Encontrar Alguém - Brutinha
1 Prólogo
Notas iniciais
Flashback ON
“Eu dançava sem me importar com o amanhã.
Era noite e estávamos em um Luau, em uma Praia do Nordeste. Só não me perguntem o nome, pois, no meu estado, eu não lembro nem que dia é hoje.
— Ei, Fatinha – Ouvi minha prima gritando de longe, mas nem liguei. – MARIA! Caramba, vem cá.
Desisti de ignorar Clarisse e fui ao encontro da mesma, resmungando e bebendo minha Skol Beats. Putz, eu estou bêbada ou morri e fui para o céu?
— Uau – comentei vendo o moreno abraçando a cintura da minha prima. Não, eu não sou uma traíra. A Clarissa é lésbica. – Fala querida.- Voltei minha atenção para ela, que sorria maliciosamente.
— Prima, esse aqui é o amigo da Luciana. Aquele que ela sempre fala.
— Sua namorada tem uns amigos bem interessantes, ein? – Falei fingindo inocência e logo ouvi a risada do ser ao lado dela.
— Prazer, Maria de Fátima, eu sou o Bruno”
Flashback OFF
— Pô, Maria de Fátima, presta atenção aqui! – recebi um tapa de Lia, minha colega de quarto, e revirei os olhos.
— O que foi?
— Você está estranha desde que voltou das férias.
— Não estou, não. Você está paranoica. E o Vitor? – comentei tentando mudar de assunto.
— Ele não vem hoje – falou triste e eu sorri. Vitor era o namorado dela.
— Bom, ele deve estar arrumando as coisas para a mudança, você sabe como o Anjo é.
— “Anjo”. Odeio quando você o chama assim.
— Vai continuar odiando. Agora boa noite, amanhã tenho prova de Construções, e aquela professora é o capeta.
— E eu não sei? Ela é irmã do meu professor de Cálculo II.
Rimos e logos fomos dormir.
Essa semana seria longa.
***
Eu andava apressada pelas ruas de Belo Horizonte enquanto tentava achar o número da Dona Vilma, minha mãe.
— Graças a Deus! – comemorei enquanto fazia a ligação, só pra ser ignorada no terceiro toque. – Ok, cedo demais para comemorar.
Hoje o dia estava uma loucura. Era a última semana de aulas e minha vida estava de pernas para o ar, literalmente falando.
Meu professor de Desenho Arquitetônico selecionou três alunos da turma para um estágio. Isso seria ótimo, mas o estágio era no Rio de Janeiro e eu fazia parte dos escolhidos.
Lia e Vitor iriam no final do mês, quando ambos se formassem.
Vitor cursava Medicina, enquanto Lia era uma quase Engenheira Civil.
Senti o celular vibrando e atendi rapidamente, antes que a ligação caísse.
— Fala, mãe.
— Isso é jeito de falar, Maria?
Gritei quando ouvi a voz do meu melhor amigo de todos os tempos, Adriano.
— Dinho, seu idiota! Por que não me ligou antes? Onde você está?
— Calma, Guria! – sua risada era uma coisa maravilhosa – Bom, eu não liguei antes porque estava muito ocupado esquiando.
— Seu ridículo, faz inveja mesmo.
— É brincadeira, Loira. Estou desembarcando no Aeroporto de Salvador agora.
— Não brinca! Ai, eu queria te ver – fiz manha.
— Bem que eu queria, viu? Mas só vou passar dois dias aqui, logo logo estarei na Amazônia.
— Poxa, você tinha que ser Biólogo?
Conversei com ele mais alguns minutos, só desligando quando ele chegou ao hotel e disse que dormiria um pouco.
***
Não muito longe dali... Não, era muito longe sim, um moreno observava as ondas do mar, enquanto chutava uma pedra e tomava sua água de coco.
Bruno estava cansado de brigas.
Desde que fora viajar pelo Nordeste no começo do ano, Ana, sua namorada, cismou que ele tinha outra. De lá pra cá, as brigas tornaram-se constantes.
Ele havia “fugido” de casa mais uma vez. Juliana, sua irmã, estava de saco cheio da cunhada, e ela nem disfarçava.
A discussão foi feia, Ana estava doente de ciúmes e Bruno não podia fazer nada para ajudar a mesma, que se descontrolava sempre que ouvia as palavras “ajudar” e “você” na mesma frase.
— Eu só queria que tudo ficasse mais fácil – pediu, olhando para o céu.
— E quem disse que é difícil? – Bruno se assustou, mas logo relaxou quando reconheceu a voz do cunhado. – Brigou com a Ana de novo?
— E desde quando não brigamos, Gil?
— Cara, por que você não termina logo com ela? Esse namoro não tá fazendo bem pra vocês.
— Ela simplesmente não aceita o fim. Você acha que eu nunca tentei? Da última vez ela ameaçou se jogar da janela do meu apartamento!
Gil me olhou horrorizado e sem ter o que falar. Apenas dei de ombros e continuei olhando o mar.
***
— Bonito, ein? – respirei fundo e joguei as chaves na mesa. – Isso é hora de chegar?
— Ana, não enche.
— Não enche? NÃO ENCHE? Você saiu cedo e voltou tarde e eu não tenho que te encher? E que cheiro de perfume barato é esse? – disse se aproximando.
— Que cheiro, Ana? Enlouqueceu? – Me afastei da sua ira e fui até a cozinha, enchendo um copo de água e ignorando-a.
— Estava com a vagabunda? Eu a conheço, Bruno?
— Eu estava com o Gil.
— O Gil agora usa perfume de mulher?
— Eu posso perguntar – falei irônico e ela ficou ainda mais transtornada.
— Eu não estou com saco para as suas piadinhas! Fala-me o nome dela agora, Bruno.
— EU NÃO TENHO NINGUÉM, QUE SACO! EU ESTAVA NA PRAIA COM O GIL! – Gritei, colocando o copo de qualquer forma na pia e voltando para a sala.
— EU NÃO ACREDITO EM VOCÊ – chorou me empurrando.
— Ana, não dá mais. Sério, cara, não dá.
Aguardei alguns segundos enquanto ela absorvia o que eu havia dito, empalidecendo logo após.
— Você está terminando comigo, Bruno Menezes?
— Sim. Você não percebe que esse namoro não está mais dando certo? Todo dia é uma briga diferente, Ana.
— Eu vou melhorar, Bruno – implorou, chorando ainda mais. – Não termina comigo, por favor.
— Sinto muito.
— Eu não vou te deixar em paz, Bruno. Anota o que eu estou te falando. Você. Não. Vai. Ficar. Com. Mais. Ninguém! – Falou pausadamente, pegando a bolsa no sofá e correndo para fora do apartamento.
Suspirei cansado e passei a mão no rosto.
Estava feito.
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