmã do seu crush?
— Você é uma grande fofoqueira, Adriano. Sim, ela é a irmã do Bruno. E ele não é meu crush – avermelhou ao falar a última parte, e foi apertada em um abraço de urso. O abraço do Dinho, para Fatinha, era o melhor do mundo.
Eles já haviam ficado duas ou três vezes, mas depois decidiram que funcionavam melhor como amigos, desde então, tratam-se como irmãos. Às vezes, quando precisa se livrar de algum “problema”, Dinho pedia para Fatinha fingir ser sua namorada, e o mesmo acontecia com ela.
Uma das histórias mais loucas dos dois aconteceu por causa disso.
Há alguns anos, logo quando Maria entrou na UFMG, um cara de um curso de humanas começou a falar que Fatinha era sua musa inspiradora, e que eles estavam “se pegando” todo dia no banheiro masculino. Na primeira semana ela não se incomodou, mas quando a 5° garota deu um chilique no refeitório, a loira decidiu fazer alguma coisa. Aparentemente, o cara era super famoso na faculdade. Estranho, e uma coisa bem ensino médio, mas era a verdade. Dinho, como bom amigo, decidiu que se passaria por namorado ciumento. A briga foi linda, e até o 2° semestre os alunos ainda comentavam. Fatinha não queria tanto alarde, mas Dinho era exagerado. Eles podiam escrever um livro contando todas as histórias e confusões que se meteram.
— Fatinha? – Dinho começou a cutucar a loira, que estava quase dormindo.
— O que é Adriano? Me deixa dormir – isso o fez rir. Fatinha sempre dormia primeiro.
— Nada, amanhã eu te falo – disse, sabendo que isso a despertaria.
— Maldade – abriu os olhos, curiosa.
— Aquela sua amiga é bem bonitinha
— A Ju? Nem vem, Dinho – riu.
— É, ela mesmo. Pena que namora – comentou pensativo.
— Boa noite, cachinhos. Eu vou ignorar isso que você me disse – deitou-se novamente, abraçando-o. Eles tinham o costume de dormir na mesma cama desde sempre.
— Boa noite, Fat— zoou, mas não obteve resposta, pois ela já estava dormindo.
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