Encanto Árabe
27 Puxando o véu
Notas iniciais
Povs Edward...
Walllah! (Por deus) Só eu sei o quanto foi difícil pra mim fingir indiferença e desprezo quando Bella entrou na sala da empresa. Se a encarasse ao menos uma vez saberia que ainda a quero e a desejo com a mesma intensidade de antes... ma sayakun min alskhf! (o que seria um absurdo) Pois fiz tudo errado na esperança de conquistá — la... A sequestrei, a forcei a ficar do meu lado e ela quase morreu por isso.
Sempre tive todas as mulheres que quis, todas se "derretiam" diante do meu título de bilionário do petróleo... Menos a mulher que amo com todas as forças do coração. Sim, amo e é inútil negar esse sentimento que só faz crescer, maththal alnnar allati taltahim qalabi. (como um fogo que devora meu coração) Mesmo não entendendo o que levou a me procurar o fato é que sei que me despreza, ainda que nos dias que permaneci na américa nenhum processo foi movido contra mim.
Será que desistiu de me processar? la yamkin! (não é possível) Pois não teve um só dia que não me ameaçasse. Pelo menos consegui me recompor antes do Black entrar na sala e assinar o contrato com sua empresa. Decidi passar o próximo mês no Catar. Talvez permanecer em minha terra natal me ajude a tirar Bella da cabeça... Porém, os dias no palácio, o silêncio do deserto não ajudou como imaginei, wakanat alssudawiat sharikatay faqt. (e a melancolia era minha única companhia)
O sábio do deserto falou que deixá — la ir poderia lhe aproximar de mim... Mas, pelo visto ele se enganou. Minha mãe pareceu notar minha tristeza e numa certa manhã veio até meu quarto.
– Ma, abny? (o que há, meu filho) Desde que voltou ao palácio não é mais o mesmo.
Ela me conhecia muito bem, era quase impossível lhe enganar. A abracei carinhosamente.
– 'Inna bikhayr, (estou bem) não é nada.
Ela acariciou meu rosto, antes de prosseguir de forma afetuosa.
– Hadha hu abni, wa'ana 'asheur 'annah min algharib... (é o meu filho, sinto que está estranho) Voltou a se desentender com o sultão?
Minhas brigas com meu pai eram mesmo frequentes. Não era fácil lidar com um rei Árabe com pensamentos antiquados e muitas vezes preconceituosos em relação ao resto do mundo. E o fato dele ainda manter um Harém, apesar de minha mãe ser a primeira esposa, nunca foi confortável pra mim, mas desta vez meu abatimento não tinha nada a ver com ele.
– La, al'am. (não, mãe) Não se preucupe. Estou bem.
– Então talvez já esteja na hora de falar em escolher uma boa moça árabe pra você. La tazn? (não acha)
Me afastei dela lhe dando um olhar sério.
– Sabe que sou um Árabe, mãe. Todavia não pretendo viver com um. Pretendo me casar por amor e não ter um Harém. ln 'afeil alzzawaj almurtab. (jamais farei um casamento arranjado)
Ela sorriu e abanou a mão sacudindo as pulseiras de ouro em seu pulso. Aliás, além de seus trajes árabes serem tecidos a ouro, as jóias, cordões e gargantilhas em abundância, eram uma marca entre as mulheres da realeza no meu país.
– Bialttabe 'ana 'aelam... (é claro que sei) Seu pai também sabe ainda que não concorde. Mas, é se nunca se apaixonar? Vai precisar de um herdeiro... Ou não?
Se ela soubesse que já tinha a rainha perfeita e a deixei escapar... De qualquer forma mamãe tinha razão... Porém, nesse momento não tinha cabeça pra isso. Só conseguia pensar em Bella e nada mais.
– 'Ana 'aerif dhallak, (sei disso) mas agora não quero pensar em filhos, em meu título. Vim aqui apenas pra buscar um pouco de paz, mãe.
Ela me olhou de forma preucupada antes de dizer.
– 'Arju allh... (espero que deus) Traga a paz que procura.
O dia pareceu se arrastar, e a noite chamei Seth pra trazer o meu jantar. E por falar nele andava estranho desde o dia que fui até a empresa da Bella. Agora costumava se atrasar quando o chamava, era como se escondesse algo de mim, ou talvez fosse só impressão. E assim que ele entrou no meu quarto, empurrando o carrinho com o jantar falei num tom seco.
– Limadha yastaghriq waqtaan twyla? (Por que demorou tanto) O que está havendo com você, Seth?
– Aghfir li, ya sahib alssumuww. (me perdoe, Alteza) Já estou algum tempo longe do Catar, acho que me desacustumei aos horários.
O olhei com desconfiança.
– É só isso, mesmo?
– Com certeza, senhor. Me perdoe. ln yatakarrar hudha. (isso não se repetirá)
– Amul dhalik. (assim espero)
– Eu tenho uma surpresa pro senhor... Ela virá mais tarde.
– Ma almufaja'at? (que supresa)
– Wajariat aljadid. (uma nova odalisca) Espero que goste.
Talvez fosse bom ver essa dançarina, quem sabe assim não me interessava por ela e parava de sofrer por uma mulher que não me quer. Assim que terminei o jantar me deitei sobre as almofadas no chão pra esperar a odalisca. E quando entrou vestia duas diminutas peças num tom rubro, coberto por véus. Tinha um corpo cheio de curvas, pernas torneadas, parte do busto exposto... Quase tão sexy quanto a Bella... Mas, nunca encontraria outra como ela... 'abadaan. (nunca)
Seu rosto possuía um véu mais claro. Ainda sim era impossível vê — lo. Quando começou a dança era graciosa, sensual. Mas, de alguma forma a moça me pareceu bem familiar... Lógico! Já que não tirava Bella da cabeça era normal a enxergar em todas as mulheres. Ela tinha uma longa espada Árabe... a dança delas com esse objeto era comum por aqui. Porém, ela pareceu desajeitada ao segurar o instrumento, como se não tivesse familiarizada com ele. O que era estranho... As mulheres árabes começavam a aprender a dança com espadas ainda na infância.
E de repente a espada escorregou de sua mão e na tentativa de segurá — la, ela ofegou e acabou dizendo com tensão:
– Não!
Conheceria aquela voz suave, e firme em qualquer lugar, meu coração disparou com a suspeita que se instalou nele. Ela não conseguiu impedir que a espada caísse aos seus pés... E não esperei nem mais um minuto pra matar a minha curiosidade e saber se minha suspeita era certa ou se estava ficando louco. Então me aproximei lentamente dela, wasahibat alhijab aldhy yughatti wajahha. (e puxei o véu que cobria sua face)
Continua...
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